sexta-feira, 30 de março de 2012

Network - Escândalo na TV

Acho que, antes de ver «Network - Escândalo na TV», nunca tinha visto uma sátira tão inteligente, elaborada e profunda sobre o mundo da televisão e do sensacionalismo que este meio de comunicação gosta de usar, na maior parte dos casos, para satisfazer as audiências, famintas desse género de "entretenimento". Realizado por Sidney Lumet (responsável pelo extraordinário «Serpico», com Al Pacino num dos seus melhores papéis), «Network» segue o quotidiano de uma estação televisiva americana fictícia, a UBS, e todo o esquema que a administração do canal monta usando Howard Beale, um locutor de telejornal já um pouco senil para criar um programa de televisão sensacionalista e de qualidade duvidosa. Numa escalada até ao topo da popularidade televisiva, Beale torna-se numa espécie de profeta do povo, usando a arte do mal-dizer para chegar ao público, que se identifica com aquele velho maluco que amaldiçoa tudo e todos.
O que mais me impressionou em «Network» foi, sem dúvida, o argumento, excelente, que, através de uma sátira cómico-dramática, ridiculariza ao máximo os exageros levados pelos diretores da UBS para conseguirem audiências e lucrarem o mais que conseguirem pôr nos bolsos. Este filme brilhante faz-nos também pensar. Será que é possível chegar-se ao extremo a que esta estação de TV chegou, tudo para benefício próprio e não para o benefício do Mundo? Será que a Humanidade chegará a um ponto de obsessão pelos seus próprios interesses e não pelo que interessa a todos? Com tudo isto, acho que vale muito a pena ver todos os 116 minutos de «Network - escândalo na TV», um filme de génio, raro, original e atual, que não é por menos que figura em muitas listas dos melhores filmes de sempre (como é o caso da do American Film Institute), por ser inovador e ter contribuído para uma visão mais realista e atenta do mundo da caixa mágica.
Nota: * * * * *

Novidades da caixa mágica

É bom saber que a RTP2 ainda é um canal que sabe mesmo prestar serviço público. Já o Canal 1 é quando lhe apetece. Ontem, por exemplo, transmitiu um bom documentário chamado «A Rua dos Condes», que além de muito bem feito foi muito interessante.

Mas a RTP2 agora vai trazer mais cinema a quem vê o canal, já que vai voltar regularmente (e não por apenas uma semana) o espaço «5 Noites 5 Filmes», a começar já na próxima semana. Um filme por dia de segunda a sexta-feira. E vão ser exibidos filmes muito bons! Um bom espaço de cinema muito recomendável.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Bem Vindo ao Norte

«Bem Vindo ao Norte» veio mostrar, mais uma vez, que o cinema europeu consegue ter muito poder... quando quer. Aliás, não é para todos, conseguir quebrar os recordes de bilheteira do seu país de origem, com um número de espetadores em sala equivalente ao dobro da população de Portugal. Pois é, vinte milhões de franceses viram «Bem Vindo ao Norte» no grande ecrã, e penso que não se desiludiram. Este filme é tão bonito e hilariante que se percebe que tenha conseguido conquistar audiências de todo o mundo, com a história simples de um trabalhador dos Correios que, após assinar numa candidatura para ir trabalhar no paraíso da Côte d'Azur declarando-se deficiente sem o ser, é "castigado" com um emprego no terrível, abominável norte de França, na cidadezinha de Bergues. Ao princípio, e muito por causa dos ditos das pessoas do Sul, a mudança custa muito ao indivíduo, mas, ao longo da sua estadia, ele irá aperceber-se que, afinal, o norte não é mau. Dany Boom dirige e co-escreve este maravilhoso conto cómico sobre a diferença entre cidades ou regiões de uma forma alegre e bem disposta (aliás, quem ficou a lucrar com este filme foi a própria cidade de Bergues, que por causa do mesmo viu o turismo subir de vento em popa!), fazendo perceber ao espetador que vale sempre a pena conhecer as coisas. Nem que seja só para as poder depois criticar, mas devemos sempre prestar atenção ao que está à nossa volta e fora do nosso alcance, para termos uma perceção maior das coisas e não nos ficarmos pelo que os outros nos dizem. Uma pequena maravilha cinematográfica!

Nota: * * * * 1/2

Crimes e Escapadelas

«Crimes e Escapadelas», de Woody Allen, é mais um formidável filme do autor, a juntar à lista dos melhores que já fez até hoje. Desta vez, Allen pega numa história mais intrincada, com mais policial e adicionando também a já habitual reflexão filosófica sobre a vida. Só que, em «Crimes e Escapadelas», Allen prefere abordar outro tema da existência humana: as escolhas que o indivíduo faz, o quão complexas podem ser e as consequências que poderão trazer ao serem aplicadas. Este décimo nono filme tem, como protagonistas, dois indivíduos, e cada um deles vai ser confrontado com duas opções para escolher. Cliff Stern (interpretado por Woody Allen) terá de optar entre a integridade do seu trabalho cinematográfico, ou a oportunidade de arranjar umas massas realizando um documentário sobre uma pessoa que detesta. E Judah Rosenthal (interpretado por Martin Landau) tem um caso muito mais complicado em mãos: ou mata a sua amante, como lhe aconselhou o seu irmão, ou então enche-se de coragem e conta todas as suas trafulhices à mulher - o conselho dado pelo seu amigo rabi.
Através da análise das atitudes e vivências destes dois personagens, Woody Allen constrói uma história que se questiona sobre a moralidade do ser humano e também sobre a própria vida, e como somos afetados pelas decisões que fazemos nela, misturando humor com drama de uma forma muito eficaz e muito bem executada. Este é mais um excelente filme do já mítico cineasta americano. Um dos grandes marcos da sua extensa carreira e uma fita indispensável para quem gosta de uma boa comédia, ou simplesmente de um grande filme.

Nota: * * * * *

terça-feira, 27 de março de 2012

A lição de cinema d'O Gigante

É incrível como um indivíduo como James Dean precisou apenas de fazer três filmes para ficar na História do Cinema. Também é de notar que em todos eles, o ator foi brilhante, e o seu estilo muito próprio deixou uma marca indelével na "evolução" da sétima arte. Desse trio de filmes já tinha visto antes "Rebel Without a Cause", uma história sobre a adolescência e as relações familiares. E agora, pude ver o último filme deste ator, realizado por George Stevens, "Giant".
"Giant" é semelhante a "Rebel Without a Cause" por se tratar também de uma história familiar. Mas este épico cinematográfico vai muito mais além, retratando três gerações de uma família muito abastada e importante do Texas, os Benedicts, com os seus ranchos e todos os negócios em que estão envolvidos através dessas propriedades. É também um drama sobre uma época, sobre o conflito de gerações e a evolução de hábitos e costumes ao longo das décadas. "Giant" conta-nos a história de Bick, o proprietário do rancho que sucedeu ao seu Avô e ao seu Pai, e Leslie, a sua mulher, que terá de se adaptar a esta nova vida texana. E James Dean aparece, no meio disto tudo, como um cowboy desleixado de nome Jett, que ao princípio é criado dos Benedict mas, mais tarde, irá tornar-se um magnata do petróleo.
O que eu penso que é o mais bem idealizado de todo o filme é as ligações das personagens, as relações entre as mesmas e as interpretações dos atores. Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean perfazem um trio de atores brilhante, marcante e excecional, sabendo interpretar da melhor maneira os seus papéis através do envelhecimento das mesmas. Estão muito convincentes e dão um grande contributo para a importância artística que este filme obteve, ao longo das décadas.
Um especial destaque também para George Stevens, por ser um realizador que não se deixa ir pelos caminhos mais fáceis para contar a sua história. Stevens realiza "Giant" de uma forma subtil, inteligente e eficaz, sabendo sempre qual o plano de câmara que encaixa melhor em cada cena, e a forma como a cena deve ser realizada.
Gosto de histórias sobre a passagem do tempo, sobre a família, sobre a diferença entre as mais velhas e as mais novs gerações. "Giant" acertou em cheio na sua premissa, não desiludindo em nada o espetador. Um excelente épico dramático!

Nota: * * * * *

segunda-feira, 26 de março de 2012

Zelig: Como manipular a realidade

E cá temos Woody Allen em mais uma experiência inovadora e muito bem executada. Para quem nunca tenha ouvido falar nesse Senhor durante toda a sua vida e que lhe seja mostrado este filme, «Zelig», esse indivíduo talvez possa pensar que pôde ver um documentário sério e real. Mas não. Apesar das muito sofisticadas técnicas de manipulação de imagem (que nos fazem pensar estar a ver filmes americanos de arquivo dos anos 20, alternados com entrevistas a pessoas "reais", que conheceram e que tomaram contacto com a personagem que dá título a este mockumentary.
Mas o humor de Allen está lá. As piadas subtis e inteligentes, bem ao género do autor, marcam bem presença ao longo de toda a película, que aproveita para pegar na sua criação fictícia para fazer uma crítica bem atual à sociedade através da história de um homem que padecia de um problema grave: o facto de mudar de personalidade consoante a pessoa com quem estivesse a lidar.
Woody Allen pega num género que (thanks again Wikipedia!) já tinha experimentado antes com «O Inimigo Público», e mais recentemente com «Através da Noite», sobre um músico cujo ídolo é o artista real Django Reinhardt. E sai-se, mais uma vez, brilhante, criativo, original, hilariante e inteligentíssimo. Uma notável lição de manipulação, de cinema e de comédia.

Nota: * * * * 1/2

Blade Runner: Perigo iminente

Se há uma coisa que me irrita solenemente em DVD's é o facto das editoras pretenderem vender a versão modificada de um filme como se fosse o original e não como um extra do mesmo. Falo disto porque vi a Director's Cut de 1992 de «Blade Runner» (se não fosse a Wikipedia, nem saberia que o Ridley Scott decidiu fazer outro Cut, mais recentemente), e não gostei de ver que o DVD tinha apenas esta versão e não a original. É como o DVD que tenho cá por casa do «Cinema Paraíso». Afirma-se como a versão de cinema do filme, vai-se a ver e é o Director's Cut de quase três horas que não traz muito de novo à obra original.
Mas queixas à parte, fiquei completamente siderado com esta versão de «Blade Runner». Eu gosto sempre de ver primeiro as versões originais dos filmes e depois (se um dia tiver paciência) as versões maiores que os realizadores dos mesmos decidem um dia lançar para ganharam mais uns trocados para o gasoil (daí ter ficado aborrecido com esta edição DVD). Mas pronto, lá vi esta segunda versão do filme, e embora seja significativamente diferente da original (pelo que pude ler nas minhas pesquisas), este tornou-se daqueles filmes que eu gostava de ter visto num ecrã muito, mas muito maior, em detrimento do tamanho do ecrã da minha pequena televisão Sony do meu quarto, onde vi a fita.
Não sei qual das versões é a melhor, não fiquei viciado neste universo, mas sei que, pelo o que pude ver, esta é mesmo uma grande obra cinematográfica de ficção científica, futurista e que transmite, nas suas entrelinhas, uma crítica à própria sociedade e que se mantém atual (como, por exemplo, o pormenor de serem os chineses a "possuirem" grande parte da cidade do filme). Devo destacar, primeiro que tudo, a banda sonora de Vangelis, que torna «Blade Runner» uma experiência quase que transcendental (não admira, vinda de um homem que conseguiu tornar épica uma corrida à beira-mar em «Chariots of Fire»). Depois, penso que o filme, a nível visual, é um espanto (daí eu agora até querer ver como será a experiência de ver este filme num ecrã de cinema propriamente dito). O elenco é também ele excecional e repleto de grandes atores, alguns deles que nunca tinha ouvido falar na vida e que, hoje em dia, também são pouco recordados (à exceção de Harrison Ford, que parece que ainda está suficientemente bem para fazer a décima sequela do Indiana Jones). A história é original, e Ridley Scott, nesta sua segunda visão de «Blade Runner», mostra certos aspetos que, segundo pude perceber, foram ilustrados originalmente de uma maneira completamente diferente (o que mostra que um Director's Cut não se resume a colocar cenas que estiveram na gaveta durante mais de uma década, para se poder dizer que a nova versão do filme tem mais 5 minutos extra de imagens inéditas), e que, mesmo assim (não sei se foi por ter visto esta versão primeiro), fez-me achar que «Blade Runner» é uma obra-prima. Pelo menos esta segunda versão. Mas penso que, pelo menos a original, deve também ser excelente. Mas pelo que vi, considero esta magnífica.

Nota: * * * * *

domingo, 25 de março de 2012

Da MONSTRA

Durante a semana passada, vi mais de 60 animações, vindas de todos os cantos do Mundo. E porquê? Porque eu fui um dos sete jurados do júri júnior da competição de estudantes da edição deste ano da MONSTRA, o Festival de Animação de Lisboa. E ontem, foi a gala de entrega dos prémios. E a curta que nós escolhemos como a melhor a nível internacional foi «Promises», da realizadora japonesa Aki Kono. Houve outros filmes que eu gostei muito, mas porque, pela decisão da maioria, nem chegaram a ser considerados como possíveis candidatos ao nosso prémio maior (e até uma dessas curtas foi premiada pelo outro júri desta competição, um trio de realizadores de animação de França, Alemanha e Portugal). Mas foi uma ótima experiência, e só tenho de agradecer a oportunidade que me deram em fazer parte deste júri, onde conheci novas pessoas e tomei contacto mais em pormenor com o grande mundo da animação.
Deixo-vos aqui então a curta que nós achámos a vencedora a nível internacional. Boa semana!

sábado, 24 de março de 2012

Uma família à beira de um ataque de nervos

Fiquei absolutamente espantado com «Uma família à beira de um ataque de nervos» (que, como podemos comprovar, é uma magnífica - e fiel - tradução do título original, «Little Miss Sunshine». Este fenómeno é, como todos sabemos, já vulgar nos filmes estrangeiros que estreiam em Portugal, mas pronto, até que este título tuga nem soa mal!), uma comédia dramática norte-americana, de 2006, que é simples, mas que tem uma história muito divertida, humana e original, com um elenco que não lhe fica nada atrás, e aliás, que assenta que nem uma luva! O filme foi alvo de grande aclamação da crítica e do público na altura em que estreou, e percebe-se porquê: acho que, na atualidade, é raro conseguir fazer-se uma boa comédia sem se pegar em temas mais obscenos ou que são mais fáceis de ser trabalhados (e não quero criticar esse tipo de comédias, atenção). Mas «Uma família à beira de um ataque de nervos» não fala sobre um grupo de amigos que se embebeda e no dia a seguir não sabe onde foi parar, nem tem como protagonista um indivíduo do Cazaquistão preverso (e eu gosto dos dois filmes que têm, cada uma, um destes elementos como parte da sua sinopse!). Esta fita é sobre uma família, disfuncional, é claro (se não fosse por isso, perderia toda a graça), e além de abordá-la com inteligência e sem cair em qualquer cliché desnecessário, consegue fazer uma boa mistura entre o humor e o drama que a própria história inclui, tornando-se assim muito mas muito melhor do que muitos outras... coisas, disfarçadas de "filme", que por aí andam, que também falam de uma família que anda a viajar num veículo automóvel (refiro-me, por exemplo, a «Com a casa às costas» com Robin Williams, um filme do mais seco e vulgar que há). Enfim, queria apenas recomendar absolutamente «Uma família à beira de um ataque de nervos» a toda a gente. Sim, a toda a gente, independentemente dos gostos cinematográficos, porque tenho a noção que este é dos poucos filmes que transcendem a qualquer gosto ou opinião. Podem não achar o filme excelente como eu achei, mas mau é que não vai ser, de certeza.

Nota: * * * * *

sexta-feira, 23 de março de 2012

Friday night: retrato do adolescente comum por um indivíduo que está bem é no conforto do lar, a mal dizer sobre os da sua "espécie"

E pronto, como tem vindo a ser hábito nestas minhas crónicas sobre... alguma coisa, eis aqui mais um parágrafozinho com letras tão "piqueninas" que vos obrigam a colocar (para quem usa, claro) o que os espanhóis chamam de "gafas". Ou então, como estas letras são portadoras de uma pequenez tão... pequena, até as pessoas com visão HD 3000 e picos talvez terão de recorrer ao auxílio de um par de oculinhos. E até podem ser daqueles do 3D, que são adquiridos nos cinemas. Força aí! Enfim... e o que é que eu ia falar nestas linhas? Bem, supostamente... nada. Foi só para encher espaço. Porquê? Queriam que eu falasse desta bola de luzes? «Ai tão bonita que ela é! Faz-me logo ter vontade de ouvir aquela música da Barbra Streisand!». Não! Olhem-me estes! Pff... ide ler mas é o texto em si e larguem estas linhas antes que a vista fique pior que estragada!


Para os mais distraídos, estamos numa sexta-feira. E esta sexta-feira é muito especial para muitos jovenzitos da cidade de Lisboa (e, penso eu, de todo o país). É claro, é o último dia de aulas! Quem é que não fica contente com uma coisa dessas, hmm? Que s'acuse!
Mas o que eu acho é que muitos adolescentes devem ter-se esquecido da principal "efeméride" desta sexta-feira em detrimento de outra, que na minha opinião, é mais infeliz: como é o último dia de aulas, isso implica (não é provável nem incerto, é obrigatório!) uma saída a uma qualquer discoteca de Lisboa, para ouvir ruídos a que essas pessoas chamam de... música, para no dia a seguir acordarem com uma grande dor de cabeça (e muitos, de ressaca) e dizerem «ia lol xD mequié? esta noite foi de laika bauses e catanos rsrsrs e o camandro!».
(para o vulgar ser humano não-adolescente, a frase acima transcrita necessita de tradução: ao emitir esse conjunto de palavras organizadas de uma forma estranhamente peculiar, o objetivo do adolescente foi dizer que a noite passada foi muito boa para ele. Sim, apenas isso. Mas o que sei ainda melhor é que, depois de acordar, por volta das... duas da tarde, já nem se lembra de nada e ainda por cima, pode ter-se esquecido quem é que é. E isto é grave, leitores!)
É claro que vós já tereis percebido (peço desculpa pelo mau uso da 2.ª pessoa do singular, mas posso dizer que é de propósito) que este androide proveniente de uma raiz de alface, que se encarregou de escrever estas linhas, não suporta nada esse tipo de ambientes, encafuados, ruidosos, e semelhantes a dezasseis pessoas estarem apertadas dentro de um smart for two (será que é possível? Chamem o Júlio Isidro. Se ele conseguiu meter mais de seis dezenas de pessoas dentro de um Mini...), com a agravante de estarem todas a abanar a cabeça ao mesmo tempo (por uma qualquer razão que escapa ao autor desta playlist irónica de palavras), enquanto estão estacionados em frente a uma gráfica de jornais e revistas (eu já estive numa, e tenho mesmo a audácia de comparar a "música" daquelas máquinas ao ruído das "músicas" emitidas em discotecas - repararam? dois sentidos para a palavra música! Sou tão esperto... - , que se resumem a um tipo mexer no computador, sair de lá uma gravação idiota que toda a gente irá ouvir, e que depois irá adicionar uma gravação de voz ridiculamente minúscula - como, por exemplo, essas duas palavras que deram origem à "música" Barbra Streisand - e repeti-la, no mínimo, umas trezentas mil, quinhentas e quarenta e sete vezes).
Mas calma aí! Uma coisa é não gostar de discotecas. Outra coisa é não gostar de sair à noite. Eu não me importo de deambular pela cidade, ir a qualquer sítio que a mente humana possa imaginar (incluindo, por exemplo, um descampado perto do pavilhão do Casal Vistoso, que foi alvo de visita minha e de dois colegas meus no - já distante - sétimo ano). Mas gosto de estar livre! Não dentro desses locais que cheiram a algo semelhante a uma mistura entre vómito, bebidas falsificadas (uau, parece que estou a falar da Lei Seca dos Anos 30!), mau hálito (muitas vezes proveniente das pessoas que deitaram cá para fora o vómito), fumo vindo não-sei-donde-mas-provavelmente-de-muitos-sítios-nomeadamente-pessoas-que-fumam-aquelas-coisas-que-se-chamam-cigarros-e-que-parecem-que-causam-cancro-e-matam-seres-humanos-mas-mesmo-assim-continuam-a-ser-"bestsellers"-da-cultura-adolescente, o barulho provocado pela música (que, sim, é tão mau que cria o seu próprio cheiro) e ainda, pratos mal condimentados.
Das pouquíssimas discotecas em que, até hoje, tive a "oportunidade" de pôr lá os pés, não trago grandes recordações, e as que trago, não são das mais felizes. Não sei se por aqui já contei de um estranho episódio ocorrido numa saída à noite numa visita de estudo ao Porto. Não? Então passo a contar: pago três euros e meio para entrar (com isso dava para comprar um almoço, pff!), e descubro que tenho direito a uma bebida. Como eu não suporto bebidas alcoólicas (chamem-me idiota, ó adoradores de discotecas, mas chamem mas é primeiro a senhora das limpezas para "apagar" a porcaria que acabaram de expelir das vossas bocas neste momento), decidi-me ir ao balcão e pedir... uma Frize. Sim, essa bebida totalmente prejudicial ao fígado de quem a bebe, por ser constituída por... água, açúcar, e, neste caso, uma pitada de limão. Ora, o que aconteceu é que o empregado percebeu que eu disse que eu estava ali para beber um fino - sinónimo, no vocabulário nortenho, de cerveja -. Então o homem estende-me a cerveja, eu fico a olhar para ela (já estava cansado, daí também a minha reação ter sido muito lenta), e entretanto, ele pisga-se para ir fazer aquela atividade a que eu denomino de não-sei-quê. Eu fico a olhar para a cerveja, levo-a para a mesa onde estava sentado (mais umas amigas minhas), provo-a (e assim, consegui provar a mim mesmo que tinha razão: que cerveja, para as minhas papilas gustativas, é... má) e pergunto-lhes a resposta para o meu dilema. Entretanto, aparece outra colega minha, mais virada para as andanças para as quais eu não estou nada interessado, e uma delas diz «Olha! Dá-lhe a cerveja que ela andava a pedir!». E a miúda leva a cerveja, toda contente, e dez minutos depois volta, completamente alterada e quase a atirar-se para cima de mim. Figuras deprimentes para resultarem em más disposições e ressacas estúpidas? Pois é, o que aquela malta gosta!
Para variar, eu critiquei aqui este tema à minha maneira. Desculpem se ofendi alguém, mas eu sou assim. E acho que há coisas, na adolescência, que possuem grandes quantidades de idiotice. Deveria haver uma versão de «Seinfeld» totalmente dedicada a esta fase na vida de qualquer ser humano. Era capaz de ser giro.
Mas enfim, desejo a todos umas boas férias, à mesma. Divirtam-se à vontade - não façam é figuras tristes, ou porque acham que é giro ou porque os vossos amigos puseram-vos na cabeça que é muita porreiro e muita LOL. Aproveitem estes 15 dias para fazerem alguma coisa de jeito, sim?
Vá, agora este rato de biblioteca cala-se e não volta a pegar no assunto. Com licença.

O regresso do Jedi... e da malta do «Star Wars»

Para acabar a semana, vi hoje o último capítulo da trilogia original «Star Wars», intitulado «O Regresso do Jedi». E, na minha humilde opinião, foi um final em grande para uma grande saga. Achei que este episódio foi tão bom como «O Império Contra Ataca», ao contrário do que alguns afirmam (nomeadamente uma certa "homenagem" de uma certa série de TV americana criada por Seth MacFarlane), e que fecha com dignidade esta primeita trilogia do Universo Lucasiano.
Luke Skywalker, Han Solo, Leia e o resto da pandilha estão de volta para o confronto definitivo contra o Império e o seu servo, o diabólico Darth Vader. Após o final do capítulo anterior (e dos reviravoltosos novos conhecimentos que foram descobertos), Luke Skywalker apercebe-se que o seu treino de Jedi só estará completo se derrotar esse temível vilão. E com a ajuda do seu grupo, pretende levar a sua avante e, assim, devolver o lado bom da Força a todo o Universo. E lá pelo meio, ainda aparecem uns bicharocos que me fizeram perceber o porquê da "operação plástica" de uma famosa personagem da SIC Radical (sim, aquele indivíduo que tem um busto, um lagarto, um médico invisível e sei lá mais o quê, como seus amigos).
E assim se faz boa ficção científica, cativante e abrangente a todos os públicos. Acho que são raros os filmes de sci-fi que, tal como «Star Wars», me captaram o interesse. Posso assim concluir que esta trilogia é um autêntico clássico do cinema, mítico, original e inovador, e que vai sobreviver para as próximas gerações, de certeza absoluta.
E que a Força esteja convosco!

Nota: * * * * 1/2

Super Size Me

Entretanto, vi também este documentário de Morgan Spurlock, que aborda a temática da fast-food e como esse tipo de comida (que nem sei se se pode designar de "comida", embora eu de quando em vez também coma disso) pode afetar a vida de quem a consome. Através dos excessos mostrados pela população americana, e da sua estupidez (que, infelizmente, não se fica só por este problema) ao não saberem controlar o seu vício por McDonalds, Burger Kings, KFC's e muito, muito mais (ups, peço desculpa a publicidade).
Morgan Spurlock decide, então, tomar uma decisão radical para poder investigar os malefícios da fast food: ser uma cobaia. Durante trinta dias, ao pequeno-almoço, almoço e jantar, Morgan só poderá comer o que vier do McDonalds. E assim, com este divertido documentário, este autor consegue-nos mostrar as persuasivas manobras de marketing dessas empresas (e que sofreram uma grande reviravolta com este filme!) e as transformações que ocorreram no seu organismo durante esse projeto, além de fazer o retrato de uma América que se confronta cada vez mais com a obesidade em todas as faixas etárias. Um bom documentário, informativo, e que nos pode fazer pensar que, talvez em certos aspetos, estejamos melhor que os «states».

Nota: * * * *

Olha! O Império diz que Contra Ataca! E bem!

Se o Império não tivesse querido contra-atacar, será que o franchise de «Star Wars» seria tão famoso, lendário, bom, e um alvo fácil para inúmeras cópias (ou como quem diz, homenagens)? Eu penso que não.
«Star Wars V: O Império Contra Ataca» (um dos poucos títulos que, na minha opinião, soa melhor na língua dos tugas) é uma sequela digna do filme original, e, com certeza, melhor. Deste não tenho dúvidas. É raro quando consigo sobrepôr a sequela de um filme ao primeiro de todos, mas «Star Wars V» foi uma dessas exceções.
A ficção científica está longe de ser o meu forte - aliás, será que eu tenho algum género cinematográfico que perceba melhor? Duvido -, mas consegui ver a quantidade de bom cinema que perpassa todo este filme. Se, no anterior filme, achei que a história tinha sido boa, mas mais simples e mais resumida às batalhas com os sabres de luz e as pistolas laser que qualquer petiz de seis anos ambiciona adquirir (mas que, se isso acontecesse, o brinquedo não iria durar mais que uma semana), neste já temos uma trama como deve de ser, que abrange não só os domínios do sci-fi (com os confrontos entre os dois lados da Força), mas consegue ir mais longe e não ficar só restrita ao grupo de fãs desse género cinematográfico (talvez por isso este filme esteja tão bem classificado no IMDB).
«Star Wars V» é um filme de culto, que mereceu ganhar esse estatuto. A demanda de Luke Skywalker para se tornar um cavaleiro Jedi e, assim, conseguir vencer o lado negro da força, torna-se numa grande aventura recheada de efeitos especiais, bonecos de pantomima (mas que são giros!), muita ação, boas interpretações, uma banda sonora magistral (isso, felizmente, perpassa todos os capítulos da saga) e uma grande criatividade por parte de George Lucas.

Nota: * * * * 1/2

domingo, 18 de março de 2012

Os 5 metem-se em sarilhos... ou não

O «5 para a meia-noite» foi um programa marcante na minha existência. Quando surgiu, nesse já longínquo ano de 2009, o impacto foi tão grande que consegui ver (quase) todas as emissões. Aquele novo conceito de talk-show interativo gerou um culto que persistiu por mais umas temporadas. Infelizmente, as mais recentes foram, pelo menos para mim, as que me fizeram perder o interesse no programa. Então com as duas novas apresentadoras, enfim...


Mas agora os 5 estão de volta, e desta vez, é só homens! A juntarem-se aos veteranos Nilton, Pedro Fernandes e Luís Filipe Borges, entram Nuno Markl (aquele senhor que este bípede entrevistou, mais três comparsas, há coisa de duas semanas!) e José-Pedro Vasconcelos. O programa que, se não me engano, vai na sua sexta série, vai agora de malas e bagagens para a RTP1. E eu até estou ansioso. Talvez agora o 5 recupere a magia que eu penso que perdeu nos últimos tempos. É esperar até dia 8 de abril para ver!

A long time ago, in a galaxy far, far away...

Tenho de confessar que nunca tive particular interesse na saga Star Wars, nem nesta nem em tantas outras fitas de ficção científica. E apesar da insistência de vários amigos, fãs acérrimos de todo o universo criado por George Lucas, nunca me apeteceu ver qualquer um dos seis filmes da saga. Deixei sempre de lado essa alternativa de cinema.
Mas outro dia, estava eu na biblioteca da escola, a vasculhar os (poucos) DVD’s que por lá há para serem requisitados, e dou de caras com os filmes do Star Wars. Pensei para comigo: «É desta! Vou levar o primeiro filme (que é como quem diz, o quarto) para experimentar». Tenho também de dizer que, nos últimos tempos, tenho tido curiosidade para ver o capítulo seguinte da saga, «O Império contra-ataca», considerado por todas as pessoas Star-warianas com quem eu falei como o melhor dos seis. “É aquela coisa”, dizem-me eles. Mas, primeiro, quis ver este, para ver se ficava satisfeito o suficiente para visionar (pelo menos) a primeira trilogia, mais antiga. E devo dizer que gostei. Gostei o suficiente para agora querer ver o próximo ansiosamente!
«Star Wars IV: Uma nova esperança» é um excelente exemplo de entretenimento do bom, que não se arrisca a cair em idiotices ou clichés de filmes de sábado à tarde, que também pretendem ser de “entretenimento”. Aliás, a saga Star Wars tornou-se tão emblemática, importante e influente na História do Cinema que pôde, por si só, criar uma série de clichés, que ainda hoje em dia são usados e abusados. Uns chamam a estas inspirações das novas gerações como uma homenagem a George Lucas e ao seu universo. Outros designam só que são cópias, porque as pessoas tendem a não conseguir criar nada de novo e inovador. Eu vou mais por aqui.
A história deste quarto episódio (mas o primeiro a ser feito) segue muito o modelo americano típico (mas não aborrecido) de muitos blockbusters: aqui, temos um Luke Skywalker que gostaria de conhecer o Pai, que já morreu (embora eu, mesmo que não tenha visto os filmes seguintes e tenha sido, sim, bombardeado com a constante e irritante série de “homenagens” de filmes mais recentes, sei que não foi isso que aconteceu), que tem como Mestre Obi-Wan-Kenobi, que lhe vai introduzir à Força. Luke será auxiliado na demanda em busca da Princesa Leia por Han-Solo, um contrabandista feito herói, um bicho de nome Chewbakka, e dois andróides: R2-D2 e C-3PO. Nesta aventura, estes indivíduos terão todos de fazer frente ao lado negro da Força, simbolizado pelo diabólico indivíduo (com uma estranha respiração) que é Darth Vader. Ou seja, temos uma grande aventura inter-galáctica, com algum drama, música épica e muitos efeitos especiais.
Fiquei mesmo muito satisfeito com este filme. Não me tornei agora um viciado neste universo, mas agora ganhei-lhe algum interesse, o suficiente para ver mais um filme. Gostei principalmente de ser um filme de ficção científica que me interessou. Não por ser dos mais famosos de todos os tempos, mas por ser, ao menos, interessante para mim.
E agora, que venha o episódio V!

Nota: * * * *

sábado, 17 de março de 2012

Ah! Esqueci-me de vos contar!

Na semana passada tive uma grande experiência no Café Concerto do Liceu Camões. Durante uns cerca de dois-minutos-e-qualquer-coisa, parece que andei a dizer umas graçolas. Ou a fingir que dizia umas graçolas. O problema é que as pessoas gostaram, e por isso, já me convidaram para o próximo CC (há um por período), e, quem sabe, para os do próximo ano letivo também.
Foi muito bom, gostei muito da oportunidade que me deram e das novas pessoas que conheci. E como diria um certa pessoa, isto já vai p'ró meu currículo!
E já ando a congeminar ideias para o tema do próximo espetáculo! Se o deste período foi sobre o século XX, eu, inspirado pelo último filme que vi (e cuja crítica podem ler um bocadinho mais abaixo), lembrei-me deste tema: O Sentido da Vida. Já pus a ideia a circular na organização destes eventos. Eu, um simples infiltrado no Rainha Dona Leonor, a tentar subir na vida, metendo-me nos assuntos de outras escolas, hein? Sim senhora.
A minha ideia consistia em fazer uma espécie de cronologia da existência humana, como o próprio filme dos Monty Python faz, mas abordando mais a adolescência e outras coisas. Anda tudo a pairar na minha cabeça!
Bem, e esse CC, se a ideia for aprovada, iria ser interessante se começasse mesmo com a música do próprio filme! A ver vamos, se os meus Superiores aceitam a ideia.

Se houver novidades, eu irei contar. Com algum atraso, é claro, mas eu irei lembrar-me dos meus (poucos) leitores blogueiros, que ainda se dão ao trabalho de inspeccionarem esta casa (leitores esses que aumentaram significativamente esta semana. Deve ser derivado da publicidade que fiz a este estaminé no final da minha atuação. Viva a publicidade incaputada!).


EDIT: Apesar de, segundo a votação que foi feita, esta minha ideia ter sido a mais votada, o pessoal do Movimento decidiu optar por outra. Mas agora, parece que estão sem tema outra vez. É pena, até porque pensava que, por uma vez na vida, ia fazer alguma coisa de jeito num espetáculo. Mas enfim, começaram a deturpar o tema todo e a dizer que era muito complicado. E pensaram noutros ainda mais complicados depois! Mas enfim, é a vida.

Argument Clinic

Era bom que, no Mundo, houvesse um sistema assim: se uma pessoa quisesse discutir com outra (pelo menos, de maneira agressiva) teria de pagar para isso. Talvez tudo fosse um bocadinho melhor, e mais divertido. Monty Python no seu melhor!

Bom fim de semana!

sexta-feira, 16 de março de 2012

O sentido da vida - e não, eu não tenho a resposta para isso!

Se alguém estiver interessado em descobrir o sentido da vida, espero que a última coisa que se lembre é deste filme dos Monty Python, que curiosamente, ganhou um prémio de Cannes (nunca pensei que isto fosse possível!). Porque sim, este filme não vos traz resposta nenhuma para os grandes dilemas da Humanidade: A vida, a morte, etc. É um filme que parte de alguma coisa e nada conclui. E é por essa e outras razões que este filme é divertido, inteligente, infantil ao mesmo tempo, e carregado do estilo particular dos Python. O fantástico grupo britânico (que, ao que parece, vamos poder voltar a ver em breve) faz neste filme uma sátira pura e dura ao próprio conceito do sentido da vida, ou das variadas respostas que as pessoas dão a essa fatídica pergunta, mas que toca a todas as gerações.
«O Sentido da Vida» não é o melhor filme dos Monty Python. Mas dos quatro que eles fizeram, ponho este em terceiro lugar. Para mim o melhor é «O Cálice Sagrado», seguido muito de perto por «A Vida de Brian». E depois vem este, uma série de sketches (alguns excelentes, outros - em menor quantidade, felizmente - mais fraquinhos) que parodia todas as fases da vida do ser humano. «O Sentido da Vida» é um quase-musical satírico provocador que merece mesmo ser visto. alguns talvez possam ficar ofendidos ou ultrajados com o filme, mas eu recomendo, quer para os fãs dos Monty Python (que têm obrigatoriamente de ver este filme), quer para os "meros mortais", que andam por aí sem terem tido a oportunidade de conhecer o estranho e complexo universo destes seis malucos do non-sense.

Nota: * * * *

I think this is the beginning of a beautiful friendship!

Eu valorizo muito o argumento quando vejo um filme. «Casablanca» é um grande clássico do cinema que aposta muito nisso. Se foi muito sobrevalorizado ou não, talvez tenha sido. Mas eu gosto muito deste filme. «Casablanca» mostra que, se se fizer um filme com um método de desenrrascanço permanente, até é capaz de sair qualquer coisa gira. Foi assim que foi feito «Casablanca», muito em cima do joelho. Mas não deixou de ter um argumento muito bem escrito, repleto de subtilezas e frases que ficaram para a História, e que muitos apelidam de «O Melhor alguma vez escrito» (referência do filme «Inadaptado»). E a história, bem, pode-se dizer que tem alguma lamechice (algo típico nessa época - e também hoje, mas a lamechice é diferente!), mas aqui é q.b, felizmente.
Mas não é só pelo argumento que vale a pena ver «Casablanca». O elenco também não lhe fica atrás. Se bem que eu não sou fã do Humphrey Bogart, gosto da sua interpretação neste filme, assim como o da Ingrid Bergman. Peter Lorre faz uma pequena interpretação mas é excelente.
A realização dinâmica de Michael Curtiz faz com que o filme passe depressa. Tão depressa que nos faz querer conhecer Rick um pouco mais. Enfim, para mim, «Casablanca» é uma obra-prima, e um dos meus filmes preferidos. Objeções?

Nota: * * * * *

segunda-feira, 12 de março de 2012

Apocalypse Now: Redux - A Surrealidade da Guerra do Vietname

Uau. Esta foi a sensação com que fiquei depois de acabar de ver esta versão "redux" de «Apocalypse Now». Não vi o filme original, mas esta versão, mais comprida e por isso, mais elaborada, surpreendeu-me muito pela positiva. Acho que este filme é um grande exemplo de como a fiel ou infiel adaptação de um livro ao cinema não implica que a obra cinematográfica seja mais ou menos boa. Pelo que eu compreendi, a história que «Apocalypse Now» tem por base é a do clássico literário de Joseph Conrad «O Coração das Trevas», e não precisou de ser demasiado adaptada ao livro para se tornar uma obra prima da História do Cinema.
Acho que qualquer uma das duas versões de «Apocalypse Now», tanto esta mais longa como a original (e que em 1979 deu a Palma de Ouro para Francis Ford Coppola encher a estante), é retratar, de uma forma pouco normal e mais surreal toda a problemática da Guerra do Vietname. O filme retrata o conflito de uma maneira tão intensa, tão real e tão negra, que me fez pensar que estava dentro do próprio filme e que estava a assistir à realidade. Fez-me sentir dentro da guerra e não a pensar que estava a ver um filme onde é tudo a "fingir".
Fiquei bastante impressionado e mesmo de boca aberta com «Apocalypse Now: Redux». Não sei é porque dão tanta importância aos momentos do Marlon Brando e do Robert Duvall. São muito bons os desempenhos de um e de outro, sem dúvida, mas o filme tem muito mais do que isso. E então nesta versão alargada, há muito mais para se descobrir, penso eu. Martin Sheen é um grande ator e um grande Senhor (duas qualidades que o filho não soube herdar, infelizmente). Há todo um leque excecional de atores - Coppola tem um dom para isso -, a realização é tremenda e acho que esta nova versão é muito boa, muito fluída e consistente. Nada de elementos postos ao acaso só para se poder dizer que se fez uma versão mas comprida do filme e se vender mais uns cobres. Como já referi, não vi a versão original, mas fiquei muito impressionado com esta mais longa. Este é, a par de «O Padrinho» e «O Padrinho: Parte II», o melhor filme de Coppola. Um must.

Nota: * * * * *

domingo, 11 de março de 2012

O mundo (pouco) maravilhoso e (nada) mágico da televisão

Tenho vindo a reparar que, a cada dia, vejo menos televisão. Não é que tenha perdido o hábito de ligar o botão da caixinha mágica SONY do meu quarto quase todos os dias, mas esse ato é para outra coisa: não para ver televisão (que, por causa da TDT, já não a tenho) mas para usar o DVD para ver uns filmes ou umas séries de TV (nesta semana vi os sete episódios do «Programa do Aleixo», cujos criadores tive a oportunidade de conhecer na passada terça-feira). Agora, a televisão que se entende por «estações que emitem programas segundo um dado esquema previamente estipulado», isso sim, tenho vindo a ver cada vez menos. E a culpa não é da TDT: é porque, simplesmente, grande parte dos canais de televisão (e a começar pelos generalistas, excetuando mais a RTP2, que muitas vezes sabe ir ao encontro do que eu próprio quero ver num canal como aquele) não tem programas de jeito. Exemplos: na RTP1, a única coisa que vejo é um ou outro filme, o «Estado de Graça» e quando calha, o programa do Herman. Na SIC, não vejo NADA (só mesmo quando, de cem em cem anos, os programadores se lembram de passar uma fita de jeito), e a TVI, só tive o desplante de ver o «The Office» há uns tempos, quando passava no Verão às três e pico da manhã! E os próprios canais do cabo não tem programas de "qualidade" ou interessantes para a minha pessoa! E não, não tenho migrado para a internet - acho que ver programas na internet não me conseguem captar muito a atenção, por isso prefiro para isso a TV - mas simplesmente vejo o que quero quando quero e pronto!
Tudo isto para dizer que, enquanto toda a minha família esteve ontem a ver o festival da canção, eu fui para o meu quarto ver o «Apocalypse Now: Redux» (e ainda não acabei de ver - fica para mais daqui a bocado). Achei que era uma perda de tempo tão grande estar a ver aquelas músicas (que se afirmavam como fado mas, se o Festival raramente consegue ser fiel à definição de "música", quanto mais à de "Fado"!), maior parte delas foleiras e esquecíveis, e, juntamente, a grande habilidade dos apresentadores e dos organizadores do evento em perderem tempo a encher chouriços com falatório desnecessário e a já obsoleta contagem dos votos pelas cidades de Portugal. Quando, no final, me chamaram ao quarto para irem ver a canção vencedora de novo a atuar, eu tive tempo de ir à casa de banho lavar os dentes, vestir o pijama, e quando cheguei à sala, ainda estavam a engonhar sobre quem seria o vencedor do Festival. Poupem-me!
Ao menos, este ano, até ganhou uma canção engraçadazinha. Nada da palhaçada dos Homens da Luta (que, durante um ano, a pouca consideração que eu tinha por eles baixou gradualmente), e até foi uma canção que tinha uma boa marca de Fado na sua melodia e na sua letra. Um pouco popular, é certo, mas é gira, a música.
Mas a situação do Festival é como os Oscares. Para que é que vou perder três horas da minha hora de sono a ver uma gala que, na manhã seguinte, vai ser condensada a cinco minutos em todos os telejornais nacionais (e, pensando bem, esses "condensamentos" poderiam ainda ser mais reduzidos. Para um minuto ou dois)? É uma perda de tempo, não? Eu acho que é.
OK, já constatei que a televisão é fraquinha, e que grande parte do tempo que passo a olhar para esse ecrã não é para nenhum canal generalista ou pago, mas sim para o "AV", aquele a que se liga o DVD.
Mas o que eu tinha pretendido com este post não era voltar a abordar o tema da engonhice nesse meio de comunicação. Queria era falar nos bastidores do mesmo. No facto de muitos verem que, por detrás das novelas, dos telejornais e dos talk-shows, há um mundo mágico de "making of" a descobrir.
Enganados. Vós estais redondamente enganados.

Como é que há pessoas que podem pensar que o «Ídolos» não passa de um esquema montado em que, efetivamente, muitos dos bons cantores nem chegam ao júri e que os que ganham são geralmente esquecidos por todo o Portugal passado um dia de terem vencido o epíteto de Ídolo de Portugal (mas mais da SIC e da Fremantle, que recebem os cobres com tudo isto)?

Já tinha tido vários relatos que me mostravam a farsa de programas como este, mas agora um mais recente, vindo de uma pessoa que eu conheço, fez-me escrever sobre este problema.

O caso do «Ídolos» não é único. Basicamente, todos os programas de "talentos" que se teem feito no nosso Portugal e arredores na última década vivem à base disso: as pessoas passam por um selecionador, que diz quem são os com boa imagem e os cromos que não sabem cantar (mas que dão audiências) que, depois, passam para o júri em si. Nada disto tem alguma magia metida, amigos e amigas! É tudo feito assim. E, lá no meio, até deixam passar algumas pessoas com talento a sério para serem músicos na vida - mas que, certamente, não seguirão essa via, por uma série de razões que eu sei lá quais são.

O filme «Quiz Show», de Robert Redford, é o maior exemplo que de momento me posso lembrar que mostra a manipulação e todos os esquemas que estão por detrás das câmaras de televisão. É um filme que recomendo que todos vejam - aliás, passa constantemente no Canal Hollywood - outro canal que, quando lhe apetece, transmite filmes bons e não apenas filmezinhos que conseguem ser suportáveis porque temos pipocas ao lado, que sempre nos conseguem entreter mais do que o que está a passar no ecrã - e reparem, eu nem sou muito apologista de ingerir pipocas no cinema! Nesta fita, o personagem de John Turturro é um indivíduo que é, desde há algumas semanas, o vencedor de um popular concurso de "quiz" nos EUA. Só que, entretanto, a produção do mesmo decide que está na altura de encontrar um novo vencedor consecutivo e aldraba o esquema todo para que Ralph Fiennes seja o sucessor de Turturro.

O que eu pretendia com este textinho (e que, como já é habitual nos meus posts, não consegui explicar como deve ser) é que eu queria que as pessoas acordassem, principalmente as da minha idade, e não depositem esperanças em programas de TV, ou que pensem que a vossa vida estará toda feitinha se entrarem num desses programas. Isso é mentira! Uma grande mentira! As pessoas podem afirmar-se como alguém sem recorrerem a programas patéticos (que são também grandes momentos de encher chouriços), e, com preserverança, força de vontade e apanhando as pequenas oportunidades que vão surgindo, se calhar podem conseguir ir mais longe do que esses programas possibilitam (veja-se, por exemplo, o caso flagrante da Aurea - que eu nem desgosto, mas as sucessivas repetições nas rádios me têm enjoado um bocado da voz dela -, ela foi ao «Ídolos», não passou, mas agora é tanto ou mais famosa que qualquer um dos indivíduos que ganhou esse concurso)

Isto foi o que, em resumo, eu disse à pessoa minha amiga que participou no casting do «Ídolos» e que foi rejeitada, por uma série de razões inexplicáveis para qualquer pessoa normal, mas percetíveis para quem trabalha para a televisão: o que eles querem é audiências, mai' nada.

Já agora, aproveitem para fazer coisas de jeito e não perderem tempo demais com esses "programinhas". É uma completa queima de tempo!

Uma mensagem sincera do Rui Alves de Sousa

quinta-feira, 8 de março de 2012

Hannah e as suas irmãs

A vida é complicada. Assim como o amor. E acho que não há ninguém melhor para descomplicar e fazer-nos rir das nossas próprias vidas, a nível cinematográfico, como esse Monstro Sagrado da Comédia que dá pelo nome de Woody Allen. Eu considero este filme, «Hannah e as suas irmãs», o melhor que já vi do realizador, autor e ator, da cerca de uma dezena de filmes que, até hoje, já vi da sua autoria. Este filme é a sua crítica e sátira cinematográfica mais profunda e inteligente, dos poucos filmes de Allen que já pude visionar.
«Hannah e as suas irmãs» é um excelente conto sobre as relações familiares e amorosas de três irmãs: Hannah (Mia Farrow), Lee (Barbara Hershey) Holly (Diane West). É também a história dos desgostos e reviravoltas sentimentais e existenciais do ex-marido de Hannah (Woody Allen) e a relação amorosa escondida do atual esposo de Hannah (Michael Caine), que se apaixona por Lee. Este filme consegue ainda ser uma lição de moral para toda a Humanidade, sobre a procura obsessiva que muitas pessoas têm de encontrar um sentido para a exitência humana ou a Verdade Absoluta para todas as questões Universais que afetam o Homem (a existência de Deus, por exemplo).
Woody Allen não pretende ofender culturas, países ou religiões. Sabe falar de temas mais ou menos delicados sem pretender achincalhar ninguém, dando um lado muito humano a esta fita (é já normal encontrar esta particularidade na obra de Allen, mas este filme tem um toque ainda maior de humanidade que os outros). Esta comédia dramática é um filme muito inteligente e muito real. Daqui a cem anos talvez seja obrigatório que as pessoas continuem a ver filmes de Woody Allen como este. É uma autêntica - arrisco-me a dizê-lo - obra prima. Quem não viu, que veja. Quem já viu, que volte a ver!

Nota: * * * * *

terça-feira, 6 de março de 2012

Coisas que me irritam - Informação na TV

(Vou deixar de numerar os "cromos" desta rubrica, porque, simplesmente, acho que já houve muita coisa de que falei e que me irritava a sério e não foi incluído nas "coisas que me irritam". Por isso, a partir daqui - e quando eu me lembrar de escrever sobre algo irritante dentro da rubrica correspondente - os novos posts sobre coisas irritantes - e também eles próprios portadores de uma elevada quantidade de irritação para o leitor - não estarão numerados, com muita pena minha.)



Ultimamente há uma coisa que me tem irritado solenemente: os telejornais nacionais e os próprios jornais em si. A forma como distribuem a informação, a seleção de "informação" que fazem para as suas publicações ou programas de TV, e também a forma e a organização que dão à informação que transmitem, ou o que quer que seja que eles ponham naquela página do jornal ou naqueles cinco minutos que duram a mísera segunda parte do telejornal.

Para já, faz-me confusão logo a duração dos telejornais. Quase duas horas de emissão para se dizerem coisas que podiam ser condensadas em um minuto e meio ou menos? Porquê perder meia hora a quarenta e cinco minutos de uma emissão a discutir os resumos do jogo de há uma semana do Gominbriguense contra o Jovicial (atenção: os nomes dos clubes que escrevi são fictícios - acho eu... nem me admirava que existissem!), e ouvir um comentador qualquer a discutir isso? Não há já os programas próprios para isso? Horas de programação que o Rui Santos gasta no «Tempo Extra» ou o comentador da TVI24 com o programa «Prolongamento»?

Mas os jornais escritos não fica atrás neste aspeto. Só que a vantagem deste formato é que basta passar umas páginas à frente. É mais simples.

Depois, outra coisa que me baralha a "mona" toda, é as coisas que os senhores jornalistas chamam de "notícia". Por exemplo: hoje, à hora de almoço, consegui perceber que, para a TVI, uma notícia é não só a desgraça alheia e por vezes hardcore, mas também quando o Paulo Futre fica a fazer (como já é hábito nestes últimos tempos) coisas idiotas e sem sentido nenhum, aliado a um José Castelo Branco vestido daquilo que ele me pareceu sempre ser: uma mulher. Pois, é isto, sim senhora. Já sabia que a TVI tinha uma informação tão reles, mas agora, foi a gota de água. Na TVI Já nem ponho os pés (quero dizer, os olhos) nem para um zapping à hora do "comer". Não vale a pena, é uma perda completa de tempo, que a cada segundo me parece mais precioso, dado que agora já andam a dizer que vamos morrer todos no final deste ano. É melhor aproveitar o tempo que me resta sem ver (e ler) algumas anormalidades.

RTP e SIC também gostam, por vezes, de gozar com as pessoas, nisto mais a SIC. Telejornais com a mesma duração de «O Padrinho», só que com menos setenta minutos? A Sociedade Independente de Comunicação ajuda nisso. A sério? Espaços de informação tão grandes? Numa generalista? Ninguém precisa de aprofundar demasiado muitas das notícias que vós perdeis tempo a divulgar. E se quiserem, vão informar-se melhor com outros formatos ou publicações e não espaços para encher chouriços (nisto já ataco de novo todas as estações generalistas. Exceto a RTP2, que ainda consegue ter um jornal curto e mais ou menos incisivo). E as notícias que devem ocupar mais o jornal e que são mais importantes, têm algum espaço de reflexão, mas a seguir "ai veja o nosso especial sobre esta catástrofe, porque a seguir vem o FUTEBOL" (apesar de eu, como já referi, este desporto ter já - demasiados - espaços na programação televisiva). Ainda me lembro quando interromperam do nada (assemelhando-se a uma falha técnica) uma reportagem sobre a morte de Saramago, assim sem mais nem menos, para darem o indivíduo futeboleiro da TVI, num sítio perto da Merdaleja da Maximiana do Herman, a conversar com locais sobre o que é que eles acharam da vitória de um dado clube num dado jogo num dado dia.

E segundas partes dos telejornais com cinco minutos? Como se a nossa (im)paciente espera de que passassem os vinte minutos de intervalo valeram a pena para ver uma reportagem sobre as roupas que a Angelina Jolie usou na noite dos Oscares ou uma nova coleção de singles do Michel Teló (cuja música do "Ai se eu te pego" deve ser a única coisa que esse indivíduo canta).

E é esta a minha visão (não tão feroz como dantes fazia as minhas "análeses") de como andam os telejornais. Eu não perco muito tempo com eles, mas às vezes fico mesmo irritado quando estamos em família a almoçar, terminar o almoço, ir ver um episódio do «Seinfeld» e o telejornal continuar a dar nas generalistas. Ver telejornais com mais de cem minutos ou com uma seleção algo "curiosa" de informação deprime-me. Mesmo. Por isso tento sempre não ver, ou ouvir apenas o que interessa das notícias e mudar logo de canal, ou de atividade que não seja estar sentado no sofá a olhar para a TV.

E vós, caros leitores, tendes cuidado também. Sim? A televisão, além de fazer mal à vista, parece que também é nociva para o bom senso. Tenham cuidado ao "zappingarem" pelos canais de informação - nacionais e internacionais, porque a história é a mesma, ao fim e ao cabo, para todos - de vossos lares. Aproveitai a vida que vos resta (que, espero eu, não acabe já em 2012 - a minha irremediavelmente vai este ano acabar, mas é... hã... por outros motivos) sem serem masoquistas e a perderem tempo demais com os telejornais. Talvez assim os senhores jornalistas da TV percebam algumas coisinhas importantes. Talvez, quem sabe!

segunda-feira, 5 de março de 2012

O vídeo

A pedido de muitas famílias, e como eu próprio tinha prometido, já está disponível no Youtube a entrevista integral que o grupo Os Suspeitos do Costume, concorrente ao concurso DNEscolas e de que eu faço parte, efetuou, no dia 28 de fevereiro, ao sotôr Nuno Markl. São seis partes - o Youtube não deixa pôr tudo seguido - e espero que gostem!

Regresso às leituras

O último mês e meio foi preenchido, em termos de leituras, por um único livro: «A cidade e as serras», de Eça de Queirós, o que me tirou tempo para ler outros livros que me interessavam, mas como este é um livro que estou a dar na escola e acho que se deve ler com calma e perceber-se mesmo o que está a ler, fui lendo aos poucos, não fosse escapar qualquer pormenorzinho. E depois disto, agora sei que me esqueci de uma data de pormenores. Como é que querem que me lembre das descrições do Eça de Tormes ou do 202?

Sei do essencial: esta história é um clássico. Um clássico que não consigo estar a classificar. Não é que tenha gostado demais ou de menos do livro para não lhe conseguir atribuir uma nota, mas é que livros como este, que já estão tão embrenhados na nossa sociedade, não têm valor classificável. Aconselho a sua leitura. Não foi um livro que me marcou consideravelmente, mas apreciei o estilo crítico de Eça e a forma irónica e satírica como faz muitas das suas descrições.

O Misterioso Assassínio em Manhattan

Um policial à Woody Allen não é um policial normal, um filme de sábado ou domingo à tarde que mais se assemelha a uma versão cinematográfica de um dos milhentos formatos televisivos que o franchise do CSI eu a conhecer à Humanidade. «O misterioso assassínio em Manhattan» é um policial cómico, e neurótico, sobre um casal que pensa que o vizinho matou a mulher. Woody Allen e Diane Keaton são o marido e a mulher que, numa investigação recambolesca em que vão ter a preciosa ajuda das personagens de Alan Alda e Angelica Huston, irão confirmar se as suspeitas de Keaton são reais ou se não passam de um grande mal entendido.
Se este filme fosse um policial sem este tipo de humor "allenesco", talvez seria um filme completamente banal. Mas o argumento hilariante e as grandes interpretações de todo o elenco tornam-no especial na carreira do próprio Woody Allen, que demorou 16 anos (desde «Annie Hall» que o realizador tinha este policial em mente) a ver este projeto tornar-se realidade no grande ecrã. E se vale a pena? Vale, sim senhora! Os apreciadores da comédia de Woody Allen irão gostar com certeza de «O misterioso assassínio em Manhattan». Eu gostei muito, até mais do que estava à espera - aliás, ultimamente tento não ir com expetativas muito altas para ver um filme - o mais baixo possível ajuda a uma possível desilusão que possa vir a calhar sabe-se lá quando. Este filme é um fartote de riso. É daquelas fitas em que Woody Allen diz uma série de piadas memoráveis, todas de seguida, como se tivesse uma metralhadora carregada e a disparasse sem parar (sim, a comparação não é das mais felizes, mas é o que se pôde arranjar). Para passarem 104 minutos com bom entretenimento, inteligente, cativante e divertido, Woody Allen é uma marca de confiança. E «O misterioso assassínio em Manhattan» é só um dos muitos exemplos que mostram a veracidade da minha afirmação.

Nota: * * * * 1/2

sábado, 3 de março de 2012

O Sétimo Selo: uma reflexão sobre a Vida

Não sei se existe algum ser humano que nunca se questionou sobre problemáticas como o sentido da vida, a existência de Deus, ou a explicação para o mistério da Morte. O que eu sei é que Ingmar Bergman, realizador e autor deste filme, «O Sétimo Selo», pega nestes temas e faz um filme que é uma das Grandes obras primas da História da Sétima Arte.
Digamos que este filme não é fácil. É algo puxado, e não diria que fosse para maiores de 12 (mas pronto, se um miúdo do sexto ano se interessar pela obra de Ingmar Bergman, força aí!), mas acho que deve ser um filme que toda a gente deve ver. Para já, por ter tornado icónica uma ideia representada pela imagem que escolhi para ilustrar esta crítica: a Morte a jogar uma partida de xadrez que irá decidir o destino de Antonius Block, personagem brilhantemente interpretada por Max Von Sydow, o que é uma perspetiva cinematográfica que me agradou muito.
Há já algum tempo que queria ver este filme, e agora que o pude ver, não fiquei nada dececionado. Ingmar Bergman centra o filme no século XIV, em plena Idade Média, afetada pela Peste Negra e pelo fanatismo incutido pela Igreja e pela Inquisição. E no meio de tudo isto, o cavaleiro Antonius Block, regressado das Cruzadas, questiona-se sobre os mistérios da existência humana, enquanto tenta escapar à Morte, aproveitandoo jogo de xadrez para ter alguma "vida extra".
Um filme perfeito. A realização, o ambiente macabro que condiciona todo o filme, o magnífico conjunto de atores e uma reflexão sobre a vida humana que não deve ser posta de lado. Sim, é Ingmar Bergman. Sim, é um realizador puxadote. Mas tentem, pelo menos, ver «O Sétimo Selo». Este foi o primeiro filme que eu vi do realizador, e não fiquei nada dececionado.

Nota: * * * * *