sábado, 8 de setembro de 2012

O Barão: Terror à Portuguesa

 

Bem vindos ao estranho e bizarro mundo de «O Barão», um filme português que pauta pela diferença e originalidade. Pude vê-lo há uns dias, na habitual retrospetiva de todos os filmes emitidos durante o ano pelo cinema King. É um filme curto, mas que deixa uma marca bem profunda, sendo, em parte, culpa da grande banda sonora criada propositadamente para o filme pelos Vozes da Rádio. 

«O Barão» trate-se de uma adaptação muito negra (e de certo modo algo exagerada) do pequeno conto da autoria de Branquinho da Fonseca. O tom do filme é inspirado pela adaptação cinematográfica original, feita por uma equipa de filmes de série B nos anos 40, que esteve perdido até o guião e duas bobines do mesmo terem ido parar às mãos de Edgar Pêra, que decidiu pôr mãos à obra e realizar um remake do filme original, utilizando cenários idênticos, filmando a preto e branco, e com um grande leque de atores (com destaque para Nuno Melo, que tem aqui uma interpretação que foi digna de receber um Globo de Ouro nacional). 

O Barão é um excêntrico indivíduo, proprietário de uma mansão, e que irá acolher um "senhor do ministério", que foi até à aldeia recôndita onde vive aquela estranha personagem barónica para avaliar o desempenho de uma professora. Ao tomar contacto com o mundo do Barão e com as suas ideias e memórias, o homem entra num mundo completamente diferente, onde reina a desordem e a supremacia do Barão face a todos os habitantes da aldeola. 

Edgar Pêra marca o filme com uma realização diferente e algo inovadora (se bem que algumas cenas são demasiado prolongadas ou até desnecessárias), e que tem um pormenor curioso: é emitido com legendas em inglês. Mas atenção: estas legendas são irrequietas! Elas não gostam de ficar ali quietinhas na parte inferior do ecrã. Elas saltam, andam de um lado para o outro, saem da boca das personagens... estas legendas complementam as emoções da história e de todo o ambiente. É uma ideia curiosa e que nunca tinha visto ser posta assim em prática, e vale a pena destacá-la. Outro pormenor digno de nota é a homenagem ao cinema de terror dos anos 40 e às semelhanças que a película tem com um verdadeiro filme feito nos anos 40. A nível estético, diga-se, o filme vale muito pela positiva. Mas a temática de «O Barão» e este estilo que apresenta poderá afastar muitas pessoas da visualização do mesmo - sucedeu que muitas pessoas começaram logo a levantar-se das cadeiras quando se aperceberam que o filme estava a chegar ao fim -. Mas no final, «O Barão« revela-se como um bom filme, com algumas falhas a nível de argumento, é certo, mas que revela-se ser algumas vezes surpreendente e cativante. E vale a pena esperar pelo final dos créditos: há uma surpresa escondida para os mais pacientes (e é algo que, com certeza, fará soltar algumas gargalhadas). «O Barão» mostra ser um filme português que pretende distinguir-se do panorama da cinematografia lusa, e consegue mesmo fazê-lo. Quem manda aqui é mesmo «O Barão»! 

 Nota: * * * *

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