A Vida Não É Bela (se metermos o saca-rolhas ao barulho...)


Observem atentamente as duas imagens e descubram as semelhanças. Não descobriram quais são? Eu revelo-vos a resposta: não há QUALQUER tipo de semelhança! Mas há quem queira insistir que sim...

O passado dia 5 de outubro foi abundante em acontecimentos nas mais diversas áreas de interesse que o jornalismo aborda diariamente. Começámos bem com o Aníbal a pensar que estava naquele país imaginário que dá pelo nome de Lagutorp (vejam lá se conseguem descobrir a piada ultra-inteligente deste trocadilho) quando lhe pediram para hastear a bandeira; depois houve a notícia do falecimento de Margarida Marante, jornalista portuguesa de 53 anos; soube-se também que Sá Pinto não continuará a treinar o Sporting nas derrotas partidas desportivas em que o clube participará nos próximos tempos; por fim (e estas são apenas as ocorrências de que me lembro, de todo o manancial de informação que ontem me passou pelos olhos) houve tempo para as televisões, repetidamente, recordarem os espetadores que o  ontem foi a última vez que vimos o dia da Implantação da República como feriado nacional. Para o ano já ninguém poderá descansar durante o 5 de outubro, através do auxílio de um bom cafézinho e de um par de pantufas. Aliás, poder podem, que em 2013 este dia calha a um sábado... mas não nos afastemos, por favor, do essencial desta crónica.

Mas além de todas as informações que referi acima (e com o seu elevado grau de importãncia nas diversas áreas que representam - Margarida Marante no jornalismo, Sá Pinto no desporto, e a bandeira na... no baú dos tesourinhos deprimentes), uma chamou-me a atenção para despertar, de novo, a maledicência alheia e a parvoíce que caracterizam a escrita blogueira destes meus textinhos. Chegara, então, de novo a hora de dar asas à idiotice e dissertar sobre uma certa temática. E aqui estou eu. E o tema desta crónica é o facto do advogado de Renato Seabra (sim, o homem do saca-rolhas - epíteto que, confesso, poderia assemelhar-se ao título de um hipotético telefilme barato da SIC Radical) ter dito, para os senhores jornalistas, que a justificação da sua teoria de que o dito cujo não bate bem da bola reside numa frase retirada (isso mesmo!) do belíssimo filme «A Vida É Bela», de e com Roberto Benigni.

Ou seja, a prova dada pelo senhor advogado americano é tão válida como se um mafioso justificasse os males que fez à sociedade pela frase retirada de «O Padrinho Parte II»: My father always said: Keep your friends close but your enemies closer. Sim, assim o dito mafioso pode-se safar dizendo que o facto de ter cometido todos os crimes de que foi acusado deveu-se à influência negativa do seu Pai. E o júri aplaude a referência cultural e decide soltar o bandidozinho cá p'ra fora. É assim que funciona a justiça: quem sabe mais frases de filmes, arrisca-se a... ser bem sucedido e nunca ir para trás das grades.

OK, estou apenas a exagerar, como costumo sempre fazer, mas sou a única pessoa a achar patético que a defesa de Renato Seabra justifique a sua teoria com a frase de um filme que - pasme-se - nada tem a ver com o caso? Não metam o senhor Benigni ao barulho, que ele não merece... entre um indivíduo que se apaixona por uma princesa e que tenta salvar o filho dos horrores do Holocausto, e outro indivíduo que ficou famoso derivado a um cronista social e um saca-rolhas... há que fazer as suas devidas separações. 

Hoje não consegui fazer uma crónica testamental. É pena, porque essa era a minha ideia inicial. Mas estou a ver que este caso é tão idiota que nem a minha própria idiotice conseguiu gerar alguma coisa de pouco interessante que fosse maior que o que ficou aqui apresentado. Mas enfim, fica apenas a ideia: não confundam a realidade com os filmes. É capaz de dar asneira... pelo menos dava quando eu era mais novo. Mas mesmo assim... não vale a pena. E este post foi tão fraquinho que eu só merecia atirar-me agora da janela. Mas não o vou fazer. Aliás, porque tenho uma citação que comprova isto: Suja muito, e depois é preciso limpar. E isto não é de nenhum filme. É só o que alguém, com certeza, diria se eu agora cometesse esse ato suicida. Por isso, voltem às vossas vidas que eu cá continuo no meu cantinho com os meus disparates. Ora com licença.

Comentários