segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Em busca da geração perdida (visto que pouco me relaciono com a que pertenço)

Antes de alguém começar a inventar significados para a postagem desta imagem neste "póste", afirmo desde logo que a mesma não pretende ter grande valor, significativo para as próximas linhas que vós, poucos e humildes leitores desta estalagem virtual, ireis ler dentro de seguida. Apenas achei interessante colocar este fotograma de «O Garoto de Charlot», uma das maiores obras-primas da carreira do genial Charles Chaplin, por duas razões meramente simbólicas: primeiro, o conflito de gerações entre o vagabundo Charlot e o miúdo que este cuida ao longo da fita; segundo, por ser um exemplo da diferença de gostos entre a minha pessoa e o resto da malta da minha geração (será que a maioria dos energúmenos indivíduos da minha idade sabe ao menos quem foi Chaplin? Arrisco prever que, numa hipotética sondagem, 80% responderia que "não sei", e outros 5% profeririam "é um gajo com um bigode tipo o do Hitler". Riam-se, riam-se à vontade (e pessoas da minha idade, preparem as forquilhas e as tochas para a minha "execução" - estou a brincar, obviamente. Mas cuidadinho com o significado que ireis atribuir a este textinho, sim?), e continuem a rir-se, visto que as próximas linhas serão deprimentes demais para continuarem as vossas sonoras gargalhadas.

Durante diversos períodos do meu quotidiano (quer escolar, quer particular, quer "estupidilar"), é frequente não me sentir como membro da minha geração. A geração dos anos 90, a geração de 1995, a geração que aprendeu a ler e a escrever na viragem do século XX para o XXI, a geração que viu o Pokémon, a geração que seguia o Batatoon (que era transmitido logo quando eu chegava da escola), enfim, a geração à qual podem ser ligados outros mil e tantos elementos que seriam impossíveis de enumerar, na totalidade, neste post, visto serem tantos, tão ricos, e alguns tão esquecíveis a uma primeira consulta da memória.

Mas estava eu a dizer, que não me sinto parte da minha geração. Não sei se é algum problema que eu tive ao nascer ou algum defeito de crescimento (ATENÇÃO: a última frase apresentada mostrou ter conteúdos elevados de ironia... não comecem a pressupôr coisas do meu passado - muito pouco - obscuro, porque não vale a pena. Há tanta vida interessante por aí que merece ser investigada. Deixem estar a minha pessoa sossegadinha, no seu mundo idiota e entediante, se fazeis favor!), mas o que eu sei é que, em muitas ocasiões completamente distintas, por razões completamente diversas, e por temáticas completamente diferentes, sinto que devo ter nascido noutro ano qualquer ou noutro planeta qualquer, e que sou uma versão  que saiu defeituosa no padrão adolescente comum.

Sim, eu sei, meus caros discípulos (pouco) fiéis, de que a temática do "Ui, coitadinho de mim, que me sinto tão só neste mundo, ai que tenho crises existenciais e o camandro" já foi utilizada em diversos capítulos desta novela em folhetim que dá pelo bonito nome de «Companhia das Amêndoas». E eu percebo que às vezes até possa enjoar um bocadinho, mas é preciso compreender que, sempre que eu falo nestas coisitas da minha vida, é sempre por alguma razão em particular (e que, obviamente, é bem mais interessante que todo o "engonhanço" que utilizo para a elaboração destas redações mal feitas). 

Já falei, por diversas vezes, dos gostos diferentes (e, talvez, um pouco mais abrangentes em certas áreas) e algo particulares que eu tenho em relação à maioria das pessoas da minha geração (um facto que algumas pessoas me têm vindo a apontar, no contacto que estabeleço com o Mundo através das redes sociais e afins desta via eterna e infinita que dá pelo nome de Internet - e normalmente as pessoas acham graça a isso. Outras gostam de me utilizar, simplesmente, como uma pseudo-enciclopédia ambulante, sem páginas mas mais faladora e irritante. Mas isso é outra história...). Já abordei também, em tempos que já lá vão (ui, como o tempo passa... Foi há coisa de dois anos!) a forma como muita criançada vê o conceito de "Amizade" e a estupidez como encara os amigos que possui, através das formas mais pirosas - formas essas que envolvem postagens facebookianas que estão a um passozinho de serem consideradas ridículas... OK, não estão a um passo, são mesmo ridículas... como se a amizade se provasse por se colocarem fotografias de grupos de amigos com legendas do tipo «B3$t Fri£nds For€v€r... não pensem que eu estou a exagerar! (fui reler o texto em que abordei este tema, embora falando de um caso em particular - uma crónica integrante da quase-extinta rubrica «Coisas que Me Irritam» - cerca de alguns minutos antes de começar a redigir esta crónica, e digo-vos: de conteúdo não mudava nada. Já em termos de forma... talvez fosse pedir a um escritor conceituado - e verdadeiro entendedor da Arte de Escrever - para me mostrar como pôr aquele texto legível e "como deve ser"). Por fim, recordo-me (mas não tive paciência para ir vasculhar os arquivos de elevada profundeza "filosófica" do blog para provar a 100% isto) de ter falado, pelo menos umas duas vezes, como a forma distinta e particular como encaro as coisas e vejo as coisas me põe um pouco à margem daquelas coisas essenciais da vida de um jovem (nomeadamente, em termos de amorrr. Mas uma pessoa habitua-se a não dar importância a isso. Porque, já dizia o poeta, "Um dia há-de vir aparecer alguém!". Vamos a ver quando chega esse dia). 

Mas hoje, por alguns acontecimentos que inundaram este meu dia (e os últimos três úteis da semana passada), de raspão apareceu-me o tema do conflito entre eu e a minha própria geração. E, ao longo dos minutos em que estive a escrever os últimos parágrafos desta crónica, fui-me apercebendo mais em pormenor do que é exatamente esta ideia metafórica que circunda, de momento, a minha mente. Sou diferente em muita coisa, e penso que sei valorizar a diferença que tenho em relação aos outros (porque, já dizia o poeta - outro, este vem das organizações de paz e o catano - "Todos Diferentes, Todos Iguais"...). Porque é através desta distinção que o meu cérebro possui dos demais que me leva a não sentir os problemas que a maior parte dos adolescentes vê como "principais catástrofes a abalar a Terra" como... problemas propriamente ditos. 

Vou explicar-me: podem ter ficado a pensar que eu quis dar-vos a entender que penso que sou uma espécie de Dr. House da pequenada tuga. Nada mais errado. Apenas sei pôr as coisas no seu devido lugar e dar mais valor ao que, para a maioria das pessoas juvenis, não é tão significativo. Ou pelo menos, sei não exagerar as coisas que não devem ser exageradas. Como esse caso das amizades. Tenho um semelhante a ocorrer dentro do meu núcleo estudantil neste preciso momento. Duas pessoas, extremamente amigas desde o ano de dois-mil-e-troca-o-passo que se deixam de falar de um momento para o outro. A razão? Uma mentiu à outra (e consequentemente, a todas as outras pessoas à sua volta). Resultado? Talvez alguém se sinta um pouco arrependido por certas postagens exageradas no facebook, envolvendo super-felicidade (tal qual como se fosse possível ser eterna) e super-amizade. Coisa que, se existe (tal como o verdadeiro Amorrr), não é feita por cinco, dez, vinte, cinquenta anos de amizade. Mas sim por outros valores e condições, impossíveis de explicar em mais do que meia dúzia de palavras, mas mais visíveis ao nosso olhar do que nós possamos imaginar.

E se há um fator meu que eu não tenho é este. Preservo e estimo, com muito cuidado, todos os meus amigos (os verdadeiros e os da Máfia - ups, desculpem, não queria tocar neste assunto aqui num espaço tão infantil e idiossincrático. Peço desculpa,. garanto que não volta a acontecer!), mas há que ter cuidado com o que fazemos das nossas amizades. Daí, penso que o meu conceito de amizade advém daquele ideal antigo, oriundo de uma época já pré-histórica (até, basicamente, antes da invenção da internet - OK, digam que eu estou a exagerar, mas se há alguns jovens que dizem que o ano de 2007 já é muito antigo, os anos 80 serão o quê?), onde não existiam tecnologias nem tantos motivos para se levarem as coisas das amizades ao extremo. Nisto, sou muito de outra geração, para além de todas as outras coisas que mencionei, por acidente (ou nem tanto) ao longo deste post. Mas penso que, se eu fosse mesmo de outra geração, teria de ser de uma mistura de várias em simultâneo. Uma parte, em que estimo o saber antigo, outra, em que tenho alguma educação com os outros, outra ainda, a da curiosidade que tenho para com o que está fora do meu espaço... e tantas coisas mais!

Se sou de outra geração? É óbvio que não, mas que há coisas que eu tenho que a maioria dos outros "bacanos" da minha idade não têm, disso não tenho dúvidas. Gostava apenas que as pessoas com 17 anos (para cima ou para baixo, pouco importa - quero focar-me nesta faixa etária) abrissem mais os olhos e não se deixassem tanto influenciar por modas, padrões, ideias pré-formadas (não estou a falar dos temas polémicos - estou a falar das temáticas corriqueiras do dia-a-dia onde noto que falta haver alguma evolução mental por parte dos meus pares) e começassem a usar a cabeça, e não esperarem que a sopa esteja na mesa (ai que matáfora gastronómica mais linda!).

Poderão dizer que este texto não tem nexo, e não leva a qualquer tipo de reflexão ou significado. Digo-vos: pode ser verdade. Mas também esta crónica não pretende servir para ser criticada ou lida de uma forma analista e objetiva. É apenas um dos meus textos "experimentais" para ver como vai a minha escrita menos ligada à área do Cinema. Mas apenas gostava que, no fim de lerem este texto tão engonhante e palerma, que a malta jovem compreendesse que, por vezes, é preciso ter uma cabecinha mais aberta, mais culta, e sobretudo, mais inteligente. Que começassem a dar valor ao que realmente importa, e não, por exemplo às bebedeiras com o pessoal, e às amizades que, por terem sido consideradas demasiado preciosas para aquilo que eram na realidade, acabam por ter um desfecho repleto de desilusão.

Como Charlie Chaplin (olha! Uma referência para a imagem completamente aleatória que coloquei como ilustração deste post!) mostrava com a sua personagem do Vagabundo, a simplicidade, a humildade e a "originalidade" do ser humano, sobrepõem-se perante qualquer adversidade e qualquer situação que nos deixe mal. Assim, vamos ser nós próprios, abrir as portas da nossa imaginação para criarmos o nosso próprio "eu" (e não usar o da Maria, que tem as outras atrás dela - reinvenção de expressão popular) e destacarmo-nos do resto, tendo sempre curiosidade e espírito de iniciativa para fazermos coisas novas e diferentes do que toda a gente faz. É o meu apelo. Vamos a isso?

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