sexta-feira, 19 de outubro de 2012

My Darling Clementine - A Paixão dos Fortes


Estive de regresso, mais uma vez, ao mundo do Velho Oeste com mais um volume da extensa obra do género do realizador John Ford, «My Darling Clementine», em português «A Paixão dos Fortes». Eu costumo abordar os filmes mencionando sempre a tradução lusa, mas desta vez gostei tanto do título original desta grande fita que decidi, numa medida de exceção, quebrar a regra e utilizar o título americano. É que é uma expressão que me ficou na cabeça e que acho que condiz muito bem com o filme em si. Mas prossigamos...

«My Darling Clementine» começa de uma forma grandiosa. Ouvimos uma melodia muito conhecida do cancioneiro norte-americano, uma música que ilustra um povo, suas ideias e suas perspetivas de vida. A música em questão é a que dá título ao filme de Ford, e mesmo a propósito, visto que se fala de uma moça com esse nome (cujo envolvimento na ação da obra será explicada algumas linhas à frente). A cantiga em si, tanto como a letra que é cantada na mesma, mostram o que poderá o espetador esperar na hora e meia que se seguirá: logo nessa parte inicial dos créditos damos logo pelas imagens grandiosas das paisagens à boa maneira que só John Ford consegue passar para o ecrã, através de técnicas magníficas que me fizeram querer, por instantes, ter um ecrã com muitos metros de comprimento na minha sala de estar. Assim sabemos que nos espera uma história que não só pretende glorificar e abordar temas que fazem a História dos EUA e da sua formação, como também mostrar uma grande história que transmite grandes valores para a vida de todos nós, como a família, o amorrr (o triplo "r" é propositado) e a amizade, mesmo que envolva um bandido dos da pior espécie.

O filme pega nessa lendária figura que dá pelo nome de Wyatt Earp (digamos, em resumo, que era um herói como deve ser) e da sua história de vida, marcada por um famoso tiroteio em O.K Curral. Devo dizer que já conhecia mais ou menos a história desta personagem que, com certeza, tem um lugar de topo na mitologia do "far-west", graças a um álbum do Lucky Luke que, em tempos, tinha lido e  cujo título era precisamente "O.K. Curral". Mas o que é bom em «My Darling Clementine» é que, ao contrário de outros tantos remakes cinematográficos da história de Wyatt Earp, o filme não se foca tanto na cena de pistoladas de O.K. Curral mas permite-nos conhecer toda a vida da cidade em que Earp e os irmãos se instalam, depois do assassinato de um deles. Aí, Earp vai conhecer John "Doc" Holliday (não sei porquê, adoro o facto de os americanos porem as suas alcunhas no meio dos nomes, pelo menos dos filmes. Não me perguntem a razão desta minha adoração, e sigamos em frente), um patifório que depois se vai tornar amigo dele. 

John Ford não faz, com «My Darling Clementine», um western mais violento e cliché, mas sim uma história mais ritmada, sem necessitar tanto da música como em, por exemplo, «A Desaparecida», e que pauta pela simplicidade e por uma história mais humana e atual, em certos aspetos, aos nossos dias. Essa é a grande virtude deste filme cujo visionamento voa num instante e que nos faz sentir a chama do grande talento de todo o elenco, em especial de Henry Fonda - que interpreta Wyatt Earp -, um autêntico Senhor na Arte de Representar e que mostra, constantemente, ser um ator mais multifacetado do que possa aparentar. Gostei um pouco mais de «My Darling Clementine» do que do muito conceituado «A Desaparecida», mas penso que não se deve fazer comparações: são os dois grandes filmes, que não constariam da minha lista pessoal dos melhores filmes que já me passaram pela vista, mas cujo visionamento é merecedor e diria que é mesmo obrigatório. Porque o Cinema não se faz só de filmes excelentes e magnânimes, e encontrar pérolas como «My Darling Clementine» é um maravilhoso achado para quem gosta e se interessa pela Sétima Arte.

Nota: * * * * 1/2

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