sexta-feira, 10 de maio de 2013

Eu li o Memorial do Convento todo.


Há uns tempos, quando a minha escrita era demasiado infantil, inconsequente e sem qualquer tipo de interesse (quer dizer, tudo isto se mantém na atualidade, se bem que de uma maneira um bocadinho menos acentuada), critiquei demasiado Saramago sem conhecimento de causa. Ao longo dos anos fui respeitando o senhor, e li um dos seus livros: «A Viagem do Elefante», de que não gostei muito. Ao contrário deste «Memorial do Convento», o seu romance mais famoso (muito provavelmente por, todos os anos, a malta do 12.º ter de o ler para a disciplina de Português...), que gostei muito. Li com calma, porque este é daqueles livros para se ler mesmo bem. Não deixar escapar nada. Fui lendo capítulo a capítulo sem pressa, e preservando a calma a que uma escrita como a de Saramago exige. E se a princípio voltar a este tipo de pontuação me custou um pouco, lá me habituei. E gostei muito da história, dos seus personagens, e do plano histórico e ficcional que se cruzam constantemente. Acho que me apercebi só que gostei muito do livro quando o terminei de ler e quando vi que sabia grande parte das cenas, das histórias, dos pensamentos dos personagens e da visão ultra-pessimista de Saramago (ou melhor dizendo, segundo as suas próprias palavras, "eu não sou pessimista, o mundo é que é péssimo). O «Memorial do Convento» é um dos grandes romances da literatura contemporânea, e mesmo sendo uma tortura para muitos (admito que certas sequências do livro me custaram um pouco a ler), é preciso reconhecer a força desta obra, que caracteriza, em tudo, toda a bibliografia de Saramago. Eduardo Lourenço diz que este livro tem "tudo". Talvez sim, talvez não. Mas é um grande livro. E Saramago não queria que fosse este o livro indicado para as escolas, mas provavelmente, uma história como a de Baltasar, de Blimunda, do rei D. João V e do Padre Bartolomeu "Voador" Lourenço, entre muitas outras personagens, passaria ao lado a muita gente. E quer gostemos quer não, é sempre necessário tomar contacto com novas realidades, e com novas escritas.

1 comentário:

  1. Para Saramago o Mundo era péssimo pois ele não era capaz de tolerar ideias e idéias diferentes das suas, o comunismo e o ateísmo!

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