domingo, 2 de setembro de 2012

A Lenda de 1900


«A Lenda de 1900» é um dos filmes mais desvalorizados dos últimos anos, muito por culpa de duas coisas: é realizado por Giuseppe Tornatore, cujo filme «Cinema Paraíso» teve um sucesso tão extrondoso e tão profundo que qualquer obra que o realizador fizesse a seguir poderia ser abafada por esse filme; e o facto de partilhar o número do título com o filme gigante de Bernardo Bertolucci (sim, é normal as pessoas confundirem os dois filmes). Mas sei que há uma diferença entre os dois filmes: o «1900» só consegui ver a primeira parte e tenho a segunda guardada para quando achar que já estou preparado para a ver (e atenção, não consegui ver o filme todo não por ser muito grande - porque vi as três horas da primeira parte de seguida - mas porque não achei bom o suficiente para, de momento, estar a investir mais do meu tempo na continuação do visionamento de outras três horas).

Mas apesar de tudo, temos em «A Lenda de 1900» um grande filme épico, com alguns toques de lamechice, é verdade, mas que se adequam ao contexto da história e que, em parte, faz lembrar o «Cinema Paraíso» (estão a ver? É impossível falar nalguma coisa feita pelo Tornatore sem fazer pelo menos uma referência ao seu filme vencedor de Oscar!). Estas parecenças notam-se mais no que diz respeito às características formais da história do filme: somos presenteados com muitos flashbacks para ilustrar as memórias do passado de uma personagem que conheceu fulano tal, indivíduo que o marcou para toda a vida, e que do qual nada soube durante não-sei-quantos anos. E atenção: apesar de estar a falar de uma maneira que parece um pouco depreciativa, eu gostei bastante do filme. Só sei é que as pessoas que viram os dois filmes deverão perceber. É que as duas histórias têm estas semelhanças (e também algumas outras, embora menos significativas).

Contudo, apesar de, efetivamente, não conseguir sair da sombra do filme da história do pequeno Toto, «A Lenda de 1900» consegue ser um filme próprio, com a sua história. Um pouco irreal, um pouco desconcertante, mas que consegue brilhar durante as suas duas horas de duração e que culmina com um final que nos fica na memória (aqui é que entra a lamechice, mas da boa, à maneira italiana). Só acho é que aquela cena no mar, com o barco, perto do fim... poderia ter sido mais subjetiva. Não era preciso atirarem-nos com "aquilo" à cara. Mas enfim, de resto, nada tenho a criticar, e só me restam elogios: a Tim Roth, o ator que agarra no papel do indivíduo chamado 1900 e faz um papelão, uma interpretação muito bem construída, e ao compositor Ennio Morricone, que para não variar, fez mais um trabalho de génio a nível musical. O filme vale muito a pena, e acho que é injusto que não seja um filme mais conhecido e admirado, porque sem dúvida, merece. «A Lenda de 1900» é um filme bonito e encantador, que poderá fazer deitar umas lágrimas a alguns, mas não por acharem que esteja a ser mau. Disso tenho toda a certeza!

Nota: * * * * 1/2

1 comentário:

  1. Assisti e amei!!! É uma pena ser um filme tão desconhecido...

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