Planeta dos Estereótipos: A Origem

Estou cada vez mais convencido da veracidade da minha teoria pessoal (e transmissível, se vós vos identificardes com a mesma) de que os inúmeros estereótipos que  existem na nossa sociedade, e que versam sobre diversos temas, têm todos uma razão de ser. Um certo e determinado ser humano deste planeta teve, antes de criar uma ideia feita e fazê-la circular por todas as bocas possíveis, de presenciar algo ou conhecer alguém que fizesse com que essa ideia tivesse o seu quê de comum com a realidade. E algumas ideias deste calibre persistem durante tanto tempo, nas culturas das mais variadas populações, que só consigo imaginar duas razões possíveis (se houver mais alguma, façam o favor de relatar): ou a persistência dos estereótipos mostra a ignorância de quem continua a acreditar neles, ou pura e simplesmente, há provas (mesmo as mais pequenas possíveis) que ajudam a alimentar a crença nesse dado estereótipo. E era desta segunda hipotética hipótese que eu gostaria de versar mais algumas linhas nesta minha crónica.

E porquê abordar uma temática tão desprovida de interesse, mas que ao mesmo tempo suscita a atenção de qualquer tablóide sensacionalista de primeira categoria (que são, ou seja, os piores, os mais fofoqueiros e mais... ficcionais)?

A resposta é: porque sim. Porque às vezes, as pessoas tendem a criar certas opiniões de mim que têm a ver com o que pretendo falar neste post (a explicação para esta ocorrência ser-vos-á dada mais à frente) e porque tenho a sensação de conhecer algumas pessoas que fazem aquilo que sustenta a minha teoria sobre a ciência "estereotipal": parece-me que certos indivíduos (e indivíduas - pardon my french... é só para perceberem que se trata de uma questão comum a ambos os sexos) gostam de usar os estereótipos para moldarem a sua vida e poderem afirmar-se como alguém na sociedade, tornando-se uma espécie de marionetas manejadas pela hábil arte do diz-que-disse e da falsa mentira (sim, eu acho graça a este trocadilho), dando assim, suporte a que outras certas pessoas possam dar razão às suas ideias preconceituosas. E agora, analisemos a questão mais a fundo.

Eis então a explicação devida para as minhas preocupações no campo dos estereótipos. Eu não sou preconceituoso, com nada (ok, exceto pratos mal ou demasiado condimentados. Isso é aquela coisa...), mas há pessoas que, na sua perfeita ignorância e sentido de autoridade universal perante o resto do Mundo, gostam de o dizer para se poderem sentir um pouco mais superiores. 

O caso que irei relatar nas próximas linhas aconteceu muito recentemente (talvez seja demasiado atual para ser já "eternizado" na arte da escrita, mas vamos cá a ver), mas foi mais ou menos assim: Duas pessoas gostam muito de falar, nas aulas, de temáticas que nada têm a ver com as mesmas. Eu não tenho nada contra isso, aliás falem à vontade. Mas penso que há uma diferença em falar-se de um tema uma vez por outra e estar constantemente a bater na mesma tecla a toda a hora. A sério?! Aqueles dois não fazem mais nada na vida do que pensar naquilo (ah, e tenho de dizer, o tema em si contém muita obscenidade e perversidade à mistura)?! Ou então se gostam tanto de falar da mesma coisa, guardem para eles próprios, não precisam de falar alto para o resto da turma (até porque eu, nessa altura, estava devidamente ocupado a olhar para as linhas de uma folha nova acabada de inserir no meu dossier de estudo). Às tantas já estava um pouco maçado de ter de ouvir aquela conversa toda, e virei-me para eles e pedi-lhes apenas que falassem um pouco mais baixo (sabem, aquela frase, muito educada, que uma pessoa utiliza com o objetivo de pedir a outra - ou a outras, neste caso - que faça menos barulho, culminando na famosa sigla "S.F.F"? É essa mesmo). Daí, uma dessas duas pessoas disse que eu era uma pessoa fechada e defensora dos bons costumes. A minha reação perante isto: Quem usa temas de cariz sexual (chamemos as coisas pelos nomes) para se impôr junto dos outros e para poder tornar-se alguém no seu meio, tratam-se, com certeza, das pessoas mais deprimentes que o Mundo já teve a tristeza de conhecer. Ah, e parece que quem não pensa que essas temáticas são o Centro do Universo (meu caso, obviously), diz que é retrógrada e reacionário e o camandro. Ui, se eu sou reacionário, os nazis são o quê, pergunto-vos?

E isto, esta situação tremendamente idiota, o que é que faz acontecer? Alimenta o estereótipo de que todos os jovens são uns taradões de primeira, algo que é 90% mentira, mas que, se indivíduo tal pretender analisar a juventude através de casos como este, o resultado pode ser muito diferente. E porquê? Devido ao uso de um estereótipo recorrente da cultura popular! Mais ainda: uma dessas pessoas trata-se de alguém que é gay. Duplo estereótipo: os gays são pessoas que pensam em sexo a toda a hora e põem o sexo em tudo (neste caso, é quase assim. Se bem que eu já conheci mais pessoas com essa orientação sexual que não precisavam de dizer "Ei, olha para mim com atitudes bicha! Daí podes concluir que sou homossexual" nem fazerem as figuras tristes que essa dita figura do meu meio ambiente faz!). Continuem a alimentar estas ideias, continuem. Depois queixam-se e ficam ofendidos das paródias que os programas de humor fazem a certas personagens-tipo da sociedade portuguesa/americana/qualquer outra que tenha um programa que passe pelo nosso país. Depois ficam completamente humilhados por certos parodiantes conseguirem pegar nas coisas que veem à sua volta e transmiti-las de um modo humorista (sim, se os adolescentes e os gays, por exemplo, continuam a ser retratados daquelas formas que são visíveis em séries como «The Simpsons», «South Park» e «Family Guy», é porque ainda são atuais. Não interessa se o estereótipo é antigo ou novo, se é constantemente satirizado é porque se trata ainda de um caso recorrente e muito observável).

Isto é triste, mas de facto dava para fazer um sketch muito cómico e com uma elevada tendência para a ironia. Pessoas a usarem ideias comuns para mostrarem que têm uma certa atitude ou diferença dos demais seres que habitam este planeta azul? É muito triste, mas é a verdade. Entristece-me que as pessoas não sejam elas próprias de vez em quando. Não estou a dizer que não continuemos cínicos, arrogantes, orgulhosos, etc, mas chegar ao uso de estereótipos parece-me o facto mais idiota, mais hilariantemente estúpido, mais pythonamente absurdo, de todos os factos com complexos de idiotice que envolvam o envolvimento entre os seres humanos nos últimos tempos. OK, estou a ironizar, atenção! Mas acho que devemos todos observar, no nosso dia a dia, na escola ou no emprego, como a minha teoria repleta de idiossincrasias tem o seu quê de verdade. Também poderia agora deixar de escrever as coisas à minha maneira, como sempre fiz aqui no blog, e começar a falar das coisas que a malta gosta e ganhar um público muito alargado mas completamente desinteressado, e perder a pequena audiência muito personalizada, crítica e inteligente que fui conquistando ao longo de três anos e meio de existência deste estaminé. Só que perdoem-me, minhas senhoras e meus senhores, não vou cair no uso do estereótipo.


P.S - Já agora, aproveito para dizer como, nestas minhas crónicas, tenho revelado os meus dotes nessa arte que dá pelo nome de pegar num título de blockbuster de hollywood e reformulá-lo em algo completamente diferente. Nisto sou um completo génio!

Comentários

  1. E agora aplicando eu o meu preconceito, eu diria que vais no bom caminho de pensar pela tua cabeça e escreveres o que pensas tentando justificar o porquê e o como.

    Talvez ainda seja cedo para um calhamaço destes, mas a versão portuguesa para se ir dando "uma olhadela" não seja tão assustadora quanto a versão original e se faça luz (e mais questões) sobre muitas das coisas que dizes. Pierre Bourdieu. Começa a olhar para ele quando tiveres tempo ;)

    http://pt.scribd.com/doc/26294072/BOURDIEU-Pierre-A-distincao-critica-social-do-julgamento

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