Boa Noite, e Boa Sorte


Uma ode à liberdade de expressão e à capacidade e poder do diálogo para a transmissão de ideias, «Boa Noite, e Boa Sorte» é um grande drama político que pega na história real de um dos mais prestigiados jornalistas de sempre, Edward R. Murrow, um homem exemplar, tanto na coragem que teve de descortinar diversas polémicas e verdades escondidas da sociedade americana, como na capacidade de não desistir de defender e promover os ideais e os valores que achava mais corretos dentro da ética jornalística (ou seja, do verdadeiro jornalismo, conceito este que me parece ter ficado meio perdido nos dicionários poeirentos de algumas redações de certas publicações da imprensa, algo notório não só em Portugal, como também a nível internacional...). E esta atitude manteve-se sempre, mesmo nas piores alturas, em que Murrow e seus colegas da estação televisiva CBS arriscaram-se a perder o emprego, e mesmo até se o preço a pagar para se descobrir a verdade tivesse que ser demasiado elevado...

O filme relata um desses casos desta segunda opção: a "batalha" travada entre Murrow e o senador McCarthy, o indivíduo responsável pelo que é conhecido, nos nossos dias, como "Caça às Bruxas", uma época de fanatismo e inteligência saloia que perseguiu o povo americano durante vários anos (e que surtiu efeito em diversas personalidades icónicas do Mundo das Artes - veja-se o caso de Charles Chaplin, acusado - injustamente - de ligações às atividades do partido comunista americano, levando-o a exilar-se do país que lhe deu a fama e a fortuna). Murrow tentou chamar a atenção de um país cujo pensamento ficara "adormecido" pelas investigações e técnicas muito pouco normais do McCarthyismo na "luta" contra o comunismo nos EUA. Uma tentativa que deu certo, e que é ainda recordada hoje em dia, como um dos investigações jornalísticas mais emblemáticas e estudadas do século XX.

«Boa Noite, e Boa Sorte» trata-se de uma espantosa crítica sobre o perigo de se ser honesto e das consequências de se querer descobrir e divulgar a "verdadeira" verdade jornalística. George Clooney realiza um filme exemplar, com o ator David Strathairn a vestir-se da cabeça aos pés desta lenda da televisão que é Edward R. Murrow. Apenas reclamo não ter havido, pelo menos, alguma informação adicional sobre o que se sucedeu após os "confrontos" entre Murrow e McCarthy (fica tudo um pouco superficial), mas além disso, penso que não há mais nada de relevante para criticar. Destaque ainda para a escolha do preto e branco para este filme, fator que assenta muito bem no mesmo, visto que nos recorda, quase num ambiente de "film-noir", uma época que os EUA nunca poderão esquecer...

* * * * 1/2

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