domingo, 14 de outubro de 2012

Para Roma com Amor


Existe algo que me irrita profundamente em alguns críticos ditos "profissionais" na arte de bem/mal dizer coisas que envolvam a cultura, que é a maneira como se apegam a um dado artista e pensam que tudo o que ele faz tem de ser brilhante, excecional e que se torne algo que mude as suas vidas para sempre. Isso acontece frequentemente com Woody Allen, sempre que o mítico comediante/ator/realizador faça estrear um novo filme seu. «Para Roma Com Amor», a mais recente aposta do universo "Allenesco" não é uma obra prima, mas também não o pretende ser. Aliás, se muito crítico deixar de lhe fazer comparações a, por exemplo,  «Annie Hall» ou a «Meia Noite em Paris», que antecedeu este passado na capital de Itália, poderá constatar que temos aqui uma deliciosa, surpreendente e bonita comédia.  

Quero com isto dizer que «Para Roma com Amor» foi demasiado criticado não pelo seu conteúdo propriamente dito (atores, história, realização, etc), mas sim por ter o nome de Woody Allen lá metido, ou então por ser um bilhete postal demasiado bonito de Roma. Os italianos não devem querer é turistas lá... ó Senhor Woody Allen, não percebeu que os críticos romanos queriam uma história ambientada nas festas bonga-bonga de Silvio Berlusconi? Ao menos era mais real... Pelo amor de Deus, mas isto é uma comédia! E quando as pessoas deixam de ter argumentos válidos para dizer que não gostaram de um filme e começam com estas picuinhices, não vale a pena ligar, muito sinceramente.

É que, quem seja fã ou não do trabalho de Woody Allen, poderá encontrar em «Para Roma com Amor» um filme muito agradável e com muito mais engenho e entretenimento que muita fita que anda por aí em exibição. Poderão não gostar tanto como eu gostei, isso é certo, mas que este filme é mau, mas mesmo mau, isso não consigo perceber porquê. Daqui a pouco ainda o põem numa lista ao lado do «Plan 9 From Outer Space» (que, admito, pelo que eu vi não me pareceu tão mau como o pintam. É mau, mas não o mais mauzinho de todo o Cinema).

«Para Roma com Amor» conta várias histórias de pessoas completamente diferentes com um ponto em comum: estão todas em Roma a viver ou a passar uns tempos. Aí conhecemos personagens tão distintas como um banal indivíduo que, de um dia para o outro, ganha fama a nível nacional (uma espantosa crítica ao mediatismo das celebridades e de como a vida de uma pessoa muda ao ver que é famosa), um ex-produtor de ópera que pretende usar a voz do sogro da filha (que ouviu cantar maravilhosamente no duche - e que é um pretexto ideal para Woody Allen brincar com uma das ideias-feitas mais antigas que existem), um jovem rapaz estudante de arquitetura que conhece um antigo morador da cidade (e conceituado arquiteto) e que o guia, de uma forma surreal, pelos dilemas amorosos que têm muito a ver com a sua juventude, e por fim, um casal que se vê separado por razões completamente banais, mas que lhes faz mudar a forma como veem o próprio amor que têm um pelo outro. Todas estas histórias funcionam e estão muito bem escritas, interpretadas e realizadas, mostrando que Woody Allen ainda tem muito para dar nos seus filmes.

Por vezes as pessoas esquecem-se de olhar para os filmes de um dado realizador como devem ser olhados  e, se se der o caso de não gostarem desse realizador, aproveitam para espezinhá-lo o mais possível (mesmo que o filme seja, efetivamente, bom). Ou então acontece a situação exatamente oposta. Por exemplo, na minha opinião, Woody Allen tem em mim o mesmo efeito que Manoel de Oliveira tem para alguns críticos (como o João Lopes, por exemplo): gosto de todos os filmes, mesmo dos que vão saindo mais recentemente! Já vi vinte filmes de Woody Allen e sempre saí satisfeito. E «Para Roma com Amor» é um inteligente filme (com muitas razões para se poder soltar umas quantas gargalhadas) sobre as relações humanas e, mais propriamente, o amor, através do único e inconfundível estilo de Woody Allen.  Vão ver o filme, porque além de ser, com certeza, melhor que 90% de tudo o que andará nas salas durante esta semana, é uma autêntica jóia que deve ser devidamente apreciada (ou detestada) não dando atenção às opiniões dos críticos - ou de pessoas mais amadoras e com menos experiência, como é o meu caso! Mas eu saí do cinema muito surpreendido, porque «Para Roma com Amor» foi um filme que, para além de me ter dado motivos para continuar o dia mais bem disposto e com um sorriso de orelha a orelha, é uma autêntica jóia e que me deixou completamente maravilhado. Só mesmo Woody Allen para me fazer sentir completamente novo com a magia da sua visão do Cinema!

Nota: * * * * 1/2

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