O Artista



Estive há pouco a ver «O Artista». E achei que era mais importante para mim que exprimisse já a minha opinião sobre ele e deixasse para depois os vários filmes que, em atraso, gostaria de escrever umas palavrinhas (uma seleção muito diversificada, diga-se, mas continuando...).

Gostei muito do filme. E cada vez menos percebo que não me devo deixar condicionar pelas opiniões dos outros. Ouvi muita gente a dar pancada a este filme, e outras pessoas a elogiarem-no fantasticamente. Estava numa dúvida infinita se deveria ou não ver «O Artista», mas vi, e fiz muito bem, porque agora tornei-me parte do grupo de pessoas que encheram o filme de elogios. E bem merece, na minha opinião. É um filme que está muito bem executado e interpretado. Digam o que disserem do Jean Dujardin, não o achei nada exagerado (ao contrário do que muitos atores faziam na época em que o filme decorre), e pelo que conheço do Rudolfo Valentino (ator-inspiração para  a criação George Valentin, protagonista de «O Artista»), acho que a "homenagem" está muito bem feita.

A crítica portuguesa recebeu medianamente o filme. Tivemos críticas completamente diferentes umas das outras, e por causa do burburinho todo que a imprensa fez pelo facto do filme ser mudo e etc, alguns críticos esqueceram-se de avaliá-lo por si próprio e não se a homenagem ao cinema silencioso era ultra fiel ou não. Depois alguns aproveitaram qualquer pormenor negativo do filme para o rebaixarem (curioso que, quando são outros filmes que são do seu agrado, nem se dão ao trabalho de explicar porque é que gostaram dos mesmos. Basta meia dúzia de frases muito "poéticas" e já está feito...).

Outras pessoas diziam que «O Artista» era uma cópia barata do «Singin' in the Rain».Outras pessoas diziam que «O Artista» era uma cópia barata do «Singin' in the Rain».Mas não devem ser comparados! E «O Artista» mostra isso de uma maneira bonita e encantadora, através de um magnífico leque de atores e uma esplêndida banda sonora (que causa arrepios, de tão boa que é!). E o argumento não fica atrás. Não é a história mais original do mundo, mas funciona com todo o filme, e aliás, só funcionaria num filme feito desta maneira.

«O Artista» não pretende ser uma homenagem ao Cinema Mudo (aliás porque, se fosse assim, seria quase impossível executar um filme com as mesmas técnicas que, há mais de setenta anos, se fez, por exemplo, «O Garoto de Charlot»), mas uma homenagem ao Cinema em si e à preservação dos filmes, documentos históricos e sociais importantes para a compreensão da Humanidade. Além de ser um filme que deixa uma pessoa bem-disposta e pronta para continuar o seu dia de uma forma mais alegre, «O Artista» é um filme que nos transporta para uma época diferente e que quer dar a entender aos espetadores que o que está escondido nos armários poeirentos do Passado vale a pena ser descoberto. Ontem tinha escrito no facebook, em resposta a uma amiga minha, que "A Memória é o melhor instrumento do ser humano. Ponto.". E Michel Hazanavicius pretende isso mesmo: que as pessoas olhem para o amanhã sem se esquecerem do dia de ontem.

Nota: * * * * *

Comentários

  1. muito bem, aplaudo como se aplaudia o cinema há muitos anos!

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  2. Muito obrigado Pedro! Digo o mesmo sobre o seu blog, que tive oportunidade de visitar há pouco! :)

    Cumprimentos,

    Rui Alves de Sousa

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  3. "O Artista": 4*

    O filme "O Artista" é uma lufada de ar fresco para a época em que estreou.
    Mas este "The Artist" não é perfeito.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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