sexta-feira, 10 de maio de 2013

Tudo é e não é - o novo livro de Manuel Alegre



Nós não somos apenas feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos. Também somos o mistério que os sonhos são.

Eu leio menos livros do que gostaria. Mas nos últimos dias tenho dado, felizmente, um "forcing" nas leituras, o que me tem proporcionado visitar escritas e autores mais variados de uma forma mais descontraída. Li há poucos dias, e de uma forma muito rápida e acessível, o romance «Tudo é e não é», de Manuel Alegre. Já tinha gostado da novela simples que é «Cão como Nós», mas esta obra é bastante diferente: trata-se de uma história complexa e intrigante, onde sonhos, pessoas e situações se confundem na cabeça de António Valadares, o protagonista que tem muito de alter-ego de Manuel Alegre. Cita filmes, vê-se nas situações de alguns desses filmes, confunde acontecimentos reais e pessoas que conhece com a mais pura fantasia que o sono proporciona à sua mente: nela aparece um guerrilheiro ao estilo de Che Guevara, um recepcionista de um hotel que lhe avisa constantemente que está atrasado para apanhar o autocarro (mas qual autocarro, caramba?!), como também figuras históricas como Trotsky e Lenine. Tudo se confunde na mente de António Valadares, o que proporciona um romance interessante, algo político (e com algumas mensagens, algo panfletárias diga-se, dedicadas à atualidade portuguesa) mas que acaba por ser uma narrativa muito interessante, que levanta mais perguntas que respostas e que acaba por ter mais conteúdo do que se poderia esperar. Não acreditava que Manuel Alegre pudesse fazer uma história destas...

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