quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Charles Dickens e o verdadeiro significado do Natal


O meu problema com a literatura é muito simples: só leio o que mesmo me desperta a atenção num determinado momento. Contudo, quando encontro o livro que seja ideal para essa determinada altura (o que envolve diversas condições, entre as quais a forma como é escrito e a simbologia que as suas palavras transmitem), a sensação de vício e ultra-gosto pela leitura vem ao de cima. E ultimamente, peguei em dois ou três livros que comecei a ler, mas que não me despertaram de todo a curiosidade para continuar a fazê-lo (mas ficou lá a semente, um dia volto a tê-los na mesa de cabeceira). Contudo, anteontem à noite, decidi desarrumar «O Cântico de Natal», o famoso conto de Charles Dickens, e que eu considero a história de Natal por excelência e a minha peça literária de eleição que aborda a quadra.

Ao longo dos anos vi muitas versões televisivas e cinematográficas da obra de Dickens, e antes de ter começado a ler o livro, recordara-me de todos os elementos que captara do visionamento de todas essas versões (ou seja, já sabia a história de cor e salteado). Contudo, eu queria mesmo ler o livro, e o prazer que já tinha adiado há tanto tempo acabou por se concretizar há duas noites atrás, terminando na noite do dia seguinte. E digo-vos, que bem que eu fiz em ter escolhido «O Cântico de Natal»! É uma história tão bonita e tão simbólica para os dias de hoje que é impossível não se gostar dela. As personagens são tão características da sociedade atual, e os valores que elas têm (quer dizer, nisto é principalmente o senhor Ebenezer Scrooge, o idoso protagonista da história) são muito equiparáveis aos valores de cada um de nós.

De todas as adaptações do livro, penso que, após ter completado a leitura, a que captou melhor e mais inteligentemente a visão e o espírito da mensagem de Charles Dickens foi a versão animada mais recente, da Disney, com a voz de Jim Carrey e realizada por Robert Zemeckis. O filme segue mais à risca o livro, transpondo para o ecrã todos os pormenores e diálogos do livro sem perder nada em termos de credibilidade. Porque, se formos a ver bem, Dickens não pretende mostrar apenas a simbologia do percurso que cada um dos três Espíritos que Scrooge conhece - há todo um universo de metáforas e personagens que merecem ser descobertas. E por isso, recomendo que, antes de mais nada, lessem este livrinho. Vale muito a pena, e mesmo que saibam a história toda, vão ver que irão emocionar-se e rir-se com algumas partes que já conhecem por inteiro. Sempre fui admirador de Dickens, nunca tendo lido livros de sua autoria. «O Cântico de Natal» foi uma porta que se abriu para eu poder descobrir o seu universo literário complexo e imaginativo. E como estamos a chegar a Dezembro, nada melhor do que recordar uma das histórias que melhor retrata o espírito da quadra, sem recurso a Pai Natal ou fantasias de maior. A ler!

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