sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Martin Scorsese e a Arte de Filmar nos EUA


Enquanto a minha mente fervilha para descobrir quais as palavras mais apropriadas a usar para escrever uma crítica sobre o único filme que me falta, neste momento,... criticar (e reparem: já o vi há quase duas semanas e mesmo assim ainda não cheguei a nenhuma conclusão), aproveitei para deitar as mãos a este precioso achado documental sobre a história da cinematografia americana: «Uma Viagem com Martin Scorsese Pelo Cinema Americano». Criado a pedido do BFI (British Film Institute) para se assinalar o primeiro centenário do nascimento da Sétima Arte, o já lendário realizador americano revisita, num documentário em três partes, as fitas, as histórias, os atores e os realizadores que, na sua sincera opinião, revolucionaram e fizeram a História do Cinema Americano.

Scorsese é um dos realizadores e uma das figuras do mundo do Cinema que mais admiro e estimo. E arrisco-me a dizê-lo, sem qualquer tipo de receio, que é das pessoas mais interessantes dentro do meio na atualidade, e das poucas que consegue falar sobre a sua arte e as suas convicções dentro da mesma de uma maneira fluída, atrativa e abrangente a todos os públicos. A sua voz  cordial e a sua postura muito humilde e familiar (parece uma espécie de nosso parente cujo maior divertimento é contar histórias sobre aquilo que é a sua vida - e neste caso, é a Sétima Arte) prenderam-me, desde o princípio, a ver as três horas e meia que constituem esta sua viagem pessoal. É quase como que uma aula, ou dira mesmo mais, uma espécie de curso televisivo para os curiosos sobre os pormenores do Cinema, sobre o que levou realizador tal a filmar uma certa cena daquela maneira tão peculiar, sobre as opiniões de alguns dos mais conceituados ícones da indústria cinematográfica dos EUA.

Cada uma das três partes deste documentário passa num instante. Ouvir Scorsese a falar sobre a sua maior paixão fez-me diversas vezes lembrar dos grandes comunicadores televisivos, que não precisavam de grandes efeitos especiais ou popularismos para se fazerem ouvir. Sentavam-se, falavam, e as pessoas gostavam, ouviam-nos atentamente e seguiam-nos como verdadeiros gurus da filosofia da época. E hoje há poucas pessoas assim. Scorsese é um realizador bastante versátil que conseguiu impôr-se no meio americano durante muito tempo fazendo sempre projetos interessantes e que nunca deixaram alguém indiferente. Basta falar em «Taxi Driver», «Touro Enraivecido» ou «Tudo Bons Rapazes» para comprovar isso. E ver a importância que Scorsese dá aos seus grandes gurus, impulsionadores a que este grande indivíduo quisesse seguir carreira no Cinema, mostra ainda mais o respeito que tem pela arte que muitos grandes realizadores fizeram e que, injustamente, foi apagada pelos mecanismos infernais da passagem do tempo. Aliás, Scorsese fundou uma instituição que pretende preservar grandes obras cinematográficas ou até mesmo resgatá-las do esquecimento. Um exemplar caso é o da "reconstrução" da duração original do épico de Sergio Leone «Era Uma Vez na América», exibido no último festival de Cannes e que mostrou ter conseguido recuperar muitas cenas do filme que Leone teve de cortar para agradar aos distribuidores.

«Uma Viagem com Martin Scorsese Pelo Cinema Americano» pretende ser uma porta aberta à compreensão da Sétima Arte e das mentes inovadoras e incrivelmente criativas dos mais talentosos realizadores americanos (ou que emigraram para a América), quer pelos estudiosos na matéria ou por pessoas que querem apenas expandir os seus conhecimentos sobre a ciência da câmara de filmar. Este documentário é um must e deveria servir como guia de estudo nas escolas de cinema!

Nota: * * * * *

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