segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Os dois grandes álbuns do GNR (ou como mostro que sou um indivíduo que, tal como a maioria dos seres humanos, gosta de música)

Talvez vá afirmar aqui algo que muitos poderão considerar heresia, mas tenho de o dizer. Para mim, os GNR são a melhor banda portuguesa de sempre. «E os Xutos, hein?», perguntam as vozes que ouvem na vossa cabeça quando leem coisas. Os Xutos e Pontapés são, sim senhora, também uma grande referência para mim, ao nível do que de melhor se fez na música portuguesa e que eu pude ouvir ao longo de dezassete anos de presença no planeta Terra. Mas os GNR são "aquela coisa". Talvez não fosse muito convicto se planeasse ouvir um álbum inteiro dos Xutos. Não é por mal, mas apesar de gostar muito das músicas deles, de momento não sou um ultra-mega-fã. Sou só um fã, como qualquer português tem o direito de ser. OK, à exceção das pessoas que os chamam de lixo musical. Tinha-me esquecido de vocês, desculpem.

Mas de momento, a banda portuguesa que mais me diz é o Grupo Novo Rock (seguidos muito muito de perto pelos Virgem Suta), e muito por culpa de dois discos deles que gosto bastante, e que talvez sejam, porventura, os mais conhecidos e admirados da banda: «Psicopátria» (de 1986) e «Rock in Rio Douro» (de 1992). Gosto da surrealidade das letras de Rui Reininho, gosto da combinação fascinante dos instrumentos que se verifica em grande parte das músicas desta malta, e gosto do facto de mexerem muito comigo!


Por exemplo, há pouco estive a ouvir, durante uns trinta minutos, a mesma música: «Pós-Modernos», a abertura do disco «Psicopátria». É daqueles momentos raros em que o fascínio de uma melodia e de um ritmo nos faz ficar viciados naquelas notas e naquela letra em específico. E aconteceu-me com aquela música, durante aquela meia hora (e talvez ainda volte a re-ouvir a música mais vezes hoje - mas com precaução, para não exagerar e estragar a qualidade da mesma). Pus o álbum a tocar, e uma pessoa tinha de ser logo bombardeada por esta primeira música, uma autêntica explosão de pop e surrealismo como nunca antes se viu na música portuguesa. A música, ao iniciar-se, começa numa onda mais simples (e a forma como são cantadas as primeiras palavras proferidas por Reininho pode parecer não auspiciar grande feito), mas vale a pena ouvir mais uns segundinhos para se ficar completamente boquiaberto com a qualidade e a conjunção dos intrumentos que estão envolvidos nisto! E se for possível, aconselho ouvir a música num volume consideravelmente alto e numa boa aparelhagem. É por estas pequenas coisas de som que ainda considero revelante comprar-se discos e não ouvi-los sempre nos auscultadores. A música precisa de estar "solta" desta maneira, para melhor funcionar melhor (e «Pós-Modernos» é uma das melhores provas para se testar a qualidade de uma aparalhagem, acreditem!). E este álbum contém outras músicas espetaculares (ai que ainda me custa escrever com o raio do acordo ortográfico, apesar de fazer isto há quase um ano) como «Bellevue» e o «Efectivamente» (sim, o título é assim, por isso não tiro o "c", desculpem), as duas mais conhecidas do álbum e duas das mais conhecidas do grupo (e que as rádios, de quando em vez, gostam de dissecar até que o sumo do sucesso se acabe de vez), mas todas as onze faixas de «Psicopátria» valem a pena. Desde o «Pós-Modernos» a «Ao Soldado Desconfiado», passando pelo «Choque Frontal» e o instrumental «Coimbra B». Para mim, é um dos dois melhores discos dos GNR, entre os poucos que ouvi (e sei que ainda me falta muita coisa boa para ouvir).


E ao mesmo nível deste está, na minha opinião, o ultra-sucesso «Rock In Rio Douro», povoado de êxitos extrondosos que são a imagem de marca dos GNR. «Sangue Oculto», a maravilhosa composição com ares de épica, cantada em duo com Javier Andreu, abre o disco e deixa logo qualquer pessoa convencida. Depois, duas faixas adiante, outro grande "hit" dos GNR, outro dueto (desta vez com Isabel Silvestre), «Pronúncia do Norte» (uma das músicas mais marcantes dos GNR para a minha pessoa), mais uma grande música que faz parte do imaginário coletivo de ouvintes de várias idades. Mas antes deste dueto, somos presenteados com uma fantástica música (menos conhecida, mas não menos boa) «Quando o Telephone Pecca», um exercício de pop-rock muito interessante e que não consegue sair do ouvido. Depois ainda há «Ana Lee» (aquela moça que, se se pusesse vestidinha - reza a lenda - parecia logo uma princesinha num trono de jasmim) e a música obrigatória para todos os menores de idade (embora a letra volte a ser do mais surreal possível), «Sub-16». E outras músicas mais. É outro "magnum-opus" dos GNR, que vale a sua audição (e aconselha-se a repetição da mesma!) e que está muito, muito perto da perfeição.

E assim se fez grandes peças da música portuguesa. Aconselho a descoberta destes dois álbuns, ou doutros dos GNR (mesmo os que eu não tenha ouvido - as opiniões são bem vindas), ou doutros de bandas nacionais. Vale a pena valorizar muito a música portuguesa. Aliás, é das únicas coisas que eu, como português, me sinto bem em apoiar, porque não é só pelo patriotismo, mas também porque se trata de algo que é bom e que tem muita qualidade lá metida. Sejam um GNR, e ouçam boa música!

2 comentários:

  1. Sem desmerecer o "Rock in rio Douro", pelo contrário, mas não posso deixar de fazer a apologia ao "Companhia das Índias" do Rui Reininho a solo. A excentricidade dos arranjos e a sofisticação das letras subiram vários degraus em relação a estes álbuns dos anos 80 e 90... Quem procura (re)-descobrir o Pop Português não pode deixar de lado esta referência, quanto a mim, incontornável, até pelo gozo enorme que é descobrir referências desconcertantes a outras músicas, artistas e letras e perplexidades no manuseio da prosódia e da melodia. Just my 2 cents.

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  2. Ainda não ouvi esse disco, daí não posso ter uma opinião sobre ele :) mas fiquei interessado. Lembro-me de ver um videoclip com a versão do «Bem Bom» das Doce.

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