sábado, 16 de março de 2013

O Falhado Amoroso (The Producers)


«The Producers» (outro filme que, graças à genial competência de quem o traduziu em português, será aqui sempre referido pelo epíteto original) é, para muitos, uma das melhores comédias de sempre do Cinema Americano. Está, entre tantas outras, na lista do American Film Institute, precisamente entre os dez primeiros lugares do seu top. Foi o filme que levou o genial Mel Brooks à ribalta, um extravagante e louco comediante que, posteriormente, voltaria a fazer história com «Frankenstein Jr.», «Balbúrdia no Oeste» e mesmo «A Mais Louca Odisseia no Espaço» («Spaceballs», no original - destes três que mencionei foi o único que tinha visto antes desta semana, há uns anos largos, e na altura adorei!), e que pelo qual o cineasta recebeu o Oscar para Melhor Argumento Original. É um filme que teve um grande impacto na época em que estreou e cuja irreverência não perdeu passados mais de quarenta anos da sua estreia. E apesar de, se visto hoje em dia, parecerá algo datado ou com menos graça do que o suposto, «The Producers» tem de ser louvado pela grande importância e estatuto quase inatingível que adquiriu, para uma comédia (um dos géneros mais subvalorizados do Cinema), entre tantos críticos e especialistas das artes cinematográficas. E o sucesso deste filme foi tanto e ultrapassou tantas gerações, que foi alvo de um musical, em 2001, que se tornou um grande sucesso na América (e que passou também por terras lusas), vencedora de múltiplos Tony Awards, e que posteriormente, em 2005, foi passado a filme, um pseudo-remake do original de Brooks com Mathew Broderick, Nathan Lane e Uma Thurman nos principais papéis (e que já foi traduzido devidamente para o português). Outra coisa que não pode ser esquecida, quando se fala de «The Producers», é do talento fulminante e tão entusiasmante de Mel Brooks, que permanece um exemplo claro de que não existem limites para quem quer fazer rir os outros.


«The Producers» é uma engenhosa invenção cómica e satírica que narra as peripécias de Max Bialystock, um produtor arruinado da Broadway que, em tempos antigos, produzira vários êxitos para teatro, e de Leo Bloom, um contabilista que, designado para espiolhar as finanças de Max, acaba por lhe dar uma ideia supostamente genial para os dois enriquecerem, à custa de uma fraude financeira, que envolve a criação da pior peça que poderiam alguma vez conceber. Assim, após muita procura, encontram a obra ideal: «Primavera para Hitler», uma peça que glorifica o Führer e que, pensam eles, será um desastre garantido na Broadway e que, por isso (e graças a uma manobra financeira) lhes permitirá arrecadar uma quantidade exorbitante de dinheiro. Tudo isto culmina numa comédia divertida, bem construída e original, que surpreende tanto pela química entre a dupla de protagonistas (Zero Mostel - que apesar de se tornar um pouco exagerado e cliché em certos momentos, não deixa de ser um ator que soube encarnar muito bem o seu papel e integrar-se na bizarria do universo de Brooks - e Gene Wilder - este último a tornar-se cada vez mais famoso, depois de um papel secundário que lhe deu alguma notoriedade no clássico «Bonnie e Clyde», e que em «The Producers» acabou por ser, para mim, o ator que se destacou mais pela sua personagem nervosa e stressada. Acabaria por ser uma escolha de Brooks em outros filmes, onde a extravagância e os altos risos são as palavras-chave) e pela comicidade que conseguem dar aos vários gags que nos são apresentados. Além de Max e Leo, «The Producers» contém uma série de personagens caricatas e engraçadas que suportam muito o elevado teor bizarro e hilariante da fita (como o excêntrico autor da peça «Primavera para Hitler»), e a banda sonora, cativante e condizente com o ambiente descontraído e alegre do filme, foi outro ponto fulcral para eu ter gostado do mesmo. E mesmo sendo datado e mal construído em certas partes (na construção das cenas e no planeamento de alguns gags), quando «The Producers» acabou eu fiquei num estado de plena alegria. Algo que valorizo muito numa comédia. No fundo, «The Producers» acaba por criticar, também, a forma como achamos ou não graça a certos produtos culturais, sendo um verdadeiro clássico da Comédia americana e que deve ser devidamente apreciado para quem procura produtos cinematográficos humorísticos alternativos aos filmes secos e repetitivos que, ultimamente, os EUA têm produzido dentro desse género.


«The Producers» é uma daquelas comédias que ganha mais com um visionamento em grupo, quer seja num ambiente familiar ou simplesmente com alguns amigos aptos para a gargalhada pura e ruidosa, do que se visto de uma forma solitária, como foi o meu caso. Todos sabemos que achamos mais graça a algo se estivermos na presença de outras pessoas. Contudo, isso não acontece com todos os filmes cómicos que existem (não é por estar com um grupo de dez pessoas que vou achar graça a um dos últimos filmes do Adam Sandler, por exemplo), mas também há outros filmes que conseguem sair mais beneficiados dessa tática de visionamento do que outros. E «The Producers» é um caso disso, com os seus vários tipos de gags e de mecanismos de humor que utiliza e que, por isso, conseguem agradar a muitos e diversos gostos humorísticos. Para quem precisa de rir e esquecer por alguns momentos a tristeza da vida quotidiana e, simplesmente, sonhar com a alegria da existência, a genialidade de certos autores aptos a lembrar isso às pessoas, como Mel Brooks, e o seu filme «The Producers», é a receita ideal para o sucesso da gargalhada. Uma boa comédia que, apesar de não ser brilhante no seu todo, está repleta de momentos inesquecíveis e memoráveis, e por isso não pode ser posta de lado nos tempos que correm.

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