domingo, 5 de maio de 2013

Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind)


«Uma Mente Brilhante» é um filme feito especificamente para ganhar Oscares. E de facto, esta fita realizada por Ron Howard («Apollo 13», «Frost/Nixon») e protagonizada por Russell Crowe («Gladiador» - ganhou um prémio da Academia de melhor ator por este filme mas neste que vou criticar tinha sido muito mais merecedor dessa regalia - e «L.A Confidencial») mereceu as honras da gala de prémios cinematográficos mais famosa do Mundo, conquistando quatro estatuetas (Melhor Filme, Realizador, Argumento Adaptado e Atriz Secundária - para a fascinante interpretação de Jennifer Connely, que ascendeu à fama com «A Vida não é um Sonho», de Darren Aronofsky) e o reconhecimento de críticas e públicos por diversos países muito concentrados nas novidades da Sétima Arte americana. Mas não é por isso que se deve denegrir o filme, nem criticá-lo sem se ter visto o mesmo primeiro: porque cheguei à conclusão que este é uma grande fita. Não é bestial, não é fantástica, mas mostra o Cinema Americano no seu melhor. Sim, porque nem sempre para vermos filmes difíceis, que nos façam sentir coisas completamente estranhas ou que nunca pensaríamos ser possível que um filme pudesse proporcionar. Não tendo esse objetivo, «Uma Mente Brilhante» é uma bonita obra que alerta para temas que são ainda alvo de preconceito na nossa sociedade. É um filme sobre um homem genial e a sua obra genial, concentrando-se, também, nas perturbações que a sua mente provocou na sua atribulada vida. E sem ser demasiado plástico, banal ou "bonitinho", penso que «Uma Mente Brilhante» toca nas emoções certas, para uma boa fita ao melhor estilo de Hollywood que é. Há filmes que ganham o Oscar e nem percebemos o porquê. Mas eu talvez consiga entender como é que este triunfou nesse ano de 2002, mesmo que o mesmo tenha sido rico em bons projetos cinematográficos: é um filme à la Hollywood, mas acrescentando a particularidade de também conseguir ser um filme muito bom, inteligente e cativante.


«Uma Mente Brilhante» é um drama sentimental, com um argumento muito bom e com uma música altamente propícia para puxar a lágrima (talvez por isso tenha conquistado a Academia - eles gostam de filmes que pesem no coração - e isso não é mau, muito pelo contrário.. talvez por isso passem despercebidos muitos grandes filmes pelos Oscares, mas esses, por outro lado, não veem nos Oscares a base do seu reconhecimento). É um filme biográfico sobre John Nash, um fabuloso matemático cuja vida sempre foi dedicada aos números e a tudo o que os envolve, recebendo, pelo seu contributo para a Humanidade, o Prémio Nobel da Economia em 1994. Apenas dei algumas informações noticiosas sobre Nash, porque o filme aborda tudo isto e muito mais, e que pouco posso revelar sem correr o risco de me tornar um "spoilador". Será que é uma história de política e espionagem? Será que se trata de um thriller psicológico sobre o pensamento de um génio? Ou será que é uma historieta de amor (que, ao princípio - e em parte do seu desenvolvimento - é tipicamente hollywoodesca)? «Uma Mente Brilhante» pôs-me estas dúvidas ao longo do seu visionamento porque aponta para várias direções ao mesmo tempo - olhei para as notas que tirei da fita depois de a ter visto e vi como a sua narrativa me fez tirar variadas conclusões precipitadas sobre a mesma, conclusões essas que errei na sua maioria. Mas uma coisa é certa: por trás de todo o lado ficcional que o filme acarreta (mas também desengane-se que estes filmes biográficos, na maior parte das vezes, chegam perto da realidade dos factos de que estão a adaptar - e não é por isso que deixam de ser bons ou maus), há uma preocupação em mostrar a personalidade de Nash de uma forma detalhada. Não muito complexa, é certo (porque mostrar a genialidade de uma pessoa como ele, tal como os seus distúrbios e problemas mentais, não cabe em qualquer filme, livro ou recriação que possa ser feita) mas que deixa, ao menos, um gostinho por querer saber mais sobre esta espantosa figura. E nesse ponto, «Uma Mente Brilhante» consegue acertar. E sendo um filme que é sobre uma pessoa que é contra as normas e o que está previamente estabelecido - mostrando como ele quer ser Ele num mundo tão vulgar, daí ser tão anti-social e afastado do Mudno -, é por isso que angariou tanta popularidade ao longo dos anos. O cinema gosta de "outsiders", mesmo que eles sejam mostrados da maneira ligeira e delicada das produções de Hollywood. A essência da indiferença de um homem em relação ao "padrão" dos que o rodeiam persiste apesar de todo o embelezamento cinematográfico. E bem!


Contra todos os estigmas do bom gosto cinéfilo (porque o Cinema não é só feito de filmes espantosos - e é importante referir isto sempre que possa, porque talvez assim haja mais respeito por todos os tipos de filme que existem e se perceba o papel que cada um tem para a cultura geral), gostei muito de «Uma Mente Brilhante». Não é um filme que me emocione, porque não me emociono com este tipo de coisas, mas o filme foi para mim muito mais do que uma peça importante para a Academia verter lágrimas e, por isso, ganhar prémios. É um filme muito bem realizado e ritmado, com uma história inteligente e diversificada que, sendo muito "mainstream", consegue abranger a vários setores de "intelectualidade". E mesmo que sirva, apenas para alguns, para motivar a conhecer uma grande história de vida e pesquisar mais sobre a obra de John Forbes Nash, penso que Ron Howard e companhia já fizeram um grande contributo para a Humanidade: porque vidas e personalidades como a de Nash não se encontram todos os dias...

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