sábado, 1 de setembro de 2012

O Jantar de Palermas

A França é o único país europeu que tem uma indústria cinematográfica propriamente definida e lucrativa, e daí, pôde-se servir desses bónus para criar filmes que ao mesmo tempo são blockbusters, mas que têm também muito bom gosto. Além disso, a França sempre apostou muito na comédia cinematográfica, um género em que também reina a nível europeu (muito derivado do factor económico apresentado), onde conseguiu impôr o seu estilo muito próprio, muito europeu, e que se inspira muitas vezes no tradicional modelo da comédia de enganos, também denominada de farsa. França tem produzido, nos últimos anos, muitas (e boas) comédias que seriam alvo de culto e admiração por espetadores de diversos países, e tiveram uma popularidade tão grande que muitas delas foram aproveitadas pelos americanos para estes fazerem os seus (fraquinhos) remakes. 
«O Jantar de Palermas» é um dos casos mais significativos e emblemáticos do grande sucesso da comédia à la França. Foi alvo de um remake, que nem pretendo ver (apesar de ter um grande ator cómico no elenco, Steve Carrell) porque este é um dos casos em que o original vale completamente por si mesmo. Está tão bem executado, está tão bem escrito, está tão bem interpretado e está tão hilariante, que é impossível que os americanos tenham feito um melhor trabalho.
Esta comédia não precisa de grandes cenários, não precisa de uma história bizarra e repleta de nonsense para conseguir ser aclamada como uma das melhores de sempre do continente europeu. «O Jantar de Palermas» passa-se quase unicamente na casa de Pierre Brochant, um parvónio ricaço que "contrata" o coitado senhor François Pignon para seu convidado num jantar de palermas, onde cada um dos presentes traz um convidado ridículo para poderem gozar dele. Sim, a brincadeira é de todo infantil, o que mostra que estes milionários não são grande peça a nível humano, e que o "palerma" mostra ser uma pessoa muito mais simpática e afável do que eles. Apesar de nos fazer rir bastante com todos os disparates que vai fazendo ao longo da noite em que está na casa de Pierre, conseguimos identificar-nos mais com ele do que com a pessoa que pensa que tem uma vida melhor e que é alguém de jeito nesta nossa sociedade. Toda a vivacidade do filme está nas suas personagens e no seu enredo, carregado de grandes situações cronometradas com um timing perfeito e que tornam esta comédia um grande visionamento e um grande festim de gargalhadas para toda a gente.
«O Jantar de Palermas» é uma comédia muito boa, espirituosa, inteligente e com uma grande lição de moral (que deveria ser ensinada a todos nós na infância, mas que muitos tendem a esquecer com o passar dos anos) com uma genialidade incrível e incapaz de ser superada. É mais uma prova de que os franceses têm mesmo jeito para isto!

Nota: * * * * 1/2

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