Doze Homens em Fúria


Doze indivíduos completamente diferentes formam o júri que terá de decidir qual o destino a dar a um jovem acusado de ter morto o próprio Pai. Todas as provas apresentadas vão contra o pobre moço. E onze dos jurados afirma a sua culpabilidade. O outro (interpretado pelo Grande Henry Fonda) está convencido da inocência do jovem, e contra todos os seus outros colegas e evidências, tentará convencê-los de que a sua opinião corresponde à verdade dos factos. O resultado? Um dos melhores e mais convincentes filmes sobre a justiça e a sociedade alguma vez feitos. 

Muitas vezes nenhum de nós consegue aperceber-se da complexidade que um caso jurídico tem (mais cá em Portugal que em outros países, é certo, mas adiante...) e todos os processos que levam à conclusão do mesmo. Mas acho que não é esse o tema principal de «Doze Homens em Fúria», o filme que marcou a estreia do Grande Sidney Lumet nas artes cinematográficas, que revela aqui uma abordagem ao filme que difere muito dos seus grandes clássicos dos anos 70 (década que foi a de ouro para o realizador. Basta pensar em «Serpico», «Um Dia de Cão» e «Escândalo na TV). A ação do filme desenrola-se quase na sua totalidade na sala em que os jurados se reúnem para debaterem o caso que têm em mãos. E ao longo do filme percebemos qual é a grande temática do mesmo: é a responsabilidade que dão a cada um daqueles jurados. Têm a vida daquele rapaz nas mãos. Se o considerarem culpado, é condenado à cadeira elétrica. E se descobrirem que, afinal, ele é inocente, é bem provável que lhes seja provocado um trauma para o resto das suas vidas. E caramba, se não acham que isto não é uma responsabilidade de peso, que passados mais de cinquenta anos sobre a estreia do filme (embora já tenha sido abolida a morte na cadeira elétrica) continua a ser um tema de debate muito interessante e preocupante, então nem vale a pena verem «Doze Homens em Fúria». Este é um filme notável, com certeza. Sidney Lumet mostra-se um indivíduo preocupado pela sociedade e por filmar os pequenos defeitos que o sistema judicial e político dos EUA apresentam, e que ainda hoje são atualíssimos. 

Outro ponto interessante deste filme é o facto de podermos acompanhar a evolução das personagens e como elas se apresentam melhor umas às outras e a nós mesmos. Conseguimos perceber as mentalidades de cada jurado (distintas umas das outras, diga-se) e os problemas de vida que cada um tem que enfrentar no dia-a-dia. E não precisamos de sair daquela sala, durante a maior parte do filme, para termos uma trama tão ou mais complexa que muito clássico sobre a justiça ou a política que hoje é conhecido e estimado. E aí está o trunfo de Sidney Lumet: consegue dar mais interesse a um único cenário que muitos realizadores nem atingem com efeitos especiais, cenários em 3D e coisas do género. É um filme muito educativo que todo o adolescente deveria ver, para aprender algumas coisas para a vida. Também dá para fazer uma pergunta: Como seria connosco, se tivéssemos num tribunal, a discutir um caso assim? Será que pararíamos para pensar e para tentar perceber o que está em jogo, ou só quereríamos era despachar aquilo e ir para o estádio, o mais rapidamente possível, ver o jogo da nossa equipa favorita (a preocupação de uma das personagens)? 

«Doze Homens em Fúria» é um extraordinário filme sobre o poder da justiça e o poder dos cidadãos. Uma grande lição de cinema e um filme que merece todo o reconhecimento que lhe possam dar (e justamente, é um dos filmes com melhor votação do IMDB). É um filme que chega a todos e que todos devem ver, sem dúvida. Um filme intemporal quer pelo seu conteúdo, quer pela lição social que pretende transmitir ao espetador.

Nota: * * * * * 

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