terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Being There: A ascensão de um "videota"


Acabei há momentos de ler «Being There», um pequeno romance da autoria de Jerzy Kosinski, que por cá foi publicado pela Livros de Areia, uma pequena editora independente, em 2007. A obra de Kosinski conceituou-se ainda mais pela adaptação feita para cinema em 1979, nove anos depois da publicação original do livro, protagonizada pelo Grande Ator Peter Sellers (e que espero conseguir ainda visionar esta semana), e cujo argumento foi adaptado da novela pelo próprio autor da mesma.

«Being There» trata-se de uma pequena, mas prodigiosa, sátira aos EUA, à política, às relações entre países e ao efeito da televisão no nosso dia a dia. Este último tema está unica e exclusivamente simbolizado em Chance, o protagonista do romance, que passou toda a sua vida isolado do mundo exterior, vivendo numa mansão onde apenas tratava do seu jardim e via televisão para se distrair. Um dia, o seu "tutor" morre e Chance é obrigado a sair da sua casa e a iniciar contacto com a vida fora do seu pequeno e misterioso mundo. Aí interrogamo-nos da maneira como Chance aprendeu o que é a vida real através dos "ensinamentos" da caixinha mágica, dando-lhe uma ideia errada e pouco esclarecedora das atitudes que deve tomar face às pessoas e situações com que se vai deparando. 

E é a ingenuidade de Chance face ao que o rodeia que permite a Jerzy Kosinski elaborar uma mordaz e inteligente crítica à sociedade americana dos anos 70 (mas que se encaixa, perfeitamente, no mundo contemporâneo) e que nos deixa a pensar no verdadeiro significado das nossas ações e das nossas ideias face ao poder dos media e da alta sociedade. Um pequeno livro, mas com um significado gigante. Pequenas lições de literatura como esta não se apanham todos os dias...

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