sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

É um Mundo Louco (pelo menos nas caixas de comentários)

Costumo visitar regularmente os sites de variados jornais nacionais e internacionais. Gosto particularmente de encontrar notícias que, normalmente, não encontraria noutras fontes, como no caso da televisão ou mesmo dos jornais impressos (e nisto estou a falar mais de novidades sobre o mundo das Artes, nomeadamente - e obviamente - do cinema e da televisão). E normalmente consigo ficar surpreendido com a quantidade de material jornalístico que descubro, e com o atraso demasiado com que costuma chegar à comunicação social portuguesa. É giro. É um hábito "geek" meu, mas é giro.

Mas ainda mais giro (e isto já não tem, em si, nada de "geek") é ver as caixas de comentários de certas notícias desses sites da imprensa. OK, não são só de algumas notícias, são de praticamente todas! É interessante como a mente humana (e muitas vezes anónima - é preciso ter "real guts" para se assinar com o verdadeiro nome algumas das pérolas que tenho vindo a descobrir, nos últimos tempos, nos recantos da internet) consegue produzir textos tão bons e inqualificavelmente impressionantes, como fizeram os grandes vultos da literatura universal (que não vou estar aqui a mencionar, porque este é um epíteto muito subjetivo - há quem prefira dar esta honra, por exemplo, a George Orwell, mas poderá haver quem se sinta com a maior das convicções para premiar, com esta distinção, o José Rodrigues dos Santos...), e depois, um monte de lixeira tão má e inqualificavelmente pestilenta, que é tão execrável que se torna boa.

O que eu pretendo dizer é que seria um bom remédio para a disposição, para muita gente, apenas abrir, a título de opção, o site do Diário de Notícias, e ir "folheando" virtualmente as notícias do dia, estando com atenção aos "geniais" e "imperdíveis" comentários que maléficos utilizadores, portentores de uma vilania atrozmente assustadora (ou pura e simplesmente, indivíduos com mais nada para fazer da vida), deixam para a posteridade no grande mundo da Web. Muitos nem se dão ao trabalho da notícia, outros apenas querem ir insultar, sem grandes argumentos (ou sem qualquer tipo de argumento válido - é o que costuma mais acontecer), o alvo da mesma, e outros ainda gostam apenas de mostrar o ar da sua graça, assinando uma série de comentários em notícias distintas com o mesmo pseudónimo (mas querem ser o quê? Os novos Zorros do século XXI, que em vez de se defenderem com capa e espada, utilizam o mouse? Francamente...).

Um exemplo de tudo isto é esta notícia, que fala da saída de Fernanda Freitas da condução do programa «Sociedade Civil» na RTP2. Este é apenas mais um sinal da decadência permanente do segundo canal do Estado, mas... debrucemo-nos sobre os recados dos utilizadores. Temos um Coiso, um Cão, uma Badocha e Badalhoca , enfim, um divertido e acutilante rol de "personagens" que mostram as suas opiniões sobre a vida, e sobre esta notícia propriamente dita. Vejam se eu não tenho razão de que há mais motivos para rir nestas notícias online do que na «Casa dos Segredos»! E avanço com uma ideia, que qualquer editora de best-sellers sob pressão adorará pegar (olhem os direitos de autor!): uma compilação com as melhores tiradas da net. Devem existir lotes delas, mas subordinadas ao tema «caixas de comentários de jornais», penso que não, se não me falha a memória. É uma grande falta na nossa "cultura", derivada mais do caixote do lixo do que alguma das correntes culturais de que dispomos no nosso dia a dia.

Eu não sou grande especialista em "censura" de comentários. Desde há três anos e alguns meses, altura em que inaugurei este blog, poucos foram os recados deixados por leitores que tive de eliminar e não deixar visíveis. Eram insultuosos, mas mais do que isso, não tinham sentido. Eram frases que tinham tanta validade como as injúrias que os garotos dizem uns para os outros ("És parvo!" "Cala-te, tu é que és", "Quem diz é quem é oh palhaço!", e por aí adiante...). Mas nos jornais, essa censura não existe, ou se existe é muito pouco atenta ao que se escreve. E enquanto a proibição não chega aos sites da imprensa, aproveitem para tirar uns momentos de descanso e para rirem a bom rir com a notícia que neste post mencionei, e muitas outras que pela internet estão espalhadas. Há para todos os gostos, apesar de, por várias ocasiões, uma notícia sobre a estreia de um filme americano acabe sempre por se falar no Primeiro Ministro do nosso país. Mas vale a pena "explorar" este vasto "continente" informático, garanto-vos!

E para terminar, citando Ferreira Fernandes, que escreveu uma crónica (que pode ser lida aqui) sobre estes comentários aos jornais on-line, e que descobri quando estava a pesquisar sobre o tema: "O género humano aprendeu há muito que o falar tudo é para malucos e por isso introduziu regras no falar.". Pois é verdade, mas enquanto houver gente rude neste grande mundo virtual, haverá sempre motivos para cada um dar umas gargalhadas com as patetices que essa malta gosta de divulgar ao Mundo. E muito mais no facebook ou em qualquer outra das milhares de redes sociais que existem, as caixas de comentários dos jornais proporcionam momentos de hilariedade de proporções tão épicas que todas essas redes ficam apenas reduzidas à condição de punchlines sem graça de um qualquer programa late-night. Mas é como eu digo, ainda há motivos para sorrir!

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