quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O Cinema vai acabar? Só se o Homem quiser.


Cada vez mais leio, vejo, e ouço coisas sobre o possível fim do Cinema, num futuro próximo. Quando, ninguém sabe. Em relação ao como, a resposta é um pouco mais óbvia, e o porquê posso sem dúvida afirmar que se refere a duas coisas: internet e bilhetes caríssimos para as sessões de Cinema.

Muitas respostas e muitas suposições têm sido feitas sobre o futuro da Sétima Arte. Há quem diga, por exemplo, que daqui a alguns anos os filmes estrearão diretamente nos nossos televisores, podendo os espectadores a eles aceder através do aluguer na box doméstica. Ou seja, vai ser como ver um qualquer telefilme - porque ultimamente cada vez mais são as fitas que se assemelham ao que se faz na caixinha mágica - só que vamos pagar para o ver. E provavelmente o preço não será de todo justo para a qualidade do produto em questão.

Mas muitos se esquecem que, há cerca de cinquenta anos, o Cinema esteve mesmo para acabar, pelo menos nos EUA, pelo maior alcance que a televisão estava a ter junto das audiências. Foi preciso que uma nova geração de cineastas, onde se incluíam os Grandes Francis Ford Coppola e Martin Scorsese, para as dúvidas se dissiparem e os detratores da arte cinematográfica calarem o pio por algum tempo. Mas e agora?
 
Agora, que estamos numa época em que, ao mesmo tempo se questiona sobre o uso que o papel terá no futuro, se fazem novos e geniais investimentos envolvendo a imprensa tradicional e a leitura manual? Porque é que, sempre que uma nova ideia se impõe, haverá sempre espaço para se profetizar o desaparecimento de outra? O Cinema passa muitas dificuldades, é verdade, mas não será a dizer que se trata de uma Arte em vias de extinção que este poderá ficar mais destruído? Ai opinião pública, opinião pública... apenas aconselho duas coisas: a primeira, para as salas de cinema começarem a reduzir o preço dos bilhetes a números mais acessíveis, compensando mais a ida ao grande ecrã do que a simples espera, dois ou três meses depois, para o lançamento em DVD dos filmes, pouco tempo depois a 1 ou 2 euros nas grandes superfícies, e mesmo os downloads que muitas vezes parecem ter melhor qualidade do que aquilo que se pode ver nas salas. A segunda, queria apenas alertar para essas pessoazinhas verem bons filmes e calarem-se com as suas profecias, nem continuem a dar valor nas apostas futuras de estreia das fitas logo no videoclube. O Cinema é o Cinema e não há nada como isso!

4 comentários:

  1. Não podia estar mais de acordo. E sem dúvida que ao afirmar que o cinema é uma arte em extinção só estamos a implementar mais essa ideia nas mentes da população. Começam a pensar nesse ponto de vista e não questionam o que está por detrás e aos poucos e poucos só contribuem mais para essa "extinção".

    Cumprimentos,
    Rafael Santos
    Memento mori

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    1. Olá Rafael, concordo plenamente com a tua opinião. Se se continuar a propagar essa imagem, contribuir-se-á para essa extinção...

      Obrigado pelo comentário e cumprimentos,

      Rui Alves de Sousa

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  2. Zé da Adega2/3/13 00:09

    Eu não irei fazer aqui nenhuma tese, eu sou gajo para te responder com um texto, 4 vezes maior do que o teu, tudo fundamentado com lógica.

    Eu acho que a televisão irá acabar antes das salas de cinema acabarem, o futuro é a base de dados planetária, gratuita, acessível no momento e à escolha do freguês. Hoje em dia isso faz-se com um PC, indo ao site archive.org, o problema é que os americanos são tão obcecados com o dinheiro, que arranjam maneira de estender copyright, por exemplo aos filmes do Charlie Chaplin, que já apresentaste aqui no teu blog, e que são tão antigos, que deviam estar no domínio público. Dizem que o filme do Charlot, quase com 100 anos, tem lá 10 segundos de uma banda sonora de uma re-edição anos 60, e se querem ver paguem!

    Os salões de jogos, com video-games arcade já acabaram, pq as consolas e PC's superaram a qualidade. O cinema e a TV irão acabar. Acredito que continuarão a existir 2 ou 3 salas de cinema, em cada cidade grande, que serão um luxo de preço (e já são), que irão servir para 2 casos distintos:

    1) O velhote que nunca viu o Bom Mau e Vilão, no grande ecrãn, e vai uma vez por ano ao cinema, por ocasião especial desse filme ou de outro clássico.

    2) O míudo que vai ao cinema, como parque de diversões, para ver nova tecnologia holográfica e realidade virtual, numa fase final da era do cinema, até ser operado à cabeça, para implante de interface USB neuronal v27.3, em que pode viver em casa essa realidade virtual. (É isto que Hollywood faz com o 3D)

    Já o conceito de operador de televisão acaba, mas a malta continua a ter o seu sofá e o seu sistema home cinema, mas ligado à net, e vê o que quer, quando quer, gratuitamente.

    Apenas irei dar um exemplo engraçado da ficção científica, pois a tua questão é do puro domínio da ficção científica.

    Na série Star Trek Voyager, o tenente Paris adorava cinema e organizava sessões de projecção, para os tripulantes. A nave Voyager estava perdida do outro lado da galáxia, mas todos os tripulantes tinham pc's e tablets, com acesso à base de dados, de todos os filmes do planeta Terra. No entanto as pessoas gostavam de ir à sala de cinema improvisada pelo tenente, ver os filmes de terror e sci-fi dos anos 1950-1960 que o tipo curtia.

    O universo em que esta série se enquadra, envolve o conceito/sistema político Eudaimonia do Aristóteles, tornado possível pela abundância de recursos, possibilitados pelo avanço tecnológico. O dinheiro não existe, mas os cineastas continuam a fazer cinema, pelo gosto e pela arte, sem fins lucrativos. Irá sempre haver cinema, até nos conceitos mais utópicos da ficção científica.

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    1. Zé, obrigado por mais um comentário. Perante as tuas palavras nada posso responder porque fiquei sem palavras. Mas eu gosto de pensar no presente e não no futuro. Eu só não quero é que o cinema acabe e as salas também... Se houve tanta coisa que durou tanto tempo porque é que o cinema, depois de cento e tal anos, haveria de desaparecer? Eu tenho apenas receio que a extinção do Cinema propriamente dito acabe com os festivais e com todas as rampas de lançamento de grandes autores. Já não haverá motivação para se fazer Arte propriamente dita, acho eu... mas não sou muito bom a prever coisas, por isso mais vale parar por aqui antes que comece a dissertar mais um disparate, para não variar... :p

      Obrigado mais uma vez pelo excelente e esclarecedor comentário e cumprimentos,

      Rui

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