quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O Programa do Aleixo: um talk-show de Coimbra


Desde que uns colegas me deram a conhecer o Bruno Aleixo e seus comparsas, no ano de 2009, que eu acompanho regularmente as andanças deste bicharoco tanto pela internet como pela televisão. Mas queria-me centrar no programa do pequeno ecrã propriamente dito. A primeira série do Aleixo na TV consegui adquiri-la em DVD, e melhor ainda, autografada pelos autores da mesma (João Moreira, João Pombeiro e Pedro Santo), e com a qual recebi uma t-shirt alusiva à série. E ultimamente, tenho visto a segunda temporada do seu talk-show, que a SIC Radical já transmitiu seis episódios, de um total de (suponho eu?) sete. É uma aposta renovada de um canal que, ultimamente, se tem dedicado mais a exibir estranhas importações americanas que me fazem pensar se o epíteto de "radical" bate certo com o canal. Mas que, quando quer, ainda consegue voltar aos "velhos" tempos, em que maioritariamente constava, da sua programação, conteúdos que pretendiam dar grandes e dolorosas alfinetadas (no bom sentido do termo, obviamente) aos padrões televisivos do nosso Portugal. 

O que é que esta personagem tem de tão especial para mim? É difícil dizê-lo, já que este se trata de um indivíduo animalesco, repleto de características meio deprimentes e muito portuguesas (como o facto de ser forreta com tudo e com todos - mesmo no seu programa, quando faz jogos para os espetadores, o prémio a oferecer poderá ser, por exemplo, um bife com batatas no café do Aires mais uma Seven Up - que luxo!) que está sempre envolvido em situações peculiares com amigos ainda mais peculiares (veja-se, a título de exemplo, o Busto, o Homem do Bussaco e o Renato - este, que parece ser o tipo com o nome mais normal destes três, acaba por ser uma espécie de "monstro da lagoa negra" em versão universitária). Quer dizer, acho que para mim o grande atrativo de «O Programa do Aleixo», e de todas as variantes que se lhe surgiram na net (e a série web que originou a personagem), é que além de ser um conceito muito inovador na televisão portuguesa, feito com poucos meios e com alguma piada, é que é, apesar de envolver um conjunto de personagens e situações do mais paranormal possível para a realidade portuguesa, tudo isso tem mais a ver com Portugal do que maior parte das séries que por cá se fazem. Bruno Aleixo é rabugento, convencido, com um toque de vigarista e de aldrabão que até mete pena, às vezes. Atordoa constantemente o seu amigo Busto, aproveitando-se dele para o enxovalhar diversas vezes no seu programa (basta ver o sexto episódio desta segunda temporada, que está disponível na Web), e aproveita o seu talk-show para achincalhar personalidades por causa do seu mau feitio, e para fazer figuras tão ridículas e hilariantes, que nenhum apresentador de TV português mau (e há muitos) lhe consegue ultrapassar a deprimência: é que ao contrário desses "senhores", Bruno Aleixo faz os seus seguidores rirem. 

Esta segunda série, estreada quase quatro anos depois da primeira fornada de sete episódios, mostra algumas diferenças que, a meu ver, prejudicam por vezes o ritmo dos episódios e do efeito e do timing de muitas das piadas que são ditas. Contudo, ainda considero que se trata de um programa muito proveitoso, e que eu sigo regularmente e, até agora, não tenho perdido nenhum episódio. «O Programa do Aleixo» pode ser visto como uma crítica à sociedade portuguesa, uma sátira ao show-biz televisivo, ou mesmo um workshop de como trabalhar incorretamente com programas de animação por computador (sim, o programa tem os seus defeitos técnicos, mas isso até que faz parte da sua "magia"), e muita gente pode não gostar de Bruno Aleixo e sua Pandilha (na sessão de apresentação da primeira temporada em DVD, vi muita gente com mais idade a sair da sala quando os autores decidiram passar alguns dos vídeos da série. Mas a malta jovem gostou daquilo). Mas não pode haver dúvidas de que este bicho meio antipático mudou a forma de se fazer humor no nosso país. E de que maneira!

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