sexta-feira, 10 de maio de 2013

Felizmente Há Luar, e a nossa realidade


«Felizmente Há Luar!» é a outra obra de leitura obrigatória para o 12.º ano, a par de «Memorial do Convento». É uma grande peça de teatro, carregada de simbolismo, e que representa bem uma época e todos os sentimentos da mesma... através da busca de uma época passada. O autor Luís de Sttau Monteiro (responsável, entre outras coisas, pelas hilariantes «Redações da Guidinha») pega no absolutismo e adapta-o ao Estado Novo, mostrando como a repressão e a censura do regime monárquico têm tanto a ver com a ditadura de Salazar. Mas a peça permanece atual por outros motivos além do histórico (e que ilustra tão bem a censura): a mensagem de «Felizmente Há Luar!» adequa-se a todas as eras, ditatoriais ou não, opressivas ou não, corruptas ou não. É como «O Triunfo dos Porcos», de George Orwell: apesar do autor ter escrito este fabuloso romance há mais de cinquenta anos como um alerta ao comunismo, permanece uma obra que desperta a nossa atenção para aquilo que nos rodeia e que devemos tentar compreender pela nossa própria cabeça, e não pela de outrem. As personagens da peça alertam o espectador para a situação "atual", observando como o tempo muda, mas como muita coisa continua na mesma (para além daquelas particularidades do ser humano, iguais desde sempre e que o continuarão a ser). Mas apesar de todos os males da sociedade, há sempre razão para se ter esperança. E vista hoje em dia, em que partes é que «Felizmente Há Luar!» choca mesmo com a realidade portuguesa? Deixo esta dica como um passatempo para vós, leitores deste estaminé, pensarem um pouco. Espero respostas!

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