sexta-feira, 10 de maio de 2013

A escrita de MEC


Desde há uns bons dois anos que leio as crónicas que, diariamente, Miguel Esteves Cardoso escreve para o jornal Público. E só há pouco tempo (no mês passado), decidi pegar em alguns livros do autor, que autenticamente devorei: dois de crónicas («A Causa das Coisas» e «Último Volume») e um romance, o seu mais emblemático e polémico (sim, é esse que estão a pensar. Preciso de colocar o título aqui?), que revelam uma escrita irreverente, original, neurótica e... viciante. E também fui assistir ao lançamento do novo livro do MEC nos Pastéis de Belém, na semana passada. Mas o que há para dizer sobre o autor, ou "in other words", o que eu posso dizer sobre Esteves Cardoso, é... nada. Está tudo dito, ponto final. Ou talvez não. Posso apenas acrescentar que o autor regressou à esfera pública, com agora os seus livros a pertencerem à Porto Editora, no momento certo. A sua forma de ver o mundo, muito cómica, observadora e muitas vezes "parvamente" genial, tornou-o, ao longo dos anos, num escritor irreconhecível no panorama literário português (que é tão bom e que não se resume, felizmente, apenas aos clássicos do Eça e do Camilo...). Há uns tempos vi uma sessão do «Falatório», da RTP Memória, em que Esteves Cardoso debatia com Saramago, Agustina Bessa-Luís, e mais uma autora que de momento não me recordo o nome, a literatura e a escrita de cada um deles. E apesar de nada ter a ver com algum dos outros intervenientes, MEC é tão importante como qualquer um deles, não haja dúvida. Pelas gerações que já cativou, pelas opiniões e polémicas que já despertou, pelo reconhecimento e pelo mérito de que já foi alvo. E vale sempre a pena ler o MEC. Se não quiserem pegar nos livros, aproveitem para ler os seus pequenos apontamentos diários do Público. Já sabem muito bem para desenjoar da canseira do dia a dia...

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