domingo, 10 de março de 2013

Fahrenheit 451: Ray Bradbury e a iliteracia no Globo


A verdadeira ficção científica, para mim, é a que consegue alertar para problemáticas que, mesmo que sejam vistas de uma perspetiva algo datada, continuem a fazer sentido passado tantos anos. Em «Fahrenheit 451», obra mestra do lendário Ray Bradbury, falecido há pouco tempo, não existem razões para podermos comparar quais as diferenças em relação aos anos 50, quando foi escrito este livro, e o nosso tempo atual, porque infelizmente, esta obra é mais urgente agora do que na altura em que foi concebida. Steve Jobs afirmou, sem sombra de dúvida: "people don't read anymore". E através de uma sociedade imaginária onde os bombeiros, em vez de apagarem fogos, causam-nos para eliminar todo o rasto de literatura que possam encontrar, podemos ver que, apesar de muita gente considerar os livros ultrapassados, estes são necessários na nossa sociedade. São o exemplo da nossa Evolução em relação a todos os outros animais. Contudo, se «Fahrenheit 451» fosse escrito hoje, através da previsão que, daqui a uns anos largos, toda a gente vai ler livros em computadores, o trabalho destes "bombeiros" seria muito mais simples: apenas precisariam de desligar uns quantos circuitos online e manipularem toda a internet - parece uma utopia, mas penso que algum hacker neste Mundo seja capaz de fazer isso.

Sim, eu não gosto da visão de Jobs e que parte da opinião pública quer impor como única e verdadeira. Pensam que as pessoas vão ler mais por causa das tecnologias, o que eu vejo que é totalmente errado pelo que percebo da minha geração, que usa mais o telemóvel para engonhar e jogar angry birds - e eu gosto deste jogo, atenção!, mas gosto mil vezes mais de ler, obviamente. Contudo, tenho receio é que as pessoas se tornem demasiado obcecadas com as "famílias" da história de Bradbury, nome sabiamente dado à televisão e ao poder excessivo que tem na população alienada que vive dependendo da companhia da mesma. É preciso as pessoas lerem, e mais do que isso, lerem o que gostam de ler. Eu felizmente tenho apanhado bons livros que me têm cativado a ler depressa e bem. Como este, que está repleto de frases fantásticas e com uma narrativa muito original e fundamental na literatura contemporânea. «Fahrenheit 451» é uma obra que apela à não-extinção da leitura e à descoberta, pelas pessoas, dos grandes livros e das coisas que realmente importam na vida. Que preciosidade!

6 comentários:

  1. E o filme do Truffaut já viste? Tenho alguma curiosidade.

    Cumprimentos,
    Rafael Santos
    Memento mori

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  2. Olá mais uma vez Rafael! :)

    O filme do Truffaut ainda não vi, mas espero pegar nele em breve. Pena não existir uma edição nacional... E ainda tenho de fazer três críticas, estão em atraso!

    Um Abraço,

    Rui Alves de Sousa

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  3. O filme do Truffaut é muito bom. Se conseguirem vejam que vale a pena.

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    1. Obrigado Carlos pela sugestão! O livro aguçou-me a curiosidade... :)

      Um Abraço,

      Rui Alves de Sousa

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  4. Zé da Adega12/3/13 03:13

    O filme é espectacular, a RTP1 passou isto, quando eu era muito pequenino, mas já doido por sci-fi, lembro-me da minha irmã me explicar que os bombeiros queimavam "folhas", eu julgava que eram folhas caídas das árvores, mas depois do filme começar descobri que eles queimavam folhas de livros, eu era mesmo pequenino e não percebia bem o que se estava a passar, mas sabia que era sci-fi e passado no futuro, e julgava que o fulturo era o Mad Max, guerra atómica URSS-NATO. Quem não cresceu na guerra fria pode-se rir agora, mas a RTP só transmitia filmes sci-fi, que mostravam um futuro distópico depressivo e trágico, que impressionavam criancinhas como eu. Revi o filme há 7 anos atrás e gostei dele, pois em criança só me lembrei do camião dos bombeiros a caminho das casas das pessoas, que tinham livros encondidos dentro de televisores, e máquinas de lavar roupa.

    Atenção que vi o filme pouco depois da passagem de preto e branco para cores, nos emissores nacionais da RTP, será um passado distante para alguns dos leitores deste Blog, penso que foi em 1983, que o vi. Para me lembrar destes pormenores, é porque o filme impressionava mesmo criancinhas...

    Esse Truffaud de que falam aqui será o mesmo tipo do Menino Selvagem?

    Acho que já temos aqui uma potencial crítica cinematográfica do género Sci-Fi, para o Rui fazer um dia destes, ainda por cima ele leu o livro, que nunca li, e pode fazer a análise diferenças filme-livro.

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    1. Zé, obrigado pela opinião do filme! :)
      Eu trouxe o livro da biblioteca e aconselho vivamente, lê-se muito bem e está repleto de grandes frases, muitas que me tocaram verdadeiramente.
      o Truffaut é exatamente o mesmo que escreveu, realizou e protagonizou «O Menino Selvagem»! :)
      Quando vir o filme vou tentar não fazer muitas comparações com o livro, porque são meios completamente distintos, mas estou interessado em ver qual foi a perspetiva que o Truffaut teve da obra de Ray Bradbury :)

      Um Abraço,

      Rui

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