Skyfall (Ou: o filme que me fez perceber que vale a pena continuar a descobrir a saga 007)


Foi preciso ter ido ver, hoje à tarde, ao Campo Pequeno, o mais recente filme das peripécias de James Bond, que dá pelo nome de «Skyfall», que percebi como eu estava enganado em relação às potencialidades da série do agente secreto 007 (um indivíduo sempre pronto para a pancadaria, perseguições, explosões, moças jeitosas e tudo). Esta saga (ou pelo menos, este filme) tem uma grande capacidade de interesse para a minha pessoa! «Skyfall» é um filme de ação muito bem feito e que me fez ficar colado à cadeira do princípio ao fim, sensação esta que já não sentia, pelo menos, desde que fui ver «A Origem», de Christopher Nolan, no mesmo cinema há uns dois anos atrás. 

A meu ver, o facto de «Skyfall» ter resultado tão bem deriva, muito provavelmente, dos nomes de mui' grande talento que estiveram envolvidos na sua produção. Comecemos pelo realizador Sam Mendes, que viu a Academia de Hollywood reconhecê-lo com o filme «Beleza Americana», pelo qual arrecadou diversos Oscares, mas nos últimos anos Mendes tem pautado por se envolver em projetos completamente distintos uns dos outros, o que provam a sua grande criatividade e versatilidade em ser um Grande realizador em vários géneros cinematográficos. Veja-se, a título de exemplo, «Caminho Para a Perdição», com Tom Hanks (um filme de gangsters frio e duro adaptado de um livro de banda desenhada, que pauta pelo extraordinário realismo que sustenta e as excelentes performances que contém), ou até «Um Lugar Para Viver» (uma pequena produção independente que envolveu dois grandes comediantes a ficarem com os papéis de protagonistas, um casal que pretende descobrir como criar o filho por nascer da melhor maneira: John Krasinski - da fantástica série «The Office», versão americana - e Maya Rudolph - estrela da companhia do «Saturday Night Live»). 

Depois, há uma fantástica banda sonora que nos faz perceber o quão bom é estar numa grande sala de cinema (o filme está a ser projecionado numa sala especial no Campo Pequeno, aproveitem!) e aproveitar aquela fusão de imagens e som que os nossos olhos e ouvidos podem vislumbrar; a autoria da música de «Skyfall» ficou a cargo de Thomas Newman que, além de reformular o famosa theme-song que é a marca do franchise 007 (e que me fez, por várias vezes ao longo do visionamento do filme, estar a abanar a perna ao ritmo da música sem dar por isso), trouxe novos ritmos explosivos e alucinantes que combinam perfeitamente com todas as cenas (com mais ou menos ação) que o filme dispõe para o gáudio dos espetadores, fiéis seguidores das tropelias bondianas ou nem por isso. Não esquecer a música dos créditos iniciais de «Skyfall» (uma sequência de imagens muito bem elaborada e planeada, que nos faz perceber que vem aí coisa muuuito boa), cantada e composta, em parte, pela famosa artista Adele (sim, aquela cujos dois hits passam incessantemente nas rádios que já enjoaram - ao menos agora têm a música do «Skyfall» para alternarem, ao menos isso...), que deixa uma marca indelével no filme: a música é fantástica e até agora está presa na minha cabeça - juntamente com meia dúzia de melodias de alguns filmes vistos recentemente (a minha jukebox mental é muito limitada) - e pareceu-me ter sido uma excelente aposta por parte de... indivíduo tal que tenha contactado a Adele (ou ao seu manager), dizendo apenas: "Ai e tal queriamos-te para fazeres a música de abertura do 007 e tal...". Sim, eu acredito que foram estas, simplesmente, as palavras pronunciadas por essa pessoa. Mas continuemos...

A história de «Skyfall» não fica nada atrás de todo o espetáculo visual do filme (começando pelo título do filme - se o forem ver, quando perceberem o que é que ele, afinal, significa, talvez soltem, baixinho, como eu fiz: "Aaah, então é isso que quer dizer!". É que pode parecer que não mas até foi uma grande surpresa aquela descoberta, principalmente porque logo de imediato liguei isso a alguns pequenos pormenores dados por algumas personagens antes dessa revelação), mostrando o que é, verdadeiramente, um filme de ação de qualidade. É que o argumento de «Skyfall» é muito interessante, envolvendo mais humanidade nas personagens de Bond e de M, a sua mentora, como aborda um tema com muitíssima atualidade: o ciberterrorismo e os efeitos que este tipo de ataque informático pode ter na sociedade (neste caso, o ciberterrorista é interpretado por Javier Bardem, num papel que me fez lembrar, em parte, o psicopata da obra oscarizada dos irmãos Coen «Este País Não É Para Velhos». Mas em «Skyfall», o vilão é algo maquiavélico, mas muito mais sensivelzinho e essas coisas. Não anda com uma coisa de pressão de ar, nem com uma moeda para decidir o destino das suas vítimas. Anda é munido de um computador, para tufas!, destruir com tudo). É deste tipo de história que me prende num filme: bem estruturada, precisa e cativante, e que, apesar de ter muitos elementos ficcionais (e alguns momentos de exagero, mas não tantos como do pouco que eu me lembro dos dois meios-visionamentos que fiz de «Casino Royale», o primeiro Bond protagonizado por Daniel Craig) não nos distrai do essencial. O que interessa é o que está no ecrã, e como nos prende tanto, não temos muito tempo para analisar alguns pormenores técnicos ou de narrativa que possam existir. E isto é entretenimento à séria, meus amigos. Não é um filme de ação qualquer feito às três pancadas. É uma obra muito bem idealizada e que me fez ver como vale a pena descobrir mais sobre 007 (espero é encontrar filmes que me prendam tanto a atenção como este... a ver vamos).

Por fim, aliado aos outros fatores que eu apresentei: temos um elenco recheado de estrelas (além dos repetentes, temos agora, por exemplo, Ralph Fiennes no cast da família do MI6, ou o estupendo vilão interpretado por Bardem) que cumprem ao máximo a sua "missão" de fazerem entretenimento fantástico, à melhor maneira que Hollywood só sabe fazer. Há cenas de ação? Sim senhora, muitas e com fartura. Mas estão tão bem ritmadas e compostas que é impossível alguém não ficar vidrado com o que irá ver no cinema (em casa será outra história, mas no cinema... se virem o filme numa sala como eu vi, com um ecrã maiorzinho e com um som - desculpem o termo - brutal, que me fez perceber que a verdadeira essência do cinema só é comprovada quando o ecrã é superior a nós, espetadores e pequenos seres que lhe obedecemos e respeitamos). E acho curioso como é que «Skyfall» não tem versão disponível em 3D nas salas. Eu não gosto muito dessa estratégia de ganhar mais uns cobres dos cinemas, pois dos poucos filmes que vi nesse formato nenhum valeu, verdadeiramente, a taxa acrescentada do bilhete. Mas «Skyfall» é um filme que me pareceu ter muitas possibilidades de poder suceder muito bem em três dimensões (embora eu não fosse comprar o bilhete se a sessão fosse nesse formato: a vida está cara e não preciso do 3D para ter uma grande sessão de cinema, como já afirmei). As cenas de ação quase que caem para cima de nós! E são tão fulgurosas e impressionantes que, sem os oculinhos e sem o ecrã meio desfocado (ou seja, mesmo com o ecrã em 2D) senti-me muito ligado com as cenas do filme e a pensar que estava ali, naquele momento, ao lado de Bond, a subir, clandestinamente, o elevador para apanhar um mau da fita, ou na cena de luta entre ambos, em que partem as janelas do prédio onde se situam e estão a andar à porrada com o ventinho da rua... olhassem lá para baixo e veriam setenta e tal andares. A queda até que não era má...

Resumindo, concluindo e advertindo: «Skyfall» é um filme surpreendente, para fãs e não-fãs de 007 (embora, para os fãs, haja muitas piscadelas a elementos fundamentais da cultura Bond, como o Martini, a famosa quote Bond, James Bond ou o uso de um Aston Martin - que foi usado por outro Bond, o de Sean Connery, num dos filmes mais conhecidos da sua era como 007, «Goldfinger» - durante uma das partes mais intensas, a nível de cenas de ação, de todo o filme). Simplesmente, é uma ótima oportunidade para passar duas horas e picos em grande numa sala de cinema, aproveitando o melhor que o cinema da atualidade, cheio de efeitos especiais e inovações fantásticas, pode oferecer aos espetadores. «Skyfall» não utiliza apenas esses efeitos todos só porque sim e porque dá lucro (só a marca 007, por si só, já dá algum dinheirinho garantido - pelo menos para pagar a massa gastada na sua produção, disso não tenho dúvidas), mas por uma razão de estética do próprio filme, e também porque são efeitos muito bem utilizados. «Skyfall» pode ser um filme surpreendente para uns, não tanto para outros, mas foi, certamente, uma das maiores surpresas que tive, em toda a minha vida (que ainda é curta, portanto esta frase pode não ter muito valor), numa sala de cinema. O meu nome é Sousa... Rui Sousa, e despeço-me de vocês não tentando plagiar Bond (que anda por aí a salvar o Mundo e eu aqui a escrever estas patacoadas), mas para vos mostrar que «Skyfall» vale muito a pena!

Nota: * * * * 1/2

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