quarta-feira, 25 de julho de 2012

Um Hotel à Inglesa

Depois de ter começado a regressar às origens do melhor da comédia inglesa e às aulas dos grandes "Professores" das artes da Gargalhada com o papanço completo dos primeiros 7 episódios do primeiro volume da coleção dos Monty Python (a sair com o Jornal Público), veio ao de cima a vontade de rever outra grande série de humor britânica que deu cartas em todo o mundo, e cuja popularidade (de gigantescas proporções) continua a dar que falar.
Esta pessoa que sou eu está a referir-se ao verdadeiro "must" que é a série «Fawlty Towers». Escrito por um dos Pythons (o Senhor John Cleese) em parceria com a sua mulher de então (Connie Booth), esta britcom segue um modelo tradicional da comédia de enganos, mas de uma forma completamente nova (muito graças à personagem de Cleese, o irritantemente divertido Basil Fawlty, que é o proprietário, com a sua mulher Sybil, do Hotel Fawlty Towers) e que arranca sorrisos, risos e explosões fatais de gargalhada que não deixam ninguém com o mesmo ar de tédio com que estava antes de pegar num episódio desta magnífica série.
«Fawlty Towers» desenrola-se no dito hotel, com as voltas e reviravoltas do casal Fawlty (que se muito bem, tão bem como Deus e os Anjos...) e dos seus empregados Manuel e Polly, nas mais diferentes situações, envolvendo clientes, turistas, empreiteiros, um rato de estimação, ou outras tantas peripécias, que inundam os doze episódios que constituem este marco da Televisão Britãnica, divididos em duas temporadas de meia dúzia (e acreditem: um único episódio desta série dá muito mais que uma temporada completa de muita sitcom que anda por aí...).
Embora goste bastante de toda a série «Fawlty Towers», quando peguei no DVD para a começar a re (re-re-re-re) ver, decidi que tinha de me iniciar com o último episódio da primeira temporada, intitulado «Os Alemães», e pude concluir que continua a ser o meu favorito. É comédia em estado puro. Acho que é um episódio que está tão bem escrito, tão bem interpretado e tão bem "timing"zado que supera todos os outros. John Cleese vai até aos limites da sua genialidade, com uma representação (sempre) hilariante de Basil Fawlty, que neste episódio, se vê com três problemas na cabeça: a chegada de um grupo de turistas alemães ao hotel, um exercício de prevenção de incêndios... e uma cabeça de alce. O que é que se pode estar à espera, vindo dessa mente inovadora e totalmente irredutível que influenciou para sempre a História da Comédia? Uma meia hora em que o espetador dará várias gargalhadas por minuto. 
Apesar de eu achar que as duas temporadas são bastante diferentes entre si (também têm quatro anos de diferença, o que pode justificar essa diferença) e que a primeira está um pequeno patamar acima da segunda, penso que vale muito a pena ver os doze episódios. Não sairão defraudados, garanto! E mais! Garanto ainda que, quando chegarem aos créditos finais do último episódio de «Fawlty Towers», irá apetecer-vos voltar àquele hilariante universo e voltar a travar conhecimento com Basil, Sybil, Polly e Manuel, que são também auxiliados por uma mão cheia de personagens secundárias também bastante caricatas e marcantes. «Fawlty Towers» não é uma série comum, porque deixou o seu lugar na memória de sucessivas gerações, pelo facto de manter a mesma graça que sempre teve e por não ter perdido nada com o passar dos anos. Esta é uma grande lição para as cadeias de televisão dos nossos dias: talvez se se deixassem de queixar da crise e resolvessem apostar em formatos deste tipo, que não são muito dispendiosos (aliás, muito menos dispendiosos que a maior parte dos programas que passam agora nas generalistas, sítios onde trabalham os senhores que se queixam da falta de dinheiro), a caixinha mágica seria um lugar mais divertido para se visitar. E Basil Fawlty continuaria irrascível e stressado como sempre. Mas isso é outra história...

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