Vertigo - A Mulher que Viveu Duas Vezes



«Vertigo» (em português traduzido por «A Mulher que Viveu Duas Vezes», um título que parece que tem gosto em estragar-nos a visualização desta obra-prima) é um dos filmes mais conhecidos e estimados de Alfred Hitchcock, que agora anda nas bocas do mundo por ter substituído o intemporal «Citizen Kane» no topo de uma das mais conceituadas listas que, de dez em dez anos, vai averiguar qual é, para críticos e realizadores de cinema, o melhor filme de todos os tempos. Não obstante este facto, tive desde logo uma grande curiosidade para ver o filme.

Mas durante algum tempo tive dúvidas de que se Hitchcock me iria fascinar mesmo com este filme ou não, já que com outros filmes dele, a chama não foi aquela intensa, de nos fazer ficar de boca aberta e espantados com o que nos está a passar diante dos olhos. Falo, precisamente, em «Intriga Internacional» (apesar de ter gostado bastante do filme, não o punha entre os melhores filmes jamais feitos, como já vi em muitas listas espalhadas nos recantos da internet), e «Psycho» (OK, já vi este filme há uns anos. Aliás, nem o vi todo. Só consegui ver até à famosa cena do duche, mas de resto o filme não me estava a prender. Talvez tenha de fazer um novo visionamento, e desta vez integral). Mas, depois de ter visto «Vertigo», terei todas as dúvidas: ainda há razões para continuar a descobrir o Mestre do Suspense.

Aliás, só «Vertigo» dá todas as justificações possíveis e imaginárias para este epíteto criado pelos media e pelos críticos ao longo do tempo: é impossível não nos sentirmos assustados ou pressionados com algumas cenas da ação do filme auxiliadas por uma hábil realização de Alfred Hitchcock, combinada com uma poderosa banda sonora que nos faz sentir tudo e mais alguma coisa e que auxilia ao “terror” das cenas mais importantes de «Vertigo», mas também ao romantismo entre John Ferguson e Madeleine Elster. A combinação destes dois elementos, adicionando as grandes interpretações de todo o elenco (mas com atenção especial ao magnífico James Stewart e à versátil Kim Novak) cria uma junção de mestria e ilusão tão brilhante e cativante como poucos conseguem fazer hoje em dia. 

Teria dificuldade em escolher “um” melhor filme de todos os tempos. Já tive oportunidade de ver muitos e bons filmes que, com certeza, teria de pôr na primeira posição. Era mais provável ter mais filmes no primeiro lugar da minha lista pessoal que o número total de posições que consideraria ao executá-la. Mas não tenho dúvidas que «Vertigo» estaria entre os muitos filmes arrumados no número 1 da tabela. E consigo perceber o porquê de ser tão popular: porque além de ser um grande filme, é uma das histórias de Hitchcock que, apesar de constantemente imitada e plagiada, não perdeu um pingo de credibilidade passados mais de cinquenta anos após a sua estreia original. E isto sim, é algo de louvar!

Nota: * * * * * 

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