sexta-feira, 24 de agosto de 2012

R.I.P ao único canal de interesse dos generalistas

É pena que a RTP2, o único canal que tinha alguma programação de interesse durante a noite acabe... A RTP2 é um poço de cultura sem fim que vai ser destruído... é pena... Depois queixam-se que os canais de cabo aumentem a audiência...
Que mais posso dizer? De novo nada, toda a gente já manifestou a sua opinião. Apenas posso acrescentar que dantes a concorrência das generalistas era novela, documentário, novela e novela. Agora vai ser novela, novela e novela...

2 comentários:

  1. Uma provocação/reflexão: deve um programa sem audiências existir? Com que fim?...

    Se a RTP2 vai acabar e não a RTP1 ou outra qualquer é porque não tem audiências para se manter e porque as outras têm e dão lucro.

    Deve o estado andar a pagar programas que não dão lucro?

    Deve o estado subsidiar "cinema" que ninguém vê? Como há uns tempos criticaste. Deve o estado subsidiar "ópera"? "Artes experimentais"? "Macacadas ao piano"? Já te vi ser muito crítico em relação à arte e cultura experimental, de vanguarda, de franja ou de nicho, não percebo o espanto.

    A RTP2 é um canal cultural e de nicho. Como é óbvio não tem audiências. Como tal será que o estado tem de a sustentar?...

    Eu tenho a minha opinião, mas sou coerente. Não só em relação à RTP2 mas em relação a tudo. Acho que sim, acho que há certas actividades importantes que pelo seu carácter instrínseco não podem nem devem visar o lucro, como tal, são necessariamente subsidiadas ou existem à custa de mecenas. (A investigação em geral, filosofia, ciência fundamental, artes experimentais, etc).

    Agora, talvez o mais interessante seria perguntar "E porque não tem audiências"? E o que deveria ser feito para mudar isso.

    Eu só digo isto: temos o país que merecemos, temos os políticos que merecemos, são um reflexo da população em geral e do seu nível social, antropológico e cultural.

    Basta ver o que dá lucro neste país, as sondagens, as coisas que se vendem e consomem. E também basta ver o que está constantemente negligenciado, esquecido, criticado. É só olhar e ver.

    Basta atentar no que tem valor para as pessoas. Ética e culturalmente. Olha à tua volta e olha para dentro de ti. Somos todos um pouco culpados pelo estado de coisas.

    Cada Português que vê futebol ou uma tourada está-lhe a dar valor. Cada Português que vai ao supermercado comprar maçãs espanholas porque são mais baratas. Cada Português que vai ao cinema ver um filme estrangeiro ou cada vez que ouve uma música pop comercial, cada vez que vai a uma discoteca e se chateia se não houve o transe estrangeiro habitual. Cada Português que atira um papel para o chão, que usa o carro em vez de comboio ou metro. Cada Português que não compra um quadro a um artista de rua, que deixa uma sala de um Botelho vazia, que vota PSD/PS/CDS, que fuma um cigarro, que deixa um cocó de cão na rua, que atravessa fora da passadeira, que chega atrasado a uma consulta, que não pede ou passa factura, etc...

    Por isso, nada de espantar. Nem nisto, nem na maioria das outras situações. Está tudo coerente e somos todos culpados. :)

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  2. Por isso mesmo, os programas sem audiências devem existir, aliás, porque são os únicos que mexem na sociedade. Por exemplo, se a BBC não tivesse deixado que cinco jovens ingleses e um americano fizessem um tal programa chamado «Monty Python's Flying Circus», apesar dos baixos ratings da época (muito por culpa da péssima gestão da BBC), a comédia não seria a mesma hoje...
    O mesmo para os filmes do Oliveira. Eu, pessoalmente, não sou apreciador desse género de cinema, mas acho que deve ser transmitido, para termos uma programação mais abrangente.
    Em relação à política, penso que isso não tem muito a ver com os partidos em si, mas sim com as pessoas que os representam... Faz falta pessoas a sério, e isto em todos os partidos...

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