O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel [2001]


A trilogia de «O Senhor dos Anéis», juntamente com o franchise de Harry Potter e, ainda mais recentemente, as reinvenções complexas de Batman pela mão de Christopher Nolan, é um dos maiores marcos cinematográficos da minha geração. É impressionante a quantidade de gente que adora estes filmes e que os revê vezes sem conta, como se a sua vida dependesse daquelas histórias, daquelas personagens, daquelas ficções. Infelizmente, (ainda) não conheço, totalmente, nenhum dos três, para poder justificar, a meu ver, se o culto que geraram estes três mundos cinéfilos é merecido. Mas uma coisa é certa: têm de ter qualquer coisa de especial, para conseguirem mover tanta gente, tantas paixões culturais, e, sejamos sinceros, tanto dinheiro. São cultos que passaram pela minha "meninice" e que perpetuam agora, e que persisto em pôr de lado. Do Harry Potter conheço alguns filmes (apaixonei-me pela série em pequeno, quando vi o primeiro filme no Cinema - percebi medianamente as legendas, estava a aprender a ler nessa altura - e a minha "obsessão" continuou com a sequela, de um universo que me interessava mas que não compreendia perfeitamente. Depois, a "paixão" desapareceu, vi os quarto e quinto filmes, e o último no grande ecrã na estreia, e achei até uma conclusão satisfatória, mesmo não estando a par de tudo o que ficara para trás com o desenvolvimento das aventuras do feiticeiro caixa d'óculos), e de Nolan conheço apenas a segunda fita da trilogia do Cavaleiro das Trevas. Faltava-me conhecer, pelo menos um pouco, da história de «O Senhor dos Anéis». Vi «A Irmandade do Anel» há dois dias, numa fantástica edição em blu-ray (a primeira vez que vi um filme nesse formato) noutra casa que não a minha, e fiquei surpreendido. Há pessoas que verão mais qualidade neste filme do que aquilo que eu pude percecionar, com o meu olhar crítico e mais virado para outras tendências (incluindo as duas pessoas com quem estive a ver a obra), mas no fim de contas, fiquei a conhecer algo que não estava mesmo nada à espera de encontrar: um Grande épico, que pegou no universo mítico criado por Tolkien, e que conseguiu fazer um filme que não só agradou aos "tolkienianos" como também a pessoas que (tal como eu) nunca pegaram nos livros originais da história de Frodo, Samwise, Gandalf e companhia. É claro que todo o cinema mais "comercial" pode ser criticado (mesmo que, muitas vezes, as críticas de muito crítico especializado rondem tudo o que é exterior a um dado filme), mas penso que existem dois tipos de "blockbusters": os que são feitos quase de uma maneira estandardizada e em série, e os que são milimetricamente pensados e adaptados para as audiências que gostam de pipocas, mas também de ver um grande filme que lhes fique na memória, que lhes apeteça discutir e que queiram rever muitas vezes. Nesta segunda secção, encaixaria este primeiro tomo da trilogia de «O Senhor dos Anéis», realizado por Peter Jackson (sinceramente, seria muito difícil, naquele "tão longínquo" ano de 2001, pensar que o autor de filmes algo... duvidosos, como «Bad Taste» e «Agarrem-me Esses Fantasmas», conseguisse fazer algo com uma qualidade e uma espectacularidade tão grande. E, para bem de muita gente (e nisto, digo os milhões de fãs de Tolkien, ou só dos filmes, que estão espalhados por esse mundo fora), ele conseguiu atingir esse objetivo.

Frodo descobre o poder do Anel, numa altura em que os sarilhos apertam.
Não conseguindo ser tão preciso quanto aos locais, às personagens e à cronologia de «A Irmandade do Anel», e impedindo que algum fanático, com uma tocha e uma forquilha nas mãos, me tente encontrar se eu cometer alguma heresia acidental, apenas posso dizer, em relação ao seu conteúdo (e meu Deus, já se escreveu tanto sobre o mesmo que estar a "engonhar" sobre o assunto seria totalmente desnecessário - apesar de que a arte do engonhanço, por si mesma, já é totalmente inútil), que se trata do início de uma jornada longínqua, por causa de um anel "precioso" com inúmeros poderes e que, se cair em mãos erradas...é capaz de dar sarilho. Por variadas coisas que me são impossíveis de contar por escrito, Frodo Baggins, cujo Tio, Bilbo, era proprietário dessa peça de bijuteria desde há umas boas décadas, decide levá-lo até a um lugar seguro, impedindo que os maus da fita o apanhem e consigam concretizar os seus desejos de malvadezas. E para não cometer mais nenhum pecado sobre a história de Tolkien, apenas posso comentar os aspetos cinematográficos de «A Irmandade do Anel»: acima de tudo, é importante destacar os maravilhosos efeitos visuais do filme, que dão uma magia absoluta à obra de Peter Jackson. É uma oportunidade única tomar-se contacto com imagens tão espantosas, tão belas e tão bem filmadas e construídas como têm as deste filme, para cuja "epicidade" contribui, também, a fantástica banda sonora de Howard Shore (que também deu o seu auxílio musical para outros filmes como «A Mosca» de Cronenberg», «O Silêncio dos Inocentes» de Jonathan Demme e «Ed Wood» de Tim Burton). É um autêntico espetáculo visual, musical e narrativo (se bem que, neste último, para mim - e por favor, não voltem a acender as tochas depois de eu proferir isto - não esteja assim tão perfeito), empolgante, e que me fez ficar interessado por um género cinematográfico (a Fantasia) que nem costuma ser um dos que visualizo com mais frequência. Tem um mundo muito próprio, cujos paralelismos entre a "realidade" e a ficção quase são invisíveis, e onde tudo só faz sentido ali (como aquelas pequenas particularidades da história que me explicaram, e que, noutra situação, não poderiam servir para nada), e por isso, temos de entrar neste universo e estarmos disponíveis a entendê-lo e a, assim, conseguir gostar dele e a admirá-lo. A imaginação de Tolkien era imparável e pormenorizada, e Peter Jackson conseguiu fazer um filme muito bem feito a partir da criatividade do autor. E num século onde o género épico é quase inexistente (ou que, quando reaparece, dá poucos ares disso mesmo), é impressionante notar como, com «A Irmandade do Anel», se conseguiu renovar esse tipo de Cinema e mesmo a própria arte cinematográfica. Sim, grande parte dos filmes de hoje em dia são elaborados com muitos efeitos especiais. Mas poucos (mesmo muito poucos) conseguem ser tão esplendorosos, mágicos e tão bem pensados (nada é posto por acaso, e não se fazem as coisas para os estúdios ganhar o máximo dinheiro no "box-office" possível, sem se pensar no que está a ser feito) como este primeiro capítulo de «O Senhor dos Anéis». E talvez ainda me impressione mais com o que aí vem a seguir. Pelo menos, é o que me estão sempre a dizer...

* * * *

Comentários

  1. Glad you liked :D Eu vou admitir, sou daqueles maluquinhos que já viu isto, vá, perto de 10x, haverão piores, eventualmente xD Mas se achaste este narrativamente "não perfeito" (e friso que este é o meu preferido), os seguintes vão-te desagradar ainda mais, em particular o segundo, que para mim é o pior (e ainda assim tão bom xD). Ahhh, viste a versão de cinema ou a alargada? A alargada era capaz de apagar os complexos que tiveste com a narrativa...

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    1. Hum, não sei. Tenho de ver para "crer" no que tu disseste. Vi a de cinema, quais as diferenças em relação à alargada?

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    2. Tem aí mais uma meia hora de filme, e a parte da narrativa e dos personagens fica mesmo bem desenvolvida. Os restantes vão aumentando, e se não me engano, o 3.º ainda tem mais uns 50 minutos de filme, fica um filme aí de 4h, é grande, mas a coisa melhora a olhos vistos. But it is just my opinion xD...

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  2. Anónimo3/7/13 01:15

    Rui gostava que não me identificasses sabendo muito bem que me vais identificar pois as indirectas destinam-se a mim.

    1º Em relação às indirectas, quero afirmar que eu só me tornei um Tolkiano após ler «O Hobbit» há 2 anos atrás, sendo que tal acto foi precedido pela leitura de os «Os Filhos de Húrin» 2 anos antes e o visionamento dos Senhores dos Anéis quando eu era uma criança. O que me fez tornar num Tolkiano não foi «uma obsessão como se fosse a minha razão de viver» mas antes a curiosidade que me fez querer saber mais sobre o mundo de Senhor dos Anéis, levando-me a agora ler «O Silmarilion», pois este mundo épico que Tolkien começou a escrever há mais de cem anos, é bastante prenchido por detalhes fabulosos e epicíssimos sendo que a esta obra literária é bastante superior às porcarias, isto para não dizer outra palavra que começa com a letra M, (as quais todos conhecemos)sendo que a maior parte da literatura fantástica actual é baseada no modelo literário Tolkien, no seu tipo de mundo fantástico (elfos, anões, etc.)ou inspirado na sua literatura (como, cito, George R. R. Martin disse numa entrevista, «Tolkien, enquanto escritor, é um Deus para mim e para a minha literatura!) e metade da minoria restante, sobretudo as Vampirices são uma treta bastante simples a qual servem para agradar a um grupo, como é que se pode dizer isto de uma forma bastante delicada e inofensiva, histéricas ( o sinónimo mais inofensivo e delicado que encontrei para este grupo no dicionário português). Mas em relação ao meu gosto pelo filme Senhor dos Anéis deriva do facto de que este se destinge numa das funções do cinema: a apresentação e/ou criação de um Mundo e/ou realidade inexistente e fica sabendo que os filmes fantásticos não são a minha preferência, pois o filme Eragon é uma treta e os filmes do canal Scifi uma «porcaria» pois outro dos aspectos que gostei bastante no Senhor dos Anéis foi a mistura de fantasia com o épico, o qual Peter Jacson fabulosamente transmitiu para o cinema, contrariando todas as opiniões que afirmavam que o senhor dos anéis era uma impossível de ser transmitida para o cinema devido à sua pormenorização,lembrando-te que entre um dos meus filmes favoritos é o «Gladiador», um grande épico e que o Harry Potter para mim é algo razoável e que os novos Batman recebem a minha atenção devido às suas cenas de acção.

    2º O Senhor dos Anéis não são 3 livros ou 3 filmes separados, mas são antes uma única História dividida em um principio, um meio e um fim, pois a acção é sempre continua.

    3º Eu disse-te que a 3ª parte (O Regresso do Rei) é que é a melhor pois é o culminar das acções passadas na 1ª e 2ª partes, sendo que o a 2ª parte que não tem o impacto de choque e maravilha da 1ª, nem o impacto do clímax e finalização da 3ª, sendo um elo se ligação entre a 1ª e a 3ª, a continuidade da acção da 1ª para a 3ª, daí ser considerada a mais fraca mas ainda assim tão importante para história de o Senhor dos Anéis como a 1ª parte e a 3ª parte.

    4º Como provavelmente deduziste do meu primeiro ponto, Peter Jackson não adaptou a obra a um filme épico, sendo a obra já épica a qual ele transmitiu para o cinema (com a ajuda da fantástica banda sonora).

    5º Eu sei que o Blu-ray parece não faz diferença, é o melhor formato no qual se pode visualizar em grandes ecrãs televisivos adaptando o filme extremamente bem para este género de ecrãs.

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  3. O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel: 4*

    Gostei bastante da história de "O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel" e conseguiu cativar-me, o argumento de "The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring" estava bem construído e todas as personagens me cativaram à sua maneira.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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