O esférico não está a rolar sobre a relva... ou então está e sou eu que não o apanho

Confesso (pela centésima-milésima vez): se há desporto que não gosto de jogar (pelo menos, em aulas de Educação Física... tive uma hoje e bem que podia ter chovido mais cedo, poupava-me o martírio de ter de usar os meus pés e tentar ir atrás de uma bola - sem sucesso, obviamente...) é o futebol. 
Lembrar-me do que se passou há pouco nos poucos minutos em que estivemos a praticar o desporto com mais adeptos no nosso Portugalinho pequenininho e muito, mas muito, sacanazinho, recordou-me de duas coisas: primeira, de uma série áudio que tinha feito para o blog há uns tempos, «O Programa do Mal Dizer», um projeto de algum êxito (se pensarmos em blogs que são vistos diariamente por uma ou duas pessoas, é giro saber que pelo menos umas quarenta ouviam este programa todas as semanas... onde é que elas iam buscar os programas então? Hum... mais vale deixar essa pergunta e respetiva resposta no segredo dos Deuses). O primeiro episódio dessa "ambiciosa" série (que pretendia, todas as semanas, abordar/ mal dizer um dado tema, entrevistar uma personagem repleta de idiotice e culminar com uma ou duas rúbricas também muito apalermadas) versou sobre o futebol. Por acaso não tenho o episódio em mãos. O megaupload, servidor onde ia, semanalmente, postando os capítulos do meu programa, fechou, e o senhor com muito excesso de peso que era o seu fundador deve estar agora a comer nachos para se consolar (ou então, como li numa piada que saiu na altura desta polémica ter surgido, está a fazer mais uploads que downloads...), daí os episódios deste programa não estarem mais disponíveis no circuito "internetal" e apenas num outro computador que está por aqui por casa.
Mas falando do episódio em si, não me recordo muito bem do mesmo (lembro-me do início, em que fiz uma voz de apresentação do mais estúpido que me lembrei na altura - achava que tinha jeito para as imitações, naquele, tão longínquo!, ano de... 2010). Mas sei que dizia coisas idênticas sobre o futebol que coincidem com o que penso hoje sobre o mesmo: há demasiado fanatismo e popularidade em volta dele... e eu continuo a jogar mal, horrivelmente, pessimamente, nas aulas de Educação Física.
A segunda coisa que me lembrei foi de um post que, há quase um ano (pensei que tivesse sido há mais tempo) publiquei neste espaço amendoeiro. Esse texto, com o singular nome de «O esférico rolando sobre o alcatrão - a tenebrosa relação de Rui Alves de Sousa com o futebol» segue a mesma linha de pensamento. Continuo um frangalho a jogar à bola. Só com o meu sobrinho é que conseguiria ter uma positiva nesse dito desporto (mas coitadinho... seria muito injusto visto que eu tenho mais dez anos do que ele. Mas só dessa maneira é que conseguia vingar no desporto, o que mostra o meu graaande talento para o mesmo), o que me faz pensar que, às vezes, faria melhor ao mundo se me atirasse neste momento da janela da sala. É o que eu vou fazer.

OK, esqueçam, está mau tempo lá fora e não estou p'ra me atirar para causar mais estragos. O sangue e isso.

Bom, continuando este périplo futebolístico. O que eu pretendo apenas voltar a abordar, depois deste parlapiê todo sem nexo, é a maneira fanática (e por vezes violenta) como as pessoas levam o futebol. Há crise, sim senhora, pode não haver dinheiro para ter pão em cima da mesa, mas o estádio da Luz vai estar sempre cheio. E quem diz Luz, diz Sporting e diz Dragão. Os outros, depende das partidas. Mas quando é o clube da aldeia a ir jogar, pelo menos toda a população em peso vai estar no estádio a ver a partida. O problema é que como são tão poucos não conseguem esgotar a bilheteira do estabelecimento.
Enfim, é como nas tais aulas de Educação Física. Quase nunca fazemos futebol, e o desporto não se encontra nos que fazem parte da nossa avaliação. Mas é giro ver como as pessoas ficam mais histéricas, ridículas e insuportáveis quando é o jogo de chutar a bola que é escolhido para ser praticado na aula. Eu sei que jogo mal, mas calma aí!, não precisam de me gritar. Já é incomodativo ouvir a estranha voz da minha consciência a gritar-me desalmadamente sempre que falho um passe, quanto mais a peixeirada dos outros... É giro porque, com os outros desportos, que são valiosos para a nossa nota, está-se tudo a marimbar e fazem tudo sem qualquer tipo de preocupação. Mas quando é o futebol, ui! Isso nem se fala! Parece que as pessoas mudam de personalidade quando vêem a bola a rolar no chão. E isso até que é giro... se isto se tratasse da gravação de um documentário da BBC (narrado, claro está, por Sir David Attenborough) sobre a sobrevivência dos animais em situações de perigo. Só que há duas coisas: somos seres humanos (e por isso, mais racionais), e depois, o futebol não é uma situação de perigo! Aliás, acrescento: só há perigo é quando, em campo, se envolvem caneladas, encontrões, e mais adiante, pancadaria da grossa, digna de um  novo filme (com dez sequelas garantidas) protagonizado por Chuck Norris. Lembro-me de uma vez passar na RTP Memória e estar a acabar a transmissão de um jogo, estava tudo calmo, o locutor diz «Obrigado e boa noite» e a câmara fica, imóvel, a filmar dois dirigentes de clubes a baterem-se com cadeiras e tudo. Qual «Casa dos Segredos», qual «Toca a Mexer», qual quê, a ação a sério está não na bola, mas no que está à volta dela, nos jogos de futebol. Os adeptos também são outro grande exemplo de fanatismo digno do maior extremismo possível (só faltam bombistas suicidas e o camandro...). Berram, bebem uma cerveja, partem umas coisas, bebem mais uma cerveja, apedrejam adeptos de outro clube, e "hop! Vou mas é beber uma mine!, aparecem na televisão, mais uma mine para descontrair, e depois batem nos familiares e vão dormir algumas horas (com a mine sempre à mão, não vá dar a sede a meio da noite ao menino...). E jogar futebol com os meus colegas fez-me lembrar todas estas imagens parvas e repletas com (apenas algum) non-sense? Sim. São casos diferentes, mas o fanatismo e o exagero na histeria (ah, e as caneladas) que, penso, são as coisas mais importantes em termos de problemas do desporto, são totalmente idênticas. Só falta é que cada um de nós comece a ganhar, pelo menos, um milhão de euros por ano pelos nossos joguinhos.
E assim vai o mundo, e o mundo do futebol. E mesmo a propósito, os noticiários, enquanto estava a escrever este post, fizeram todos o seu tempo diário dedicado exclusivamente ao futebol e todas as idiossincrasias (às vezes ocupam mais tempo com esse desporto nos programas do que com o resto). Mas vamos mas é ser todos amigos, jogar com calma e sem stress, que a vida só tem dois dias. E enquanto as pessoas não chegarem a essa conclusão, sempre tenho o meu sobrinho para me lembrar que sou só 99% mau a jogar futebol.

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