Pequeno rascunho sobre os Oscares...


Não costumo ver a cerimónia dos prémios da Academia na sua versão integral. Sinceramente, é uma maçada. Longa demais em certas partes, curta demais noutras, no fundo trata-se apenas de enaltecer os meninos bonitos de Hollywood e que as revistas cor de rosa e o resto dos media gostam de perder o seu tempo, utilizando muito do seu espaço útil para falar do glamour da festa e de certos convidados em particular.
 
Contudo, este ano foi diferente. Seth Macfarlane, o controverso criador das séries «Family Guy», «American Dad» e «Cleveland Show», e mais para breve um remake do clássico televisivo «The Flintstones», e da comédia largamente aclamada «Ted», estreada nos cinemas no Verão do ano passado, foi o apresentador que conduziu a cerimónia número oitenta e cinco dos Oscares. Eu sempre gostei dele, e da sua habilidade para interpretar tantas personagens e tantas vozes distintas em todos os seus programas. Aprecio também o seu humor controverso, estúpido e hilariante, inundado de situações que honram qualquer apreciador do "non-sense" na comédia do pequeno ecrã. Voltei a não ver a cerimónia toda, mas pu-la a gravar e ando a ver bocados das apresentações de Macfarlane (discursos de agradecimento, com exceção do dos senhores Christoph Waltz e Daniel Day-Lewis, passei à frente), que me surpreendeu em parte por conseguir manter o seu humor corrosivo e não ter caído, como Ricky Gervais nos Globos de Ouro (a última apresentação que fez para estes prémios foi já muito suave e sem ponta de qualquer graça), no controlo da Academia e de fazer piadas de "bom gosto". A crítica americana não gostou e Macfarlane, como já está habituado a isso, aproveitou para gozar com a própria situação no espetáculo, reavivando o capitão Kirk de «Star Trek» com a participação especial do ator William Shatner que reencarnou a mítica personagem.
 
É difícil gostar de Seth Macfarlane e da sua comédia, contudo não posso dizer, como outros críticos, que ele foi um dos piores apresentadores da cerimónia. Uma coisa é não se gostar do humor dele, outra é dizer que ele foi um mau comunicador, mau apresentador e mau condutor desta cerimónia. E isso com certeza que não foi. Cantou e encantou, e lá pelo meio disse algumas piadas que feriram a dura sensibilidadezinha do povo americano, habituado a engrandecer-se publicamente - especialmente aquelas celebridades, na sua maioria. Mas enfim, cá se fazem... cá se pagam. Seth arriscou, e para mim, arrasou.
 
Em relação aos prémios, pouco tenho a dizer. Não vi a maioria dos filmes nomeados mas gostei de ver Waltz e Day-Lewis a ganharem o Oscar, de forma merecida. Poderia acontecer aquela coisa da Academia querer colmatar erros antigos e atribuir prémios a quem nunca ganhou, mas estes dois atores merecem. Não são americanos, e tal como os outros nomeados nas suas categorias, são melhores que a maioria dos presentes na cerimónia. Para mim, os artistas têm de receber todos os Oscares que merecem, mesmo que sejam uma dezena ou apenas um. Mas têm de ganhar tudo a que o seu talento e dedicação lhes dá direito. E esses dois atores são um grande exemplo disso. Viva a verdadeira Hollywood, fora do circuito de amiguinhos e "bonzinhos" que toda a gente adora sem razão aparente!

Comentários

  1. Gostei do Seth, mas achei-o um bocadinho "receoso" na forma como usou o humor. Pode ser impressão minha

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    1. Olá Sofia, obrigado pelo comentário! Sim, esse receio foi notório, mas também em frente de um público daqueles... fez lembrar o Ricky Gervais na penúltima vez que apresentou os Globos.

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  2. Eu acabei agora de ver o compacto que a TVI ontem de madrugada deu, e fiquei surpreendido pela positiva com a apresentação do Seth Macfarlane.

    Vi tanta coisa a dizer mal do rapaz... Enfim, não entendo os saudosismos com o Billy Crystal, as pessoas não querem que o tempo avance.

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    1. Olá Ricardo, obrigado pelo comentário. Concordo totalmente, o Seth fez um grande trabalho. A malta de Hollywood prefere não assumir isso e continuar a pensar em como era bom o Billy Crystal há não-sei-quantos anos atrás. É que o Seth, além de um grande entertainer, respeita muito bem o legado de Hollywood, e soube usar a sua voz de uma maneira extraordinária. Mas há quem prefire esquecer esses bons momentos de uma cerimónia que só este ano me soube cativar verdadeiramente...

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