A Minha Fé, distinta da Razão.


Não costumo escrever sobre temáticas que digam mais respeito à minha pessoa neste recanto blogueiro. Por uma razão muito simples: não gosto de dar, aos outros, um vislumbre da minha vida privada. Que aliás, é uma chatice e de interessante nada possui, por isso mais vale ficarem pelas coisas que escrevo sobre Cinema e afins. Mas isto é diferente, porque este fim de semana fiz o Crisma. Foi uma etapa importante na minha vida de cristão. E, se para muitos pode não ter qualquer significado (ter crenças ou não, who cares? Cada um tem a sua opinião e deve é haver tolerância uns para com os outros!), bolas, para mim parte da minha vida mudou. Eu acredito muito na minha religião (se bem que lhe aponto todos os erros que possa ter, nas alturas em que é necessário expô-las - e nisto refiro principalmente o dogma demasiado rígido, em certos aspetos, do Cristianismo, e do demasiado conservadorismo e de algum poder excessivo que a Igreja quer, ainda, ter, pelo menos alguns sacerdotes o desejam...) e sinto isto como algo verdadeiro, para a minha pessoa, para a minha existência. A caminhada que fiz, durante os últimos meses, até fazer o Crisma, ajudou-me, ao contrário do que muitos possam pensar, a abrir ainda mais a minha mente e a explorar o que verdadeiramente acredito. O Crisma ajudou-me ainda mais a descobrir as razões (pouco racionais - e ainda bem) que impulsionam a Fé. Leio muitos livros, artigos e reportagens sobre religiões, tal como programas de TV, filmes e vídeos na net sobre a temática. Quero sempre descobrir mais e mais, e mesmo que, muitas vezes, me cruzo com argumentos muito bons e muito válidos que podem desvalidar a minha crença (e outros que a comprovam bem), não consigo deixar de acreditar que há algo acima de nós. Porquê? Não sei. Isto não é do domínio da Razão, logo, não sei explicar. E o inexplicável é a coisa mais fascinante do Mundo.
 
Acho importante que as pessoas comecem a olhar para a religião de outra forma, e o mesmo digo para as pessoas que fazem parte das seitas. Este novo Papa (que, felizmente, não tem sido criticado semanalmente por qualquer coisa que diz por ser mal interpretada, como se sucedia, na maior parte das vezes, com Bento XVI) quer abrir novas portas, e felizmente tem tido boa aceitação por parte dos crentes e não crentes. E reparem: Bergoglio é uma pessoa conservadora. Contudo, não quer impor a sua opinião como a única que é válida. E é esse espírito que, na minha opinião, as religiões deveriam ter. É preciso abrir caminhos de união, de fraternidade e de diálogo inter-religioso. Coisas tão bonitas que já tive conhecimento, como uma iniciativa entre cristãos e ateus que, há uns tempos, soube pelo «Câmara Clara», são necessários! Caramba, nenhum de nós tem a resposta definitiva e certa para o sentido da vida, para todas aquelas questões que (penso eu) perseguirão sempre a Humanidade. Vamos mas é viver as nossas vidas e aproveitar as experiências tão diferentes que cada um tem sobre a vida. Porque só isso a torna muito mais interessante.
 
P.S - Desculpem, os próximos posts não voltarão a ter um nível de profundidade e deprimência tão grande como foi o deste. Quis armar-me em inteligente e em "tipo-que-escreve-coisas-interessantes-e-de-valor", mas parece que, para não variar, deu asneira. As minhas sinceras desculpas.

Comentários

  1. Caro Rato:

    Gostei muito do que li, embora não concorde com a maior parte. Como dizes e bem a tolerância é primordial neste assunto- não acredito em Deus, nenhum deles, nem santos, nem apóstolos nem demónios ou então teria, por via da razão a que te referes, de acreditar em vampiros e lobisomens, fadas e duendes. O Homem inventou toda uma parafernália de divindades para justificar o que não entendia, de oráculos a semideuses acabando no próprio Jesus Cristo (por acaso viste o documentário de James Cameron- O Túmulo de Cristo?)por alguma razão tais obras acabam sempre proibidas pelo Vaticano, pergunto-me porquê, se é tudo uma questão de fé evidências científicas não deveriam ter qualquer relevância, certo? Não é isso que se passa e sim uma tremenda cabala da própria Igreja Católica contra o progresso e a noção estranha que o "homem está a fazer de deus". Claro que está, é um deus em todos os aspectos, para o pior e para o melhor! A clonagem de células estaminais proibida pela Igreja implica um tremendo retrocesso da ciência em nome de um suposto Deus que no fundo só existe dentro de ti.
    É que aquilo que tu chamas tolerância não existe dentro da igreja, se eu adorar qualquer outro deus, ou nenhum, sou imediatamente posto de parte, como já fui inúmeras vezes por padres católicos. Fui posto fora de uma IPSS (como psicólogo) por não ser católico!
    Tudo isto resulta num abandono crescente das crenças e na total falta de influência que os católicos têm hoje em dia.

    Não existem verdades absolutas, tudo é relativo, como dizia Einstein!

    Um abraço

    JP

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    1. Caro JP, são opiniões! :) Mas em relação ao documentário do James Cameron, penso que ele se centra naquilo que, para mim, não me afeta como crente. É claro que há muita coisa que a Igreja esconde (e este Papa, ao que parece, quer reformar a Igreja nos sacerdócios e outros temas polémicos e já o tentaram "travar", ao estilo do que fizeram com João Paulo I), mas no fundo, há algo que não arranjo explicação e que não está só dentro de mim. É difícil de explicar, mas deve ser por isso que é interessante! :) Não há mesmo verdades absolutas, e ainda bem.

      Um Abraço,

      Rui

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    2. Anónimo5/5/13 12:01

      Caro João Pedro e Ruizinq

      Tu J.P., bom chefe de Família com Pai e Avô exemplares médicos atentos aos pobres e a todos, só podes ajudar na luta contra o pessimismo onde a Psicologia é fundamental e imprescindível.
      Ao longo dos séculos criaram-se muitas "complicações"...o RIGOR teológico complica muitas vezes....a multiplicidade de regras que o DIREITO dos homens estabelece leva a dizer "não" e afasta muitos para sempre...os RITUAIS solenes com regras muito fechadas....a Oração muitas vezes pautada por devoções complicadas e repetidas, quando a simplicidade pede o falar com Deus como falar com um amigo, esperando a resposta na leitura da Palavra. São excertos do "Elogio da Simplicidade" ao Papa Francisco que nos transmitem Fé e Esperança, escritos por Mons.Feytor Pinto na folha informativa da Paróquia do Campo Grande. Contamos contigo para que todas as Paróquias se tornem Grandes.
      Abraço amigo e bom Domingo,
      Rui de Sousa

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  2. Anónimo2/5/13 19:22

    Discordo quando o senhor afirma que aquilo que sente é inexplicável, é na verdade, explicável pois não é nada mais, nada menos, que a manifestação e ação do Espírito Santo através dos sete dons que recebeu deste no Crisma.
    E parabéns pelo seu novo começo!

    O Zézinho.

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    1. Tá bem senhor Zézinho (aka Francisco Graciosa), depois falamos sobre o assunto! ;)

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  3. Não tens que ter vergonha de falares da tua fé. Aliás, acho que este mundo está a tornar-se demasiado cínico e que as pessoas começam a tornar-se exactamente naquilo que apontam que a Igreja católica era na Idade Média - intolerantes.

    Por acaso devia ter mais ou menos a tua idade quando me afastei da Igreja, mas foram por razões completamente diferentes. Eu acredito em Deus e em Jesus, se calhar até mais do que muitos crentes, mas para isso não preciso de ir à missa semanalmente.

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    1. Anónimo5/5/13 12:09

      Ricardo, obrigado pelo comentário e pela tua opinião! Teremos de caminhar para uma menor intolerância, e isso só as pessoas têm de compreender... ;)

      Um Abraço,

      Rui

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  4. Anónimo6/5/13 11:06

    Muito bem, PENSAR, EXISTIR, ASSISTIR e continuaremos a SALVO para além da loucura. A Fé com a força da razão.

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