Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2012

Feliz ano novo!

Imagem
E pronto, cá me despeço, em nome das Amêndoas, dos leitores deste blog, pelo menos enquanto estamos em 2012. Que passem bem esta... passagem de ano, na companhia de pessoas, vá, fixes (ok, o nível de intelectualização deste estaminé acabou de reduzir cerca de 200%, por causa do uso do termo apresentado antes de ter começado este "parêntesis". Desculpem!). 
Foi um ano tão cheio, este. Tanto para o Mundo, como para mim (e aqui vem o meu momento de egocentrismo - sim, porque se quiserem uma revista dos momentos de 2012 a nível global, liguem os televisores e vejam todos os telejornais de todas os canais disponíveis, que é para não deixarem escapar nada!): muitas visualizações no blog, apoios de muitas pessoas (conhecidas ou anónimas), um prémio pelo qual estou muito orgulhoso, algumas coisas giras feitas a nível mais ou menos profissional (e outras que serão efetuadas nos próximos meses), enfim... um ano é sempre um ano, mas este foi muito preenchido, mais que o habitual! E es…

Alfred Hitchcock apresenta: o Mestre na TV

Imagem
Poucas são as séries televisivas que conseguem resistir ao tempo. Se com o Cinema, a tarefa de preservação e divulgação dos grandes Clássicos da Sétima Arte revela-se difícil e comprometedora, com o material do pequeno ecrã, o trabalho poderá ser mesmo impossível. Muitos têm de referência séries que viram e que, à época, marcaram uma geração. Mas sinceramente, quantas dessas séries continuam interessantes hoje em dia? Penso que poucas. São mesmo poucas as séries que conseguimos visionar sem estarmos muito a pensar na antiguidade que está a passar pelos nossos olhos, ou que nos distraia por algum pormenor caricato que, na altura em que foi originalmente transmitida, fazia todo o sentido (ou não - veja-se o caso do «Baywatch», em sucessivas reposições na SIC Radical. Não sei se alguma vez aquilo tentou ser uma série dramática, sinceramente...).
«Alfred Hitchcock apresenta» poderá ser um desses casos especiais de semi-imortalidade da arte televisiva. Esta série era constituída por forna…

South Park - O Filme

Imagem
Adoro o universo de South Park, a mítica série de comédia animada criada por Trey Parker e Matt Stone e emitida no canal Comedy Central (um dos grandes expoentes do humor televisivo nos EUA - é lá que são também transmitidos programas célebres como «The Daily Show» ou o seu spin-off «The Colbert Report»). E a adaptação cinematográfica da série televisiva foi o primeiro filme na minha vida que vi sem legendas, há cerca de uns quatro anos. Algumas piadas poderão ter-me passado ao lado na altura, mas recordava-me do essencial do filme e das partes onde que tinha soltado mais (e ruidosas) gargalhadas. Não há dúvidas que «South Park - O Filme» é uma grande comédia, que leva a criatividade de Parker e Stone aos limites do impossível. Todos os pormenores da série e todas as possibilidades do grande ecrã foram aproveitados para a elaboração desta fita animada. Além de possuir todas as marcas do humor satírico e corrosivo da dupla de humoristas, «South Park - O Filme» é também um musical, rep…

A Corda: Hitchcock em versão teatral

Imagem
Dois estudantes matam um colega, somente para sentirem a adrenalina e o perigo do ato cometido. Após o homicídio, feito por sufocamento, escondem o cadáver num baú, e é em cima dele que será servido o jantar que de seguida se seguirá e que aquele duo preparou com o máximo cuidado. Para a refeição convidaram um Professor conhecido e admirado pelos seus alunos (mas mais propriamente, pelos dois assassinos - é por causa das ideias de Nietzsche, transmitidas pelo professor aos alunos, que a dupla de homicidas encontrou um motivo para matar aquele pobre inocente) e os Pais, a namorada e o melhor amigo (e ex da anterior) de David, o rapaz falecido e que todos pensam que irá estar presente no jantar. O plano perfeito e o crime perfeito, eis o objetivo dos dois garotos. Cumprir a máxima "nietzschiana" do Super Homem, o indivíduo inteligente e superior que poderá, se lhe aprouver, matar todo e qualquer ser humano que ache ignorante e inútil para a sociedade. Passam das palavras para…

Duas Obras Primas Revisitadas

Imagem
Na semana passada voltei a ver dois filmes que me tinham deixado uma marca muito forte, e que há muito tempo queria revisitar. Filmes que me deixaram pouco para dizer por escrito, mas muito para pensar e sentir. Quis também rever estas duas obras primas inegáveis da História do Cinema para confirmar se essa impressão inicial se mantinha. E manteve-se. E são dois filmes que me ensinaram tanto sobre a Arte de se fazer um filme, que logo se juntaram à minha lista de Filmes de Sempre. E novamente, estes dois Grandes filmes deixaram-me pouco para escrever e muito para admirar. Por isso, deixo aqui duas pequenas críticas sobre essas fitas, completamente recomendáveis, e que são ambas obras de * * * * *!
O primeiro filme visto foi «O Carteirista» («Pickpocket» na versão original), uma pequena obra-mestra do realizador francês Robert Bresson. Com pouco mais de setenta minutos, «O Carteirista» contém um significado e uma simbologia que vale por muito filme de maior duração. Uma história simpl…

O homem que matou Liberty Valance

Imagem
Isto é o Oeste. Quando a lenda se torna num facto, publica-se a lenda.
«O homem que matou Liberty Valance» é um dos westerns mais famosos de sempre (e dos filmes que mais lucro e popularidade trouxe ao realizador John Ford), e para muitos um dos melhores filmes do género. Um relato em estado puro do "far-west", atento a todos os pormenores, sendo um filme minucioso no que respeita à recriação dos ambientes e situações vividas pelas pessoas que viveram nesta época maravilhosamente lendária para os Estados Unidos da América. O western é o género a que, incontornavelmente, todo e qualquer cineasta associa primeiramente quando é John Ford de que se fala. O próprio cineasta afirmou uma vez a célebre frase: "Eu sou o John Ford e faço westerns", o que mostrava que, apesar do realizador ter conseguido fazer filmes de excelência noutros géneros cinematográficos (veja-se, por exemplo, «A Grande Esperança» - no título original, «Young Mr. Lincoln» - um filme dramático sobre o…

Boas Festas!

Imagem
O autor deste estaminé irá ausentar-se nos próximos dois ou três dias, para poder celebrar com os familiares e restantes as festas da quadra natalícia. Por isso, enquanto o blog estiver de "mini-férias", que aproveitem bem o Natal, que corra tudo pelo melhor, e que preencham o vosso dia 25 com muita alegria, generosidade, e condimentos alusivos à época (cuidado com a doçaria!)!

Léon, o Profissional

Imagem
Fita que obrigatoriamente terá de ser incluída em qualquer lista sobre filmes de maior culto dos anos 90 (e mesmo de todo o século XX), «Léon, o Profissional» trata-se de um denso e refrescante thriller elaborado com o toque cinematográfico de Luc Besson, um cineasta que, ultimamente, tem preferido dedicar mais o seu tempo a um certo franchise de bonecada, do qual não voltarei a referir ao longo desta crítica, mas também elaborou um ou outro projeto interessante a que, infelizmente, o mercado não deu tanta atenção, em favor dos ditos "bonecos". Estreado originalmente no ano de 1994, mas com um impacto que perdurou até aos dias de hoje, «Léon, o Profissional» é um filme amado por uns e vexado por outros, mas que se revela ser uma obra com muitas poucas características estabelecidas entre os limites da vulgaridade, quer pela forma como conta a sua história, como pelas "ferramentas" estéticas e formais inovadoras utilizadas por Besson nas variadíssimas cenas de diálo…

10 filmes para o Fim do Mundo: Sugestões cinéfilas para aproveitarem bem o Apocalipse

Imagem
E pela primeira vez, vou-me armar em grande especialista cinéfilo e deixo, aqui, uma listazinha, com sugestões de filmes para serem vistos no dia do (suposto) fim do Mundo. E não pensem que abordarei filmes catástrofe como «O Dia depois de Amanhã» ou «2012», nem irei pôr toooodos os filmes que acho obrigatórios que toda a gente veja antes de falecer (esses nem precisam já de estar em qualquer lista - vós sabeis quais são de cor e salteado!), como «O Padrinho» ou «Era Uma Vez na América». Apenas alguns que se adequem a essa "categoria", vá. A partir de uma seleção meticulosa, deixo aqui dez filmes agradáveis, não muito pesados ou dramáticos, e propícios a visionamentos em família ou com amigos. Contudo, não deixam de ser obras com um certo significado especial, que poderão descobrir se agarrarem alguma destas sugestões. Não quero que passem as (supostas) últimas horas da vossa vida com dramas existenciais. É melhor passarem de uma maneira agradável! Por isto e muito mais, aq…

O Quarto Mandamento (The Magnificent Ambersons)

Imagem
«O Quarto Mandamento» (adaptação lusa de «The Magnificent Ambersons», uma tradução cuja simbologia eu tentarei teorizar mais adiante neste texto) pode ser visto como um dos filmes mais "sofredores" da História do Cinema, e dos poucos que, garantidamente, têm uma história de bastidores que daria, com certeza, uma fita igualmente espetacular. Não é para menos, visto que o filme foi vítima de um corte gigantesco de um terço da sua duração original, para satisfazer a vontade dos senhores da RKO (a distribuidora que financiou o filme de Welles e que pretendia retirar dele o máximo lucro possível, apesar do filme anterior do realizador, o mítico «Citizen Kane», ter sido um autêntico flop no box-office), visto estes não terem achado que a visão cinematográfica de Welles era viável para atrair as audiências às salas de cinema. A polémica e a discussão em volta do que terá motivado a esta "remontagem" de «O Quarto Mandamento» e as verdadeiras intenções e perspetivas que We…

Being There: A ascensão de um "videota"

Imagem
Acabei há momentos de ler «Being There», um pequeno romance da autoria de Jerzy Kosinski, que por cá foi publicado pela Livros de Areia, uma pequena editora independente, em 2007. A obra de Kosinski conceituou-se ainda mais pela adaptação feita para cinema em 1979, nove anos depois da publicação original do livro, protagonizada pelo Grande Ator Peter Sellers (e que espero conseguir ainda visionar esta semana), e cujo argumento foi adaptado da novela pelo próprio autor da mesma.
«Being There» trata-se de uma pequena, mas prodigiosa, sátira aos EUA, à política, às relações entre países e ao efeito da televisão no nosso dia a dia. Este último tema está unica e exclusivamente simbolizado em Chance, o protagonista do romance, que passou toda a sua vida isolado do mundo exterior, vivendo numa mansão onde apenas tratava do seu jardim e via televisão para se distrair. Um dia, o seu "tutor" morre e Chance é obrigado a sair da sua casa e a iniciar contacto com a vida fora do seu pequ…

Underground: Era Uma Vez um País

Imagem
Nenhuma guerra é guerra enquanto irmão não mata irmão.
Uma brilhante visão de um país e de uma cultura que nos é completamente desconhecida, «Underground: Era Uma Vez um País» marcou a segunda aclamação do realizador Emir Kusturica no Festival de Cannes. Dez anos depois de ter recebido a Palma de Ouro, em 1985, pelo filme «O Pai foi em Viagem de Negócios» (uma cativante história dramática sobre os problemas vividos na Jugoslávia de Tito), Kusturica volta a conquistar, triunfante, o Festival francês de cinema, recebendo o segundo galardão máximo de Cannes da sua carreira.
«Underground: Era Uma Vez um País» é um filme marcado pelo surrealismo, pelo humor e pela seriedade, elementos que são habituais na filmografia de Emir Kusturica, mas que são "cozinhados" de maneiras diferentes em cada um dos seus filmes (como por exemplo, algumas das suas obras são mais parvas - no bom sentido do termo - do que outras, como por exemplo, o divertidíssimo «Gato Preto Gato Branco»). A obra seg…

À Noite Logo se Vê

Imagem
Mais um livro lido de Mário Zambujal, o quinto do autor que me passa pela vista. Não sendo um dos seus melhores trabalhos, a meu ver, «À Noite Logo se Vê» é um bom livro com uma interessante história e situações hilariantes descritas no estilo único e inconfundível do carismático criador dos «Bons Malandros». Sendo uma história com um elevado pendor fantástico (o livro foi publicado, originalmente, numa coleção dedicada a esse género literário), o leitor segue as desventuras de um investigador do sobrenatural em relação ao mistério de Roseiral, uma terra onde não nasceu nenhuma alminha durante quatro anos. Além desta trama pseudo-policial, são contadas também algumas histórias avulsas sobre indivíduos "roseiralenses", repletas de humor e nonsense e que, de vez em quando, bem precisamos para distrair um pouco. Há uma certa dispersão por parte de Zambujal, um afastamento da trama principal, que depois não chega a ser contada de uma forma mais apelativa, para dar mais espaço à…

Bowfinger - O Sem Vergonha

Imagem
"Juntos pela primeira vez" é a frase de promoção ao filme «Bowfinger - O Sem Vergonha» que pode ser lida neste cartaz, por cima do título do filme. A frase refere-se, obviamente, aos atores e comediantes Steve Martin e Eddie Murphy, numa junção que, na minha opinião, deveria ter acontecido mais vezes (e é preciso salientar que, se isso for possível, que se envolvam em filmes melhorzinhos - há quanto tempo não vemos Martin e Murphy a sobressairem, realmente, de algum dos últimos projetos que fizeram?), porque neste filme, funciona surpreendentemente bem, criando um grande momento de comédia que, nos últimos anos, pouco se tem visto na indústria cinematográfica norte-americana (infelizmente, são as comédias televisivas que têm ganho popularidade, ultimamente - há espaço para projetos novos e mais cativantes e inteligentes, como é o caso das séries «Louie» e «Parks and Recreation»), que prefere viver à custa do lucro fácil, com projetos repetitivos, secos e que utilizam um hum…

And the winner is...

Imagem
Foi uma grande honra ter recebido, na tarde de hoje, no Centro Cultural Casapiano, o prémio dos TCN Blog Awards para Melhor Artigo de Televisão! Apesar de ter uma concorrência forte, o meu miseravelzinho blog conseguiu o galardão para esta categoria. E em grande parte devo esta premiação a todos os amigos, familiares e anónimos que votaram no meu artigo e que o divulgaram. Um Grande OBRIGADO a todos pela amizade e generosidade que tiveram para com a minha pessoa. Agradeço-vos muito muito muito! A palavra escrita é muito pouca para conseguir descrever toda a minha gratidão para com todos vós! UM GRANDE BEM-HAJA E BOAS FESTAS!!! :)

O Menino Selvagem

Imagem
«O Menino Selvagem» é um filme que retrata a importância da cultura e sua aprendizagem para cada um de nós poder viver em sociedade. Realizado por François Truffaut (o realizador que conceituou-se com obras aclamadíssimas como «Os Quatrocentos Golpes» e «Jules e Jim»), o filme parte do caso verídico de Victor de Aveyron, uma criança que vivia em cativeiro e que, ao ser analisada e estudada pelo Dr. Itard, um investigador francês, mostra como a privação do convívio social e da ausência absoluta de educação pode trazer consequências na maneira de pensar, agir e sentir do ser humano. A criança em questão, que obteveo seu nome por "baptismo" do Dr. Itard, foi encontrada na floresta por um grupo de aldeões, que lhes mostrou ter comportamentos muito pouco habituais num ser humano, e atitudes praticamente animalescas que obteve durante o tempo que viveu isolado dos Homens.
Ao conhecer mais de perto o menino, que primeiramente foi investigado por um cientista que o designou de &quo…

Memento

Imagem
Que há para dizer sobre «Memento», a longa metragem que revelou, definitivamente, a visão cinematográfica de Christopher Nolan ao Mundo (sendo um dos realizadores mais seguidos e celebrados da atualidade)? Penso que muito pouco, visto que o filme fala completamente por si. É totalmente impossível conseguir transmitir, pelas palavras mais exatas, o impacto que o filme me causou. Posso apenas dizer que foi um impacto de grandes proporções. Este é daqueles filmes para deixar uma pessoa completamente "abananada" e sem muitas palavras para poder proferir sobre a experiência que sentiu.
Vi este filme por sugestão da disciplina de Psicologia. Dentro do tópico do esquecimento, o filme era sugerido visto que «Memento» tem, como protagonista, um indivíduo de nome Leonard Shelby, que possui uma invulgar incapacidade, provocada por uma agressão, que se trata de uma anomalia no sistema nervoso que não lhe permite obter novas recordações. Lenny (como é incessantemente tratado por diversa…

Luzes da Ribalta

Imagem
Estamos no ano de 1952: após o grande fracasso, de público e de crítica, que constituiu a sua anterior obra, «Monsieur Verdoux» (que entre nós tem o nome de «O Barba Azul»), Charlie Chaplin vê-se cada vez mais desprezado pelos EUA, o país que o acolheu e que o deu a conhecer ao resto do Mundo. Tanto pelas falsas acusações de comunismo, cimentadas por uma época de fanatismo e perseguição políticas que marcou profundamente os anos 40 e 50, tanto pela forma como Chaplin se sente afastado do seu público (ou, melhor dizendo, o afastamento que as audiências americanas fazem gradualmente à vida e obra do genial cineasta), é notória a forma como Chaplin se sente desgastado pelas pressões e pela forma muito conservadora e fanática como muitos americanos veem os seus filmes, de uma maneira pretensiosa que leva a que sejam julgadas as peças cinematográficas do autor (provavelmente, das mais bonitas alguma vez feitas na História da Sétima Arte) de uma maneira completamente errada.
Contudo, Chapl…