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A mostrar mensagens de Maio, 2013

Rui Responde n.º 24 (o último... por agora!)

Hoje chega ao fim a fornada de perguntas que me foram fornecidas por alguns leitores fiéis desta minha Companhia das Amêndoas para que a rubrica do «Rui Responde» pudesse voltar durante umas semanitas. E assim foi. Agora é como as séries britânicas: pequenas temporadas que surgem entre intervalos de tempo muito grandes. Mas podem já a começar a "trabalhar": enviem perguntas para eu responder num próximo "comeback" desta rubrica! Já sabem: ruialvesdesousa@hotmail.com, a caixa de comentários deste post ou o facebook! Façam tudo para eu continuar a dizer parvoíces, peço-vos!
70.ª pergunta Qual é a tua opinião sobre o feminismo?
Inês Rebelo

Ahá, eis a pergunta dos cem mil dólares! Cá vou eu esmiuçar um tema muito polémico, como sempre gostei de fazer nestas coisas do blog. Ora muito bem, a minha opinião sobre o feminismo é a seguinte: é uma posição extrema ou algo extrema, e eu não gosto de extremos. É claro, e está mais que provado, que as mulheres são superiores aos h…

Tabu: no período áureo do moderno cinema português

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«Tabu» é um dos filmes portugueses mais badalados dos últimos anos no mundo inteiro. E ainda bem, porque isto só mostra que o cinema português tem muito para dar e vender e pode trazer muitos consumidores estrangeiros a descobrirem a sétima arte na língua de Camões. A obra de Miguel Gomes (realizador de «Aquele Querido Mês de Agosto) andou em diversos festivais de cinema do planeta, saindo vencedor em duas categorias do certame da "Berlinale". O merecimento ou não-merecimento destes prémios é algo totalmente subjetivo, dependendo dos nossos gostos e daquilo que gostamos de ver em Cinema. Mas tenho a dizer que fiquei agradavelmente surpreendido por este «Tabu». Tem um bom argumento, inteligente e sedutor (que por vezes possa pecar por alguma incoerência ou "literatura" nos seus diálogos, o que faz com que perca um pouco a sua energia e a sua cinefilia - mais aquele início, que me pareceu mal executado e, mesmo, um pouco ridículo - dava uma ótima "cena eliminad…

Rebecca: o reconhecimento de Hitchcock por Hollywood

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Rebecca, a mulher que dá título ao filme homónimo de Alfred Hitchcock, o primeiro (e único) da longa filmografia do cineasta (que conta com mais de seis dezenas de títulos) a ser premiado com o Oscar da Academia para Melhor Filme (e que, com esse reconhecimento, catapultou-o para as lides cinematográficas de Hollywood, o que o levou a fazer grande parte das obras primas que tantas vezes são hoje referenciadas), é uma das personagens mais misteriosas que já integrou as tramas impressionantes, empolgantes e, por vezes, aterrorizantes, que compõem o universo do Mestre do Suspense. Contudo, Rebecca tem uma vantagem sobre todas as grandes personagens hitchcockianas das outras (muitas) lendárias obras do realizador (como é o caso do detetive "Scottie" Ferguson e da misteriosa Madeleine Elster, pela qual o primeiro fica obcecado, em «Vertigo», ou o do fotógrafo voyeur de «A Janela Indiscreta» ou ainda até o perturbado Norman Bates de «Psycho» - são muitas grandes personagens e est…

Esta semana em UM LANCE NO ESCURO...

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Esta semana UM LANCE NO ESCURO não foi emitido quarta, mas sim sexta feira, às 15 horas, gravado em direto na RSC. O convidado é o ilustre dobrador, humorista e imitador Bruno Ferreira. A sua voz pode ser ouvida em inúmeros filmes e programas de TV, e fez parte da equipa do «Contra-Informação», na RTP1, e que é agora «Contrapoder», nas SIC's Notícias e Radical. Também o podem ver todas as segundas-feiras no «5 para a meia noite», e este vídeo é apenas um de muitos grandes momentos hilariantes que o meu próximo convidado já proporcionou ao Mundo. Vinde ouvir amanhã, porque diz que vai valer muito a pena!

O Comboio Apitou Três Vezes (High Noon)

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Arriscaste a vida para apanhar uns bandidos e depois um júri liberta-os para eles voltarem e te matarem. Se fores honesto, arruínas a tua vida. E acabas morto e abandonado num beco qualquer. Para quê? Para nada, por uma estrela de prata.


«O Comboio Apitou Três Vezes» (e não vou perder tempo com a idiotice da tradução portuguesa do título) é um western invulgar dentro do panorama americano dos anos 50, ainda dominado por uma onda mais "certinha" de narrativas menos arriscadas, menos ousadas e com um teor mais repetitivo (salvo algumas importantes exceções) que inundavam muitos filmes de um género cinematográfico que, na época, era uma autêntica indústria dentro da indústria. Mas o filme de Fred Zinnemann, protagonizado por Gary Cooper (que levou o Oscar para casa pela personagem central do filme, o xerife à beira da "reforma" Will Kane) veio "revolucionar", em parte, o método de se contar o far-west no grande ecrã, puxando numa história onde o herói perde …

Regresso à Laranja Mecânica

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«Laranja Mecânica», um dos filmes a pertencer, sem dúvida, ao meu top 10. Um filme que gosto mais e percebo melhor de cada vez que o revisito. Uma obra prima da História do Cinema e, para mim, o melhor filme (entre os que vi) de Stanley Kubrick. Voltei a vê-lo no final da semana passada. Cada vez compreendo melhor a forte mensagem social e cultural que Kubrick (e o autor do livro que inspirou a história e atribulações de Alex, Anthony Burgess) pretenderam transmitir com toda a narrativa e com os avanços e recuos que se sucedem na vida sádica, estrondosa e, para ele, divertida, do protagonista, cuja forma de vestir voltou a tornar "cool" o uso do chapéu de coco. Ah, e com «Laranja Mecânica» a adorável música que Gene Kelly entoou em «Serenata À Chuva» tornou-se símbolo de más memórias e de traumas noturnos para muitos. Mas lá está, o filme não se trata de um retrato sem nexo e inconsequente de um grupo de miúdos violentos e com divertimentos pouco usuais (e tão bem que se ad…

O Vigilante (The Conversation)

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Pouco tempo depois do sucesso planetário do primeiro capítulo da trilogia «O Padrinho» (que pela altura da estreia de «The Conversation», o segundo filme estava a ser preparado), que obteve o mérito mundial e o reconhecimento que ainda hoje se fazem sentir, por um dos filmes que fará sempre parte, sem dúvida, da "lista" dos melhores filmes de todos os tempos, o realizador Francis Ford Coppola decide apostar numa história original, de sua autoria (aliás, era isso que ele queria para a sua carreira de realizador, ao princípio: não fazer adaptações mas utilizar a sua própria criatividade narrativa nos filmes que, posteriormente, faria. Assim, após «O Padrinho», Coppola opta por "regressar" às origens do seu pensamento cinéfilo e foi buscar um argumento que tinha deixado na gaveta por alguns anos para poder, agora, torná-lo num filme apetitoso no grande ecrã. E se há um adjetivo que eu posso utilizar para qualificar «The Conversation» é mesmo esse, apetitoso. Trata-se…

O episódio 7 de UM LANCE NO ESCURO

Um Lance no Escuro - Episódio 7 (22-05-2013) - Mário Bomba by Rui Alves De Sousa on Mixcloud Sétimo programa de «Um Lance no Escuro», o magazine sobre Cinema e tudo o que o envolve, depois de uma semana de ausência devido ao aniversário do mamífero autor desta coisa. O convidado é o ilustre Mário Bomba: ator, humorista, um indivíduo que também empresta a voz a muita bonecada da televisão e dos filmes. Uma grande conversa, que tornou este programa hilariante (mais seria se eu tivesse alguma graça...). A banda sonora da semana é o tema de abertura de «Psycho», por ser também o filme escolhido do Mário, mas devido a um problemazinho técnico, a música deixou de dar a certa altura e a emissão ficou em silêncio por breves instantes. Peço desculpa pelo incómodo, mas quando chegarem a essa parte avancem a emissão um bocadinho para a frente e assim, não têm de aturar mais nenhuma chatice. Obrigado, e bons filmes! ;)

Samuel Úria e «O Grande Medo do Pequeno Mundo»

O novo disco do genial Samuel Úria, "O Grande Medo do Pequeno Mundo", é talvez a melhor descoberta musical que fiz este ano. Esta grande música é apenas uma das várias pérolas que possui este álbum. Há outras igualmente fantásticas como «Lenço Enxuto», «Forasteiro», «Essa Voz»... praticamente, é todo o disco uma grande pérola da música nacional. Escutai!

Disponível para Amar

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Já nada que lhe tenha pertencido existe.

Wong Kar-wai já não era um realizador desconhecido no panorama cinematográfico mundial antes de ter mostrado ao Mundo «Disponível para Amar» (o cineasta já tinha dado que falar, anos antes, com «Chungking Express»), mas foi sem dúvida graças a este filme de 2000 que o cineasta deixou de passar despercebido por alguma alminha cinéfila que ande por este planeta. Provavelmente o seu filme mais conceituado, «Disponível para Amar» é um exemplo óbvio de como a forma de um filme pode melhorar o seu conteúdo, ou em certas partes, torna-lo mais secundário (porque, se formos a ver, a história de amor que faz parte de toda a trama da fita não é nada de outro mundo, mas a "arte" consegue levantar o espírito da narrativa de uma maneira surpreendente!). Deve ser esse poder que muita gente vê em filmes como, por exemplo, «A Árvore da Vida», mas que a mim me escapam por completo. Mas pelo menos, em «Disponível para Amar», consegui perceber a essência…

O Rui Responde n.º 23

Já o disse e retorno a afirmar: eu gosto tanto, mas tanto desta rubrica, que invariavelmente esqueço-me de publicar mais uma edição. Mas pronto, como as perguntas estão a chegar ao fim, e este vai ser o penúltimo «Rui Responde» desta fornada, é sempre bom continuar a encher chouriços. Mas se quisererdes fazer questões já sabem: no blog, no facebook (o link está do lado direito deste blog) ou mail ruialvesdesousa@hotmail.com. Mais três perguntas da Inês Rebelo respondidas, a partir de... agora! 67.ª pergunta Comer demasiado é crime? (vi esta frase há algum tempo, gostava de saber a tua opinião) Acho que comer demasiado não é crime, excetuando para a pessoa em questão. Eu gosto de comer, mas sei controlar-me. Se a outra pessoa não sabe, não é nenhum "criiime". Apenas para a saúde dela. Mas para o resto do Mundo, o que importa? É só mais um ser humano a encher o mundo de gordura. Qual é a cena? Acho que é mais crime fazeres perguntas parvas. Já afetam mais pessoas, neste caso d…

O Estranho Caso de Angélica

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Aprendi a respeitar Manoel de Oliveira mesmo que não seja um particular apreciador dos seus trabalhos. Se agora olhar para as coisas que disse sobre o centenário realizador há uns anos, no blog, sei que hoje isso não passam de infantilidades sem qualquer tipo de argumentação (isto é, excetuando que «Cristóvão Colombo - O Enigma» continua a ser um dos piores filmes que vi na minha vida) e que apenas se pode julgar um artista pelo seu trabalho quando se é conhecedor do mesmo. E por isso, ultimamente, tenho feito algumas incursões no cinema de Oliveira. Duas críticas feitas, falta-me apenas fazer a de «O Estranho Caso de Angélica», um filme muito recente que é a penúltima longa-metragem realizada, até agora, por Manoel de Oliveira, para completar a fornada tripla de fitas do realizador que vi nos últimos dias. Este não foi o último visto (mas sim «Porto da Minha Infância»), mas acho que só agora é que consigo escrever qualquer coisa de jeito sobre ele. Vamos lá a ver o que sai daqui...

Momentos de Glória (Chariots of Fire)

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A sequência inicial de «Momentos de Glória» («Chariots of Fire» no original, um título que, numa tradução literal portuguesa, poderia não soar tão bem - a escolha que fizeram até que foi acertada, porque condiz com o filme e a sua história) é, sem dúvida, uma das mais icónicas e populares da História do Cinema, sem que muitos de nós a tenhamos propriamente visto (tal como o facto de sabermos que o Darth Vader é pai do Luke Skywalker sem precisarmos de ter passado a vista pela trilogia original «Star Wars»). Sim, porque é inacreditável a maneira como qualquer pessoa associa a popular banda sonora de Vangelis, criada para esta fita (e que ganhou o Oscar, um dos quatro que o filme arrecadou no princípio dos anos 80) a pessoas a correrem em câmara lenta. Todos temos esta imagem da cabeça, e muitos não sabem mesmo de onde é que ela surgiu. Só que já é uma sequência tão imitada e tão referenciada que talvez se tenha perdido, na cultura popular, a sua origem para a maioria das pessoas. Mas …

Esta semana, em UM LANCE NO ESCURO...

Esta quarta-feira, as 17:30, na RSC, volta UM LANCE NO ESCURO. O convidado é o actor e dobrador Mário Bomba (tanta bonecada que tem a voz dele!). Ultimamente não tenho conseguido atualizar frequentemente o blog, mas lá para quinta feira posto coisas novas, nomeadamente mais críticas de Cinema (tenho neste momento cinco "acumuladas"). Ouçam o programa, que vai valer muito a pena!

Jesus Cristo Bebia Cerveja - um livro surpreendente

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Um livro surpreendente que conheci nos últimos dias, esta obra curiosa do autor Afonso Cruz. Uma história irreverente sobre religião, ciência, amor, família, literatura e sentimento, onde uma aldeira do Alentejo, envelhecida e esquecida pelo tempo, assume o papel principal de uma narrativa onde se cruzam as duas protagonistas, Rosa e a sua Avó Antónia, que deseja visitar a Terra Santa antes de morrer, com outras individualidades como o intelectual Borja, conhecedor das obras clássicas gregas, a senhora Whittemore, uma milionária que é proprietária da aldeia, e o pastor Ari, perdido de amores por Rosa. Numa escrita única, cómica, irónica e muito subtil, Afonso Cruz guia-nos por um mundo muito português que nos faz pensar no país, suas tradições, seus costumes e suas gentes, de uma forma inteligente e que não dá azo ao exagero ou ao saudosismo (muito pelo contrário...). Uma história muito original, um estilo arriscado e irreverente que muito prazer me deu ler e devorar em cada página e…

Euzinho a participar em iniciativas doutros blogs

Podem ler um artigo meu para a iniciativa "O Meu Ciclo" do blog A Janela Encantada. O tema que eu escolhi foi Cinema e Literatura e dou 25 sugestões cinematográficas bem interessantes envolvendo estas duas grandes artes! ;) http://ajanelaencantada.wordpress.com/2013/05/16/o-meu-ciclo-por-rui-alves-de-sousa/

Os 18

Hoje, 15 de maio, nasciam, entre outros, James Mason, Joseph Cotten, Chazz Palminteri, L. Frank Baum e Humberto Delgado. 
Em 1928, o Mickey estreava-se no cinema com o seu primeiro desenho animado, «Plane Crazy». E em 1940 abria o primeiro McDonalds em San Bernardino, Califórnia. 
E esta data é feriado nas Caldas da Rainha e é o dia da independência do Paraguai. 
E por coincidência do destino, lá nasci eu no dia 15 de maio, mas do ano de 1995. 
Obrigado por todas as mensagens, por todos os abraços, por todo o carinho e amizade que me têm proporcionado ao longo deste dia. E que ainda vai só a meio... ;)

P.S - Hoje não há UM LANCE NO ESCURO, porque também preciso de descansar, não é?

Beleza Americana

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Muito provavelmente, «Beleza Americana» é um dos mais controversos e polémicos vencedores do Oscar de Melhor Filme na História dos Prémios que a Academia das Artes e das Ciências do Cinema atribui anualmente. E porquê? Porque se trata de um filme atrevido, corrosivo, que ataca a moral e os bons costumes da velha guarda de Hollywood e que não é um filme nada certinho como o são muitos dos vencedores dessa honra do Cinema Americano. Este filme catapultou o realizador Sam Mendes (que agora é um dos cineastas mais conceituados da atualidade - para mim o James Bond começou a ter interesse graças a «Skyfall», o mais recente filme do franchise, realizado por Mendes, e esperam-se mais capítulos com a sua assinatura), que aposta sempre em projetos diferentes, interessantes e com algum toque de "revolucionarismo". Veja-se também essa grande pérola do Cinema Independente que é «Um Lugar para Viver», com John Krasinski e Maya Rudolph, ou então «Caminho Para a Perdição», um filme que ad…

Esta semana, em Um Lance no Escuro...

... não há Um Lance no Escuro por duas razões distintas: a primeira, é que eu faço anos na quarta e não me apetece "trabalhar"; a segunda, é que vai haver uma coisa bem mais gira em substituição (e o autor deste programa vai participar nela, o que vai tirar a parte "gira" dessa coisa), e que não podeis perder na tarde de quarta feira!

O Al.

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Quando me lembro do Al Pacino, o meu ator de preferência (entre os vivos), apenas me ocorre uma palavra para o descrever: ousadia. 
Ora, como tenho de fazer uma apresentação amanhã para português sobre esse tema, vou lá falar do Al. Espero, em três minutos, conseguir dizer alguma coisa de jeito e que dignifique merecidamente este grande artista. É um exemplo, de vida, de carreira (mesmo que ultimamente tenha feito filmes mais fraquinhos) e do verdadeiro Cinema. Sem o Al, nada seria o mesmo hoje em dia...

EDIT (14/05/2013) - Entretanto mudei de ideias. Não dá para falar do Al em apenas três minutos... tanto para dizer e tão pouco tempo...

Porto da Minha Infância: Oliveira e a cidade que o viu nascer

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A convite do produtor Paulo Branco (responsável por uma boa parte do cinema português que o Mundo tem conhecido nos últimos anos), e enquadrado na iniciativa do Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, Manoel de Oliveira realizou este «Porto da Minha Infância». Uma revisitação a alguns dos lugares mais emblemáticos da capital Invicta em que nasceu o cineasta português mais conceituado do planeta, e às memórias que o realizador guardou de situações, pessoas e eventos que marcaram os primeiros anos da sua vida, hoje centenária e tão emblemática. Com um forte teor nostálgico, saudosista e emocionado, Oliveira adapta as suas memórias, que relata, em voz-off, ao longo dos cinquenta e sete minutos deste quase-documentário, a cenas cinematográficas que dão vida ao que a mente do autor permitiu que ele se recordasse até então sobre os primórdios da sua existência, que tanto mostra a forma como a cidade do Porto mudou (para o bem e para o mal) durante um século. Revisitando o Porto do "…

Tudo é e não é - o novo livro de Manuel Alegre

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Nós não somos apenas feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos. Também somos o mistério que os sonhos são.

Eu leio menos livros do que gostaria. Mas nos últimos dias tenho dado, felizmente, um "forcing" nas leituras, o que me tem proporcionado visitar escritas e autores mais variados de uma forma mais descontraída. Li há poucos dias, e de uma forma muito rápida e acessível, o romance «Tudo é e não é», de Manuel Alegre. Já tinha gostado da novela simples que é «Cão como Nós», mas esta obra é bastante diferente: trata-se de uma história complexa e intrigante, onde sonhos, pessoas e situações se confundem na cabeça de António Valadares, o protagonista que tem muito de alter-ego de Manuel Alegre. Cita filmes, vê-se nas situações de alguns desses filmes, confunde acontecimentos reais e pessoas que conhece com a mais pura fantasia que o sono proporciona à sua mente: nela aparece um guerrilheiro ao estilo de Che Guevara, um recepcionista de um hotel que lhe avisa constant…

Felizmente Há Luar, e a nossa realidade

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«Felizmente Há Luar!» é a outra obra de leitura obrigatória para o 12.º ano, a par de «Memorial do Convento». É uma grande peça de teatro, carregada de simbolismo, e que representa bem uma época e todos os sentimentos da mesma... através da busca de uma época passada. O autor Luís de Sttau Monteiro (responsável, entre outras coisas, pelas hilariantes «Redações da Guidinha») pega no absolutismo e adapta-o ao Estado Novo, mostrando como a repressão e a censura do regime monárquico têm tanto a ver com a ditadura de Salazar. Mas a peça permanece atual por outros motivos além do histórico (e que ilustra tão bem a censura): a mensagem de «Felizmente Há Luar!» adequa-se a todas as eras, ditatoriais ou não, opressivas ou não, corruptas ou não. É como «O Triunfo dos Porcos», de George Orwell: apesar do autor ter escrito este fabuloso romance há mais de cinquenta anos como um alerta ao comunismo, permanece uma obra que desperta a nossa atenção para aquilo que nos rodeia e que devemos tentar co…

A escrita de MEC

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Desde há uns bons dois anos que leio as crónicas que, diariamente, Miguel Esteves Cardoso escreve para o jornal Público. E só há pouco tempo (no mês passado), decidi pegar em alguns livros do autor, que autenticamente devorei: dois de crónicas («A Causa das Coisas» e «Último Volume») e um romance, o seu mais emblemático e polémico (sim, é esse que estão a pensar. Preciso de colocar o título aqui?), que revelam uma escrita irreverente, original, neurótica e... viciante. E também fui assistir ao lançamento do novo livro do MEC nos Pastéis de Belém, na semana passada. Mas o que há para dizer sobre o autor, ou "in other words", o que eu posso dizer sobre Esteves Cardoso, é... nada. Está tudo dito, ponto final. Ou talvez não. Posso apenas acrescentar que o autor regressou à esfera pública, com agora os seus livros a pertencerem à Porto Editora, no momento certo. A sua forma de ver o mundo, muito cómica, observadora e muitas vezes "parvamente" genial, tornou-o, ao longo…

Eu li o Memorial do Convento todo.

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Há uns tempos, quando a minha escrita era demasiado infantil, inconsequente e sem qualquer tipo de interesse (quer dizer, tudo isto se mantém na atualidade, se bem que de uma maneira um bocadinho menos acentuada), critiquei demasiado Saramago sem conhecimento de causa. Ao longo dos anos fui respeitando o senhor, e li um dos seus livros: «A Viagem do Elefante», de que não gostei muito. Ao contrário deste «Memorial do Convento», o seu romance mais famoso (muito provavelmente por, todos os anos, a malta do 12.º ter de o ler para a disciplina de Português...), que gostei muito. Li com calma, porque este é daqueles livros para se ler mesmo bem. Não deixar escapar nada. Fui lendo capítulo a capítulo sem pressa, e preservando a calma a que uma escrita como a de Saramago exige. E se a princípio voltar a este tipo de pontuação me custou um pouco, lá me habituei. E gostei muito da história, dos seus personagens, e do plano histórico e ficcional que se cruzam constantemente. Acho que me aperceb…

Lawrence da Arábia: a grande obra prima de volta ao grande ecrã

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Vou ser rápido, curto e direto (ou por outras palavras: não vou fazer uma crítica interminável - ou pelo menos, vou tentar). É-me difícil escrever muito sobre um filme que me diz tanto como «Lawrence da Arábia», uma das obras primas do Cinema Americano (um épico em Grande, sem clichés como muitos do género na época - e que depois o fizeram esgotar rapidamente, veja-se o flop que foi «Cleópatra» com Elizabeth Taylor e Richard Burton - apostando na sua grandiosidade, no seu conteúdo, e em tudo o que a Sétima Arte proporciona à arte do espetáculo). A primeira vez que vi «Lawrence da Arábia» deveria ter uns doze, treze anos. Vi o filme todo de seguida, praticamente. Nunca tinha visto nada assim - aliás, penso ainda hoje que foi graças a este filme e a «O Grande Ditador», que visionei quase na mesma altura, que comecei a deixar de ser apenas um consumidor de filmes, mas também um cinéfilo -, e pelo que a minha memória me diz, nunca voltei a rever o filme dessa forma. Tentei várias vezes v…

Um Lance no Escuro - Episódio 6 (disponível online poucos minutos depois de ter acabado a emissão em direto!)

Sexto programa de «Um Lance no Escuro», o magazine sobre Cinema e tudo o que o envolve, emitido dia 08-05-2013 em direto na RSC. O convidado foi o Professor e Crítico de Televisão Eduardo Cintra Torres, que proporcionou aqui uma grande hora de conversa sobre tudo... e também sobre Cinema! 

Um Lance no Escuro - Episódio 6 (08-05-2013) - Eduardo Cintra Torres by Rui Alves De Sousa on Mixcloud

A Lista de Schindler

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Depois de ter colmatado uma de muitas falhas cinéfilas que ainda tenho de corrigir (a lista é interminável) ao visionar, há pouco mais de uma semana, o épico de Steven Spielberg «A Lista de Schindler», consegui perceber o quão complexo este aparentemente simples drama sobre o Holocausto consegue ser: abrange muitas perspetivas, muitas ideias e muitos ideais de vida, sem ter conseguido ser, como muitos afirmam, um filme idiota. Talvez se todos os atores do filme falassem os idiomas originais das personagens que interpretam, a perspetiva com que muitos ficaram desta obra teria sido completamente diferente (às vezes um pormenor ou outro ajuda), e talvez assim menos críticas seriam feitas à americanização da história de Oskar Schindler, motivo para uma série de pessimismos picuinhas sobre a veracidade ou não dos acontecimentos retratados. Mas «A Lista de Schindler» não é um filme qualquer sobre o Holocausto e o impacto de uma das maiores tragédias da História da Humanidade no nosso Mundo…