Uma honra. Uma grande honra.


No passado dia 16 de março, sábado, o ator António Fonseca fez algo de prodigioso na cultura portuguesa. Esteve durante todo o dia a dizer (e não a declamar - são coisas diferentes) toda a epopeia de «Os Lusíadas», o celebérrimo poema de Camões que tanto tem sido estudado (sendo os estudiosos obrigados a isso ou não) e admirado. Eu tive a honra de participar neste projeto. De uma forma pequenina, é certo, mas participei. E fiquei muito orgulhoso do resultado final.

Durante todo o dia, foram ditos os primeiros nove cantos de «Os Lusíadas». O décimo, que foi apresentado às onze da noite deste sábado passado, teve a participação de vários grupos convidados de diversas partes de Lisboa, e cada grupo preparou a leitura de uma pequena porção de estrofes, com o ator a principiar a sessão, a terminá-la e a fazer os elementos de ligação para cada grupo. Eu estive num desses grupos, que representava a nossa Escola, o Rainha Dona Leonor. E estivemos a "atuar" durante pouco mais do que cinco minutos... mas valeu a pena. Meteram-nos em algo que teve proporções inimagináveis, e que, sem dúvida, foi um sucesso. Mas para isso contribuiu o grande trabalho de António Fonseca, que não só soube dizer como ninguém cada canto, como também nos ajudou a ler de uma forma expressiva e com entoação, para que não fosse apenas uma leitura de sala de aula, sem piada nenhuma. Ah, e eu pude apenas assistir ao canto IX, antes de atuarmos, e além de tudo isso, ele sabe também tornar todos os pormenores do texto de Camões muito interessantes. Deu uma autêntica aula de História!

Eu e, sem dúvida, todos os meus colegas de grupo, estamos muito agradecidos por termos participado nesta iniciativa e termos feito parte de um projeto gigante, que depois do êxito em Guimarães em 2012, chegou à capital de Portugal num grande dia de espetáculo no Centro Cultural de Belém. Para tudo isto acontecer houve um trabalho árduo de mais de quatro anos que esteve envolvido (e que ficou registado em documentário, de nome «8816 Versos» - vale a pena ver), e penso que foi algo de inesquecível. São destas pequenas experiências que fazem a identidade de uma pessoa, e esta foi mesmo memorável!

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