Coisas giras da criação artística


Há certas alturas na vida que derivam a 100% de todas as condicionantes que envolvem esses ditos acontecimentos. Quer dizer, praticamente tudo o que fazemos é altamente influenciado pelo sítio em que estamos, pela altura do dia, etc (como por exemplo este post, se o tivesse escrito ontem à noite como tinha previsto, talvez ficasse mais interessante do que isto). E isso é um facto que sempre me interessou na criação artística, quer cinematográfica, quer literária, quer musical. 

Um exemplo disso é esta música, «Ne Me Quitte Pas», de Jacques Brel, que descobri há pouco tempo e que não me cansei (ainda) de ouvir. É uma cantiga que deveu o seu nascimento a praticamente tudo o que o seu autor viveu na época em que a compôs: o fim do relacionamento com a namorada, que o deixou completamente de rastos e que o levou a passar as suas mágoas para as pautas musicais, nesta bonita canção intemporal e inesquecível. E pode-se dizer (não querendo correr o risco de ser mal interpretado) que tudo isso aconteceu numa altura certeira: «Ne Me Quitte Pas» é o maior marco da carreira musical de Jacques Brel (que realizou e interpretou alguns filmes, algo que tinha de mencionar visto que este blog aborda principalmente a Sétima Arte), uma música que catapultou o artista para os palcos do Mundo e o tornou um sucesso internacional. As tristezas de um ser humano como todos nós, passado para a Arte numa música que eu acho ser a mais condizente com as partes dramáticas de uma relação amorosa.

Mas mais do que tudo, é impressionante ouvir esta música e sentir a voz altamente poderosa de Jacques Brel, que dá um tom superior à sua obra. Esta que postei não se trata da versão original (gravada em finais dos anos 50), mas sim de uma posterior que, para mim, parece ser bastante melhor e cantada com muito mais sentimento (chiça, hoje tenho andado a dizer muitas expressões normalmente associadas ao "pirosismo"... é melhor ter cuidado). Aconselho a audição desta música, principalmente nesta versão. E se andarem com problemas amorosos (felizmente, de momento não é o meu caso) esta é a canção ideal para vos reconfortar um pouco e poderem mesmo perceber que esse tipo de coisas não acontece apenas com vossemecês. Uma música muito bonita, e que mostra mesmo como a influência de tudo o que está à nossa volta faz com que as coisas sejam sempre de uma dada maneira, continuamente diferente. Com «Ne Me Quitte Pas», Brel acertou em cheio, criando, no momento certo e à hora certa, uma música que ainda é ouvida e apreciada no século XXI.

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