Está Tudo Iluminado


Como todos nós sabemos (isto é, excetuando o grupo de pessoas que ainda pensa que foi tudo encenado), a II Guerra Mundial foi um dos mais devastadores conflitos que alguma vez aconteceram no nosso planeta, deixando para o presente a memória de algo que nunca mais poderá voltar a acontecer, para o bem de todos nós. E «Está Tudo Iluminado», um filme realizado por Liev Schreiber e protagonizado por Elijah Wood e Eugene Hütz (que faz parte da mediática banda punk Gogol Bordello, responsável por algumas canções da banda sonora do filme), aborda o pós-guerra e as gerações que vieram depois daquelas que vivenciaram as horríveis práticas nazis que deram origem ao Holocausto.

Baseado numa história verídica, «Está Tudo Iluminado» é um notável exercício de cinema onde se destaca o maior interesse que o realizador, o argumento e a obra literária de Jonathan Foer (da qual o filme se baseou) mostram em dar a entender como é importante preservar a memória do passado. Através da personagem do próprio Jonathan, um colecionador impulsivo de... coisas, envolvendo pessoas próximas dele e os ambientes em que vive, e que quer descobrir o passado que rodeia a sua família judaica e procurar resposta para as diversas questões que estão por resolver, o filme conduz-nos numa grande viagem até à Polónia, em busca dos antepassados de Jonathan, que vai acompanhado por Alex (interpretado por Hütz), o Avô deste (Boris Leskin) e uma cadela com alguns problemas psicológicos e comportamentais (resumindo, é passada dos carretos!), representantes de uma agência que, propositadamente, quer ajudar os judeus a encontrar o seu passado "holocáustico" (e sim, todas as situações desta vida são ideais para o marketing...).

«Está Tudo Iluminado» mostra ser uma história que marca diferença pela sua originalidade, pela maneira que utiliza para chegar junto da audiência, e por não precisar de clichés lamechas ou lições de "overacting" para nos convencer que a lição que o filme nos dá é muito importante. Muito subjetiva, sim, mas importante. Destaco também a banda sonora, com diversas sonoridades vindas de bandas da Europa de Leste e que estão muito bem misturadas e selecionadas, e a belíssima fotografia do filme, que nos dá a permissão de contemplar a beleza das paisagens da Polónia, à medida que acompanhamos a viagem de Jonathan e companhia. É um filme que, além de querer ensinar às pessoas que o passado faz o presente, quer também comprovar que, por mais forte que uma pessoa possa ser, num ambiente de guerra, e rodeada pelos horrores e tragédias da mesma, é impossível não ficar com imagens e situações (e também alguns traumas) para o resto das suas vidas. São situações que não se esquecem, e esta viagem, tal como Alex pronuncia no início do filme (quando faz uma hilariante descrição do seu ambiente familiar), mudou as vidas daqueles sujeitos para sempre (incluindo a cadela!). «Está Tudo Iluminado» é uma boa produção cinematográfica americana que pede pelo reconhecimento e pelo debate dos temas que envolve o seu argumento, porque são destes pequenos e simbólicos filmes que surgem mais hipóteses de reflexão e discussão (amigável) sobre o que nos aflige no nosso quotidiano. Um filme a ver!

Nota: * * * *

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