O Veredicto


A justiça tem, como todos sabemos, os seus inúmeros e aparentemente insolucionáveis problemas. Tanto a corrupção de alguns dos elementos cruciais de cada julgamento, como a veracidade dos veredictos tomados quer pelo júri (no caso do sistema judicial norte-americano) quer pelo juiz (no caso português) são dois dos mais discutidos e problemáticos temas que rondam a ideia que cada um tem do que é a verdadeira justiça.
«O Veredicto», uma pérola assinada por Sidney Lumet e protagonizada por Paul Newman (um dos mais icónicos e míticos atores da História do Cinema) pega nestes dois temas e, com o inconfundível estilo Lumetiano, chega-nos uma história de lealdade aos princípios que cada um defende e o significado da Justiça... justa, e igual para todos.

«O Veredicto» é um grande filme cuja temática pode ser equiparável à situação da Justiça no presente e nos tempos que se avizinham. Abundam os casos que, em Portugal ou no estrangeiro, demonstram verdadeiras falhas jurídicas, quer o arguido seja culpado ou inocente. Há casos de situações que nenhum de nós consegue perceber onde acaba a realidade e quando inicia a ficção, dada a falta de profissionalismo e bom senso com que muitos casos jurídicos são tratados e abordados. E tal como no princípio dos anos 80, quando o filme estreou, como hoje, em finais do ano de 2012, uma coisa nunca mudou (e citando Padre António Vieira): os Grandes nunca deixaram de comer os Pequenos, quer pela corrupção, pela injustiça ou por outras medidas mais ou menos maldosas que põem a verdadeira Justiça de um lado e os interesses de um grupo económico de outro.

Sidney Lumet volta a filmar, como ninguém, as grandes preocupações sociais e políticas da Humanidade, com a história de um advogado posto de parte na sua profissão e que se vê a braços com um grande caso que poderá pôr em causa a viabilidade de uma grande Instituição, de diversas grandes empresas e de conceituados nomes da medicina e da sociedade americana. Frank Galvin, a personagem de Paul Newman, além de querer, a todo o custo, ganhar o caso (porque aliás, é esse o seu trabalho), consegue perceber, à medida que a investigação se desenvolve, que tem uma grande tarefa em mãos e que a sua ação é muito importante para levar de uma vez a Verdade ao de cima. Num thriller que passa num ápice e que nos deixa completamente agarrados à cadeira (ou ao sofá, à poltrona... seja o que for) seguimos as pistas que Galvin descobre e compreendemos também as emoções das personagens e das testemunhas que pretendem abordar para conseguirem levar a sua avante, e encaixamos todas as peças até chegarmos ao grande final, com o julgamento derradeiro e que põe, nas mãos do júri, a decisão final e que põe término a toda aquela história. Não estou a divulgar spoilers, porque provavelmente sabem que todos os grandes filmes envolvendo advogados acabam numa cena de tribunal, mas garanto-vos que não estou a estragar a hipotética experiência de verem «O Veredicto». O filme vale por cada minuto da sua duração. As interpretações de todo o elenco (com Paul Newman em estado de graça), o fantástico argumento da autoria do mítico David Mamet e a competente realização de Sidney Lumet dão a «O Veredicto» um filme com um grande poder social, capaz de mudar mentalidades e questionar-nos sobre o estado da justiça no Mundo.

Nota: * * * * 1/2

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