domingo, 29 de abril de 2012

Há mais vida no Parque

O título deste post foi transcrito do slogan da edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa, que já decorre há 82 anos e que eu ontem tive oportunidade de visitar. Apesar do péssimo tempo, foi curioso como a Feira continuou cheia de gente e de animação. Estavam, como é habitual, diversos autores, e eu, pela primeira vez em dois ou três anos, trouxe uns livrinhos para casa. Encontrei uma enorme biografia sobre Hergé, a cinco euros (e pensar que há uns tempos a vi a 30!), que decidi logo adquirir, e também dois livros a um euro, daqueles que sairam em coleções de jornal.
E digo-vos, vale bem a pena visitar a feira. Vi lá muitas promoções jeitosas, e penso lá voltar outra vez!
Bom domingo!

The Departed - Entre Inimigos

Eis outro daqueles filmes que só teria esta intensidade, este ambiente e esta "arte" com um único realizador. Neste caso, é o Mestre Martin Scorsese. Vejo este segundo remake (este, do filme asiático «Infernal Affairs») da carreira do realizador como um terceiro filme da saga «Goodfellas», sendo o segundo filme desta trilogia «Casino». E, em parte, até faz algum sentido, porque a linguagem, o tema dos filmes (a máfia) e a profundidade como se aborda o mesmo, com aquele tom sarcástico, irónico e realista, é igual. Mas «The Departed» chega a ser diferente dos outros dois por um fator: tem uma história concisa (aliás, foi esta a razão dada pelo próprio realizador pelo facto de ter ganho o Oscar com este filme). Este thriller, com uma pitada de humor (muito) negro, trata da história de dois indivíduos: um, agente da polícia infiltrado na máfia, e o outro, um mafioso infiltrado na polícia que investiga a organização em que está metido. Este filme de duas horas e meia aborda com mestria esta história de crime, e Scorsese, que consegue sempre adaptar-se muito bem a qualquer ambiente que pretende explorar (e já foram muitos e muito diferentes entre si), e aqui, oferece-nos uma realização frenética, descontrolada e intimista, trazendo-nos uma panóplia de excelentes atores (especialmente Leonardo Di Caprio e Jack Nicholson, que estão cinco estrelas) e um argumento muito bem construído e preciso, num filme de crime como deve ser, que leva ao espetador o que ele quer ver e não ser um banal episódio de uma série policial.

Nota: * * * * *

Flags of Our Fathers - As Bandeiras dos Nossos Pais


Cada vez gosto mais de Clint Eastwood, tanto o ator como o realizador. Mas penso que o que é mais importante em todo o seu trabalho são os (magníficos) filmes que dirige só por detrás das câmaras (na maior parte das vezes).

«Flags of our fathers - As bandeiras dos nossos Pais» é um desses filmes que só um particular realizador poderia executar, pois que, se caisse em outras mãos, seria completamente diferente. Este filme é um retrato do tempo da II Guerra Mundial, focando em particular três sobreviventes do conflito em Iwo Jima, que rapidamente se tornaram famosos por causa de uma fotografia que lhes foi tirada a hastearem uma bandeira dos EUA, no solo da ilha japonesa. A propaganda da imagem trará uma imagem de vitória e esperança aos EUA, e as fortes aderências da mesma junto do público serão maiores do que se poderia imaginar. Contudo, e como já é habitual, a história verdadeira da fotografia não é esta. E os três sobreviventes terão de suportar a (passageira) popularidade, aproveitando a oportunidade que lhes foi dada de os tirar do sangrento combate em Iwo Jima. Contudo, os minutos de fama não passam dos cinco, e a partir daí, nenhum dos três "heróis" da guerra voltarão a ser agraciados pelo povo, pelo governo e pelos investidores.

«Flags of our fathers» constitui, além de um exato retrato da América dos anos 40, um estudo sobre o efeito que os media podem ter na nossa forma de ver as coisas. A fita mostra-nos também todo o jogo de interesses que rodeia uma guerra, e os exageros que uma breve fama pode causar e também o preço a pagar por ela. Destaco, além das interpretações e do realismo dado à ação por Eastwood, a espantosa fotografia do filme, que já foi usada noutras obras do realizador/ator, e que se torna também muito adequada para "pintar" todo o ambiente, dentro da batalha de Iwo Jima e nos States.

Nota: * * * * 1/2

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Os Coristas

«Os Coristas» é outro dos (muitos) filmes europeus que fazem História em todo o Globo. Mas, além disso, este filme marcou uma década, e também a minha geração. Não conheço muita gente da minha idade que não tenha visto esta fita, e mais do que isso, das que viram, todas elas adoraram-no e idolatram-no ainda hoje. É um filme que toca a qualquer pessoa que o vê. Ninguém pode dizer que está perante um filme terrível, pois não é verdade. Pode dizer o que quiser, mas, pelo menos, tem de se ficar satisfeito com o visionamento desta obra cinematográfica francesa.

«Os Coristas» é muito mais do que um filme musical equivalente a um CD, com as faixas todas seguidas em playlist, sem qualquer sentido. Apesar de ser a música que está no centro de toda a ação do filme, ela não se sobrepõe a tudo o resto, o que resulta numa química entre uma magnífica direção de atores (sobretudo dos pequenos) e a história do ex-professor de música que vai trabalhar para um "reformatório" (com um nome bem sugestivo, digamos) onde ensina os miúdos a irem para além da sua própria imaginação através das suas composições musicais, que funciona perfeitamente!

Por isso, «Os Coristas» contém todos os ingredientes necessários para ter sido (e continuar a ser) um sucesso à escala mundial: um excelente elenco, uma história simples, mas que puxa pelo lado mais alegre do espetador, e uma excelente banda sonora, que fazem deste filme muito mais do que puro entretenimento à moda europeia. «Os Coristas» tornou-se um verdadeiro blockbuster que nos dá muito mais do que apenas a sensação de comer "as pipocas do cinema". Este é um filme cativante e eternecedor, bonito e comovente. Um incrível prodígio cinematográfico sobre o poder da música na vida de todos nós, e como essa arte pode fazer-nos sonhar e mudar a nossa própria existência.

Nota: * * * *1/2

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Maridos e Mulheres

Woody Allen regressa a um registo mais dramático neste seu filme «Maridos e Mulheres», a décima sétima fita que visionei do autor norte-americano. Neste filme, Allen volta a pegar no tema das relações humanas, pela milésima vez, é certo, mas, de novo, de uma forma original e surpreendente. Em «Maridos e Mulheres», são dados a conhecer ao espetador dois casais, e sabemos logo no princípio do filme que um desses casais conta ao outro casal que se irá divorciar. Depois disto, poderemos ver que as personagens de Mia Farrow e Woody Allen (o outro casal) irão questionar-se elas mesmas se o seu casamento ainda fará sentido (o que pode ser visto como algo interessante, se tivermos em conta que, quando este filme saiu, a relação amorosa entre Allen e Farrow já tinha acabado, devido àquela "polémica" que todos nós conhecemos). E, a partir desta história, Woody Allen (que é aqui, mais uma vez, realizador, argumentista e ator do seu próprio filme) explora o valor do casamento e das relações amorosas dos seres humanos, através das ilusões e desilusões das quatro personagens principais e de como tudo muda entre elas após a notícia do divórcio de um dos casais. Allen dá ao filme um estilo de (falso) documentário, o que dá, em certos aspetos, mais realismo ao seu filme, e por isso, se tornará mais fácil com que qualquer um de nós se identifique com o que se está a passar no ecrã. «Maridos e Mulheres» mostra a ironia da vida e de como, muitas vezes, os nossos próprios pensamentos e desejos podem ser enganadores. Um ótimo filme dramático, que nos mostra que Woody Allen consegue ser brilhante tanto na comédia inteligente, como nos dramas mais profundos sobre a existência humana, fugindo um pouco à sua personagem neurótica que é quase que um alter-ego dele próprio, e que costuma envergar na maioria dos seus filmes.

Nota: * * * * 1/2

terça-feira, 24 de abril de 2012

A Abelha na Chuva... em Livro

Para Literatura, tinha de ler o livro «Uma Abelha na Chuva», de Carlos de Oliveira. Sim, já tinha visto o filme homónimo, e como poderão ler numa das minhas mais recentes críticas, mais preferia não o ter visto...
Tinha-me esquecido completamente de ler o livro e na noite de domingo peguei nele e li-o quase todo à noite. Conclui a leitura na manhã do dia seguinte.
E gostei muito do livro. O filme não pega nada do sentido da obra literária, e até podia ter feito de outra maneira a história, mas nem mesmo assim conseguiu captar o interesse do livro, que se lê de uma assentada. Como já devem ter reparado, eu não consigo fazer críticas tão (pouco) interessantes sobre livros como as que são sobre filmes... Mas fica aqui a minha sugestão para lerem este livro. Uma leitura rápida e que vale bem a pena!

Nota: * * * * 1/2

The Fighter - Último Round

Não sou um particular fã de boxe, nem de qualquer outro desporto que envolva tareia entre os seus participantes. Mas, quando vejo filmes sobre esta modalidade, até costumo ficar surpreendido pela grande qualidade dos mesmos, apesar de girarem à volta de um desporto que pouco diz à minha pessoa. «The Fighter - Último Round» foi o mais recente desses casos. Uma história dramática, envolvendo dois irmãos: um, Dicky, antigo pugilista de sucesso que se deixou cair agarrado ao vício da droga e por ter deixado escapar as oportunidades (interpretado por Christian Bale, cujo Oscar foi bem merecido), e o outro, Micky (interpretado por Mark Wahlberg), iniciado na modalidade, que pretende chegar mais longe, com a ajuda de Dicky. Contudo, Micky, a dada altura, começa a sentir que os "apoios" do irmão e o management da Mãe não o estão a ajudar muito a subir na carreira, o que o leva a abrir uma rutura com a própria família, apoiado pela namorada, arranjando um novo manager e um novo treinador.

É claro que, lendo a história contada desta maneira tão trivial pelas linhas que acabei de escrever, a mesma possa parecer insonsa, simples e ingénua. Errado. «The Fighter - Último Round» é um filme que nos dá uma visão americana do mundo do boxe, e também uma perspetiva de uma família algo instável, mas que pretende sempre manter-se unida. As interpretações são fantásticas, assim como a história e a realização do filme. Fãs de «Rocky» e «Raging Bull» devem ver este filme. Todos os outros, também.

Nota: * * * * *

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O regresso - Brevik e o Início do Quarto Reich

OK, antes de mais nada, não fiquem assustados com o meu post. Não estou a fazer nenhuma previsão apocalíptica, nem muito menos a revelar uma notícia que a imprensa decidiu não divulgar. Estou apenas a fazer (mais) um trocadilho entre o famoso filme sobre as últimas horas da vida de Hitler com Bruno Ganz, comparando-o com o atual estado do genocida mais "famoso" da atualidade. Pelas piores razões, está claro.

Até pensei em retornar à minha (pouco) famosa rubrica das Pessoas Irritantes e incluir este "personagem" na minha sagrada lista, mas penso que tenho tanto para dizer sobre ela que, por agora, enquanto o assunto é fresco, mais vale deixar escrito um post inteiro sobre este psicopata fanático. Só mais tarde, quando o assunto "arrefecer", poderei colocá-lo junto a pessoas como Adolf Hitler e Benito Mussolini, ou então, crio outra lista e ponho até logo estes três nela, e que se irá intitular Pessoas Odiáveis Que Afinal Nem Mereciam Ser Designadas Pelo Mero Epíteto De Irritantes.

Bem, a minha opinião sobre este "género" de seres humanos? Pura e simplesmente, não deveriam sequer ser-lhes dada importância. Com toda esta fama o idiota do Anders Brevik apenas se está a aproveitar a situação para apregoar a sua ideologia e continuar a dizer que, se pudesse, voltaria a matar mais de sessenta pessoas, como fez na Noruega (e, veja-se a rapidez das coisas - já se está a fazer um filme sobre este caso! OK, eu sou fã de cinema, mas estamos a entrar apenas no puro e simples desrespeito pelo ser humano. É como relançarem o Titanic em 3D para "comemorar" os 100 anos do naufrágio. E não, claro que este relançamento não pretende ganhar muita massa. Não, nem por isso...). E, mais do que tudo isto, é que este palerma (que infelizmente, não há outro nome para o designar - me desculpem as mentes que pensavam que eu era pacífico o suficiente para ganhar o Prémio Nobel da Paz) ainda se vangloria de ter feito o maior ataque "desde a Segunda Guerra Mundial". E desculpem só o que eu vou dizer agora de seguida, mas se ele está tão feliz por ser um percursor do seu "ídolo", poderia, para a "imitação" ser ainda melhor, terminar a sua vida como o próprio Hitler fez. Faria um bem melhor a toda a Humanidade.

Eu não pretendo ser agressivo, mas penso que, quando temos de escolher entre aniquilar um homem, ou esperar que ele mate mais de seis dezenas de vítimas para depois viver à grande e à francesa numa prisão de luxo, eu esperaria ser mais sensato salvar as sessenta pessoas e dar cabo da outra que tem como objetivo um ideal estúpido e que não leva a lado nenhum. E sim, para mim, o que um tipo destes merecia (e perdoe-me a Amnistia Internacional) era não viver mais. É forte de se dizer isto, mas é mesmo assim. E não venham com jogos psicológicos, como fazem nos filmes, de «ah, é isso que eles querem, morrer». Bem, sempre é melhor ceder à pressão e matá-los, pronto,não chateiam mais. O problema é que mal sabem condenar um tipo destes a prisão perpétua (este e outros Sôtores bem conhecidos da nossa praça). E não venham também dizer que ele está mentalmente perturbado. Ou aliás, se isso for, é mais uma razão para ir preso, a ver se perde a perturbação mental...

Eu aceito todo o tipo de crença, ideologia, etc. Exceto quem pensa que ideais como o nazismo estão a dar e que é aceitável no século XXI. Desculpem-me, mas esta é a minha opinião. Penso que qualquer ideologia ou religião, quando bem utilizada, serve para o bem, e não só para criar divisões, como gostam muitos de apregoar sem saberem mesmo a verdade. Ideologias partidárias do racismo, "destruísmo" e outras coisas mais, pertencem a momentos negros da Humanidade e que deveriam ser esquecidos. De vez.

Casos como o deste Anders Brevik, da candidata francesa às presidenciais, etc etc etc, fazem-me pensar: só faltava criarem o Quarto Reich (daí o título deste post). E aí só me lembro da sátira genial de Filipe Melo e Juan Cavia no primeiro volume das «Aventuras de Dog Mendoza e Pizzaboy», em que os dois heróis que dão título a esta BD descobrem que, na parte subterrânea de Lisboa, se encontra o temível Adolf Hitler e todos os seus partidários Nazis, prontos para criarem - isso mesmo - um Quarto Reich. 

Por isso, é importante que as pessoas, primeiro, não criem divisões com política, religião, etc. Os tempos são outros, e para mim, guerras dessas (e de qualquer outro tipo) não fazem qualquer sentido. Talvez a mentalização da geração de Hoje (da qual eu faço parte), tornando os adolescentes pessoas mais bem formadas, conscientes e com opinião própria, poderá ser importante para impedir que mais casos de genocídio como o deste gabiru voltem a suceder-se.

Vamos fazer a paz! Vamos pôr de parte Al-Qaedas, ETA's, terroristas nazis e tudo o mais. Caminhemos todos para um caminho mais fraterno, pacífico, e meio paradisíaco, é certo. Mas talvez seja possível. Eu tenho esperanças disso!

One Day On Earth

No dia 10 de Outubro de 2010, milhares de pessoas de todos os cantos do planeta enviaram vídeos seus para a grande iniciativa «One Day On Earth». O objetivo da iniciativa seria, além de promover diversas ações ecológicas e de desenvolvimento sustentável dos países envolvidos, fazer um filme mostrando um dia no planeta Terra, através da colaboração de qualquer indivíduo.

E dois anos e meio depois, e com mais de três mil horas de vídeo recebidas em 10/10/10, estreou, no passado domingo, em todo o Mundo, o documentário resultante de todo esse trabalho (Portugal aparece durante 2-3 segundos).

Eu, por acaso, estive na Livraria Barata da Avenida de Roma, e lá foi o ponto do país onde o documentário foi cá exibido. E tenho de vos dizer que gostei muito. Gostei principalmente da forma que os realizadores do filme nos dão a entender que, em apenas 24 horas, muita coisa pode acontecer. E é verdade. Seguimos várias histórias reais, vemos bonitas paisagens, tomamos contacto com ambientes diferentes do nosso, etc. «One Day On Earth» é um documento único que pretende passar uma mensagem positiva para o mundo através dos contributos gigantescos de milhares de pessoas de muitas zonas do planeta. Penso que foi uma iniciativa muito boa e que, felizmente, resultou num bom documentário. A ver se o põem na internet!

sábado, 21 de abril de 2012

Amigos Improváveis

Por vezes surge um filme europeu que se torna objeto de um culto incrível pelos quatro cantos do mundo. Casos como «O fabuloso destino de Amèlie», «A Melhor Juventude» e o mais recente «Bem-vindo ao Norte» são provas disso, que fazem muitas pessoas soltar a célebre frase (apesar de revelar ser de um teor um pouco ignorante) "Ah, gostei do filme, apesar de ser europeu". Em 2012, o sucesso mundial foi para o filme francês «Intouchables», que tive, há pouco, o grande prazer de ver numa sala de cinema. O que mais me surpreende é como o filme tem sido unanimemente aceite pelas pessoas da minha geração, e a forma como todas elas acarinharam o filme é digno de nota. É fantástico, digo-vos, como certos filmes podem unir gerações. Este é um deles.
Só não gosta de «Intouchables» quem não quer. Desculpem, que uma pessoa não goste tanto do filme como eu gostei, até percebo. Mas... há assim alguma razão para se achar o filme péssimo? Eu penso que temos aqui uma obra inigualável. Fez-me voltar àquela sensação que muitas vezes tenho quando vejo filmes europeus (que, na sua maioria, são bons!), de que o Velho Continente tem uma maneira de fazer filmes que nunca os EUA conseguirão chegar. É estranho estar a afirmar isto mas depois de ver um filme como «Intouchables» até me poderia sentir culpado se continuasse a achar, por breves momentos, que os americanos poderiam fazer algo tão bom, desta maneira.
O elevado teor humano de «Intouchables» foi um dos grandes auxiliares a que se tornasse um filme mais do público que de todo o resto. As críticas ao filme podem não estar a ser do melhor (pelo menos cá em Portugal) mas isso não impediu a que o filme também se tornasse cá um caso de sucesso. Volto a afirmar: raros são os filmes que unem as pessoas e que vinte pessoas numa sala de cinema adoraram. Se querem rir um bom bocado, se querem uma história sensata e muito bem escrita, se pretendem uma excelente dupla de atores... vejam «Intouchables». E urgentemente. Este foi dos melhores filmes que vi numa sala de cinema e que é, claro, vai tocar a qualquer um de vós. OK, não tanto como a mim, mas acho que ninguém fica indiferente com a experiência de ver «Intouchables». É cinema europeu, é verdade, e é, ao mesmo tempo, cinema comercial. Mas por amor de Deus. deixem-se de esquisitices e vejam este filme!

Nota: * * * * 1/2

Match Point



«Match Point» foi o filme que voltou a pôr Woody Allen nas luzes (sérias) da ribalta. Apesar de ter feito, anteriormente, uma série de filmes que muita gente criticou, mas que eu gostei, é com «Match Point» que o autor dá a entender que passou por uma altura em que usou a sua criatividade ao máximo, caso também reparável em obras anteriores como «Hannah e as suas irmãs» e «Crimes e escapadelas». A ver este filme tinha sérias dúvidas de que estaria a ver uma obra assinada por Woody Allen, pois neste filme, o comediante vai muito além do que é já habitual no seu estilo. Não há aqui nenhuma personagem neurótica, nem tão pouco se fala das peculiaridades da vida humana.
Ambientada no meio aristocrático e "snob" de uma família muito british, o espetador segue, em «Match Point», a personagem de Jonathan Rhys-Meyers, que se mostra tão estranha como é o próprio ator, que se apaixona pela irmã de um dos seus alunos de ténis, mas que depois irá ter uma paixoneta com a namorada do mesmo, interpretada por Scarlett Johansson. E, bebendo um pouco da visão da realidade mostrada em «Crimes e escapadelas», «Match Point» é um excelente drama que mostra como os acasos da vida são importantes na existência de cada um, e como um autor pode ser mais versátil do que possa aparentar à primeira vista.

Nota: * * * * *

quinta-feira, 19 de abril de 2012

(mais) um apelo

Começou hoje a fase de votações do DNEscolas!!! E precisamos de toda a ajuda que conseguirmos ter para ver se ganhamos uma boa percentagem de votos para passarmos à fase seguinte, e também para ganhar bilhetes para o rock in rio.
Poderiam fazer um pequeno favor e ajudar-nos nesta fase?
Para isso, o que vos queria pedir era que fossem a este site: http://dnescolas.dn.pt/index.php?a=reportagem1011&action=recebidos, escolhessem o trabalho do grupo «os suspeitos do costume», e votassem no mesmo. Atenção: podem votar as vezes que quiserem! Quantas mais vezes votarem, mais nós vos agradecemos. As votações decorrem até ao dia 26 de Abril, mas por favor, isto não custa nada, não dura mais que vinte segundos!!! Desde já obrigado pela vossa atenção!


(e já agora, se divulgarem esta votação aos vossos amigos, familiares animais de estimação... nós agradecemos!)

domingo, 15 de abril de 2012

Construção

Estive fora estes dias, numa visita de estudo. Sobre ela, nada de importante a dizer. A não ser que o meu talento para o karaoke de êxitos pimba foi finalmente revelado na noite da passada sexta-feira. Da minha boca puderam ouvir-se palavras como «Chama o António» e «És tão boa». Parece inacreditável, mas é verdade. E eu não estava bêbado, como muitos pensaram na altura!

De regresso a Lisboa, decidi investigar Chico Buarque. Acho que, quando se anda a descobrir ao pormenor um artista musical, estamos perante uma investigação como nenhuma outra igual. E não me tenho desiludido. Este artista carioca está, cada vez mais, a tornar-se parte dos meus preferidos. E diz que vem cá a Portugal em Setembro!

Esta música, «Construção», é fantástica. Já a ouvi cinco vezes, de seguida. Vou agora para a sexta. E talvez chegue à décima hoje. Isto é obra prima! Convido-vos a escutar! Isto é música de intervenção a sério. Audível mais do que uma vez na vida. Recomendo!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

«Uma Abelha na Chuva»: Como fazer um mau filme

Antes de começar a falar da minha opinião sobre esta adaptação homónima do livro «Uma Abelha na Chuva», de Carlos de Oliveira, gostaria apenas de apontar duas coisas: primeiro, não sou contra o cinema português, muito pelo contrário. E segundo: espero que a minha mísera crítica não ofenda suscetibilidades. E é tudo, posso começar:
Este filme, realizado por Fernando Lopes, foi simplesmente... uma perda de tempo, e, até agora, o pior filme que vi este ano. Aliás, foi o único filme que, até ao presente dia, eu dei uma classificação abaixo de quatro estrelas. Para mim, «Uma Abelha na Chuva» foi uma péssima experiência de cinema. O filme é mau em muitos aspetos: argumento, realização, atores, montagem... ou seja, tudo o que um filme mais necessita para ser bom. Apenas a música do mesmo conseguiu salvar o filme de ser pior ainda.
Para mim, este tipo de filme não é Cinema. Não gosto, e desculpem-me, de um filme que apenas meia dúzia de pessoas consegue perceber (ou porque estudou mais Cinema ou porque tem uma cabecinha mais evoluída), e que vem recheado de publicidade como a grande importância que teve para a evolução do Cinema Português, mais propriamente do Novo Cinema luso, etc, etc, etc. Tenho vindo a aperceber-me que, pelo menos os filmes portugueses que vi, os que "inovaram" o nosso Cinema, ou são medianos ou são, como este, maus. É daqueles filmes que, à semelhança de «Cristóvão Colombo: O Enigma» (que ainda consegue ser piorzinho que este que vi) é curto, não tendo mais de 75 minutos, só que, a meu ver, poderia ser reduzido a uma curta-metragem de 15, no máximo.
E porquê? Porque este filme tem uma data de cenas desnecessárias, repletas de desinteresse e de "arte". «Uma Abelha na Chuva» é um filme tão vazio, tão vazio, mas tão vazio, que, neste momento, apesar de o ter visto há umas três horas, poucas ou nenhumas lembranças tenho do seu visionamento.
É-me difícil arranjar argumentos mais racionais para defender a minha opinião, mas pronto, isto é o que me sai da alma depois de ver uma aberração cinematográfica disfarçada de filme, como é este caso.
Podem-me chamar burro, inculto, estúpido, o que quiserem. Eu não percebi quase patavina nenhuma do filme. Não percebo como e porque é que as pessoas fazem grandes dissertações e inventam as suas próprias opiniões sobre cenas ou planos de câmara completamente desnecessários, maus e idiotas, que apenas têm um significado: nenhum. Inventam fins para as coisas que, na realidade, não existem. Ah, o realizador tal filmou uma parede. "Ui, essa filmagem pretende demonstrar, através de uma metáfora hiperbolizada e com uma pitada de ironia, o agir da espécie humana e da relação entre os seres humanos" (ok, este exemplo foi muito exagerado. Mas ouvi comentários do género, durante a exibição de «Uma Abelha na Chuva», em que os meus colegas davam perspetivas sobre coisas que, para mim, são impercetíveis).
Mas, por um lado, eu não ter ficado nada fã do filme e não ter percebido nada do mesmo até tem as suas vantagens. Porque o visionamento do mesmo deve-se ao facto de irmos estudar o livro em Literatura Portuguesa. O que me vai, ao menos, devolver a experiência da leitura sem saber antes a história e o final da mesma ao ver, primeiro, a adaptação cinematográfica. É como se eu não tivesse passado os olhos sobre este filme. E aliás, se eu tivesse a oportunidade, neste momento, de entrar numa máquina do tempo, a primeira coisa que eu faria seria impedir a mim próprio que visse este filme (e outros também), porque o seu visionamento, para mim, não trouxe nada de bom, que queira guardar para a posterioridade.

Nota: * *

Update 10/02/2013 - revi partes deste filme há pouco tempo e acho que já percebi qual foi o verdadeiro problema que tive com ele (deixo a crítica original como está, apenas faço aqui esta atualização). Disse aí em cima que este era um filme que "meia dúzia de gente compreendia", mas acho que não é esse o defeito de «Uma Abelha na Chuva», porque já filmes que pouco compreendi mas que gostei bastante (por exemplo, o «2001: Odisseia no Espaço»). Teve de passar este tempo todo para eu perceber que um filme não é mau por não ser compreensível, mas sim (e isto vai verdadeiramente de encontro ao que achei do filme na primeira vez que o vi, mas que não consegui verbalizar propriamente) pelo facto de nada transmitir. Para mim um filme tem de transmitir algo. Pode ser a maior seca do Mundo, mas tem de transmitir alguma coisa (veja-se, por exemplo, «A Árvore da Vida», que divaga muito mas que quer estar ali a passar uma mensagem). E «Uma Abelha na Chuva» nada transmite. É exatamente como olhar para uma parede: nada está lá, as pessoas é que inventam significados. Vários realizadores têm vivido constantemente desses elogios da crítica elaborando filmes completamente vazios e que em nada acrescentam à minha visão do Cinema. São filmes que, se não existissem, estaria tudo na mesma. E «Uma Abelha na Chuva» é também outro desses filmes. O realizador Fernando Lopes fez filmes bastante melhores (como por exemplo «O Delfim», que já comentei aqui no blog há uns tempos), e esses sim devem ser vistos. Não estas tentativas falhadas de fazer um filme com algum significado para quem o vê... But it's just my two cents.

sábado, 7 de abril de 2012

Só no Norte!

Outra notícia que surpreende, que vi há pouco também na SIC: Um grupo de jovens de Paços de Ferreira decidiu construir uma casa na árvore!

Vejam o empreendedorismo da malta jovem nortenha, teenagers de Lisboa: só rapazes com a genica do Norte é que seriam capazes de trabalharem arduamente para construirem uma casa na árvore, de três andares e muito bem feita! É melhor aprenderem, alfacinhas...

Exemplos destes não há muitos!

:)

(sim, pus um smile num post. Não volta a acontecer, desculpem)

Esplendor na estação de serviço: um apontamento sobre os altos e baixos da indústria petroleira

A cada dia, hora, minuto que passa, e que eu vejo, ouço ou leio as mais recentes notícias sobre os novos aumentos (ou as novas descidas) do preço do "gasoil", fico cada vez mais convicto da minha opinião (que muitas pessoas já me disseram que, com o tempo, irá mudar) de que não necessitarei de ter um carro para viver. Antes de mais nada, adquirir um veículo automóvel é uma carga de trabalhos, e eu, também, não sinto aquela vontade que muita gente da minha idade tem de querer entrar num carro e poder mexer nas mudanças, no acelerador e no travão, e claro, no volante. Não sei, não me sinto muito à vontade de estar "dependente" desse meio de transporte de quatro rodas. É o "gasoil", são as portagens (principalmente as scuts, que também me parece que não estão a passar bons dias), é a revisão do carro, os problemas que pode ter (ainda outro dia, íamos sair de casa, e tumbas! Um pneu furado. Tivemos, claro, de ir à oficina... e cem euros foram deixados na caixa registadora do estabelecimento pela mudança do pneu), enfim, não vejo muitas vantagens de adquirir um carro. Eu gosto muito de andar a pé, e quando uso transportes, até prefiro ir de metro ou autocarro (embora também tenham subido em flecha!). E se alguma vez quisesse mesmo ter um transporte meu, seria um mais económico, leve e pequeno. Ou um Smart... ou uma Vespa. Não sei se a minha opinião vai, ao longo dos anos, mudar. Mas talvez, daqui a uma década (ou menos) irei reler este post e comprovar se me mantenho com as mesmas ideias ou não. Mas de momento, ter carro, ou conduzir um, não me interessa muito. Tenho mais que fazer.
Escrevo isto depois de, há cerca de três minutos, ter visto, no televisor da sala, (onde presentemente estou instalado a escrever esta crónica) que o preço de um litro de gasolina aumentou para um euro e setenta cêntimos. Sim, chegámos a uma altura em que comprar o Record sábado e domingo e trazer um DVD "grátes" para casa e atestar o carro com um litro de gasolina, é a mesma coisa (e, no caso do metro, até fica mais barato!). Já é costume ouvir-se falar desta problemática todos os dias. E - espanto! - há guerras por causa do petróleo. O que é uma estupidez, penso eu. Não é isso que vai impedir que o mesmo tenha um preço tão inconstante. Se já o próprio conceito de conflito (interno oun externo) é, para mim, uma idiotice, para este novo século que estamos a viver, então se é por causa de um líquido pestilento que, parece, dá muito dinheiro, é duplamente ou triplamente (ou mesmo nonaplamente) estúpido.
O que ainda é mais caricato é a forma como o petróleo pode mudar a vida de quem o encontra, acidentalmente ou não. Lembro-me, de momento, de um dos últimos filmes que vi: «O Gigante» (1956) de George Stevens. Nessa fita, o personagem (brilhante) interpretado pelo (também brilhante) ator James Dean, ao andar, durante algum tempo, a pesquisar um pequeno terreno que lhe foi dado por herança de uma irmã do personagem de Rock Hudson, descobre, de repente, petróleo. E, com isso, conseguirá ser muito mais rico que a família que, ao principio, quase o sustentou, e o mudará completamente, tornando-o um magnata do petróleo que se tornará uma espécie de "inimigo" do casal principal do filme. Interessante, não é? É claro que este é um caso básico, mas também me lembro de uma sátira que achei genial, de Hergé, no livro «Tintin na América»: quando os "amaricanos" compram o terreno dos índios por tuta-e-meia por causa do petróleo acidentalmente descoberto pelo repórter Tintin, e, muito pouco tempo depois, todo aquele terreno, verde, alegre, repleto de ar puro e de vida selvagem, é transformada numa gigantesca cidade industrial, que gira toda ela à volta do... petróleo. Dá que pensar... Este segundo exemplo pode conter algum exagero, mas ao fim e ao cabo, transmite o modo como toda uma sociedade pode mudar devido a essa coisa do petróleo. Que é uma autêntica porcaria, diga-se.
Para acabar esta crónica, gostaria só de vos dizer que penso que, numa época como esta, o uso do carro deveria ser mais moderado. Senão, chega-se a extremos de se ligar o veículo para ir até ao café da esquina ou ir comprar um maço de tabaco (coisa que eu, claro, sou também veemente contra). Andai a pé! Aproveitai para descobrir novos odores que não o cheiro a mofo do vosso carro (algo que me enjoa mesmo é esse cheiro horrível e putrefacto que alguns carros - como é o caso do dos meus pais - persistem em emanar apesar de terem já sido adquiridos há meia década) e não permaneçam, todo o vosso dia, sentados. Em casa, e a seguir a conduzir o vosso veículo. Andem de bicicleta, de skate, de triciclo, de trotinete, sei lá, se necessitarem mesmo de rodas para fazerem a vossa vida quotidiana.
E que venham mas é os carros elétricos ou que funcionem com energia solar ou lá o que seja. Isso é que é preciso! A ver se a sociedade anda para a frente neste aspeto, de uma vez por todas.


(e já agora, uma boa Páscoa para todos vós. E sim, se for o caso de, como a minha família, irem ou hoje ou amanhã de viagem até casa dos vossos parentes, levem lá o carro, pois. Mas cautela com as despesas, ouviram? Isto anda tudo muito caro, mesmo. É claro que reconheço qualidades no uso do automóvel, mas por mim, estou bem com os meus obsoletos pés. Bom fim de semana!)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

To Rome With Love - Trailer

Eis o trailer de «To Rome with Love», a mais recente comédia de Woody Allen, que tem, desta vez, a cidade de Roma como pano de fundo e que contém também um elenco repleto de estrelas (incluindo esse indivíduo - que me parece que já não aparecia nos ecrãs há algum tempo - que dá pelo nome de Roberto Benigni). Espero que seja mais um grande filme... à Woody Allen.

Hollywood Ending



«Hollywood Ending» é mais uma grande sátira de Woody Allen, que eu não consigo compreender bem o motivo pelo qual não foi muito bem recebida. OK, talvez a maioria das pessoas não o ache um filme muito bom, como eu achei, mas caramba, mau não me parece ser. Woody Allen volta a interpretar o seu papel semi-autobiográfico, repleto de neuroses e manias muito próprios (sim, é a mesma personagem pela 48327439.ª vez, mas continua a ter graça). Neste filme, o realizador-autor-ator é um realizador americano que está na pior fase da sua carreira, arranjando apenas trabalho a realizar anúncios publicitários nos "confins do mundo", até que a sua ex-mulher fala com o seu novo namorado, proprietário da Galaxie Productions, uma grande produtora de cinema (fictícia, está claro), e convence-o que Allen é o realizador indicado para a feitura do próximo projeto da produtora, com um orçamento de 60 milhões de dólares, de nome «A Cidade Que Nunca Dorme». Contudo, um pequeno contratempo irá fazer com que a rodagem do filme seja completamente virada do avesso, condicionando Allen e os seus colaboradores.
Gosto de comédias assim, mais "leves", penso eu, mas não menos divertidas. O elenco é formidável, assim como o argumento (mais uma vez, da autoria de Woody Allen), e penso que, apesar das críticas "assim-assim" que «Hollywood Ending» recebeu e da nota fraquinha que tem no IMDB (e que, tal como maior parte dos filmes do Allen que eu vi e que estão também mal classificados, eu gostei) e noutros sites, penso que vale a pena a sua visualização. Sei lá, entre o visionamento de uma obra mais pesada, talvez uma comédia assim seja boa para descontrair e ficar com um sorriso de orelha a orelha.

Nota: * * * * 1/2

Um dia de cão



Sydney Lumet é um realizador que cada vez mais aprecio. Simplesmente adorei os dois outros filmes realizados por este senhor («Serpico» e mais recentemente «Network»). Gosto da forma como conta uma história. Sabe como, através de algum ângulo de câmara, de algum truque de montagem, pode dar mais intensidade a uma cena, alterando consideravelmente a mesma e tornando-a única, inesquecível e inimitável.
Já tinha comprovado isto nas duas outras fitas que já tinha visto de Lumet, mas «Dog Day Afternoon» foi a confirmação que eu esperava. Lumet volta a fazer parceria com Al Pacino depois de «Serpico». E, se nesse filme, Pacino interpretou (brilhantemente) um polícia incorruptível americano, desta vez o lendário ator dá corpo a um homem que, juntamente com o seu parceiro, interpretado por John Cazale (e um terceiro sujeito que, covardemente, desistiu do que estava planeado), decidiu assaltar um banco. O motivo? Esse não conto, pois já seria um spoiler demasiado grande para o caso de algum de vós tiver curiosidade em ver (ou rever) este filme. Posso só acrescentar que este filme foi, curiosamente, baseado numa história verídica, mas é claro, teve a adição de muita ficção no mesmo, como por exemplo nos nomes das personagens e na relação que as mesmas têm umas com as outras.
O que achei curioso é que o argumento (excelente e vencedor de um Oscar) não faz uma espécie de prólogo ao assalto (como acontece em muitos filmes que envolvem esse tipo de patifaria), do género de: os indivíduos conhecem-se, preparam engendrosamente o plano, etc. Não! Lumet (e toda a sua equipa) decidiu começar «Dog Day Afternoon» com uma pequena sequência de imagens de um dia normal da cidade de Nova Iorque. E logo a seguir, tumbas! É o assalto.
«Dog Day Afternoon» é uma comédia que não pretende passar por isso (embora tenha grandes momentos sujeitos ao riso do espetador), estando misturada com thriller e drama. A realização e a montagem são muito envolventes, elaboradas e diferentes do que a maioria dos realizadores talvez preferisse usar na feitura deste filme. Sydney Lumet não usa rodeios na sua história, tentando contar tudo da forma mais pura e dura possível. Este é um excelente filme (com uma classificação etária algo exagerada, penso eu) e que não deve ser esquecido.

Nota: * * * * *

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Obrigado por fumar (?)

O texto abaixo transcrito é de minha autoria e foi publicado, há coisa de hora e meia, no meu facebook. Escrevi um texto pequeno, mas serve de protesto da minha pessoa depois de ter tido uma conversa com uma amiga, em que pude saber que ela tinha voltado aos hábitos tabágicos, embora que, segundo ela, são menos frequentes ("são só um ou dois cigarros por dia") . Já que gosta tudo de se manifestar, ora, porque não eu também? Depois de ter feito uma ou outra alteraçãozinha no texto (correção de erros de frase ou o acrescento de uma ou outra expressão) eis então o texto. E ainda quero descborir como é que ainda não perdi amigos no facebook depois desta "afronta" minha. Até recebi três "laikes" no post. E eu sei que mais pessoas devem ter lido, mas claro... não vão dizer que gostaram do que leram se... enfim, aqui vai o texto:

Não gosto nada de ficar a saber que esta ou aquela pessoa, que tinha dito que nunca mais iria pôr um cigarro na boca em toda a sua vida, voltou ao vício. Sim, para os fumadores, eu devo estar a fazer um grande drama, mas para mim, fugir a uma promessa dessas é porque é sinónimo de que a pessoa não tem força, coragem suficiente, para largar o tabaco. O que é pena, visto que muitas dessas pessoas gostam de apregoar que a paz (e etc) só é possível... com a força de todos os seres humanos. Como, se muitos deles nem são corajosos e sinceros consigo próprios?
Sou totalmente adverso ao tabaco. Odeio o cheiro, odeio as caretas que as pessoas fazem quando metem esses tubos na boca, odeio a "fatelice" do ato de fumar. Mas não me incomoda muito que as pessoas decidam começar a fumar, o que me desilude mesmo é quando tenho a "oportunidade" de saber que certas pessoas voltaram a fumar, apesar do que prometeram a si mesmas no passado (e quando digo "passado", pode ser desde há cinco minutos como há três meses) Só isso.
E desculpem o desabafo. Eu calo-me já.
Os meus pulmões ainda têm muito ar puro para respirar, por isso é melhor parar com este texto. Com licença.

Whatever Works

Depois de ver este filme, fiquei com uma certeza: que, dos poucos filmes de Woody Allen que, até agora, tive a oportunidade de ver, em que o mesmo não atua (mas mantém os cargos de realizador e autor), como «Balas sobre a Broadway» e «Meia Noite em Paris», o melhor "subtituto" da personagem que, habitualmente, é interpretada por ele próprio (e que é, na maior parte das vezes, uma personagem autobiográfica), foi, certamente, Larry David, protagonista deste filme «Tudo Pode Dar Certo». Neste filme, Woody Allen explora, mais uma vez temáticas como a religião, o amor e o significado da existência. Mas, claro, consegue, apesar de reutilizar temas que já foram alvo de muitos dos seus anteriores filmes, voltar a ser original, inovador e inconfundível, no seu próprio estilo "woodyallenesco". Foi impossível, para mim, ver o filme e não parar de associar Larry David a Woody Allen. É por isso que eu considero o melhor Woody, quando este só está presente nos bastidores e não na rodagem do filme. O criador de programas lendários como «Seinfeld» e «Curb Your Enthusiasm» faz aqui o papel de um homem que se considera genial, num filme que se centra nas suas ideias e das suas manias (como por exemplo, o cantar os parabéns sempre que lava as mãos), na rapariga que inesperadamente se cruza no seu caminho, nos seus amigos, nos Pais da moça, e na maneira como certas circunstâncias podem mudar a vida de qualquer ser humano. Woody Allen e Larry David dizem-nos: Tudo Pode Dar Certo. E este filme encaixa-se perfeitamente no seu título, por (isso mesmo) ter dado certo. E também por ser uma comédia genial e cativante, e que, apesar de defender ideias que podem não ser unânimes, acho que não é isso que o torna um filme que possa desagradar, porque no fundo, toca a todos nós.

Nota: * * * * 1/2

Segredos e Mentiras

Apontado pela sua sinopse como um drama sobre a adopção e os problemas a si envolventes, «Segredos e Mentiras» é um excelente filme que consegue ser muito mais abrangente, não se restringindo apenas a esse tema e contendo muito mais do que possa aparentar à primeira vista. Os sucessivos episódios que decorrem na família britânica que Mike Leigh nos apresenta ao longo da sua fita (escrita e realizada pelo próprio) ilustram muito bem a realidade, tornando-a quase palpável nos momentos em que o espetador sente as emoções e as angústias das várias personagens e fazendo-nos pensar como muitas das situações apresentadas têm, para nós, uma certa familiaridade.
É preciso também destacar que, apesar do realizador Mike Leigh ter escrito um argumento de base para o filme, este funciona muito à base das muitas interpretações improvisadas dos atores, o que lhes dá ainda mais autenticidade e nos faz interligar mais com toda a história do filme. «Segredos e Mentiras» é uma história dramática (com um toque de comédia, bem ao estilo "british") de grande qualidade, que nos faz refletir sobre o verdadeiro significado que a família tem para cada ser humano, através da análise de uma família, das rupturas entre os seus membros, das intrigas que criam entre si, da hipocrisia em que convivem... e dos segredos que esconderam e das mentiras que usaram para não virem ao de cima certas verdades indesejáveis. Um filme brilhante, tocante e marcante, que merece o seu visionamento.

Nota: * * * * *

The Nightmare Before Christmas

Eu adoro, tanto como muitas pessoas da minha geração, das ideias malucas, desvairadas e originais desse senhor chamado Tim Burton. É claro que uma infância passada a ver filmes de monstros e a brincar no cemitério ao pé de casa só poderiam dar origem a criações como Jack Skellington, o herói de Halloweentown que, com o passar dos anos, se tornou um clássico natalício com uma popularidade semelhante ao Grinch e aos especiais dos Peanuts dedicados à quadra.
«The Nightmare Before Christmas» é uma fantasia musical que faz rir, apesar do aspeto aterrorizador de grande parte dos cidadãos de Halloweentown, onde se incluem, além de Jack, outras famosas criaturas que só o seu aparecimento faz tremer as crianças e leva-as a esconderem-se o mais que podem debaixo dos cobertores. Com uma excelente banda sonora e canções originais de Danny Elfman, este filme, que alcançou o feito de ter sido a primeira longa metragem totalmente feita em stop-motion (uma técnica de animação que muito aprecio nos especialistas da Aardman, criadores dos formidáveis Wallace & Gromit, da Ovelha Choné e do filme «A Fuga das Galinhas») é entretenimento puro, do bom, alegre, formidável para os mais novos e "rejunenescedor" para os mais velhos, para lhes fazer lembrar que o Natal tem significado para todas as idades, através da personagem do "esquelético" Jack que, após descobrir, acidentalmente, a magia dessa quadra, decide fazer o seu próprio Natal, misturando a época natalícia com os costumes bizarros e assustadores dos monstros que fazem o Dia das Bruxas. Este é um divertido filme para todos, que pode e deve ser visto em qualquer altura do ano - porque, no fim de contas, o Natal deve ser todos os dias!

Nota: * * * * 1/2