terça-feira, 31 de julho de 2012

O Rei da Comédia

Aqui temos mais uma pérola perdida da História do Cinema, mas que desta vez tem a assinatura de outro incontornável dessa arte: Martin Scorsese. «O Rei da Comédia» é o título do filme, que marca o fim do primeiro período de trabalho entre este Grande realizador e o ator Robert de Niro (uma parceria que só voltaria a suceder-se em 1990, com o filme «Tudo Bons Rapazes»). Este filme tem um valor muito significativo nos dias de hoje, em que a busca pela popularidade e pelos célebres "cinco minutos de fama" é tão obsessiva como nos anos 80, altura em que o filme foi feito (mas digo que, talvez, hoje em dia essa obsessão consegue superar a dessa década...). 
«O Rei da Comédia» aborda, através da personagem Rupert Pupkin (interpretada de forma insuperável por Robert de Niro), a ilusão do Sonho Americano. Pupkin é um comediante amador que anseia conhecer e aparecer no programa televisivo "late night" do seu ídolo Jerry Langford (interpretado por Jerry Lewis). Mas a sua ambição e o orgulho que tem no seu próprio "talento" não o fazem perceber a realidade do panorama televisivo, o que faz com que caia na ilusão da facilidade televisiva. Pupkin não se apercebe que não é o seu ídolo que controla o seu próprio programa de TV, mas sim os senhores da cadeia de televisão e toda a equipa que o realiza, escreve e produz todas as noites, para chegar a todos os lares americanos. Pupkin pensa que o Mundo está a seus pés, e que conseguirá conhecer o seu ídolo e tornar-se numa grande estrela como ele. Contudo, ao longo do desenrolar do filme, Rupert consegue perceber que nunca conseguirá entrar no programa pela via normal das coisas, e então, decide utilizar métodos pouco ortodoxos para atingir os seus objetivos e conseguir singrar, finalmente, no "reinado" da comédia. 
Este é um filme muito apropriado também para se enquadrar no recente "boom" de novos humoristas portugueses que têm vindo a surgir (e que, definitivamente não pára): apesar de haver grandes talentos, é pena que, muitas vezes, alguns, com grande talento, se deixem arrastar pela facilidade e, depois, não chegam a ser ninguém no mundo da comédia. E depois, por outro lado, temos outros que, sem um pingo de graça, ainda conseguem andar por aí a fazer coisas, e isto porque até trabalharam para alcançar o que queriam (ou que achavam que mereciam...). 
Numa altura em que supostos "reis da comédia" crescem das árvores a uma velocidade cada vez mais vertiginosa, este filme torna-se uma boa peça para compreender a realidade do mundo do espetáculo, e também para exemplificar, mais uma vez, a grande versatilidade desse grande realizador que é Martin Scorsese, que aliado à interpretação de Robert de Niro e a um argumento muito bem escrito, faz a combinação perfeita para a criação deste filme, que se tornou um visionamento muito bom e que é, de certeza, um filme para ser visto. 

 Nota: * * * * 1/2

O Barbeiro: O homem que não estava lá

Ao acabar de ver «O Barbeiro», dos irmãos Coen, apercebi-me que este se tornou num dos meus filmes preferidos da dupla de autores norte-americanos. Mas infelizmente, «O Barbeiro» não possui a popularidade de outros títulos dos Coen, como (por exemplo) «Fargo» e «Este País Não é para Velhos». Não considero justo este facto, porque este filme, apesar de ser um pouco diferente e com algumas características que não são idênticas aos outros dois filmes mencionados, achei que se trata de um excelente filme, de ótimo entretenimento e onde a arte "Coeniana" se eleva a proporções nunca antes imaginadas, com esta incursão dos irmãos no "film noir", numa homenagem a esse género cinematográfico e que, a meu ver, é de se lhe tirar o chapéu!
«O Barbeiro» torna-se num daqueles casos da Sétima Arte em que nos apercebemos que, se o filme não tivesse sido filmado a preto e branco (facto que assenta que nem uma luva ao filme) e feito por estes dois senhores, não seria mesmo nada igual ao que se tornou. Acho interessante como há ainda muitos realizadores que gostam de fazer filmes utilizando métodos mais antigos e que, a uma primeira vista mais descuidada, poderiam ser considerados obsoletos. Mas não são, de todo, e daí, o preto e branco em «O Barbeiro» e as características que os Coen foram buscar ao "film noir" para este seu filme assentam que nem uma luva! E «O Barbeiro» poderia ser uma história simples e desinteressante se estivesse nas mãos de muito realizador que por aí anda, mas os Coen fazem toda a diferença.
Considero cada vez mais, à medida que vou descobrindo mais filmes da sua autoria, que os Coen são uma dupla de autores geniais e fundamentais no cinema americano da atualidade, que se pautam pela diferença e por possuírem um estilo muito próprio e inigualável, do qual eu estou a ficar um grande apreciador. 
O filme retrata a vida de Ed Crane (interpretado por Billy Bob Thornton), um barbeiro pouco simpático e com um grande ar de macambúzio, que se vê metido num sarilho derivado à infidelidade da mulher e também de um homem bizarro que pretende abrir um negócio de limpeza a seco (uma novidade para a época do filme, situado no ano de 1949). A história mostra-se ser mais complexa do que possa aparentar, e acaba também por ser uma reflexão sobre o significado da existência humana. 
A excelente realização dos Coen (premiada no Festival de Cannes) e a brilhante prestação de Billy Bob Thornton, aliada a um argumento muito bem escrito fazem de «O Barbeiro» uma relíquia cinematográfica e que, quer se goste ou não dos filmes dos Coen, tem de ser descoberta.

 Nota: * * * * *

sábado, 28 de julho de 2012

Estava a pensar fazer um título interessante para este post, mas assim de repente não me ocorre nada. Por isso, é só para dizer que este post fala sobre a Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos


Ontem, todos os seres que habitam o planeta Terra (e os extraterrestres, também, mas só aos utilizadores da TV Cabo ultra premium galática, com cerca de 9 milhões de canais disponíveis, vindos de todas as galáxias - OK, esta referência foi demasiado estúpida e incluiu muitos laivos de patetice. Talvez devesse deixar de ver Monty Python. Mas pronto, seguimos em frente) puderam ter a oportunidade de acompanhar o início dos Jogos Olímpicos, este ano feitos em Londres. E este indivíduo que está, nas catacumbas sombrias de uma mansão assombrada da Arruda dos Vinhos, a escrever este post, teve o desplante de visionamentalizacionalizar essa mesma cerimónia.
E, claro, como sempre, lá venho eu cá falar bem e falar mal do que pude ver com os meus olhinhos, não é? Então cá vai. Preparem-se para um texto repleto de mediocridade, como esta pequena introdução já teve a oportunidade de vos mostrar:
Para quem não sabe, a cerimónia deste ano foi pensada por um realizador de cinema. Sim, Danny Boyle, o homem por detrás de projetos tão diversificados como o de um miúdo indiano que vai ao «Quem Quer Ser Milionário?», ou outro, que envolvia um homem que tinha de amputar um braço. Parece-me ser um currículo suficiente para alguém, neste glorioso planeta azul, ser escolhido para "realizar" a abertura dos Jogos Olímpicos. OK, piadas idiotas à parte, continuo sem perceber qual a razão do senhor Boyle ter sido escolhido para este trabalho.
Mas tenho a dizer que até se saiu bem. Quem viu a cerimónia ontem, sabe do que eu estou a falar. Acho que foi dos poucos programas de televisão da atualidade que me fez ficar agarrado ao ecrã até à parte chata do evento (OK, já vão descobrir qual é). A cerimónia foi constituída por diversos momentos que serviram para homenagear a boa e velha Grã-Bretanha. Falou-se das personagens dos livros infantis (como Peter Pan, Mary Poppins, Harry Potter...), houve um momento de homenagem ao serviço de saúde britânico (que, não sei porquê, me pareceu um pontapé aos americanos - que não dispõem de um serviço de saúde gratuito) e tantas outras coisas. É claro que houve partes da cerimónia que já foram mais para a patetada habitual, mas pronto, no geral, foi giro. Até apareceu a Rainha com o "Jaime" Bond e tudo!
Contudo, no fim de contas, apreciei mais três momentos: o da Revolução Industrial (em que os mineiros e etc estavam a trabalhar para fazerem as argolas da "trademark" dos Jogos Olímpicos), a homenagem feita ao filme e à música de «Chariots of Fire» (o único filme que consigo associar ao evento desportivo - com exceção, claro, do «Astérix nos Jogos Olímpicos»), que incluiu o espantoso ator Rowan Atkinson a fazer um papel hilariante e que fez muito relembrar o desastrado Mr. Bean, e por fim, um pequeno momento em que, numa espécie-de-casa-que-tinha-vários-casacos (ou lá o que era aquilo!) mostrou, durante breves segundos, imagens de algumas das melhores séries britânicas de todos os tempos (entre elas, «Black Adder» e «Fawlty Towers»).
E depois, ah ah, é que veio a parte chata. Aquela em que aparecem todos os países a desfilar.
Quer dizer, fizeram coisas tão inimagináveis para a primeira parte da cerimónia, e depois aquela, continua a ser feita da mesma forma quando os Jogos Olímpicos se iniciaram em tempos "antes de Cristo"! Houve quem tivesse a (santíssima) paciência de esperar para ver os atletas portugueses a passarem lá no estádio olímpico e, assim, sentirem o patriotismo a escorrer nas veias durante dez segundos. E eu? Eu fui ver «Os Simpsons» e fui alertado na altura certa para ver a passagem do nosso Portugalinho. Reação? "Iei... Portugal 'tá ali e tal...". E toda a gente voltou à sua vida normal.
Bem, é tudo o que eu tenho a dizer sobre esta temática, num post que regressa aos moldes habituais de chafurdice textual trabalhada sem qualquer tipo de cuidado e com uma preça descumunal (viram? Viram os erros das duas últimas palavras antes deste parênteses? Ai ai ai... que irresponsabilidade da minha pessoa!). Esperemos que Portugal saia de Londres com algumas medalhas, boa sorte aos atletas tugas, e, com vossas licenças, vou prosseguir a minha vida patética nada exemplar para qualquer ser humano (mas sim para os suricatas). See you soon!

P.S - Agora já percebo porque é que, ultimamente, não me tem apetecido muito escrever este tipo de posts. Pena ainda ter patetice suficiente para ainda fazer um de vez em quando. A ver quando chega o dia em que me torno alguém na sociedade, e essas coisas todas. Acho que ainda falta, mas a esperança nunca falha!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Ed Wood


«Ed Wood» aborda alguns dos passos da carreira cinematográfica de um dos mais desconcertantes, extravagantes e bizarros realizadores que Hollywood deu a conhecer ao mundo (ou aliás, neste caso foi o mundo que o conheceu a ele. Não tivesse sido o «Plan 9 from Outer Space» eleito o pior filme de todos os tempos e talvez a fama de Ed Wood não fosse tão grande hoje em dia). Tim Burton realiza este biopic que não santifica nem crucifica Edward D. Wood Jr. e o seu trabalho, pretendendo apenas dar ao espetador uma visão o mais aproximada possível do que foi a vida deste indivíduo, no período de tempo que envolve a produção da sua primeira longa-metragem, «Glen or Glenda», até à feitura do seu filme mais conhecido, «Plan 9 from Outer Space». No papel de Ed Wood temos o grande Johnny Depp que, num dos mais notáveis desempenhos do seu currículo, consegue tornar-se no próprio homem que está a interpretar, dando muita credibilidade ao filme e ao seu papel. 
A vida de Ed Wood mostra-nos que o Cinema não é apenas feito de heróis, mentes brilhantes que influenciam e mudam a forma de se ver e fazer cinema, mas que também é feito dos anti-heróis, pessoas que, tal como Wood, são apenas conhecidos hoje em dia por filmes de qualidade muito duvidosa, mas que em certa medida até são um exemplo para as pessoas: apesar das ideias estranhas e bizarras que tinha sempre para os seus projetos, Ed Wood quis sempre levar tudo para a frente e não desistir. E independentemente do quão bom pode ser algo que queiramos fazer, acho que, se deixarmos as coisas para trás, nunca poderemos saber se conseguiriamos conquistar algo ou não. É como diz o ditado: Quem não arrisca, não petisca. E na minha opinião, esse foi o grande objetivo de Tim Burton e Johnny Depp com este filme, uma autêntica homenagem ao rei do cinema trash que continua a gerar muitos e muitos fãs. 
Mas com Ed Wood, podemos também aprender duas outras lições, não menos importantes: Como não fazer cinema, mas também, como fazer cinema em altura de crise. É claro que alguém que queira fazer um bom filme não pode usar muitos dos métodos de Wood, que se revelava muito descuidado na realização das suas películas, mas por outro lado, com pouco dinheiro, Wood recorria muito à sua (estranha) criatividade, dando asas à imaginação para criar as mais diversas situações para os seus filmes tentando não ultrapassar os baixos limites de orçamento que planeara para a execução dos seus trabalhos (ainda que, mesmo assim, não conseguia, por vezes, angariar dinheiro suficiente para pagar o que devia). E isso, numa altura de crise como esta, é fundamental. 
«Ed Wood» é um filme muito bem realizado, escrito e interpretado (ao contrário dos filmes de Ed Wood) sobre um homem que, apesar de todas as contradições, queria apenas fazer-se vingar e mostrar o que valia no Mundo do Cinema, através das suas duas grandes inspirações: o realizador Orson Welles (cuja obra-prima, «Citizen Kane», torna-se motivo de grande influência para Wood) e o ator Bela Lugosi (que Wood decidirá resgatar para os seus filmes quando conhece o seu ídolo e percebe o grande estado de miséria e decadência em que este se encontra), interpretado por Martin Landau, num grande desempenho que lhe valeu o Oscar para melhor ator secundário. Este filme revelou-se ser uma grande maravilha que tardei a conhecer, mas que me deu uma perceção mais humana desse mito que é Ed Wood, um homem que deixou a sua marca no Cinema (embora não fosse a mais positiva), e que vivia para conseguir chegar ao topo como os seus dois heróis, que o inspiraram para a carreira cinematográfica. 

 Nota: * * * * *

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Um Hotel à Inglesa

Depois de ter começado a regressar às origens do melhor da comédia inglesa e às aulas dos grandes "Professores" das artes da Gargalhada com o papanço completo dos primeiros 7 episódios do primeiro volume da coleção dos Monty Python (a sair com o Jornal Público), veio ao de cima a vontade de rever outra grande série de humor britânica que deu cartas em todo o mundo, e cuja popularidade (de gigantescas proporções) continua a dar que falar.
Esta pessoa que sou eu está a referir-se ao verdadeiro "must" que é a série «Fawlty Towers». Escrito por um dos Pythons (o Senhor John Cleese) em parceria com a sua mulher de então (Connie Booth), esta britcom segue um modelo tradicional da comédia de enganos, mas de uma forma completamente nova (muito graças à personagem de Cleese, o irritantemente divertido Basil Fawlty, que é o proprietário, com a sua mulher Sybil, do Hotel Fawlty Towers) e que arranca sorrisos, risos e explosões fatais de gargalhada que não deixam ninguém com o mesmo ar de tédio com que estava antes de pegar num episódio desta magnífica série.
«Fawlty Towers» desenrola-se no dito hotel, com as voltas e reviravoltas do casal Fawlty (que se muito bem, tão bem como Deus e os Anjos...) e dos seus empregados Manuel e Polly, nas mais diferentes situações, envolvendo clientes, turistas, empreiteiros, um rato de estimação, ou outras tantas peripécias, que inundam os doze episódios que constituem este marco da Televisão Britãnica, divididos em duas temporadas de meia dúzia (e acreditem: um único episódio desta série dá muito mais que uma temporada completa de muita sitcom que anda por aí...).
Embora goste bastante de toda a série «Fawlty Towers», quando peguei no DVD para a começar a re (re-re-re-re) ver, decidi que tinha de me iniciar com o último episódio da primeira temporada, intitulado «Os Alemães», e pude concluir que continua a ser o meu favorito. É comédia em estado puro. Acho que é um episódio que está tão bem escrito, tão bem interpretado e tão bem "timing"zado que supera todos os outros. John Cleese vai até aos limites da sua genialidade, com uma representação (sempre) hilariante de Basil Fawlty, que neste episódio, se vê com três problemas na cabeça: a chegada de um grupo de turistas alemães ao hotel, um exercício de prevenção de incêndios... e uma cabeça de alce. O que é que se pode estar à espera, vindo dessa mente inovadora e totalmente irredutível que influenciou para sempre a História da Comédia? Uma meia hora em que o espetador dará várias gargalhadas por minuto. 
Apesar de eu achar que as duas temporadas são bastante diferentes entre si (também têm quatro anos de diferença, o que pode justificar essa diferença) e que a primeira está um pequeno patamar acima da segunda, penso que vale muito a pena ver os doze episódios. Não sairão defraudados, garanto! E mais! Garanto ainda que, quando chegarem aos créditos finais do último episódio de «Fawlty Towers», irá apetecer-vos voltar àquele hilariante universo e voltar a travar conhecimento com Basil, Sybil, Polly e Manuel, que são também auxiliados por uma mão cheia de personagens secundárias também bastante caricatas e marcantes. «Fawlty Towers» não é uma série comum, porque deixou o seu lugar na memória de sucessivas gerações, pelo facto de manter a mesma graça que sempre teve e por não ter perdido nada com o passar dos anos. Esta é uma grande lição para as cadeias de televisão dos nossos dias: talvez se se deixassem de queixar da crise e resolvessem apostar em formatos deste tipo, que não são muito dispendiosos (aliás, muito menos dispendiosos que a maior parte dos programas que passam agora nas generalistas, sítios onde trabalham os senhores que se queixam da falta de dinheiro), a caixinha mágica seria um lugar mais divertido para se visitar. E Basil Fawlty continuaria irrascível e stressado como sempre. Mas isso é outra história...

terça-feira, 24 de julho de 2012

O Rei dos Gazeteiros



Não tenho dúvidas em afirmar que as melhores comédias feitas mais especificamente para o público adolescente foram apresentadas aos seres humanos na década de 80. E digo isto porque, basicamente, há muitos filmes do género desses anos que sobreviveram até hoje e que as novas gerações continuam a admirar de uma forma muito intensa. Casos como, por exemplo, a trilogia «Regresso ao Futuro» e este filme que vi ontem, «O Rei dos Gazeteiros» exemplificam muito bem esta teoria. Afinal, são comédias com mais de vinte anos, mas que continuam mais universais, cativantes e inesquecíveis que muitos filmes dirigidos aos mais jovens que são feitos hoje em dia (que, geralmente, costumam dar que falar durante uma semana e depois, segundo uma outra teoria minha um pouco mais patética, vão para uma espécie de caixote do lixo de material-que-mesmo-que-tenha-sido-lançado-ninguém-se-recorda-da-existência-do-mesmo-devido-ao-facto-de-se-tratarem-de-filmes-obsoletos-e-sem-razão-para-serem-vistos. Ui, e como este caixote deve estar a abarrotar...). 
«O Rei dos Gazeteiros» é uma boa comédia sobre as crises da adolescência e da tomada de consciência dos mais jovens para a sua liberdade e autonomia em relação aos seus Pais. Mas o que gostei preferencialmente neste filme é que o tema da adolescência não é tratado como uma coisa idiota e "morangos-com-açucarada". Não trata os adolescentes como palermas estúpidos, mas sim como pessoas que até têm preocupações para com a sua vida futura (bem, pelo menos alguns). E neste filme são-nos mostrados três jovens que, apesar das suas brincadeiras típicas da idade, são personagens com que nos conseguimos, em parte, identificar. E penso que, numa comédia deste tipo, conseguir criar um universo tão bem definido e tão atrativo para as audiências, é muito difícil de conseguir. E ainda mais difícil é de persistir no tempo e continuar atual, mas felizmente, «O Rei dos Gazeteiros» consegue essa proeza. Foi-me difícil não rir nem achar familiar muitas das proezas que Ferris Bueller arranja para conseguir concretizar o seu dia de folga da vida escolar, e que, juntando-se à namorada e ao melhor amigo (sofredor de graves problemas existenciais, digamos), conseguem tornar aquele dia de "baldanço" do liceu como um ponto marcante para as suas vidas.
Penso que «O Rei dos Gazeteiros» falha mais significativamente num aspeto: o ritmo não é bem controlado, sendo muitas vezes parado e disfuncional com a própria ação do filme. Mas aparte disso, gostei de o ver, e penso que merece ser revisitado. Esta pode não ser uma obra-prima da História do Cinema, mas tem uma carga psicológica para uma pessoa da minha idade (e, penso, para as restantes faixas etárias) muito maior do que possa aparentar.

Nota: * * * * 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Prevê-se a chegada de um grande filme...

Eis um filme que se mostra como uma grande promessa para este ano. Paul Thomas Anderson (realizador conceituado, autor de «Magnolia», «Haverá Sangue», «Boogie Nights», entre outros títulos) regressa às lides da Sétima Arte com uma obra que tem estado a dar muito que falar: «The Master», com um Joaquin Phoenix de volta ao ativo na representação (depois do documentário "fake" que fez sobre si mesmo - «I'm Still Here») e recheado com um grande elenco de atores (entre os quais um que gosto bastante - Philip Seymour Hoffman). O filme fala da criação de uma nova religião após a Segunda Guerra Mundial, que, segundos muitos, se aparenta à Cientologia. Há pouco tempo saiu finalmente o trailer, e este é dos poucos filmes que me faz ter uma curiosidade aguçada de o ver. Teremos candidato aos Oscares? Aposto que sim!


Doze Indomáveis Patifes

Os anos 60 formaram uma década de viragem para Hollywood: a partir dali muitas mudanças teriam de ser feitas, e muitas inovações tomadas pelos estúdios, realizadores, etc, seriam observadas pelo público de uma maneira curiosa e atenta.
«Doze Indomáveis Patifes» aparenta seguir o modelo clássico do filme de guerra que os inovadores da época poderiam não apreciar. Mas, e contrariando as expetativas, torna-se num grande filme, de excelente entretenimento, eficaz e muito bem feito. O realizador do filme, Robert Aldrich, mostrou a Guerra de uma maneira verdadeiramente realista, sem pretender fazer propaganda ao exército ou glorificar o conflito (como muitos filmes da época tinham como objetivo). Destaco a apresentação ao filme, feita pelo recentemente falecido ator Ernest Borgnine, pertencente ao elenco do mesmo, e que refere esta visão do realizador como a causa deste não ter sido nomeado para o Oscar pelo seu trabalho.
«Doze Indomáveis Patifes» poderia não ter sobrevivido ao tempo se não fosse a conjugação de três "ingredientes": um estrondoso elenco, que interpreta muito bem as suas personagens (mas que, com especial atenção, tenho de valorizar mais as prestações de Lee Marvin e  John Cassavetes, cujas personagens, confesso, foram para mim as mais marcantes e que me deixaram mais impressionado depois de ter acabado de ver o filme); uma realização à altura de Aldrich, que trouxe algumas inovações para a época, o que valeu a «Doze Indomáveis Patifes» Oscar para melhores efeitos sonoros; e por fim, a história que, apesar de seguir moldes já usados noutros filmes, consegue cativar e interessar por não ser previsível nem perder um pingo de credibilidade, e também porque os verdadeiros protagonistas não são duas ou três pessoas, mas sim um Major e Doze condenados que são escolhidos pelo Exército para serem encarregados de uma missão contra os Alemães Nazis, em plena Segunda Guerra Mundial.
Este é um filme de guerra que proporciona um tempo muito agradável e que irá, com certeza, fazer as delícias de qualquer apreciador de um bom filme, que felizmente, sobreviveu mais de quarenta anos para ser (merecidamente) visto e admirado.

Nota: * * * * 1/2

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Pânico em Needle Park

Al Pacino teve a sua segunda interpretação no meio cinematográfico com «Pânico em Needle Park», o filme que iria marcar um ponto de viragem na sua vida, num momento em que ainda estava a dar os primeiros passos na sua carreira e que dispunha de pouca fama junto do público, mas sempre carregado de um enorme talento, que iria interessar o realizador Francis Ford Coppola, que estava na altura a preparar o grande épico «O Padrinho». 
«Pânico em Needle Park» é um retrato ultra-realista e cru da vivência de um casal de toxicodependentes em Needle Park, o nome pelo qual os viciados em heroína conhecem a rua onde costumam encontrar o fornecimento para o seu (destrutivo) vício. Sem qualquer floreado nem nenhuma "americanice" incluída, este filme mostra a atualidade que suporta nos nossos dias e como, afinal, nem todas as histórias têm o final que nós gostaríamos que tivessem. Al Pacino e Kitty Winn formam o casal de protagonistas, que vê a sua relação tornar-se cada vez mais problemática à medida que o vício da heroína aumenta, fazendo com que os dois arranjem toda e qualquer maneira para conseguirem mais uma dose para suportar a sua dependência. 
À medida que a ação de «Pânico em Needle Park» se desenrola, ficamos cada vez mais integrados na história, e cada vez mais impressionados com a elevada carga realista do filme. O elenco tem interpretações brilhantes, com cenas que mostram o quotidiano destes "drogados" (e que causaram grande controvérsia na altura da estreia do filme) e todos os seus hábitos, que nos mostram o triste rumo que aquelas pessoas decidiram tomar para as suas vidas. Um filme que, apesar de ter mais de quarenta anos, se mostra uma grande peça cinematográfica, e este filme deve ser visto, e sobretudo por uma camada mais jovem, porque «Pânico em Needle Park» pareceu-me ser daqueles filmes que todo o adolescente deveria visionar, a ver se conseguiriam tirar lições para a vida a partir do mesmo. 

Nota: * * * * 1/2

"Senhores Telespetadores"...

Já era hábito, ao longo dos últimos anos, o meu Pai reunir a família para ver o programa do Professor José Hermano Saraiva. Ao domingo, depois ao sábado, sempre a trocar de horários, mas nós tentávamos sempre ver, sempre que podíamos. E agora, com as repetições da RTP Memória, ainda podemos apanhar muitas vezes os programas desse Grande Senhor da Televisão e da Cultura Portuguesa, que hoje, com grande pesar, partiu deste mundo.
É uma grande perda. Já não há tantos comunicadores com a humanidade de José Hermano Saraiva, contador da História de Portugal, sem necessitar de teleponto, e falando com a maior sinceridade e humildade para os seus "senhores telespetadores" (o famoso dito com que o Professor iniciava os seus programas), investigando todos os meandros da cultura portuguesa e suas figuras. José Hermano Saraiva é uma figura incontornável, que já deixou também o seu lugar na História de Portugal, esse Portugal do qual falava nos seus livros e na caixa mágica, onde fazia diversos programas didáticos e de qualidade que marcaram a própria forma de se fazer televisão no nosso país e que são, sem dúvida, a melhor definição para compreender o termo "serviço público". O visionamento dos seus programas cativa para a aprendizagem de História de uma maneira diferente, e um programa como o de José Hermano Saraiva, vai fazer falta daqui para a frente.

O que eu faço pelos Monty Python...

Isto de procurar o primeiro DVD da coleção dos Monty Python (que começou hoje a sair com o jornal Público) teve o seu quê de desportivo. Antes de, finalmente, encontrar o precioso Disco Versátil Digital numa papelaria da Avenida de Roma, tinha perguntado em cinco papelarias diferentes e todas disseram «já não tenho». Andei aqui a torrar ao Sol, a perder calorias... o que eu faço pelos Monty Python... 
Agora, esperam-me quase quatro horas de grandes sketches incluídos neste primeiro disco, com os 7 primeiros episódios da primeira série. É de aproveitar, pois é uma coleção a um preço bem bom (2,99€ cada um dos 7 DVD's com toda a série «Flying Circus»), destes Monstros Sagrados da História da Comédia!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Habemus Papam - Temos Papa


Nanni Moretti regressou ao mundo do Cinema com um filme que aborda a vida secreta do Vaticano e todas as particularidades que rodeiam o Estado mais pequeno do mundo, através da história de um Cardeal que, eleito Papa, não se acha possuidor das qualidades suficientes que esse cargo exige. «Habemus Papam» é um filme que surpreende, por ter uma abordagem à vida do Vaticano e ao Catolicismo que não ofende, mas que pretende fazer rir qualquer um e fazer com que os espectadores pensem naquilo em que verdadeiramente acreditam e no que pretendem para as suas vidas. O elenco é brilhante, e toda a construção do filme mostra como Moretti tem vindo a adquirir cada vez mais qualidades na sua “mise-en-scène”, ao longo dos seus filmes. Mas apesar do filme se mostrar bom ao longo da sua duração, ao terminar de o visionar, senti uma espécie de vazio. Não sei porquê, mas o final em si não correspondeu ao resto do filme. Teria de nos dar mais respostas e uma reflexão mais prolongada do problema em questão, mas apenas ficou pela solução mais fácil, e que nos deixa perplexos, sem saber porque é que Moretti decidiu terminar o filme assim, de uma maneira tão simples, quando poderia ter-nos dado muito mais e continuado com as suas paródias, e assim, dar-nos um filme um pouco mais memorável. O filme poderia ter sido feito de outra maneira, e que, talvez, assim este final corresponderia melhor à premissa do mesmo. Mas como não está, talvez «Habemus Papam» poderia ser um pouco mais curto… Contudo, apesar deste pequeno aparte, o filme mostra ser uma boa obra cinematográfica, cujo visionamento passa num instante, e que promete, ao menos, satisfazer os espetadores com uma história simples, que se mostra leve, mas que está carregada de significado.

Nota: * * * *

Adeus “ó-Toole”!


Peter O’ Toole, mítico ator irlandês que tem, no seu currículo, diversos desempenhos notáveis, dos quais destaco os dos filmes «Lawrence da Arábia» e «O Último Imperador» (filmes que constam da lista dos meus preferidos e que necessito de rever urgentemente), anunciou hoje que se irá retirar do mundo da representação. É pena, porque sempre gostei muito deste ator, e considero que deveria ter ganho, pelo menos, um Óscar com a interpretação de D.E. Lawrence. Mas ao menos, foi-lhe atribuído um prémio honorário da Academia, em 2003 (ao menos conseguiram perceber como este grande Senhor merecia ser homenageado!). Peter O’ Toole marcou a Sétima Arte com interpretações marcantes e brilhantes, e que, por nada deste mundo, devem ser esquecidas. Ver os seus filmes é a maior homenagem que as pessoas podem fazer ao ator que agora, se vai retirar, mas que deixará uma marca muito profunda na História do Cinema.

As pedras estão a rolar há cinquenta anos


Pois é. Os Rolling Stones (para quem não entendeu o trocadilho parvo que dá título a este post), uma das bandas mais populares de todo o planeta, comemora hoje meio século de existência desde o primeiro concerto. E é com estas efemérides que percebo que conheço muito pouco de uma banda que vale a pena explorar ao detalhe, porque além de sucessos globais como «Satisfaction (I Can Get No)» e «Start Me Up», os Stones têm uma variedade de outros sucessos (e mesmo músicas que não são assim tão conhecidas) que merecem ser ouvidas e apreciadas. É um pouco como os Beatles, embora eu goste mais deles que das “pedras”. Mas que continuem por aí a dar concertos e a fazer as maravilhas dos fãs!

E menos drogas, fachavor! Com sessentas e setentas, ainda pensam que podem ir aí brincar aos cheirinhos e essas coisas? Aiaiai…

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Pequeno comentário sobre aquelas duas cidades que, nem por acaso, são as que têm mais influência no nosso Portugal (e depois aproveito e faço aqui mais umas parvoíces)

Engraçadas as diferenças que um indivíduo com laivos de idiotice (como é este que assina estas linhas) consegue captar entre as cidades de Lisboa e do Porto. Mas a única coisa mais importante (ou seja, que realmente poderá interessar-vos, queridos - e pouquíssimos - leitores) é que me parece, muitas vezes, que os nortenhos têm muito mais simpatia com as pessoas que a malta de Lisboa. Mas depois há outras coisas que Lisboa tem e que o Porto não tem, etc etc etc. E uma pessoa como eu, que com o tempo, se tornou um pertence das duas cidades, fica assim meio dividida para saber qual delas é a melhor. Mas também, se formos a ver, essa é uma matéria pouco interessante para a minha vida e que só causa conflitos idiotas e sem sentido, que uma pessoa segue mas é em frente e prontos.
Até porque há tantas outras coisas interessantes que mereciam ser escrevinhadas neste blog. 
A essência da filosofia de Immanuel Kant, o romantismo na obra de Luís de Camões, ou até mesmo (veja-se só), a estrutura do sistema telefónico em Santa-Clara-a-Velha, são alguns dos inúmeros temas que tenho em mente para, algum dia, opinar aqui neste blog.
Só que, cada vez mais, vejo que não tenho estofo suficiente (nem o intelecto exigido) para me armar aqui em "sotôr Comentador" e falar destes motes de conversas rotineiras de sábado à tarde de qualquer... pessoa (sobretudo o do sistema telefónico, esse é que me dá mais trabalho).
E por isso, contentem-se com estes textinhos, que, no fundo, não dizem nada de especial e que não fazem falta nas vossas vidas. 
Mas que vocês lêem.
AHAHAHAHAH!
(prolongamento do riso maléfico por mais sessenta e sete minutos e treze segundos, e posteriormente, retirada deste caixa d'óculos com a mania que escreve para os seus aposentos reais, onde lhe esperam um copo de leite com chocolate e biscoitos de manteiga - daqueles das caixas redondas, com diversos feitios, que no fundo, têm todos o mesmo sabor)

PS - Perdoem-me este devaneio, mas já estava com saudades dos meus tempos de maior idiotice, que têm vindo a ser cada vez mais raros nos últimos tempos, porque agora tenho de ser um indivíduo sério e essas coisas. E por vezes a nostalgia vem ao de cima, e não há como a deter.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Apenas uma "piquena" reflexão estudantil

Engraçado como há pessoas que estão todas tristes por terem tido notas 20 nos exames e outras felizes porque conseguiram-se safar com um 10.

Eu já fico feliz por manter a minha média de 16 e pronto. É esquecer matéria escolar até setembro, e aproveitar as férias para despejar as poucas coisas úteis existentes no meu conhecimento para o caixote do lixo. Nem se reciclam, vão para os resíduos domésticos. E aproveito e vou enchendo este blog de linhas supérfluas e inúteis.

É uma "bragonha". 

Mas eu gosto!

Os Incorruptíveis Contra a Droga

Para muitos, «Os Incorruptíveis Contra a Droga» é daqueles filmes que não deveriam ter sido nem sequer nomeados pela Academia de Hollywood. Mas o que é certo é que esta fita acabou por levar para casa o Oscar de Melhor Filme, embora competindo com gigantes de peso como «Laranja Mecânica» e «A Última Sessão». Nunca se deve julgar a qualidade de um filme pelos prémios que teve, mas talvez não foi muito justa esta vitória do filme de William Friedkin, mas também não lhe vou dar pancada, porque vi o filme hoje e gostei bastante! E também, se formos a ver, os outros dois filmes que eu assinalei não precisaram de Oscares para singrarem na memória do Cinema. Mas mudando de assunto, e falando sobre este filme:  «Os Incorruptíveis Contra a Droga», título que muito se poderia assemelhar a um de um filme de ação de domingo à tarde, é uma extraordinária proeza cinematográfica, no que toca ao entretenimento que a Sétima Arte é capaz de proporcionar aos espetadores. William Friedkin dirige o filme, de uma maneira fulgurante, inovadora e repleta de ação, que lhe valeu também um Oscar, e que é uma das duas principais responsáveis por o filme ter sido aclamado pela crítica. A outra razão é a personagem Popeye Doyle, protagonizada pelo também Oscarizado Gene Hackman, um polícia que anda a investigar um esquema (muito bem montado, diga-se) de tráfico de droga, que envolve americanos e "franciús", num jogo de gato-e-rato que parece não ter fim, mas que evolui a um ritmo alucinante e muito bem construído. Vale muito a pena, este filme, porque enche os pedidos de quem pretende ver um grande filme de ação, despretensioso e muito realista, que me fez ficar agarrado ao ecrã até ao último segundo.

Nota: * * * * 1/2

Loucura Americana

«Loucura Americana», de Frank Capra, é mais uma lição de moral e de cinema ao estilo que o realizador habituou os seus espetadores ao longo dos anos. É um tesouro cinematográfico que ficou meio perdido no tempo e no esquecimento das pessoas e dos cinéfilos, mas que não deixa de ser um filme muito bom. Em «Loucura Americana», um filme que antecede clássicos como «Peço a Palavra» e «Do Céu Caiu Uma Estrela», Frank Capra decidiu abordar o mundo da economia e da banca, onde reside a verdadeira loucura do título da obra, contando a história do quotidiano de um banco americano que vê o seu sistema afetado após a ocorrência de um incidente grave. «Loucura Americana» dá-nos a entender que (e tal como nos dois clássicos posteriores que foram há pouco mencionados), os valores éticos e morais do ser humano têm uma importância muito maior que tudo o resto. Este filme, de curta duração (pouco mais de setenta minutos), carrega um significado do tamanho do mundo, e que é suportado por um argumento muito bem escrito e maravilhosamente interpretado por todo o elenco, que dá uma vida maior e, por isso, uma maior noção de realidade, a esta «Loucura Americana». Não consigo entender, sinceramente, como este filme passou despercebido à maioria dos “Caprianos”, já que também ele permanece atual (tal como todos os clássicos de culto do realizador, que passados tantos anos, ainda são muito vistos e apreciados) e, por isso, necessita de um visionamento urgente por parte de todos. 
 Apenas uma nota para a (péssima) sinopse do filme, escrita na contracapa da edição DVD, que contém vários elementos que, na realidade, não pertencem à história do mesmo (mas claro, só notei isso depois de ver o filme), o que faz que a simples leitura dessa sinopse dê uma ideia muito errada desta obra, não nos dando a entender logo como pode ser de uma qualidade tão grande. 

Nota: * * * * 1/2

sábado, 7 de julho de 2012

Homem na Lua


Andy Kaufman é uma das figuras mais estranhas e interessantes da Comédia Americana dos anos 80. O seu estilo invulgar levou a que fosse muito criticado por uns, e aclamado (muitas vezes, até ao máximo exagero) pelos seus múltiplos seguidores. Kaufman mostrou como as pessoas poderiam ser manipuladas e como tudo do que acreditamos pode não passar de ficção.

Já tinha visto parte de «Homem na Lua», filme biográfico sobre Andy Kaufman, há uns largos anos. Fiquei com curiosidade acerca desta bizarra personagem, e desde então comecei a pesquisar muito sobre ela - muitos dos seus sketches e atuações estão espalhados pelos recantos do Youtube e afins - e agora tive a possibilidade de ver o filme na íntegra. E na minha opinião, Andy Kaufman não era um génio. Jim Carrey, que dá vida ao célebre entertainer, afirma, num making-off extra da edição DVD nacional do filme, que Kaufman é como que «o santo patrono dos comediantes». Mas mesmo assim, apesar de toda a influência de que Kaufman teve - e apesar de ter ficado a gostar mais dele depois de toda a pesquisa feita e de ter visto o filme todo - não consigo ver Kaufman como uma figura ímpar e genial da História do Humor. Tenho a perceção cada vez maior que este indivíduo tinha apenas uma visão muito sua do que era o entretenimento, facto que «Homem na Lua» evidencia muito bem e de uma maneira exemplar.

Andy Kaufman era uma quase-espécie de Ed Wood da Comédia: podia não fazer assim coisas muito interessantes, mas bastou que os anos passassem para se tornar uma figura de culto. Mas a diferença é que Kaufman acabou, no final, por se enquadrar numa situação onde encaixa bem o provérbio «O feitiço virou-se contra o feiticeiro»: o facto de estar sempre a brincar com a realidade valeu-lhe que, a certa altura, as pessoas deixassem de acreditar na veracidade das coisas que ele dizia ou fazia, mesmo que fossem reais (veja-se a cena em que Kaufman tenta informar o agente, a namorada e o seu comparsa Bob Zmuda de que tem cancro, e as reações que eles têm ao ouvirem as suas palavras).

Milos Forman dirige de maneira impecável este «Homem na Lua», suportado por um argumento muito bem escrito e com um elenco de luxo (com Jim Carrey em estado de graça), fazendo com que este filme se tornasse um objeto de interesse por parte dos seguidores de Kaufman ou dos interessados nas lendas da Comédia Americana. «Homem na Lua» é um filme que vale muito a pena. E, tanto se goste ou não deste comediante, o filme é a prova viva de que o objetivo de Andy foi cumprido: a sua carreira não deixou (nem deixará) ninguém indiferente.

Nota: * * * * 1/2

As Asas do Desejo


«As Asas do Desejo», de Wim Wenders, faz parte da lista dos filmes de maior culto da década de 80, e que continuam a ser admirados hoje em dia, de uma forma cada vez mais intensa. Este filme trata-se de uma reflexão sobre a vida e a existência humana, através das deambulações de dois anjos pelas ruas de Berlim (nessa altura ainda dividida pelo Muro e pelas razões da Guerra Fria), que ouvem os pensamentos e preocupações de diversos habitantes da cidade, oriundas de todas as classes sociais, com várias ideologias e diferentes formas de viver a vida. E numa dessas deambulações, Damiel, um dos anjos (interpretado magistralmente pelo Grande Bruno Ganz), vai conhecer Marion, uma trapezista de circo pela qual se vai apaixonar, e por ela, vai ansiar ter uma vida humana.

«As Asas do Desejo» é um filme tocante e, por isso, muito marcante. Wim Wenders dirige a fita guiando-nos pelos mais diferentes caminhos dos seres humanos, mostrando-nos pessoas e vidas que não são capazes de nos deixar indiferentes. Não se trata de um filme fácil, mas, se for visto em boas condições, torna-se uma grande experiência de Cinema (sim, com C grande!). Destaco também a surpreendente interpretação de Peter Falk, que, ao fazer de si próprio (embora, claro, com alguma ficção lá pelo meio) encaixa perfeitamente em toda a história e Universo de «As Asas do Desejo». Um filme que me deixou quase sem palavras (apenas as suficientes para conseguir escrever esta pequena crítica), e que é, sem dúvida, uma obra-prima do Cinema Europeu a ver, rever, e re-rever!

Nota: * * * * *

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Gigante

Um filme simples com uma história simples, mas que vale a pena. Assim se resume, em poucas palavras, o que eu achei de «Gigante», um filme que parte de uma premissa humilde e com pouca substância, mas que acaba por ser uma boa experiência cinematográfica, neste que é o primeiro filme do realizador Adrián Biniez, e que recebeu inúmeros prémios, nomeadamente o Urso de Prata do Festival de Cinema de Berlim.
Nesta pequena fita, conhecemos Jara, um segurança de supermercado que se começa a apaixonar por Julia, uma empregada de limpezas desse estabelecimento. A partir daí, inicia uma espécie de obsessão por ela, seguindo-a por tudo quanto é sítio e tentando sempre saber mais coisas sobre ela.
Não sendo um filme inovador, inesquecível, fantástico ou marcante, «Gigante» é bom entretenimento, o suficiente para passarmos descansados oitenta e cinco minutos do nosso tempo livre sem ter que mexer muito com a cabeça. E, parecendo que não, muitas vezes precisamos de filmes assim. Filmes que nos façam parar um pouco, com histórias menos "cerebrais", mas mais humanas.

Nota: * * * *

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Breaking Bad: Uma série diferente

«Breaking Bad», em Portugal emitida como «Ruptura Total» é, muito provavelmente, uma das melhores, mais irreverentes e mais inteligentes séries da atualidade, sendo completamente viciante e tendo vindo a adquirir uma legião de fãs que se está a tornar cada vez maior. Neste mês de julho estreia a quinta e última temporada aos EUA (as grandes séries não precisam de excessivos episódios para manterem o estatudo de qualidade), e só agora é que comecei a ver. E digo só agora, porque fiquei um fã imediato da série, embora só tenha visto três episódios da mesma. Só que o problema é que esta série está muito bem construída, e dá-nos logo vontade de ver o episódio seguinte. A premissa é pouco habitual, envolvendo um homem que descobre que tem um cancro e que decide usar os seus dotes para a química para deixar dinheiro à família, através de caminhos... ilegais, diga-se assim, mas «Breaking Bad» é uma série F-E-N-O-M-E-N-A-L, e ponto final. É um dos melhores casos que mostram a grande expansão da indústria televisiva americana nos últimos anos, em termos de séries excelentes. «Breaking Bad» já se tornou uma série bastante conceituada, elevada ao patamar das melhores de sempre, e por agora estou a gostar bastante. Espero que continue a manter sempre o mesmo nível, e que acabe com um desfecho cinco estrelas.

O Bom Rebelde

«O Bom Rebelde» é uma história convincente, comovente e nada deprimente (só para usar adjetivos terminados em "ente"), que é outro caso que só poderia ter saído de Hollywood. Muitas pessoas poderão considerar este filme manipulador e patético, mas eu gostei bastante, principalmente as interpretações destes dois sotôres que se veêm no poster do filme, e também do argumento, escrito por um deles (Matt Damon) e por Ben Affleck, que participa também no filme. O mote de «O Bom Rebelde» poderá ser demasiado usual e pouco interessante para a maioria dos espetadores, mas vale a pena perder duas horas de vida com este filme, porque não há lamechice. Existe apenas humanidade neste filme, que está bem presente na personagem de Matt Damon, um rapaz sem grandes recursos financeiros mas com grande cabeça para a matemática, que será apoiado pela escola onde trabalha como empregado de limpeza a desenvolver o seu dote, sendo-lhe instruída uma terapia com um professor de Psicologia, interpretado por Robin Williams, que lhe dará algumas lições para a vida.
OK, visto assim, o filme parece ser ainda mais óbvio e com uma história habitual dos filmes de domingo à tarde (e por acaso vi este filme na tarde do passado domingo), mas caramba, o filme está muito bom! Toda a equipa esforçou-se para não tornar este um filme qualquer, e penso que conseguiram fazer isso. E daí, recomendo «O Bom Rebelde», destacando também a realização firme do já muito respeitado realizador Gus Van Sant. Este filme tem algo de especial, e merece que todos o descubram.

Nota: * * * * 1/2

Os Salteadores da Arca Perdida

Depois de ter feito um re-revisionamento dessa épica obra prima "Leoniana" que dá pelo nome de «Era Uma Vez na América», esta pessoa que se escreve decidiu mudar um pouco de ares... cinematográficos, e decidiu regressar à grande aventura em estado puro, com o primeiro episódio da saga de Indiana Jones, e, sinceramente, o único que tinha vontade de rever. «Os Salteadores da Arca Perdida» é um dos maiores casos de sucesso de George Lucas e Steven Spielberg, dando início a um franchise que se prolongou com três sequelas, jogos de vídeo, livros, um spin-off televisivo (com o Indy em garoto) e muitas outras coisas, algumas delas inimagináveis, que só sairiam da cabeça desses criativos lucrativos de Hollywood. E espera-se que haja um quinto filme de Indiana Jones, mas penso que já chega.
«Os Salteadores da Arca Perdida» é um filme com, admita-se, um título fabuloso (fica na cabeça e não sai, de tão bem que soa!) e que contém os melhores e mais refinados ingredientes para uma grande fita de entretenimento cativante e muito bem feita, que iria influenciar muitos filmes de aventuras que se lhe seguiriam, e que deixou um legado inquestionável de culto e popularidade. E nesta fita, conhecemos Indiana Jones, aventureiro caçador de peças arqueológicas bastante difíceis de encontrar, e que partirá à procura da Arca Perdida, onde se pensam que estejam guardadas as tábuas dos 10 Mandamentos. Indy enfrentará traidores, rivais e até nazis (com aquele ar malévolo característico), impedindo que o Mal se apodere desta arca tão importante para a História da Civilização.
Steven Spielberg realizou, e George Lucas criou a história de «Os Salteadores da Arca Perdida», numa excelente combinação de aventura, emoção e ação, nada aborrecida e ainda muito atualizada. Este é mesmo um bom filme para descansar e aprender que o Cinema não é só Hollywood, mas que, se não fosse Hollywood, não teríamos heróis do calibre de Indiana Jones.

Nota: * * * * 1/2

A Queda de um Império... bolachal

Hoje surgiu, nos meandros e recantos da comunicação social, uma notícia que deixou bastante traumatizada uma parte das pessoas, e felicíssima a outra. Falo-vos da novidade de que o simpático (e stressado) monstro das bolachas, personagem mítica da «Rua Sésamo» criada por Jim Henson, vai deixar de comer, precisamente... bolachas, para se virar para uma alimentação mais saudável, acompanhando-o todo o resto da "fantochada" desse programa infantil. Mas este pormenor escapou a muita gente, porque o que chocou foi que o Monstro das Bolachas vai ficar sem as bolachas. E o resto é paisagem.
A mim, isto nada me choca, porque também se me deixasse chocar por uma coisa dessas, jasus... é giro ver que, sempre que acontece um atentado à infância de todos nós, as dissertações dos comuns mortais repetem-se sucessivamente, em todas as redes sociais, blogs, e (veja-se só!) nas habituais conversas de café. Frases como «Ah isto já não é o que era» ou «No meu tempo é que era bom!» são constantemente pronunciadas em palavras escritas ou mesmo faladas de muito tuga deste país e arredores.
Mas, por outro lado, também não fico feliz com esta mudança saudável da «Rua Sésamo». E, pior ainda, faz-me mais confusão como é que os "amaricanos" possam pensar que, ao ver as atitudes politicamente incorretas deste monstrinho azul (que tinha uma relação com as suas bolachas semelhante à do Scarface com a cocaína, no final do filme), as criancinhas vão imitá-lo severamente, tornando-se obesas. OK, percebo a parte do imitar a personagem infantil da TV (sei como as crianças pequenas são nesse aspeto), mas como conseguiriam ficar obesas com as comezainas do Monstro das Bolachas? É que ele, tecnicamente, não come as bolachas! Põe-nas dentro da boca, sim, mas para o estômago, penso que só deve ir menos de 10% de cada bolacha que consome, porque ele destrói a bolacha em migalhas e deita tudo cá para fora (de uma maneira demasiado insana, digamos)... É isto que vai destruir a curta existência dos miúdos? Sinceramente...
Também não me passa pela cabeça a maneira como os miúdos são tão afetados psicologicamente com estes programas que veem. Eu via o Monstro das Bolachas na «Rua Sésamo», via o Garfield a comer lasanha e pizza e a dormir o dia todo, vi uma série de personagens animadas (ou "marionetadas") com uma série de atitudes irrepreensíveis e não é por isso que as imitei e fiquei gordo por causa delas...
Porque gordo estou agora e já não vejo esses programas.
E isto é um dito muito estúpido, mas é verdade.
Por isso digo, com toda a confiança, que não devo a minha barriguinha ao pobre Monstrinho Bolachoso (que agora, pelo que vi hoje nas notícias da TV, anda a envergar um fato de cantor de rap. Iei, América, mostrem que deixaram de ser conservadores e que agora todas as personagens infantis se assemelhem ao elenco de «The Wire»... Iupi! Isso vai pôr-vos mais em consideração no nosso quotidiano. Acreditem que sim). E apesar de não estar com esse fanatismo todo com que muita gente está por causa desta sintomática, tenho pena que o Monstro das Bolachas já não coma bolachas, e que também já tenha ido ao oftalmologista (pareceu-me também que os olhos do boneco já não se mexem daquela maneira psicótica). Mas é a vida, e todos nós seguimos em frente. Mas tenho a certeza que, quanto mais programas há com personagens a tornarem-se vegetarianas, mais os miúdos ficam obesos. Ah pois.
Ufa, depois de escrever este texto fiquei cheio de fome. Alguém tem aí bolachas? Vou devorá-las todas!
Nham Nham.