Lawrence da Arábia: a grande obra prima de volta ao grande ecrã


Vou ser rápido, curto e direto (ou por outras palavras: não vou fazer uma crítica interminável - ou pelo menos, vou tentar). É-me difícil escrever muito sobre um filme que me diz tanto como «Lawrence da Arábia», uma das obras primas do Cinema Americano (um épico em Grande, sem clichés como muitos do género na época - e que depois o fizeram esgotar rapidamente, veja-se o flop que foi «Cleópatra» com Elizabeth Taylor e Richard Burton - apostando na sua grandiosidade, no seu conteúdo, e em tudo o que a Sétima Arte proporciona à arte do espetáculo). A primeira vez que vi «Lawrence da Arábia» deveria ter uns doze, treze anos. Vi o filme todo de seguida, praticamente. Nunca tinha visto nada assim - aliás, penso ainda hoje que foi graças a este filme e a «O Grande Ditador», que visionei quase na mesma altura, que comecei a deixar de ser apenas um consumidor de filmes, mas também um cinéfilo -, e pelo que a minha memória me diz, nunca voltei a rever o filme dessa forma. Tentei várias vezes visionar tudo (acho que consegui fazê-lo uma vez, mas não me recordo bem), mas desisti sempre por não conseguir ver um filme tão Grande num ecrã tão pequeno. Não dá, é contra-natura: «Lawrence da Arábia» é um filme unica e exclusivamente para se ver no Cinema, ou melhor, para se poder vê-lo com a atenção devida, só no ecrã maior. E ontem, revi-o na antestreia da fita, apresentada por João Lopes, Nuno Galopim e Lauro António, integrada nas Sessões Clássicas dos UCI (o próximo filme será «Até à Eternidade», passo a informação), e acho que o achei trezentas vezes (no mínimo) mais grandioso do que da primeira vez. Fiquei com a sensação que «Lawrence da Arábia» foi, para mim, o que para muitos é «A Desaparecida» de John Ford: um filme cheio de simbolismos, repleto de mensagens, e a transbordar de poesia visual. E se calhar, se algum dia me doutorar (coisa que não deve acontecer), ainda faço uma tese sobre esta magnífica obra. A ver vamos.


«Lawrence da Arábia» não se trata apenas de um épico ao grande estilo americano. Não se trata somente da amostra dos esquemas de Hollywood para fazer concorrência à novidade da altura - a televisão (e o filme só ficaria ainda melhor se visto num ecrã original de Cinemascope!). Nem é só um filme de guerra. É tudo isto e muito mais: é Teatro (sim, porque este é que é o verdadeiro cinema teatral, assente nos grandes diálogos e nos grandes atores vindos da dramaturgia - ao contrário do que muitos gostam de dizer, não é em Oliveira que está o Teatro, muito pelo contrário, porque as peças não são feitas como nos mostra a visão cinematográfica do realizador português... e desculpem este pequeno aparte), é fotografia, lindíssima e espetacularmente utilizada (as paisagens do deserto e a forma como T.E Lawrence, interpretado pelo Grande Peter O' Toole, que faz muito mais com o olhar do que tudo que se possa dizer por palavras, é filmado, aumentam ainda mais a "inesquecibilidade" da fita - e Lawrence é, pura e simplesmente, uma das melhores personagens do Cinema de Hollywood, tão intrigante, tão misterioso, tão... desconhecido!). É um estudo sobre a guerra e, pasme-se quem pensa que o cinema de guerra da época era demasiado conservador, mostra imagens violentíssimas (nem me lembrava de grande parte dessa violência) e uma densidade espantosa na psicologia das personagens e do caso apresentado, numa reflexão constante e, digo, muito inteligente sobre a tragédia dos conflitos armados e da liderança dos povos europeus sobre as suas colónias, durante os primeiros anos do século XX (uma das muitas ironias que encontrei no filme foi a comparação entre os árabes e os ingleses: enquanto os primeiros sobrevivem no deserto controlando muito bem a água que possuem, para durar o máximo de tempo possível, os segundos, em reunião com Lawrence no Cairo, estão numa salinha que tem, ao centro, uma pequena fonte que deita água que ninguém utiliza e que só serve para "embelezar" o espaço...). E mais, muito mais: «Lawrence da Arábia» é um filme que possui tudo. E se muita coisa me escapou com doze ou treze anos, algo persistiu e tornou-se, agora, ainda mais forte: o impacto da personagem de O' Toole na minha pessoa. Na altura, até fui à biblioteca e li uns quantos livros sobre este grande homem, com uma personalidade tão complexa e tão... interessante. Concluindo (porque disse que ia ser curto): «Lawrence da Arábia» é um filme do Cinema, para ser visto no Cinema, e que faz parte da História do Cinema. Tenho dito!

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Comentários

  1. Zé da Adega9/5/13 14:25

    Rui, é só para avisar que a largura de 1000 pixéis, é larga demais para o DVD mania, mas aqui no blog ficaram excelentes as imagens. Sugiro uma largura de 600.

    Se existe algum comando naquele forum para redimensionar imagens, eu também gostava de conhecer, por motivos obvios, vindo de mim.

    Eu uso um programa freeware chamado fast stone image viewer, para redimensionar automaticamente, quer seja uma imagem ou 10 milhoes, com apenas 1 comando. FIca a dica se der jeito.

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    1. Olá José, obrigado pelo aviso! De facto, eu reparei nisso, aqui no blog as imagens são automaticamente ajustadas ao tamanho, no DVDMania isso não acontece. Mas decidi deixar a imagem como está: gosto bastante daquele fotograma e não o quis retirar! :)

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