O Terceiro Homem



«O Terceiro Homem» é um dos maiores clássicos de sempre da História do Cinema, e um dos expoentes máximos do “film-noir”. É um filme excecional, e que só pude ver pela primeira vez ontem à noite. Fiquei imediatamente fã do filme, de toda a sua atmosfera, das suas personagens e da sua história. Aliás, eu já conhecia a história porque antes tinha lido o pequeno romance de Graham Greene que serviu de base à criação do filme. Mas se me guiasse apenas pelo livrinho, poderia pensar que o filme é completamente dispensável e uma perda de tempo (apesar de até ter gostado de o ler, fiquei um bocado de pé atrás porque não me pareceu ser nada de especial). Contudo, depois de ver o filme, mudei completamente de ideias. Além de várias cenas e pormenores da história terem sido acrescentados à versão original planeada por Greene no papel, a pobreza do texto é esquecida devido à grande força do elenco e da arte que este filme proporciona. Ler apenas o livro não nos consegue fazer perceber, à partida, como o filme pode ser tão bom, e mesmo melhor que o romance (um caso parecido com o que sucede com «Psycho» de Alfred Hitchcock).
O início do filme não é, de todo, banal. Aliás, é o género de abertura de um filme que deve ter sido muito bem pensada para agarrar o espetador e fazê-lo continuar a ver o que se irá desenrolar posteriormente. No início do filme ouvimos uma voz-off (que, segundo a Wikipédia, é a do próprio realizador do filme, Carol Reed) que nos quer fazer parecer familiar (fala num tom como que nos conhecesse há muito tempo e nos estivesse a contar uma história, qual avôzinho sentado no sofá rodeado pelos netos) e que nos explica um pouco do ambiente e das circunstâncias em que decorre a história do filme. E bem, estamos numa época pouco posterior ao final da II Guerra Mundial, na cidade de Viena que está dividida em quatro partes para os quatro países que, fundamentalmente, fizeram parte desse conflito: Inglaterra, EUA, Rússia e Alemanha.
Joseph Cotten (um ator pouco reconhecido e injustamente esquecido do público, que aqui tem uma grande interpretação) é Holly Martins, um escritor de romances baratos que vai até Viena para se encontrar com o seu grande amigo Harry Lime, que lhe ofereceu um trabalho na cidade. Mas logo após a sua chegada à casa de Lime, Holly recebe a notícia do falecimento do mesmo, vítima de um acidente automóvel. Mais tarde, Holly conhece Anna, a namorada de Lime, e as duas pessoas que estiveram com ele quando morreu: o Barão Kurtz e Popescu. À medida que o filme se vai desenrolando, e à medida que Martins aborda as pessoas que conheciam Lime, apercebe-se que a morte do seu amigo de infância poderá não ter sido acidental…
«O Terceiro Homem» é um filme que está muito bem realizado, que recorreu à utilização de planos e ângulos de câmara diferentes e sem dúvida inovadores para a época (e cuja inovação persiste nos nossos dias). A atenção ao pormenor e a filmagem de certos elementos peculiares chamou-me a atenção. 
Gostaria também de salientar a excelente banda sonora do filme, composta por Anton Zaras e tocada com apenas um único instrumento, o “Zither”. É impossível não ficarmos com a música de abertura do filme (que se repete diversas vezes ao longo do mesmo) na nossa cabeça durante horas. É uma grande banda sonora, muito simples, mas muito eficaz, e que é uma das mais reconhecíveis e lendárias de todas as bandas sonoras de todos os filmes do planeta.
Cada vez mais gosto de “film-noir”. É que os filmes deste género são mesmo daqueles filmes que são impossíveis de serem vistos a cores. Se fosse feita uma nova versão de «O Terceiro Homem» sem este tom acinzentado, acho que, com certeza, o filme não teria a mesma tensão, a mesma profundidade e a mesma originalidade que carrega. É como os Simpsons. Poderiam não ser amarelos? Sim, mas não era a mesma coisa. Homer Simpson igual a nós? Côa breca! Este é um filme completamente… perfeito, e merece todos os aplausos que forem possíveis receber. Influenciou e continua a influenciar muitas gerações, e é obrigatório todos verem!

Nota: * * * * * 

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