terça-feira, 31 de julho de 2012

O Rei da Comédia

Aqui temos mais uma pérola perdida da História do Cinema, mas que desta vez tem a assinatura de outro incontornável dessa arte: Martin Scorsese. «O Rei da Comédia» é o título do filme, que marca o fim do primeiro período de trabalho entre este Grande realizador e o ator Robert de Niro (uma parceria que só voltaria a suceder-se em 1990, com o filme «Tudo Bons Rapazes»). Este filme tem um valor muito significativo nos dias de hoje, em que a busca pela popularidade e pelos célebres "cinco minutos de fama" é tão obsessiva como nos anos 80, altura em que o filme foi feito (mas digo que, talvez, hoje em dia essa obsessão consegue superar a dessa década...). 
«O Rei da Comédia» aborda, através da personagem Rupert Pupkin (interpretada de forma insuperável por Robert de Niro), a ilusão do Sonho Americano. Pupkin é um comediante amador que anseia conhecer e aparecer no programa televisivo "late night" do seu ídolo Jerry Langford (interpretado por Jerry Lewis). Mas a sua ambição e o orgulho que tem no seu próprio "talento" não o fazem perceber a realidade do panorama televisivo, o que faz com que caia na ilusão da facilidade televisiva. Pupkin não se apercebe que não é o seu ídolo que controla o seu próprio programa de TV, mas sim os senhores da cadeia de televisão e toda a equipa que o realiza, escreve e produz todas as noites, para chegar a todos os lares americanos. Pupkin pensa que o Mundo está a seus pés, e que conseguirá conhecer o seu ídolo e tornar-se numa grande estrela como ele. Contudo, ao longo do desenrolar do filme, Rupert consegue perceber que nunca conseguirá entrar no programa pela via normal das coisas, e então, decide utilizar métodos pouco ortodoxos para atingir os seus objetivos e conseguir singrar, finalmente, no "reinado" da comédia. 
Este é um filme muito apropriado também para se enquadrar no recente "boom" de novos humoristas portugueses que têm vindo a surgir (e que, definitivamente não pára): apesar de haver grandes talentos, é pena que, muitas vezes, alguns, com grande talento, se deixem arrastar pela facilidade e, depois, não chegam a ser ninguém no mundo da comédia. E depois, por outro lado, temos outros que, sem um pingo de graça, ainda conseguem andar por aí a fazer coisas, e isto porque até trabalharam para alcançar o que queriam (ou que achavam que mereciam...). 
Numa altura em que supostos "reis da comédia" crescem das árvores a uma velocidade cada vez mais vertiginosa, este filme torna-se uma boa peça para compreender a realidade do mundo do espetáculo, e também para exemplificar, mais uma vez, a grande versatilidade desse grande realizador que é Martin Scorsese, que aliado à interpretação de Robert de Niro e a um argumento muito bem escrito, faz a combinação perfeita para a criação deste filme, que se tornou um visionamento muito bom e que é, de certeza, um filme para ser visto. 

 Nota: * * * * 1/2

Sem comentários:

Enviar um comentário

Se chegaram até aqui e tiverem alguma mensagem, crítica, ou opinação a fazer em relação ao que acabaram de ler, façam o favor de o escrever aqui. A gerência agradece e responde (se não forem nenhum príncipe da Malásia que tem 10 milhões de dólares para me oferecer, claro).