terça-feira, 24 de julho de 2012

O Rei dos Gazeteiros



Não tenho dúvidas em afirmar que as melhores comédias feitas mais especificamente para o público adolescente foram apresentadas aos seres humanos na década de 80. E digo isto porque, basicamente, há muitos filmes do género desses anos que sobreviveram até hoje e que as novas gerações continuam a admirar de uma forma muito intensa. Casos como, por exemplo, a trilogia «Regresso ao Futuro» e este filme que vi ontem, «O Rei dos Gazeteiros» exemplificam muito bem esta teoria. Afinal, são comédias com mais de vinte anos, mas que continuam mais universais, cativantes e inesquecíveis que muitos filmes dirigidos aos mais jovens que são feitos hoje em dia (que, geralmente, costumam dar que falar durante uma semana e depois, segundo uma outra teoria minha um pouco mais patética, vão para uma espécie de caixote do lixo de material-que-mesmo-que-tenha-sido-lançado-ninguém-se-recorda-da-existência-do-mesmo-devido-ao-facto-de-se-tratarem-de-filmes-obsoletos-e-sem-razão-para-serem-vistos. Ui, e como este caixote deve estar a abarrotar...). 
«O Rei dos Gazeteiros» é uma boa comédia sobre as crises da adolescência e da tomada de consciência dos mais jovens para a sua liberdade e autonomia em relação aos seus Pais. Mas o que gostei preferencialmente neste filme é que o tema da adolescência não é tratado como uma coisa idiota e "morangos-com-açucarada". Não trata os adolescentes como palermas estúpidos, mas sim como pessoas que até têm preocupações para com a sua vida futura (bem, pelo menos alguns). E neste filme são-nos mostrados três jovens que, apesar das suas brincadeiras típicas da idade, são personagens com que nos conseguimos, em parte, identificar. E penso que, numa comédia deste tipo, conseguir criar um universo tão bem definido e tão atrativo para as audiências, é muito difícil de conseguir. E ainda mais difícil é de persistir no tempo e continuar atual, mas felizmente, «O Rei dos Gazeteiros» consegue essa proeza. Foi-me difícil não rir nem achar familiar muitas das proezas que Ferris Bueller arranja para conseguir concretizar o seu dia de folga da vida escolar, e que, juntando-se à namorada e ao melhor amigo (sofredor de graves problemas existenciais, digamos), conseguem tornar aquele dia de "baldanço" do liceu como um ponto marcante para as suas vidas.
Penso que «O Rei dos Gazeteiros» falha mais significativamente num aspeto: o ritmo não é bem controlado, sendo muitas vezes parado e disfuncional com a própria ação do filme. Mas aparte disso, gostei de o ver, e penso que merece ser revisitado. Esta pode não ser uma obra-prima da História do Cinema, mas tem uma carga psicológica para uma pessoa da minha idade (e, penso, para as restantes faixas etárias) muito maior do que possa aparentar.

Nota: * * * * 

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