sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Rui Responde n.º 16 - O Regresso!

E eis que, finalmente, regressa esta famigerada rubrica do meu blog, que eu já tinha tantas saudades. E poderá manter-se no ativo por mais algum tempo. Basta mandarem as vossas perguntas para a caixa de comentários deste post ou para os meus mails. Quantas mais perguntas mandarem, mais vou eu ter de responder e de puxar pela cabeça, procurando respostas inventivas e patéticas.

Até agora tenho sete perguntas, o que me assegura duas edições (esta e mais outra) e uma pergunta que sobra para uma outra hipotética edição. Por isso, mandai as vossas perguntas, seres humanos possivelmente mais reais do que eu!

Mas vamos lá então pôr mãos à obra e responder a estas três perguntas (ai, as saudades que eu tinha disto!), e que são bem tramadas!

46.ª pergunta (uau, conseguiram fazer, até agora, mais de 46 perguntas sobre a minha pessoa? É obra!)

Se neste momento tivesses recursos ilimitados, que filme tu gostarias de fazer?

Tiago Videira (a.k.a Musicólogo)

Ui, logo para começar bem, uma pergunta complicada. O Musicólogo, junto com a pergunta feita, enviou uma descrição detalhada do que queria que a resposta à mesma contivesse («quero uma resposta imaginativa e detalhada: que história quererias contar e porquê, que actores gostarias de utilizar, que cenários, que tempo, que técnicas... etc... Puxa pelo teu desejo interior e mostra-me "o teu filme". Isso deverá dizer muito de ti e do que gostarias de oferecer ao mundo»). Bem, cá vou eu tentar responder a esta pergunta, que prometi que seria o mais detalhada possível:

Se eu tivesse, neste momento, tivesse recursos ilimitados, acho que gostaria, primeiro, de fazer um destes três projetos, todos baseados em livros que li e que gostei bastante:

1.º - Uma nova versão da «Crónica dos Bons Malandros». A meu ver, a versão do Fernando Lopes tem pouco do espírito da obra e tornou-se já um filme muito datado e muito chunga. Quando vi o filme fiquei muito dececionado por estar tão... tão... fraquinho. E não é por falta de recursos, não me venham cá com essa história. OK, podem não ter conseguido fazer a cena do (SPOILER) assalto à Gulbenkian (FIM DO SPOILER), mas era preciso colocar, para substituir, uma cena bizarra semelhante ao que uma pessoa pode ver se consumir cogumelos alucinogénicos? Até poderiam ter alterado um pouco a história e, sei lá, fazer noutro museu, ou lá o que fosse... mas nem isso poderia salvar muito o filme porque muitas vezes parece mais um reconto da história do que propriamente um filme... E quando acabei de ver o filme pensei logo que, se um dia trabalhasse no mundo do cinema, talvez seria uma boa ideia repescar a «Crónica dos Bons Malandros» e fazer um filme como deve ser. Não uma obra-prima, que dessas coisas não seria capaz, mas um filme melhor, um filme no verdadeiro sentido da palavra, e que fosse mais fiel ao estilo zambujalesco do livro. Para atores, até que seria giro trazer os do filme original, já todos septuagenários na atualidade, para um remake, mas não era capaz de ser boa ideia. Talvez na altura teria de fazer um grande casting para encontrar as pessoas certas para aquele rol de personagens fascinantes, como o Renato o Pacífico, o Silvino Bitoque (se não me falha a memória), etc, etc, etc. Cenário? As ruas de Lisboa, as mesmas do filme original. E a época, bem... acho que para uma história destas, não sei se poderia ambientar na atualidade ou na altura em que o livro foi feito... mas entre as duas hipóteses, acho que estou mais virado para os anos 80. Gostaria de fazer o filme utilizando o estilo de Martin Scorsese nos seus filmes de gangsters, com aquele ritmo rápido e fluído, que é o que perpassa toda a crónica de Mário Zambujal.

2.º - Uma adaptação do romance «The Catcher In the Rye», de J. D. Salinger. Li o livro no ano passado, adorei-o e tornou-se num dos meus preferidos de sempre. É um livro muito controverso e que semprem esteve envolvido em polémica (mais por causa do assassino do John Lennon que por outra coisa), e acho que, apesar de ser um livro muito bom e muito difícil de adaptar ao grande ecrã, gostaria de experimentar. Acho que, com muito trabalho e esforço, conseguiria fazer algo de bom, que não perdesse o espírito do livro e que conseguisse mostrar o melhor que Salinger escreveu na obra. É um daqueles projetos impossíveis, que gostaria de fazer, mas que, por um lado, tenho medo de meter a pata na poça. Mas porque não experimentar? Quem não arrisca não petisca! Em termos de atores, acho que é muito difícil estar aqui a escolher nomes. Não sei de nenhum ator da atualidade que vejo que seria bom para o papel do protagonista do livro ou para livro nem para as personagens secundárias. Teria de fazer outro casting, em busca de novoas talentos. Os cenários seriam também reais, ambientados nas ruas e espaços citados pelo livro, e a época também teria de ser a mesma do livro. Acho que na atualidade não funcionaria, mesmo, perderia muito por isso (apesar de, quando estava a ler o livro, sentia que aquelas cenas se passavam nos dias de hoje, poderiam ter sido escritas hoje que seriam iguais. Mas acho que, ambientadas na época descrita do livro, poderiam ter mais impacto e poderiam mostrar como as diferentes gerações tem vários pontos em comum umas com as outras. Para este filme, acho que uma realização com os estilos de Francis Ford Coppola e Sidney Lumet juntos, seria capaz de resultar. Para filmar um livro deste calibre, era preciso um misto de inspirações no «Serpico» e também no «Padrinho», vá-se lá saber porquê, mas acho que, se bem misturados, fariam a receita ideal para a melhor adaptação que eu poderia fazer de «The Catcher In the Rye».

3.º - Uma adaptação do romance «O Som e a Fúria» de William Faulkner. Este seria o projecto mais impossível dos projectos mais impossíveis do planeta, mas era outro livro que eu gostaria de ver adaptado ao cinema. Li o livro este Verão (proximamente falarei dele num post dedicado aos livros que li nestes férias), e acho que foi o mais marcante desta estação. Gostei imenso do livro e foi outro que subiu logo para o topo dos melhores que li até hoje. À medida que ia lendo o livro conseguia ver a cinematografia da história na minha cabeça, e acho que, apesar de ser um livro muito complexo e, por isso, muito difícil de ser bem adaptado ao cinema, gostaria de estar metido neste projeto. Ou então, se só pudesse filmar parte da história (que é tão longa que, se calhar, daria um filme de cinco horas), escolheria os dois últimos capítulos, mais próximos de uma narrativa mais linear e que eu considerei os mais cinematográficos do livro. São muito intensos, cheios de episódios muito interessantes e que merecem ser vistos no grande ecrã. E acho que devo ter um problema em relação a atores, porque nesta caso também fico um bocado confuso e não sei bem quem escolheria. Mas talvez até punha o Robert de Niro ou o Al Pacino a fazerem o papel do Tio Maury, vejo os dois atores como bons para esse papel. Em termos de cenários, seria a propriedade dos Compson (a família protagonista do livro) e, se fosse filmado o segundo capítulo da obra, teria de filmar na Universidade de Harvard (espaço onde se desenrola essa parte do livro). Em termos de técnica, utilizaria mais uma vez a referência do «Padrinho», uma história também sobre uma família, mas misturado com a obra-prima «O Gigante» de George Stevens. Vi muito deste filme neste livro e acho que poderia ser uma ótima inspiração se eu pegasse neste livro. Pensando bem, até era giro pôr o James Dean no papel de Quentin. Mas pronto, o ator já não está entre nós, e isso é impossível que aconteça. O tempo a utilizar também teria de ser o do livro, já que o mesmo segue uma dada cronologia narrativa.

47.ª pergunta

Tens alguma fobia?

Rita Gonçalves

É curioso porque tive de ir checar outra vez as anteriores edições do «Rui Responde» porque pensava que já tinha respondido a esta pergunta (e não, não tinha. Mas reparei foi como me tornei um pouco menos infantil em dois anos. É obra!). A resposta à tua pergunta poderá causar o gáudio dos meus arqui-inimigos, que se poderão aproveitar, assim, dos meus pontos fracos para me atacarem mais facilmente e destruírem o meu Império colossal e "ruiossal"... OK, chega de palermices.

Fobias não tenho muitas. Acho que é mesmo só uma. Tenho um pequeno trauma com abelhas. Quando era mais novo (tinha doze anos, se não me falha a memória) estava a jogar ténis ou lá o que fosse e uma abelha entrou-me para dentro dos óculos. Inteligente como sou, decidi tapar o olho a ver se a abelha ia-se embora (estava em pânico, claro) e ela ferrou-se-me mesmo na sobrancelha direita. Acho que foi mais ou menos a partir dessa altura que me fui apercebendo que o sotôr oftalmologista tinha razão: não preciso de andar com os óculos postos na rua. Não me faz falta. Só para ler, ou para ver televisão, ou para escrever estas baboseiras, isso sim, preciso das minhas lunetas. Mas para andar na rua, "jamé"! Aliás, porque o facto de ter retirado este acessório ajudou-me a ser um grande galã género Zézé Camarinha e... não. Com óculos ou sem óculos continuo a ser o mesmo idiota de sempre. Disso não tenho dúvidas.

48.ª pergunta

O que é suposto a vida ser?

Rita Gonçalves

Pronto! Claro! Tinha de ver a típica pergunta filosófica! Já se previa, não é? Porque é que às pessoas mais normais do mundo as pessoas perguntam estas coisas? Porque é que se dão ao trabalho de quererem saber o que eu opino sobre assuntos de uma complexidade refletiva tão vasta e longínqua do meu pequeno pensamentozinho? Porquê?

Deixando-me de queixinhas à parte, acho que cheguei à conclusão que é suposto a vida ser isto (citando os Monty Python):
Try and be nice to people, avoid eating fat, read a good book every now and then, get some walking in, and try and live together in peace and harmony with people of all creeds and nations.
Este é o significado que o grupo de humoristas arranjou para definir a vida, no filme «O Sentido da Vida». E eu acho que é isto mesmo. Às vezes as pessoas gostam de dar complexidade às coisas. Porque é que não podemos viver simplesmente e aproveitar tudo o que a vida nos dá? Para quê estar a inventar sentidos para a vida complicados se nunca servirão para nada? Por isso, digo, que a vida é suposto ser algo de bom para nós que deve ser aproveitado ao máximo.

E Pronto, ficam aqui estas três perguntas respondidas. A propósito desta última, Carpe Diem para todos vós e bom fim de semana. E claro, mandem as vossas perguntazinhas, sim?

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