sábado, 1 de junho de 2013

O Grande Gatsby: a intemporalidade de uma obra genial


E quando todas as atenções estão viradas para a adaptação cinematográfica de Baz Luhrmann e protagonizada por Leonardo DiCaprio (e que até tem sido um relativo sucesso nas salas de cinema portuguesas), eu decidi pôr mãos à obra e saciar um dos meus maiores desejos literários: ler «O Grande Gatsby». E depois de uma leitura assaz devoradora, de uma obra que, constatei, é completamente de génio, apenas posso confirmar, como muitos já o disseram, a intemporalidade da história de Fitzgerald: a história de Jay Gatsby e todas as obscuridades que rodeiam o seu passado, narradas na primeira pessoa por Nick Carraway, que teve o prazer de conhecer essa excêntrica e complexa personagem, fazem-nos entrar, de uma forma profunda, num mundo que não é o nosso, que olhamos de uma distância considerável mas que, no fim de contas, não nos importávamos de, por uma vez, podermos nele participar. Sim, porque apesar de todos os problemas que Gatsby, ou os "amigos" que o rodeiam, geram ao longo da narrativa (muitos deles por culpa da relação entre ele e Daisy, uma rapariga completamente desprovida de algum interesse - a meu ver), quem não desejou ver as festas da mansão de Gatsby ao vivo, e não se limitar "apenas" ao que a imaginação a literatura nos permite conceber (e que, muitas vezes, nos leva a ideias e conceitos tão distantes da realidade das coisas)... que atire a primeira pedra.

«O Grande Gatsby» é um romance de crítica e de exposição da sociedade, através destas pessoas que nunca seriam um exemplo ou um modelo de vida para alguém no mundo. Grande parte das pessoas que rodeiam Gatsby não passam de gente oca e banal, que apenas se aproveita do dinheiro que este possui e que utiliza de uma forma desenfreada. Quando há dinheiro, há amigos, mas na obra o poder do dinheiro confunde-se com o poder do amor, e aquele dito universal que muitos adoram apregoar aos sete ventos tem o seu quê de verídico: "o dinheiro e as paixões são as duas coisas que fazem o mundo girar". É o romance entre Daisy e Gatsby, é a desventura entre Nick e Jordan Baker, é o secretismo das infidelidades do marido de Daisy... tudo, em «O Grande Gatsby», é demais condicionado pelas tais duas coisas que comandam o planeta. E no exemplo dos exageros e atribulações deste caricato (e icónico) conjunto de personagens, encontramos uma metáfora preciosa, e humana, sobre a nossa própria vida. Talvez aqui Fitzgerald estivesse a fazer o seu próprio exame de consciência, mas como não sou um investigador literário do autor, mais vale não continuar a teorizar coisas que, muito provavelmente, nada têm a ver com a realidade. Mas que «O Grande Gatsby» tem um pendor autobiográfico, isso ninguém pode negar.

Justamente considerado uma das obras primas da literatura universal (está incluído em, praticamente, todas as listas literárias alguma vez feitas que versam sobre esse "tema"), «O Grande Gatsby» sofreu o mesmo mal de muitos grandes tesouros da cultura mundial: não foi um sucesso quando foi pela primeira vez publicado, durante a década de 20. Contudo, tornou-se a obra mais popular do seu autor, e deve ser, provavelmente, um dos livros mais "imortais" de sempre, e irá continuar a impulsionar gerações, a ser polémico e atual e a fazer correr rios de tinta a seu respeito. Algo que se deve a toda a fantástica narrativa engendrada por F. Scott Fitzgerald, como também graças às suas deliciosas (e devorantes) descrições, e à linguagem genial e subtil que utilizou para contar esta sua história. Uma história que ultrapassa fronteiras e que é uma lição de vida para toda a Humanidade.

2 comentários:

  1. Texto belíssimo sobre um dos livros maiores de sempre. É óptimo que malta da tua idade se interesse por ir à raiz de tudo, que é a literatura. Para muita gente, ler um livro como o Grande Gatsby é tarefa tão homérica como ler um Ben-Hur.

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