segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Alfred Hitchcock apresenta: o Mestre na TV


Poucas são as séries televisivas que conseguem resistir ao tempo. Se com o Cinema, a tarefa de preservação e divulgação dos grandes Clássicos da Sétima Arte revela-se difícil e comprometedora, com o material do pequeno ecrã, o trabalho poderá ser mesmo impossível. Muitos têm de referência séries que viram e que, à época, marcaram uma geração. Mas sinceramente, quantas dessas séries continuam interessantes hoje em dia? Penso que poucas. São mesmo poucas as séries que conseguimos visionar sem estarmos muito a pensar na antiguidade que está a passar pelos nossos olhos, ou que nos distraia por algum pormenor caricato que, na altura em que foi originalmente transmitida, fazia todo o sentido (ou não - veja-se o caso do «Baywatch», em sucessivas reposições na SIC Radical. Não sei se alguma vez aquilo tentou ser uma série dramática, sinceramente...).

«Alfred Hitchcock apresenta» poderá ser um desses casos especiais de semi-imortalidade da arte televisiva. Esta série era constituída por fornadas de episódios com menos de vinte e cinco minutos cada, envolvendo temáticas como o mistério, o thriller e o suspense. Foi uma série de grande sucesso, produzida pelo próprio Alfred Hitchcock (e que realizou muitos poucos episódios dos mais de duzentos que a série tem - um pormenor engraçado: várias histórias foram realizadas por Paul Henreid, o famoso Victor Lazlo do filme «Casablanca», o clássico eterno de Michael Curtiz). E sejamos sinceros: a verdadeira razão porque vale a pena ver este programa é, mais do que as histórias exibidas (algumas mais interessantes que outras, mas a curta duração das mesmas ajuda a que fiquemos a vê-las até ao fim), as introduções e conclusões dos episódios, apresentados por Hitchcock, num estilo de humor irónico e sarcástico muito british.

Alfred Hitchcock era, além de um excelente cineasta, um comunicador de exceção, e isto comprova-se com esta série, e a que se seguiu («A Hora de Hitchcock», que durou entre os anos de 1962 e 1965, em que os episódios foram estendidos para, exatamente, uma hora) e o remake, elaborado em 1985, alguns anos após a morte do Mestre da Sétima Arte. Mas como nesta nova versão das histórias de «Alfred Hitchcock apresenta», foram utilizados os "tempos de antena" originais do realizador, até que este remake conseguiu almejar algum sucesso... a princípio, como acontece com a maioria dos remakes. Mas são esses pequenos sketches humorísticos e sarcásticos de Hitchcock que se tornaram a imagem de marca desta sua incursão televisiva. Este era o realizador do Público, o que, provavelmente, mais tentava extrair emoções dos espetadores e fazê-los experimentar coisas novas sem se aperceberem disso. Como Hitchcock diz, numa das suas introduções, "I think everyone enjoys a nice murder, provided he is not the victim". E não houve outro realizador que soubesse tão bem isto como Alfred Hitchcock. Apesar de estar pouco envolvido nas múltiplas histórias da série, vale a pena ver uns episódios, especialmente pelos momentos dados ao realizador para exprimir as suas ideias... peculiares. E eu precisei apenas dessas introduções e dessas conclusões para ficar agarrado e ver uns quantos episódios. E de vez em quando ainda se apanham uns atores conhecidos do Cinema como "special guests" nas histórias apresentadas por Hitchcock (como o recentemente falecido Jack Klugman), e pelo menos pela curiosidade cinéfila da coisa, vale a pena esta série. O tempo investido a vê-la tem sido muito proveitoso!

1 comentário:

  1. Sucinta, mas excelente análise desta série. Parabéns.

    ResponderEliminar

Se chegaram até aqui e tiverem alguma mensagem, crítica, ou opinação a fazer em relação ao que acabaram de ler, façam o favor de o escrever aqui. A gerência agradece e responde (se não forem nenhum príncipe da Malásia que tem 10 milhões de dólares para me oferecer, claro).