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A mostrar mensagens de 2013

Rumo a 2014

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No último dia de 2013, resta à Companhia das Amêndoas desejar a todos os seus leitores as melhores entradas para o novo ano que está aí à espreita. Vamos todos pedir coisas boas na altura de comer as passas e de saltar da cadeira com o pé direito de uma cadeira, pode ser? Sim, as coisas estão péssimas, mas é ainda giro poder ter-se uma esperança, no último dia de cada ano, de que o novo ano vai ser completamente diferente, e não só porque o calendário vai ter de ser alterado. Talvez as esperanças possam ser desta vez concretizadas... "esperançemos" por isso.

O ano foi recheado de grandes acontecimentos, mas já há publicações e sites a mais a fazerem a retrospetiva dos acontecimentos memoráveis de 2013. Por isso, apenas digo mais que a Companhia continuará a publicar coisas durante os próximos 365 dias, apesar de, como podem ter já reparado, a periodicidade ter vindo a ser mais reduzida na última temporada. É que a minha escrita é bastante monótona e repetitiva (e são cada v…

Vontade Indómita (The Fountainhead) [1949]

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«The Fountainhead» é um filme que nos fala de um tema que, provavelmente, é ainda mais importante hoje do que no ano do seu lançamento, em 1949: o poder do conformismo e o domínio desta forma de estar, que despreza a originalidade e a criatividade que faz sobressair certos autores de outros. É um filme essencial hoje, apesar das críticas negativas que a ele possam ser feitas (tanto como o desajuste da épica banda sonora de Max Steiner, como de uma ou outra performance, como também do argumento, escrito por Ayn Rand, a autora do livro homónimo em que se baseia, e que pode ser considerado demasiado sumptuoso e incorreto para a linguagem cinematográfica - mas ninguém pode negar a grande força de muitos dos seus diálogos), porque o seu protagonista, com uma "vontade indómita" (como nos diz - e bem! - o título português da fita) de querer ser original numa sociedade que deseja cada vez mais transformar-se num aglomerado de vulgaridade. «The Fountainhead» é um filme, mas também c…

Uma vitória "popular"

A Companhia das Amêndoas pode não ter ganho o TCN, mas foi mais uma vez o nomeado mais votado na sua categoria!!!  A concorrência era muito boa para eu não poder imaginar sequer vencer o troféu (e ainda não consegui descobrir como é que aquele meu textinho foi nomeado, entre outros que enviei, mas é a vida), mas ter esta honra de ser a escolha mais votada pelo público deixa-me muito feliz! OBRIGADO A TODOS!!! :) Todos os dados e informações neste post do Cinema Notebook.

O Passado (Le Passé) [2013]

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Do realizador de Uma Separação, vencedor do Oscar para Melhor Filme Estrangeiro, chega-nos uma história dramática que envolve duas pessoas de duas culturas distintas: Ahmad (Ali Mosaffa) sai de Teerão e volta a Paris a pedido da ex-mulher, Marie (Bérénice Bejo), quatro anos depois de se terem separado. O objetivo é que os dois finalmente formalizem a separação, para Marie poder voltar a casar (com o seu namorado SamirTahar Rahim). Contudo, há feridas do passado que ainda não foram ultrapassadas, e alguns segredos familiares e psicológicos têm ainda de ser desvendados… 
O Passado é um filme mais internacionalizado de Asghar Farhadi, o que se deve muito ao sucesso mundial de Uma Separação. Mas apesar de ser uma produção de maior escala, não deixa de ser uma obra verdadeiramente relevante no panorama cinematográfico atual, onde os dilemas familiares e os dramas interrompidos pela separação ainda se fazem sentir, e nos fazem questionar a cada momento sobre a verdadeira face de cada uma…

Filmes em 60 segundos: A Caça (Jagten) [2012]

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O Cinema sempre foi uma arte que explorou o impacto das reações de uma comunidade, ou de uma maioria, face a uma pessoa, acusada de algo por essa mesma comunidade. Há casos emblemáticos entre os clássicos, como «Johnny Guitar» e «Inherit the Wind», que exploram, embora com contornos diferentes da narrativa de «A Caça», o poder e a irracionalidade que um coletivo pode exercer, influenciando as minorias. No mais recente filme de Thomas Vinterberg, vemos as consequências de uma mentira/invenção de uma criança, que leva à falsa acusação de Lucas (Mads Mikkelsen numa excelente interpretação) e à sua exclusão do pequeno meio em que está inserido. «A Caça» é uma obra excecional que filma, com frieza e realismo, os defeitos da sociedade contemporânea, principalmente quando confrontada com temas sensíveis como a pedofilia, o “pão nosso de cada dia” dos meios de comunicação social. Um dos filmes mais surpreendentes de 2013.
★ ★ ★ ★ ★

Tal Pai, Tal Filho (Soshite Chichi ni Naru/Like Father, Like Son) [2013]

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Tal Pai, Tal Filho é uma história de famílias: quando Ryoata (Masaharu Fukuyama) e a sua mulher (Machiko Ono) descobrem que o filho que educaram durante seis anos não é seu, e que foi trocado à nascença na maternidade, tudo vai mudar. Ao conhecerem a família que tem o seu filho, descobrem não só que este foi inserido num meio muito mais pobre que o deles, e que não será assim tão fácil repor a normalidade da situação. 
Mas o novo filme do inovador realizador japonês Kore-Eda Hirokazu fala ao espectador dos pequenos grandes problemas que podem surgir no seio familiar, causados ou não pelos membros desse grupo. Abordando ruturas e condições familiares (com a oposição entre a família mais abastada e a outra com menos recursos – mas que consegue ser mais feliz do que a primeira), esta narrativa retrata as novas mentalidades e as novas conceções de família, e as tradições que ainda persistem e os problemas que tanto a modernidade como a “antiguidade” no coletivo familiar ainda podem causar…

Filmes em 60 segundos: Lore [2012]

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Uma realização convencional assente numa história invulgar, chocante e perturbadora (com um notável elenco): é o que se pode dizer de «Lore», que olha a queda dos sonhos e das falsas ambições prometidas pelo nazismo. Lore é a protagonista (palmas para a performance de Saskia Rosendhal!), filha de um oficial do regime, e apenas uma espectadora de um país que se libertará progressivamente do domínio do Führer. Assistimos, com dureza e crueldade, a um retrato desumano que desconstrói a desumanidade do nazismo, numa perspectiva não muito habitual e que abre uma nova luz sobre o pós-II Guerra Mundial, à medida que acompanhamos Lore e os seus irmãos numa luta desesperada pela sobrevivência. «Lore» é um filme corajoso que filma o despertar da (inicialmente) ingénua protagonista para a rutura com a ilusão floreada criada pelo nazismo (para esconder os horríveis crimes), e para a constatação da realidade trágica causada pela ideologia.
★ ★ ★

Boas Festas...

... na companhia dos melhores filmes! São os votos deste escriba e para todas as vossas famílias! ;)

A Propósito de Llewyn Davis (Inside Llewyn Davis) [2013]

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Como todos os grandes títulos da filmografia dos notáveis irmãos Coen, «Inside Llewyn Davis» é um filme que nos deixa um vazio profundo e impercetível na alma, devido à maneira sempre pouco usual que a dupla de cineastas utiliza para contar as suas histórias, sempre tão cativantes e diferentes de tudo o que estamos habituados. Esta é uma narrativa que acaba onde começou, e que nos interroga sobre a rotina que Llewyn Davis toma e que nos acompanhamos passo a passo, e de como, talvez, o protagonista da fita nunca conseguirá sair da sua condição e conseguir tudo aquilo que ambiciona para o futuro. Tudo se repete, apesar dos sonhos quererem dar a entender que há sempre esperança de conseguirmos mudar as coisas. Mas para isso, a alteração prática da normalidade do quotidiano é a chave essencial. Os Coen fazem aqui o retrato de uma geração, e do que é que essa geração queria fazer no mundo da música: numa era de zés-ninguém, onde talentos explodem a cada esquina, são poucos os que consegue…

Ben-Hur [1959]

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When the Romans were marching me to the galleys, thirst had almost killed me. A man gave me water to drink, and I went on living. I should have done better if I'd poured it into the sand!

Talvez seja o mais grandioso épico americano de todos os tempos, e a sua espetacularidade mantém-se incrivelmente sedutora: «Ben-Hur», o primeiro filme a arrecadar onze prémios da Academia (feito que só voltou a ser alcançado com o mui duvidoso «Titanic» de James Cameron) e que tem em si as componentes do género épico, reunidas aqui em todo o seu esplendor: desde a fabulosa câmara "ultra" widescreen (que dá a obra, se for vista numa televisão analógica, uma brutal pequenez, que as televisões tentaram adulterar com versões hereticamente cortadas para 4:3) ao espantoso technicolor e à grandiosa banda sonora, que começa com a portentosa overture no tema que pretende introduzir o público para o espetáculo épico que irá presenciar (uma composição verdadeiramente inspiradora de Miklós Rozsa)…

Um agradecimento

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Este ano, a Companhia saiu de mãos a abanar da nomeação que conquistou na categoria de Melhor Crítica de TV.  Resta apenas agradecer a todas as pessoas que incansavelmente leram, divulgaram e votaram no meu artigo. Mais do que o prémio, é importante realçar que a honra da nomeação já era quase uma miragem, e fico muito grato por ter sido um dos escolhidos, e pela forma como muitas pessoas acarinharam o textinho. Se bem que a televisão não seja a maior "especialidade da casa", já é estranho ver-me nomeado juntamente com outras pessoas que escrevem melhor que eu.  Muito obrigado a todos. Até à próxima edição dos TCN! 

O Último Hurra (The Last Hurrah) [1958]

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Não é um dos filmes mais prestigiados do Mestre John Ford, mas pode ser colocada junto das suas melhores obras: «O Último Hurra», provavelmente um dos filmes mais políticos da filmografia de Ford, traça um paralelo entre as campanhas do protagonista Frank Skeffington com o impacto dos meios de comunicação social. Algo que voltaria a ser repetido numa obra prima posterior do cineasta, só que noutra época e noutro contexto: «O Homem que Matou Liberty Valance». Mas a história do mayor que luta para conquistar o seu quinto mandato, e cuja campanha vai ser prejudicada pelos interesses que geram o grande jogo da vida política, é também uma obra que se empenha em retratar a sociedade americana de uma maneira acertada, sem deixar de possuir os conservadorismos do Cinema clássico. Não sempre são precisas rebeldias para se criticar um tempo e um país - a inteligência e a astúcia com que se faz a crítica, como é o caso de «O Último Hurra», é que prevalece. Protagonizado por Spencer Tracy (note-…

Hiroshima, Meu Amor (Hiroshima, Mon Amour) [1959]

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É o título mais reconhecido do realizador Alain Resnais (que fez também O Último Ano em Marienbade outras fitas francesas que se tornaram célebres) e um dos romances mais inesquecíveis e fascinantes da História do Cinema: Hiroshima, Meu Amor é a história da relação entre uma atriz francesa (onde vemos alguns mistérios em relação ao seu verdadeiro caráter), que está na cidade a participar num filme anti-guerra, e um arquiteto japonês. Em conflito neste amor cinematográfico estarão as culturas distintas, os dramas íntimos de cada um deles e a complexidade das suas vidas e das suas formas diferentes de encarar o mundo, postas à prova com as sucessivas recordações da tragédia nuclear de Hiroshima. 
Encontramos Emmanuelle Riva no papel que a celebrizou no panorama mediático do Cinema, e que, passados mais de cinquenta anos, continua a ser uma das forças maiores da obra de Resnais. Estava previsto ser um documentário sobre o legado triste e prejudicial que a bomba deixou no povo de Hiroshi…

Biopic do atleta Jesse Owens nas mãos da Disney

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Jesse Owens, o atleta negro norte-americano que conquistou os Jogos Olímpicos de 1936, desafiou o regime de Adolf Hitler e surpreendeu o mundo será objeto de uma produção cinematográfica da Disney. Para saberem mais, leiam a notícia completa no Espalha Factos.

Filmes em 60 segundos: A Verdade e o Medo (Beyond a Reasonable Doubt) [1956]

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Foi o último filme americano de Fritz Lang e é ainda uma peça singular do seu Cinema: «Beyond a Reasonable Doubt» envolve assassínios, manipulações judiciais, jornalismo e romance, numa narrativa labiríntica e desafiante inteligente e poderosa. É impossível não se adivinhar o desfecho da história, mas nem tudo aqui se faz do script: há que admirar o talento dos atores (destaque para Joan Fontaine) e o brilhantismo de Lang. É certo que não existe um grande esforço criativo – e algumas falhas técnicas são notórias -, contudo, é irresistível a construção do fio condutor que, pela câmara, o cineasta atribui a esta história peculiar e totalmente americana. Apesar das convenções nela instaladas, trata-se de uma peça singular de Cinema, que nos faz pensar sobre o que estamos a ver. E estando nós numa época em que há cada vez mais tendência para se fabricarem filmes vazios, é algo que deve ser valorizado.
★ ★ ★

Das primeiras experiências seriamente cinematográficas

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Ontem foi a minha primeira vez na Cinemateca. Já por lá passei várias tardes de deliciosa exploração deste Museu do Cinema, mas hoje finalmente fui até lá para ser espectador: fui ver «Beyond a Reasonable Doubt, em português «A Verdade e o Medo, realizado por Fritz Lang (e com a recentemente falecida Joan Fontaine). O filme é bom, mas melhor ainda foi a experiência: sentir que se está naquele espaço a visionar uma fita, ver a projeção em 35 mm (sim, porque o digital não é nada a mesma coisa) e ficar cada vez mais fascinado por este que também é o "meu" mundo... é algo de extraordinário. E para quem não acredita que a Cinemateca é um lugar de culto por onde passa muita gente, bem... a sala estava quase cheia. Felizmente, ainda existem muitos interessados em descobrir a magia do Cinema!

O grande ator que passou em Portugal

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Peter O' Toole 1932 - 2013
Morreu um grande ator este fim de semana, cujo papel em «Lawrence da Arábia» basta para ser um nome imortal da Arte sétima. Mas na avalanche de notícias que saíram sobre O' Toole após a sua morte, um momento exibido nos telejornais da SIC causou-me espanto/sensação de desgosto acompanhado pelo pensamente "ainda há pessoas muito idiotas para deixarem aparecer momentos constrangedores envolvendo grandes figuras só porque lá pelo meio aparece uma carinha laroca da estação".
É que da única vez que Peter O' Toole veio mediaticamente a Portugal, apresentou um prémio nos Globos de Ouro. Foi um momento tão memorável que a apresentadora Bárbara Guimarães deu um novo nome à personagem mais famosa do ator: Lourenço of Areibia.
Felizmente, as deprimências são esquecíveis, porque os grandes talentos é que acabam por prevalecer na "persistência da memória", mesmo que não sejam recordados por tanta gente como a que sabe agora na ponta da lín…

A partida de Family Guy

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Sim. Como já se esperava, tudo não passou de uma manobra de diversão/marketing: a morte do cão Brian, anunciada há uns episódios atrás em «Family Guy», não passou de uma fraude. O criador, Seth MacFarlane, admitiu ter sido uma partida, que lá está, conseguiu atingir o seu objetivo (mas isto ele já não confessou): dar impacto à série, polémica e consequentemente, novos espectadores (que, furiosos com o desaparecimento da sua personagem de eleição, continuaram a seguir o facebook do programa só para mandar os seus bitaites acusadores e irracionais). 
E o Brian voltou ao «Family Guy» anteontem, e foi uma considerável surpresa: foi o primeiro episódio interessante desta temporada e valeu a pena dar-lhe uma oportunidade. Eu estava cético (porque esta season foi até este episódio muito má mesmo), mas este novo capítulo mostrou que o formato ainda sabe surpreender, na comédia e na construção narrativa. Vamos é a ver se, daqui para a frente, a série continua a seguir este (bom) caminho, ou …

O Grande Mestre (Yidai Zongshi) [2013]

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São logo duas as componentes de O Grande Mestre que fascinam o espectador nos primeiros minutos do filme: a sua música envolvente e inspiradora (que vai buscar algumas composições bem conhecidas do meio cinéfilo – como a espetacular partitura de Ennio Morricone, composta originalmente para a obra prima Era Uma Vez na América, e que aqui se ouve  quase no final da trama), e a impressionante cinematografia que é um banquete para o olhar, e que tem aquela qualidade inigualável que já nos habituámos a ver em obras anteriores de Wong Kar Wai. E é mais estilo e beleza visual que encontramos nesta fita, do que tudo o resto. As sequências de luta começam por ser apelativas e estimulantes, com o seu toque muito estilizado que vai beber influências de Matrix, mas a pouco e pouco, começam a tornar-se repetitivas.
Protagonizado por Tony Leung (um ator recorrente nos filmes de Kar Wai – veja-se ou reveja-se o seu magnífico desempenho em Disponível para Amar), O Grande Mestre consegue evoluir e ul…

Mais umas experiências radiofónicas

Minuto Zero (11.12.2013) by Minuto_Zero on Mixcloud Cá estive de novo a colaborar numa divertida emissão do «Minuto Zero», programa sobre desporto e com muitas piadolas relacionadas com isso... ou nem tanto. São cerca de 28 minutos de atualidade desportiva, música e entretenimento, onde podem ouvir o Francisco Dias, o Francisco Ferreira Gomes, e este que assina estas linhas. Bom proveito!

Mandela: Longo Caminho para a Liberdade [2013]

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Nelson Mandela é tão conhecido e acarinhado que seria arriscado elaborar uma obra que não soubesse homenageá-lo tal como merece. E Mandela: Longo Caminho para a Liberdade não é só uma grande homenagem à personalidade, como é também uma reflexão sobre o seu poder de liderança e do seu exemplo no povo sul-africano. Não fosse a coragem e a sensatez deste líder e das suas convicções, e o seu país teria tomado um rumo completamente diferente daquele que conhecemos hoje tão bem. 
É um filme com uma grande intenção de querer continuar a preservar o legado inspirador de Mandela, que se vê com muito interesse e que enriquece o nosso conhecimento sobre o homem, as suas amizades e a sua perspetiva das coisas, que luta contra o ódio e entra na batalha pela liberdade e igualdade na África do Sul. Toda esta história da História é ainda polvilhada por grandes momentos de banda sonora (cujo maior destaque vai para a nova música dos U2, composta propositadamente para esta película) e pelo manifesto so…

O Jogador (The Player) [1992]

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Foi o regresso do realizador Robert Altman à ribalta, depois de uma década de filmes menos aclamados e distribuídos no panorama cinematográfico: foi «O Jogador» que deu um novo e tão-esperado salto na carreira do cineasta, que depois não pararia de surpreender (ou de desiludir, em certos casos - mas o que interessa é que, depois deste filme, nunca mais voltou a estar "apagado" da indústria). É quase um filme autobiográfico, este que critica o feroz sistema de Hollywood, que cria e destrói tão facilmente as mentes criativas que definem a sua marca cinematográfica, que pretende regular-se mais pelo dinheiro do que pela originalidade, cada vez mais urgente. E Altman dizia até que, em comparação com a realidade, esta foi um retrato "muito suave" do que se passa na "meca" do Cinema americano. Com pequenas subtilezas de argumento e de mise-en-scène que não podem ser deixadas de parte por qualquer espectador, e que fazem a genialidade deste filme tão relevante …

Filmes em 60 segundos: Zona de Perigo (The Dead Zone) [1983]

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Stephen King, Christopher Walken e David Cronenberg. A junção destes três artistas poderia ter dado outra finalidade, mas daqui saiu «Zona de Perigo», um filme onde a realidade se cruza com o sobrenatural, acompanhado pela arrepiante música de Michael Kamen. A fórmula narrativa parece banal no início, mas depois há muito para descobrir no filme, quando a anormalidade surge no desenrolar da trama. E mesmo que as performances sejam um pouco exageradas (aqui Walken é em certos momentos um notável “overactor”), e tendo diálogos e sub-plots com alguns clichés, «The Dead Zone» não consegue ser um filme banal, pela sua atmosfera e pela mística que carrega, onde o paranormal acaba por se confundir também com a política (com o grande Martin Sheen a desempenhar brilhantemente o político da fita). Um filme com muito espírito e essência pura dos anos 80, grandes doses de mistério e uma soberba realização de Cronenberg.
★ ★ ★

P.S - devido ao nome anterior desta rubrica, «Em 150 palavras», ser acide…

Antes da Meia-Noite (Before Midnight) [2013]

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Nove anos depois de «Before Sunset», e 18 anos após o primeiro encontro em «Before Sunrise», Céline e Jesse voltaram aos Cinemas com «Before Midnight». Refletindo a crise da meia-idade e do facto das duas personagens terem já passado a barreira dos quarenta, esta dupla de personagens constitui um caso raro no Cinema contemporâneo: são poucas as histórias que conseguem captar tanto o espectador como a evolução e a comédia dramática da relação dos dois de nove em nove anos. A paixão de milhões de admiradores por esta trilogia vai para além do próprio Cinema, porque é para muitos um conjunto de obras que lhes diz muito e a que é impossível classificar. E não é preciso nada muito complexo para explicar o fenómeno de culto da saga «Before»: este terceiro capítulo mantém o espírito dos outros dois, pontuando com longas conversas (e poucas cenas, que são muito grandes em extensão e algumas delas não têm qualquer corte - veja-se com atenção o quão difícil deve ter sido preparar uma das prime…

Nos bastidores do Capitão Falcão

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Graças ao Espalha Factos, tive a oportunidade de assistir a um dia de gravações do filme «Capitão Falcão», que conta as aventuras do Super Herói do Estado Novo, acompanhado pelo seu fiel parceiro, o Puto Perdiz. O texto é da minha autoria e as fotografias são da Raquel Dias da Silva.
Acedam ao artigo clicando aqui.

O Apartamento (The Apartment) [1960]

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On November 1st, 1959, the population of New York City was 8,042,783. If you laid all these people end to end, figuring an average height of five feet six and a half inches, they would reach from Times Square to the outskirts of Karachi, Pakistan. I know facts like this because I work for an insurance company - Consolidated Life of New York. We're one of the top five companies in the country. Our home office has 31,259 employees, which is more than the entire population of uhh... Natchez, Mississippi. I work on the 19th floor. Ordinary Policy Department, Premium Accounting Division, Section W, desk number 861.
Intrigas de oportunismos, negócios, vigarices e mal entendidos, «O Apartamento» é um dos melhores filmes de Billy Wilder, e sem dúvida, uma das suas obras mais refinadamente elaboradas. Foi o seu único trabalho a vencer nos Oscares (faltou apenas atribuir estatuetas ao fabuloso par de protagonistas, Jack Lemmon e Shirley MacLaine), e à época, constituiu um exemplo tanto de …

Não acaba aqui o caminho para a liberdade

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O inesperado acontece, naquele que será certamente o acontecimento fulminante deste ano de 2013. Todos sabíamos do estado cada vez mais debilitado de Nelson Mandela, mas a notícia da sua morte não deixará de surpreender o Mundo, enquanto isto for divulgado pelos quatro cantos do planeta.
Esta é uma daquelas personalidades cujo impacto justifica a divulgação da sua morte por todos os perfis do facebook, em imagens, citações, ou partilhando momentos da sua enorme experiência neste Mundo. 
Até sempre, Nelson Mandela. 
1918 - 2013

Lost Forever: The Art of Film Preservation

Cinema é Arte e tem de ser bem preservado. Neste documentário encontramos alguns dos melhores trabalhadores do restauro cinematográfico (incluindo o excecional Robert A. Harris) que falam do passado, do presente e do perigoso futuro das frágeis fitas que continuam à espera de ser bem guardadas. Encontramos também testemunhos de vários críticos e cinéfilos que nos mostram que o Mundo do restauro tem mesmo muito para se descobrir. Vale a pena!

Casablanca regressa aos Cinemas

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Depois de «2001: Odisseia no Espaço», o romance intemporal de Michael Curtiz é a próxima aposta dos Cinemas UCI e das suas "Sessões Clássicas". Para mais informações, leiam este artigo que escrevi para o Espalha Factos.

Filmes em 60 segundos: A Invenção da Mentira (The Invention of Lying) [2009]

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De Ricky Gervais, «A Invenção da Mentira» é uma bonita e perspicaz comédia sobre as relações humanas, não neste mundo, mas noutro onde a mentira não existe nem mesmo como conceito (e essa reconstrução social do real está detalhada e bem conseguida). O filme não aborda só o lado mau da mentira e os trunfos recebidos pelo protagonista graças à sua “invenção”, como também mostra que, para o bem, a mentira é necessária: um mundo que se regule apenas pela verdade seria frio e sem muitas das características a que associamos o nosso meio. É uma comédia filosófica, que, apesar de ser algo simplista, tem um certo charme e emotividade, graças a uma premissa inteligente e uma moral interessante (que se adequa a todos os credos, mesmo que aqui se satirize o lado religioso da experiência humana), que nos faz rir, mas também reflectir sobre tudo o que nos rodeia.
★ ★ ★

Filmes em 60 segundos: Uma Louca História do Mundo (History of the World, Part I) [1981]

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Narrado por Orson Welles, «Uma Louca História do Mundo», de Mel Brooks, é uma viagem desconcertante aos grandes momentos da História Mundial, retratados com grande exagero cómico e muitas piadas forçadas, polvilhadas também por nonsense e brejeirice extremos, que se tornam difíceis de controlar e de aturar. Os sketches sucedem-se, com algumas ligações improváveis entre eles, e uns são melhores que outros (de destacar a genialidade do grande musical da Inquisição Espanhola). Abundam humor e trocadilhos mais fáceis, além de que há um grande desequilíbrio entre as histórias de cada sketch, o que impede um fio condutor que se ligue melhor aos melhores momentos de sátira (não só histórica, como também cinematográfica) engendrados por Brooks e companhia. Contudo, «Uma Louca História do Mundo» é uma interessante obra e uma peculiar investida de um dos mais geniais humoristas de sempre a territórios diferentes, pontuados por melhores e piores laivos de criatividade.
★ ★

Novidade do blog: Filmes em 60 segundos

Ao habituar-me a escrever críticas muito grandes, percebo que na maior parte dos casos fujo ao essencial e, pior ainda, retiro muito tempo que poderia investir em outras coisas (nomeadamente, a ver outros filmes). Por isso, decidi avançar com uma coisa chamada Filmes em 60 segundos. Isto consistirá em eu escrever críticas com esse número exato de palavras num só parágrafo, para não só eu poder restringir-me mais vezes ao essencial e poder dar mais uso à arte da síntese, como também será ótimo para muitos de vós, leitores, que com razão, não têm sempre paciência para ler textos gigantes sobre uma ou outra fita.
Continuarão a haver críticas mais extensas e sumarentas? Sim senhora, mas irei apenas dar espaço a essa maior extensão aos filmes que, a meu ver, têm de ter mais espaço para serem devidamente analisados. É que tenho vinte obras cinematográficas vistas que ainda não peguei para o blog, e às tantas isto começa a ser enervante, e desta maneira, poderei escrever sobre mais filmes e…

Novamente os TCN

E os TCN estão cada vez mais perto... por isso, na pequenez do meu blog, volto a apelar ao vosso voto (se acharem justo exercerem-no)! 
Para isso, basta fazerem estas coisitas: 
1. - ir ao sitehttp://cinemanotebook.blogspot.pt/  2. - Votar na poll "TCN 2013" (está no canto direito do blog, um pouco para baixo), na categoria "TCN 2013: Crítica TV" e escolher a opção "Sonhar Era Fácil", que é o título do meu post nomeado. 
Falta apenas uma semana para as votações terminarem, e toda a ajuda que quiserem dar, de pura e livre vontade, eu agradeço. Mais uma vez vejo-me no meio de gigantes e a concorrência é mesmo muito apertada (e talvez algo desequilibrada, mas os critérios são do júri...).
Obrigado pelo vosso apoio! :)

O Julgamento de Nuremberga [1961]

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Foi a partir de um dos maiores e mais reputados combates jurídicos da História que Stanley Kramer decidiu fazer este grande épico (que possui uma "overture" e tudo - e que é apenas uma amostra da potente banda sonora) que dá pelo nome de «O Julgamento de Nuremberga». Um ano depois da polémica e do êxito trazido pelo extraordinário «Inherit the Wind», o cineasta quis voltar aos temas quentes e que são alvo de grandes e permanentes discussões pela opinião pública. O resultado: uma grande película, que retrata não só grandiosamente bem todo o julgamento dos juízes nazis em Nuremberga, como também capta na perfeição um ambiente social, político e humano que caracterizou o Mundo nos tempos que se seguiram ao final da II Guerra Mundial. Foi este julgamento de 1948 que tornou célebre a expressão "crimes contra a Humanidade", que continuam a chocar gerações e a trazer tantas novas perguntas para serem respondidas. Com a Alemanha destruída e ocupada pelos Aliados, resta ag…